Dupla Re-Pa estreia na Série C com transmissão da DAZN

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O DAZN, primeiro serviço de streaming de esportes ao vivo e on demand do mundo, acaba de adquirir os direitos de transmissão da Série C do Campeonato Brasileiro pelas próximas quatro temporadas. Como parte do acordo, serão transmitidas quatro partidas da terceira divisão nacional por rodada.

Visando a chegada da sua plataforma OTT no Brasil, o Dazn continuará a disponibilizar algumas partidas, gratuitamente, no seu canal do Youtube. Assim, os torcedores poderão acompanhar o seu time do coração na Série C antes mesmo do lançamento oficial do serviço de streaming no país. Até o fim da competição, um jogo por rodada estará em uma janela de exposição aberta, podendo ser em uma plataforma digital de grande alcance ou canal de TV. Durante o campeonato, todos os times terão partidas exibidas.

Dazn já começa as transmissões neste fim de semana! Sábado (27) é dia de Ypiranga x Paysandu, às 17h15. Na sequência, às 19h15, teremos Remo x Boa Esporte. No domingo (28), vai rolar ABC x Náutico, às 18h. O jogo Santa Cruz x Treze, às 20h, fecha a rodada, na segunda-feira (29).

Além da Série C, a empresa detém os direitos da Copa Sul-Americana, da Serie A italiana, Supercoppa Italiana, FA Cup, Ligue 1 francesa, WTA de tênis e Fórmula Indy. O preço e todo o portfólio brasileiro de eventos esportivos da plataforma serão divulgados em breve.

O acordo de transmissão da Série C reforça a rápida expansão do Dazn pelo mundo. A marca já está presente no Japão, Alemanha, Áustria, Suíça, Canadá, Itália, Estados Unidos e recentemente na Espanha. Com o Brasil, serão nove mercados de atuação em menos de três anos.

Segundo o vice-presidente Executivo do Dazn no Brasil, Bruno Rocha, a plataforma vai sempre buscar os melhores torneios e campeonatos disponíveis para os apaixonados torcedores brasileiros: “Sem dúvida, por ser uma paixão nacional, o futebol estará presente em peso no nosso portfólio. Estamos muito empolgados em oferecer o melhor do futebol nacional e internacional. E nada melhor do que começar essa relação com a Série C. É um orgulho fazer a transmissão de uma competição tão disputada e com torcedores tão apaixonados. Será um grande sucesso”, comemora.

“O acordo da CBF com o Dazn para a Série C é um importante passo para consolidação dessa competição, que conta com equipes tradicionais e torcedores espalhados por todo o país. É o início de um processo para otimizar a distribuição do conteúdo e o retorno financeiro, a partir da salutar chegada dessas novas empresas ao mercado de compra de direitos. Esperamos que essa participação tenha uma constante evolução para contribuir com o desenvolvimento do futebol brasileiro”, afirma o Diretor de Competições da CBF, Manoel Flores. (Divulgação)

Luxemburgo critica e pede debate com Mauro Cézar, que rebate e diz estar pronto

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Vanderlei Luxemburgo negou ser ultrapassado ao encerrar a participação na edição de hoje (22) do “Futebol na Veia”, da ESPN Brasil. O treinador aproveitou o assunto e a oportunidade para chamar Mauro Cezar Pereira, comentarista da emissora e blogueiro do UOL Esporte, para um debate sobre ideias de futebol.

“Eu proponho esse debate. Mas eu acho que tem coisa boa no Brasil. Você pode não gostar do Luxemburgo, do Felipão, mas são vencedores. Então, parece perseguição. Ele (Mauro) me bate todo dia. Eu estou até calejado. Então eu estou aqui no local de trabalho dele, propondo um debate para saber o que ele acha ultrapassado, o que ele acha velho e eu gostaria de falar sobre futebol, sobre a experiência e como ela me deixou mais preparado para o futebol. Um programa como esse aqui, sem briga, com perguntas boas, respostas, um tempo legal, para ouvirmos as ideias”, propôs Luxemburgo.

Mais tarde, no programa “Linha de Passe”, Mauro Cezar disse aceitar o debate, desde que de forma civilizada. Ele ainda rebateu cada um dos pontos levantados por Luxemburgo (leia a íntegra da resposta abaixo). “Sobre seu desafio para o debate, o seu assessor tem o meu contato. Ele pode me ligar que eu não vou receber ele mal, com palavrões, de forma nenhuma. Vamos conversar civilizadamente, desde que você seja capaz de fazer”, disse o comentarista.

Vanderlei Luxemburgo  também citou um problema recente de Mauro Cezar nas redes sociais. Na ocasião, o comentarista expôs um xingamento no Twitter e o nome da empresa em que trabalhava o autor da ofensa. O internauta exposto acabou sendo demitido pela companhia. “A gente viu que ele teve um problema com uma pessoa no Twitter, que ele ligou na empresa do cara, e o mandaram embora. Esse tipo de coisa acho covarde, desonesta. (…) A gente, que é pessoa pública, tem que aguentar os xingamentos. Eu já aguentei coisa de todo tipo”, disse Luxemburgo.

Para Mauro Cezar, o treinador “distorceu completamente” a história. André Plihal, que apresentou o programa, aceitou a proposta de debate de Luxemburgo, mas defendeu seu colega sobre o que ocorreu no Twitter. “Você tem o espaço aqui para chamar o Mauro, isso a gente garante. Tenho certeza de que ele vai te responder, ou que vocês vão ter a chance de fazer esse debate. Só quero fazer a ressalva de que o Mauro não pediu a demissão de ninguém. Ele também não é obrigado a aceitar qualquer xingamento e, expondo as pessoas que fazem isso, ele inibe outras. Eu concordo com a atitude dele. E, para esclarecer, quem tomou a decisão de demitir o funcionário foi a empresa por conta da conduta do próprio”, disse.

Mais tarde, Mauro Cezar se manifestou no “Linha de Passe”:

Não é pauta

“O Luxemburgo esteve no ‘Futebol na Veia’, nosso programa de fim de tarde. Ao final do programa, ele fez referências ao meu respeito. […] Fiz aqui algumas anotações para não me perder. Falou tanta coisa né? Nada muito inteligente, mas falou muita coisa. Primeiro disse que eu bato nele todos os dias.  Não nem motivo porque ele está há 541 dias fora do mercado, foi há 541 dias que o Sport o demitiu então não teria nem motivo para falar diariamente de Vanderlei Luxemburgo porque ele não é assunto, não é pauta há algum tempo”.

Sem generalizações

“Depois disse que eu coloco todos os técnicos dentro de um saco só, dizendo que são ruins. Não, pelo contrário, não presta atenção no que eu falo e pelo jeito não presta atenção no nosso trabalho e está falando de orelhada. Fernando Diniz, Tite, Carille, Thiago Nunes, Mano Menezes, que eu acho que pode fazer mais do que apresenta, o Renato (Gaúcho) que eu não acreditava, que no Grêmio foi superbem, está indo bem, sempre elogiado. Odair Hellman, técnico que pode apresentar bons trabalhos, foi muito bem no ano passado. O Ceni elogiamos bastante, faz um trabalho excelente que a gente sempre elogia. Roger Machado foi mal no Palmeiras, mas já fez bons trabalhos. É um técnico jovem, estudioso, dedicado. Acho que vai estar no mercado… E o próprio Felipão no ano passado, acho o estilo de jogo superado, antigo, não se usa mais este estilo de jogo nas grandes ligas do planeta, mas inegavelmente ele foi campeão e mereceu elogios, que fizemos.”

O que é ser ultrapassado?

“Aí ele fala o que é ‘ser ultrapassado?’.  Os times reativos que jogam aqui por uma bola, se preocupando em não perder antes de querer ganhar. São esses times que jogam esse futebol medíocre que temos falado aqui direto, de jogos ruins, de times que praticam partidas fracas. E os arquitetos destas equipes são os treinadores, com exceções, e estes técnicos que citei em alguns momentos são protagonistas destas mudanças”.

Passado elogiado de Luxemburgo

“O próprio Luxemburgo, quando era o melhor técnico do Brasil e elogiado, não praticava esse futebolzinho medíocre, não. Suas equipes eram equipes agressivas, que jogavam, que iam para cima, que metiam gol, não faziam 1 a 0 e recuavam, trabalhavam com a bola. Ele foi o melhor técnico do Brasil durante um tempo e sempre foi muito elogiado porque os times dele jogavam futebol. Não tinham raiva da bola”.

“Luxemburgo, os times brasileiros, muitos deles, jogam com raiva da bola. É fácil perceber. O campeão brasileiro, o Palmeiras, foi o 12º no ranking de troca de passes e de posse bola no último Campeonato Brasileiro. Em nenhuma liga do planeta você vai encontrar um campeão que fique tão pouco tempo com a bola. Funcionou assim? Funciona aqui, no futebol praticado aqui, lá fora não. Veja o domínio de times argentinos, colombianos e etc… na Libertadores. Enfim…”

Outras críticas

“Ele atribuiu a mim algumas coisas que não costumo falar: ‘ah, não conhece nada’. ‘Perseguição’. Isso é uma mania agora, quando se critica alguém dizem “Ah, é uma perseguição”. Então não pode criticar? Você é um perseguidor se criticar o trabalho de um profissional? Tá bom, se é dessa maneira… Eu acho um argumento muito fraquinho, mas enfim…” “(Ele disse que eu falo) ‘Tem que ser mandado embora’… Eu não falo que tem que ser mandado embora, o que eu digo é o seguinte: os técnicos que fazem trabalhos ruins podem sim ser demitidos como qualquer profissional. Hoje em dia os técnicos reclamam da instabilidade no cargo quando o melhor remédio é que façam um bom trabalho. Faça um bom trabalho, apresente bons jogos, os resultados virão e não será demitido. É assim que funciona. Lógico, agora quando o técnico vai mal, o trabalho é ruim, acaba saindo porque em determinado momento você percebe que não vai sair mais nada”.

Caso do Twitter

“E aí teve o que achei um golpe baixo, que foi distorcer totalmente a história do rapaz que perdeu o emprego depois de me ofender no Twitter, um torcedor do Flamengo. Durante um jogo entre Flamengo e Madureira, estava em casa, vendo o jogo, tuitei algo na linha do que estava falando agora, que o Flamengo estava perdendo muitos gols, que jogos mais difíceis viriam, que não é possível jogar daquela maneira, que era preciso corrigir aquilo e o cara me direcionou vários palavrões e eu não sou obrigado, ninguém é obrigado… A rede social é quase uma extensão do nosso trabalho, é uma via de mão dupla de discutir o futebol de forma civilizada, e não ser xingado sem mais sem menos. E o rapaz tinha lá orgulhosamente o nome da empresa, a função dele. Mandei sim um e-mail, e mando de novo se precisar, para a empresa dele e perguntei: ‘Vocês concordam com isso, com esse comportamento?”. Da mesma maneira que tem pessoas que mandam e-mail para a ESPN até dos EUA pedindo a demissão de jornalista da casa e de outras empresas também, isso sem que tenhamos ofendido qualquer pessoa, apenas por discordar de uma opinião de futebol”.

“Esse cara me ofendeu. Depois, a empresa mandou embora. Primeiro, mandou para mim o e-mail dizendo que tomaria providências e eu respondi: ‘Espero que vocês o reorientem, esse comportamento não é legal’. E ele foi demitido. Depois a empresa me mandou outro e-mail dizendo que não foi um ato isolado. Então, algo mais aconteceu. Posteriormente descobrimos na timeline do Twitter várias ofensas a vários companheiros, como Erick Faria (SporTV), Flavio Gomes (Fox Sports), e parabenizando a Torcida Raça Rubro-Negra e um de seus líderes por terem ido ao aeroporto no ano passado agredir jogador do Flamengo. E nesse mesmo tuíte ele citava vários jogadores… Rodinei, Willian Arão, Diego. ‘É isso mesmo’, ‘agora é o Terror’, o ‘bicho vai pegar’, esse tipo de expressão. Esse foi o sujeito.  Talvez por desinformação o Luxemburgo distorceu completamente. Isso é covardia”.

Pronto para o debate

“Ele usou muito a palavra covardia. Aliás, ele diz que não liga de ser ofendido. Se ele não liga é problema dele. Se ele está acostumado a ser xingado, acha legal, irrelevante, tudo bem. Eu acho que não é assim que funciona e tenho meu direito de pensar diferente”.

“Ele falou muito de covardia. Luxemburgo, o negócio é o seguinte, meu caro. Covarde é quem fala pelas costas. Todos os meus comentários são feitos aqui na lata, a pessoa está assistindo e está vendo o que estou falando. Não estou falando pelas costas, meu caro.  Estou falando aqui. Acho que seus últimos trabalhos foram ruins e talvez por isso há 541 dias você não trabalhe em nenhum clube de futebol no Brasil. Sobre seu desafio para o debate, o seu assessor tem o meu contato. Ele pode me ligar que eu não vou receber ele mal, com palavrões, de forma nenhuma. Vamos conversar civilizadamente, desde que você seja capaz de fazer”.

Poluição de Manaus aumenta em até 400% a formação de aerossóis pela floresta amazônica

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Por Maria Fernanda Ziegler, da Agência Fapesp

Estudo internacional com a participação de pesquisadores brasileiros descobriu que a poluição urbana vinda de Manaus (AM) aumenta – muito mais do que o esperado – a formação dos aerossóis produzidos pela própria floresta amazônica.
De acordo com o artigo publicado na revista Nature Communications, a poluição urbana resulta em um aumento médio de 200%, com picos de até 400%, na formação dos aerossóis orgânicos secundários. O trabalho teve apoio da FAPESP por meio da campanha científica Green Ocean Amazon (GOAmazon) e de um Projeto Temático vinculado ao Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).
O aumento exagerado dos aerossóis produzidos pela floresta tem impacto significativo em fatores importantes para as mudanças climáticas globais, como o balanço radioativo, a produção de nuvens e de chuva, assim como na taxa de fotossíntese das plantas. Em situações em que a poluição urbana não afeta a floresta, os aerossóis orgânicos são produzidos no solo da Amazônia. Porém, como o estudo mostrou, em quantidades muito inferiores.
Estudos semelhantes realizados em florestas boreais – que são a base da modelagem climática global – apresentavam aumento de no máximo 60% dos aerossóis orgânicos secundários em florestas impactadas pela poluição de cidades próximas.
“Pela primeira vez, conseguimos entender e prever com modelos as concentrações de aerossóis na Amazônia. Já era sabido que os modelos climáticos do hemisfério Norte não se aplicam aos casos da floresta amazônica. Víamos que a conta, baseada nos estudos anteriores, não fechava. Portanto, os resultados dessa nova pesquisa vão trazer maior acuidade aos modelos meteorológicos, assim como à modelagem climática regional e global”, disse Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e um dos autores do artigo.
De acordo com Artaxo, o próximo passo é englobar a química dos aerossóis tropicais nos modelos climáticos globais, como os do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, conseguindo assim prever melhor os ciclos hidrológicos da Amazônia e identificar alterações nos padrões de chuva de toda a região tropical do planeta.
Pequena alteração, grande mudança
Aerossóis são partículas (sólidas, líquidas ou gasosas) suspensas no ar. Podem ser produzidos naturalmente pela floresta, como partículas primárias, ou secundariamente na atmosfera a partir de precursores gasosos (COV) emitidos pelas florestas (aerossóis orgânicos secundários), por exemplo, ou por atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis.
O aumento de até 400% dos aerossóis orgânicos secundários em virtude da pluma de poluição de Manaus tem um impacto muito significativo no ecossistema. Essas partículas são importantes para a transmissão de radiação solar na atmosfera, para a formação e o desenvolvimento de nuvens, produzindo chuva, entre outros efeitos.
O grupo de pesquisadores conseguiu observar e medir os compostos que vêm da pluma de poluição manauara, como ozônio (O3), óxidos de nitrogênio (NOx), dióxido de enxofre (SO2) e radicais hidroxila (OH).
“Quando surge uma grande quantidade de enxofre e de compostos nitrogenados na atmosfera, vindos como poluição, ocorre uma oxidação muito mais rápida desses vapores orgânicos na floresta. Essa conversão cria muitos aerossóis novos, muito mais do que se teria de maneira puramente natural”, disse Henrique Barbosa, professor do IF-USP e também autor do artigo.
No estudo, a equipe internacional de pesquisadores analisou as consequências dessas mudanças tanto do ponto de vista experimental e observacional, quanto utilizando modelagem numérica dos processos atmosféricos. A equipe também simulou matematicamente a formação dessa grande quantidade de aerossóis, identificando os processos associados à sua origem e os mecanismos químicos que faltavam nos modelos usados até então.
“A Amazônia é uma região extremamente limpa de poluição. Um minúsculo aumento de compostos nitrogenados, por exemplo, provoca um aumento brutal de aerossóis na floresta. A perturbação causada pela emissão antropogênica é muito violenta e tem impactos em todo o clima da região, no sistema hidrológico, assim como no clima global”, disse Barbosa.
Essa alteração tem forte impacto sobretudo na formação das nuvens na Amazônia. “Observamos como, por causa da quantidade de aerossóis ultrafinos nas nuvens, muda a velocidade do ar ascendente. Isso deixa as nuvens mais vigorosas e com mais água precipitável”, disse Barbosa.

Fotossíntese
A quantidade de aerossóis também influencia fortemente a fotossíntese da floresta, que depende da radiação solar para a fixação de carbono pelo ecossistema.
“Percebemos que, até certo ponto, o aumento dos aerossóis secundários torna a fotossíntese mais eficiente. Depois disso, as reações se dão de forma mais lenta”, disse Barbosa.
De acordo com o pesquisador, isso acontece por causa da interação dos aerossóis com a radiação solar. Circulando livremente no ar, os aerossóis podem mudar a quantidade de radiação na floresta, seja ela direta (aquela que faz sombra) ou difusa.
Na floresta, como a vegetação tem diferentes níveis de altura das folhas, a radiação difusa tem mais facilidade de penetrar na copa e atingir até as folhas mais baixas – sendo, portanto, mais eficiente para a planta fazer a fotossíntese.
Já a radiação direta ilumina apenas as camadas mais altas de folhas e, depois de atingi-las, faz a sombra. “Quando há mais aerossol na atmosfera, aumenta a fotossíntese. Porém, se tiver demais, atrapalha. No fim das contas, não importa se aumenta a oferta de radiação difusa. No balanço final, o aerossol acaba diminuindo tanto a luz solar que a planta não consegue fixar muito carbono”, disse Barbosa.

Isopreno
De acordo com os pesquisadores, o estudo mostrou que as florestas tropicais são muito mais dinâmicas do que se imaginava. “O aumento de aerossóis causado pela poluição é muito maior nas florestas tropicais [400%] do que nas boreais [60%]. Isso se deve aos mecanismos diferentes de emissão e oxidação, além da presença de isopreno apenas nas tropicais”, disse Artaxo.
O isopreno é um gás composto orgânico volátil (COV) emitido pelas plantas em florestas tropicais como parte de seu processo metabólico. Ele é emitido em grandes quantidades pela floresta amazônica e tem meia-vida curta na atmosfera, se transformando em partículas de aerossóis. “A transformação do isopreno em partículas é muito acelerada pela presença da poluição de Manaus, particularmente pelas emissões de óxidos de nitrogênio”, disse Artaxo.
Nas florestas boreais não há emissão de isopreno, mas de outro COV, o terpeno, e em quantidades muito baixas. Esse gás, no entanto, tem uma química atmosférica completamente diferente da observada no caso do isopreno.
“Isso faz com que as emissões de florestas tropicais sejam chave na produção de partículas e também na formação de ozônio, com uma química que era desconhecida antes do experimento GoAmazon. Agora que conhecemos os mecanismos químicos, podemos englobá-los nos modelos climáticos globais, melhorando nosso entendimento do papel das florestas tropicais no clima do planeta”, disse Artaxo.
O pesquisador ressalta que o aumento de aerossóis orgânicos secundários não está relacionado apenas com a poluição urbana, como a emitida por veículos. Pode ser resultado de outras atividades geradoras de óxido de nitrogênio, como as queimadas de florestas ou a operação de geradores em cidades pequenas na Amazônia.
“Descobrimos que os óxidos de nitrogênio são o elemento catalisador da formação dos aerossóis orgânicos secundários. Se tiver esse composto na poluição, independentemente da causa ou origem, esse processo de intensificação da produção de partículas vai ocorrer”, disse Artaxo.

Maior precisão
Atualmente, os modelos climáticos usam majoritariamente processos oriundos de estudos realizados no hemisfério Norte e, no caso dos aerossóis orgânicos secundários e seus impactos, não representam a realidade da Amazônia ou das florestas tropicais.
Para chegar ao novo modelo, com dados da floresta amazônica, foram usadas medidas feitas em aviões do Departamento de Energia dos Estados Unidos (US-DoE), medidas obtidas em superfície em várias estações amostradoras e um complexo programa de computador que simula a química da atmosfera e a meteorologia em escala regional, possibilitando relacionar meteorologia a processos químicos na atmosfera acima da floresta.
Com os dados de todas as reações químicas que ocorrem nesse processo, os pesquisadores conseguiram calibrar um modelo já existente (WRF-Chem), que acopla a dinâmica atmosférica com as complexas reações químicas para simular a dispersão da pluma de poluição e da produção extra de aerossóis pela interação poluição-emissões biogênicas naturais da floresta.
O próximo passo é integrar esses processos nos modelos climáticos globais, permitindo aprimorar a previsão de chuva e dos processos de formação de partículas em nível global, melhorando o entendimento do papel das florestas tropicais nas mudanças climáticas globais.

O artigo Urban pollution greatly enhances formation of natural aerosols over the Amazon rainforest (doi: 10.1038/s41467-019-08909-4), de Manish Shrivastava, Meinrat O. Andreae, Paulo Artaxo, Henrique M. J. Barbosa, Larry K. Berg, Joel Brito, Joseph Ching, Richard C. Easter, Jiwen Fan, Jerome D. Fast, Zhe Feng, Jose D. Fuentes, Marianne Glasius, Allen H. Goldstein, Eliane Gomes Alves, Helber Gomes, Dasa Gu, Alex Guenther, Shantanu H. Jathar, Saewung Kim, Ying Liu, Sijia Lou, Scot T. Martin, V. Faye McNeill, Adan Medeiros, Suzane S. de Sá, John E. Shilling, Stephen R. Springston, R. A. F. Souza, Joel A. Thornton, Gabriel Isaacman-VanWertz, Lindsay D. Yee, Rita Ynoue, Rahul A. Zaveri, Alla Zelenyuk e Chun Zhao, pode ser lido em http://www.nature.com/articles/s41467-019-08909-4.

(Leia mais sobre o GOAmazon em: agencia.fapesp.br/29519, agencia.fapesp.br/27044, agencia.fapesp.br/25371, agencia.fapesp.br/24177, agencia.fapesp.br/22366 e agencia.fapesp.br/18691)

Nascimento e morte do Rei do Baião

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Por Jorge Sanglard
O Brasil comemora os 107 anos de nascimento do “Rei do Baião”, o velho Lua, o Gonzagão, em 13 de dezembro de 2019. Nascido Luiz Gonzaga do Nascimento, em 1912, num dia de Santa Luzia, na Fazenda Caiçara, depois Araripe, perto de Exu, no sertão pernambucano, Gonzagão cantou como poucos a alegria e a dor da gente de sua terra. Falecido em 2 de agosto de 1989, há quase 30 anos, mestre Lua merece toda a celebração e toda a festa que o Brasil fizer em sua homenagem. O sanfoneiro do povo de Deus, a voz da seca, deixou como legado uma música viva e forte, impregnada de alma, coração e fé. É o que deixa claro o seu legado musical. Sua obra é eterna e, quase 30 anos após sua morte, permanece como uma força da natureza, um grito de liberdade em nome de um povo que ainda luta por sua cidadania. Mas o que pouca gente conhece é o início da trajetória musical de Luiz Gonzaga em Minas Gerais, mais precisamente em Juiz de Fora, onde serviu o Exército durante cerca de cinco anos a partir de 1932. 
Pioneiro da canção de protesto, com “Vozes da Seca”, em parceria de 1953 com Zé Dantas, Luiz Gonzaga simbolizou a voz de quem não tinha nem voz, nem vez. Em “Vozes da Seca” o recado social é direto: “Seu dotô, os nordestinos / Têm muita gratidão / Pelo auxílio dos sulistas / Mais dotô, uma esmola / A um homem qui é são / Ou lhe mata de vergonha / Ou vicia o cidadão”.
A trajetória de Luiz Gonzaga é um símbolo de persistência, obstinação, talento e força criativa popular. Filho do lavrador e sanfoneiro de oito baixos Januário e de Ana Batista de Jesus, a Santana, Gonzagão foi o segundo dos nove filhos do casal. Quatro de seus irmãos também seriam sanfoneiros. Seu pai era respeitado no sertão nordestino como sanfoneiro e consertador de sanfonas e influenciou os filhos. Aos oito anos, Luiz Gonzaga já tocava em festas e mostrava vocação para a música. Aos 17 anos, um namoro frustrado com a jovem Nazarena, filha de um fazendeiro da região, daria início a uma mudança radical na vida do sanfoneiro.
Em 19 de setembro de 1980, em Juiz de Fora, Minas Gerais, antes do esperadíssimo show “A Vida do Viajante”, ao lado do filho adotivo Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior (22/09/1945 – 09/04/1991), o saudoso Gonzaguinha, o velho Lua voltava à cidade que mais marcara a sua vida após sair do Nordeste. Ao conceder um histórico depoimento ao Museu da Imagem e do Som de Juiz de Fora, tendo entre os entrevistadores os amigos Santo Lima, músico que acompanhou seu aprendizado no acordeão, e Romeu Rainho, seu empresário no início dos anos 1950, Luiz Gonzaga lançou um feixe de luz sobre um período pouquíssimo conhecido de sua vida.
Em entrevista emocionada, Gonzagão revelaria detalhes de sua saída de Exu, aos 17 anos, seu alistamento militar com a idade adulterada em um ano, poucos meses antes da eclosão da Revolução de 1930, sua vinda para Juiz de Fora, em 1932, onde viveu por cerca de cinco anos e aprimorou sua musicalidade, a ida para o Rio de Janeiro, em 1939, e o início do sucesso como o porta-voz do sertão, o Rei do Baião.
Gonzagão contou no depoimento ao MIS de Juiz de Fora em detalhes os motivos de ter deixado Exu: “Tudo isso que aconteceu comigo foi por causa de uma surra, uma surra bem dada, aquele castigo que, quando é bem aplicado, na hora exata, dá bons resultados. Foi o que aconteceu comigo. Puxador de sanfoninha, oito baixos, ‘pé de bode’, na companhia de meu pai, Januário, herdei essa vocação de tocador de sanfona. Minha mãe, uma mulher de mão aberta, Dona Santana, coração aberto, chegava a tirar dos filhos para matar um pouco a fome dos pobres. Pois bem, me considero o maior herdeiro, o herdeiro mais bem aquinhoado de meus pais, que nada tinham, mas tinham alma, coração e fé. Eu quis casar muito cedo, em 1930, aos 18 anos incompletos, e o pai da moça disse que eu era um tocadorzinho de merda, que eu não tinha futuro nenhum para sustentar a filha de um homem… E eu achei aquilo um desaforo. Moleque ignorante, raçudo, porque o pirão que mamãe fazia nos dava essa condição de ter bom físico, entendi de tirar a vida do homem. Porque negócio de matar gente no sertão foi mais maneiro, agora é que não é mais. Chamei o homem no canto da feira, assim, ele me enrolou na conversa, me tirou de banda, falou com a minha mãe e ela me expulsou dali da feira, fora da hora, porque ela não tinha vendido sequer as cordas que a gente tinha levado para vender e para poder comprar um quilo de carne e mais umas besteirinhas. Mas ela não quis vender nada, demos no pé e, chegando em casa, ela me cobriu no pau. Uma surra da moléstia. Meu pai me bateu pela primeira vez. Ele nunca havia me batido. Minha mãe tinha mão leve, mas meu pai não. Mas ele achou que eu havia me excedido e entrei no pau também pela mão pesada de meu pai”.
Foi a partir dessa surra de mãe e pai que Luiz Gonzaga resolveu sair de casa, em meados de 1930: “E foi aí que eu arribei, com raiva. Ingressei nas Forças Armadas e, para isso, tive que aumentar a idade, menti, porque eu queria me libertar”. Passou pelo Crato e depois por Fortaleza, no Ceará, onde serviu no 23.º Batalhão de Caçadores. A tensão política que precedia a Revolução de 1930 acabou levando Gonzagão e uma parte de seu batalhão para a cidade de Souza, na Paraíba, onde permaneceram por pouco tempo. Com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, Gonzaga foi deslocado com seus companheiros de farda para o interior do Ceará e também para Teresina, no Piauí. Passado o primeiro período alistado, pediu para ser engajado no Exército com destino ao “Sul” e acabou chegando com seu contingente ao Rio de Janeiro em fins de 1931, onde permaneceria internado no Hospital Geral do Exército, durante alguns meses, por ter adoecido.
 
Corneteiro “Bico de Aço” em Juiz de Fora
 
Em agosto de 1932, Luiz Gonzaga foi destacado para Belo Horizonte, Minas Gerais, para o 12.º RI que, segundo Gonzagão, havia se esfacelado na Revolução de 1930 por ter resistido, leal e fiel ao governo, não se entregando e pagando um preço muito caro. Em novembro de 1932, chegaria a Juiz de Fora sendo destacado como corneteiro do Exército, servindo no 10.º RI. O corneteiro “Bico de Aço”, como ficou conhecido, foi engajado e reengajado. Segundo Gonzagão, esse tempo de Exército fez com que se tornasse o mais antigo do grupo, com algumas folgas, e começou a fazer umas farrinhas. Como corneteiro, encantava os namorados com seu toque inusitado do ‘Silêncio’: “Eu estava fazendo da corneta um piston. Eu queria ser artista e danei de florear na corneta, mas eu me dei mal. E, um dia, fui em cana porque toquei bem demais. A disciplina me apanhou e eu tive que tocar o ‘Silêncio’ certo. Porque diziam que era tão bonito o ‘Silêncio’ que eu tocava que os namorados ficavam ali por perto para irem pra casa só depois que eu tocasse. E eu ficava por perto do corneteiro destacado para pedir pra me deixar tocar no lugar dele”.
Foi nesse período que conheceu o violonista e cantor Santo Lima e o sanfoneiro Dominguinhos Ambrósio, que faziam bonitas serenatas e Gonzagão gostava de acompanhá-los: “O Santo Lima cantava e tocava tanto um cavaquinho quanto um banjozinho legal. E a gente ia ali por aquelas ruas que têm aquelas caboclas diferentes, vindas de todas as partes do interior do Estado, vindo por aqui numa vida fácil, fácil, fácil. Muito fácil, mas ninguém queria ir para lá, homem nenhum queria ir lá enfrentar aquela vida fácil. Só queria saber de pegar as caboclas e sair vadiando por aí”.
Foi numa dessas noitadas que Luiz Gonzaga pegou um acordeão, pela primeira vez, das mãos do saudoso Dominguinhos Ambrósio: “Eu do Exército e ele da Polícia Militar, lá da Tapera, do famoso Segundo Batalhão de Minas”. E arremata: “Santo Lima me ensinou a cantar samba, me ensinou até a fazer acorde no violão e no cavaquinho. Eu também andei arriscando por aí, no violãozinho, tocando nas grossas e, na sanfona, procurando as pretas”. Segundo Santo Lima revelou na entrevista, como Gonzagão não tinha nada para fazer à noite acabava carregando o violão para ele no caminho das serenatas. E ainda contou uma história inédita: “O Regimento do Exército ordenou que o Dominguinhos Ambrósio, da PM, ensinasse ao Luiz Gonzaga a escala de 120 baixos e eu fui falar com o Dominguinhos, que reagiu e disse que, por ordem, não ensinaria. Só ensinaria por livre e espontânea vontade e porque gostava demais dele. E assim foi feito”. Mas, uma coisa era certa, Gonzagão já tocava a sanfoninha dele como gente grande e muita gente com os 120 baixos de um acordeão não fazia o que ele criava só com oito baixos.
Em 1937, ainda em Juiz de Fora, já estava pensando em pegar outro caminho: “Minha vida sempre foi andar, meu destino era andar, foi andando, foi amando esse terreno sagrado que me tornei Luiz Gonzaga, mas levei de Juiz de Fora o instrumento e essa vivência musical toda. Em Juiz de Fora, foi onde marquei mais a minha vida, após sair do Nordeste. Eu aprendi alguma coisa com o Santo Lima, com o Elias, músico do 10º RI, a jazz band do 10º, conheci o banjista famoso que cantava e sapateava, o Otavinho (Otávio Cataldi do Couto), e também o irmão dele o Mozart (Mozart Cataldi do Couto), que era divino tocando cavaquinho e violão. Conheci ainda o Armênio. E o Dominguinhos me levou a uma rádio para ver como funcionava e até dei uma puxadinha de fole por aí. Mas não havia a intenção de documentar nada naquela época. Acho difícil encontrar algum vestígio desse tempo”.
 
 “Os negocinhos do Nordeste”
  
Com a organização de uma companhia que seria criada dentro do 11.º RI, em São João Del Rei, e, depois de formada, ia para Ouro Fino, no Sul de Minas, Luiz Gonzaga deixou Juiz de Fora. Em 1939, depois de uma década no Exército, daria baixa da caserna e rumaria para o Rio de Janeiro, levando sua sanfona branca de 80 baixos. Sua intenção era aguardar num quartel o navio do Lloyd que seguiria para Recife e depois pretendia voltar para Exu. Mas não foi isso que aconteceu. O atraso do navio fez com que Luiz Gonzaga explorasse a noite da zona boêmia do Mangue, no Rio de Janeiro, onde tocava, pelo dinheiro que pintasse, um repertório distante de suas raízes musicais. Por sugestão de um grupo de estudantes nordestinos, radicados no Rio, passou a tocar “os negocinhos do Nordeste”, isto é, forró, xaxado, maracatu e baião. A partir daí, sua vida começaria a mudar novamente.
Ao apresentar o chamego “Vira e Mexe” no programa de rádio de Ary Barroso conquistou a nota máxima, a nota cinco, e uns trocados, vislumbrando um novo caminho ao tocar as músicas do Nordeste brasileiro, aquelas coisas que ouvia, desde criança, ao lado do pai sanfoneiro Januário. Em março de 1941, Luiz Gonzaga com sua sanfona de 80 baixos substituiria um sanfoneiro na gravação da canção “A viagem do Genésio”, de Genésio Arruda e Januário França, deixando registrado seu batismo de fogo musical. Esta gravação abre o primeiro volume da caixa de três CD. Sua trajetória artística tomaria impulso e, graças a um contrato com a Rádio Tupi e com as gravações de seus primeiros discos de 78 rotações, na RCA, em 11 de março de 1941, Gonzaga dava os primeiros passos concretos para tornar seu nome uma legenda da música popular brasileira de todos os tempos. Segundo o pesquisador José Silas Xavier, as primeiras gravações trazendo Luiz Gonzaga cantando só surgiriam em abril de 1945. Daí pra frente, Gonzagão firmaria sua carreira e conquistaria o país com sua voz e sua sanfona.
De sanfona em punho, Gonzagão percorreu o Brasil inteiro e semeou por este imenso chão seu canto de fé e de esperança. Seu destino foi andar por este país afora e encantar o povo com sua música entranhada nas raízes do Brasil. Os anos 1980 marcaram a retomada do reconhecimento nacional da importância cultural e social do canto de Luiz Gonzaga. A turnê “A Vida do Viajante”, ao lado de Gonzaguinha, resgataria o prestígio de Gonzagão e reafirmaria sua contribuição como mestre da canção popular brasileira.
      
 “Luiz Gonzaga, seu canto, sua sanfona e seus amigos”
  
O produtor Leon Barg, falecido aos 79 anos, em 12 de outubro de 2009, no Rio de Janeiro, reeditou em CD pelo selo Revivendo inúmeras preciosidades musicais de Gonzagão. Após uma minuciosa pesquisa, tendo como assistente de produção a filha Lilian Barg, em 2006, Leon lançou um tributo triplo, pela Revivendo, intitulado “Luiz Gonzaga, seu canto, sua sanfona e seus amigos”, numa caixa de CDs em três volumes, que foi uma homenagem ao sanfoneiro maior do Brasil e um exemplo do vigor da música de Gonzagão. Barg revelou todo o cuidado em reproduzir faixas históricas extraídas de velhos discos em 78 rpm e de LPs, trazendo 18 canções em cada um dos três CDs e a caixa atesta a importância do mestre Luiz Gonzaga no cenário da música popular brasileira do século XX, além de ser um tributo prestado à preservação da memória musical do Brasil. Constata a força de parceiros como Humberto Teixeira, Zé Dantas e João Silva, entre muitos outros compositores, e ainda revela canções de outros autores, como Walter Santos / Tereza Souza, Dominguinhos / Fausto Nilo, Genésio Arruda / Januário França, Mauro Pires / Messias Garcia, Patativa do Assaré, Rosil Cavalcanti, Onildo Almeida, Raul Sampaio, Luiz Ramalho, Genésio e o “velho” Januário José dos Santos, pai do sanfoneiro.
Entre as raridades reveladas está a gravação de Gonzagão, em 1968, em plena ditadura militar, cantando a emblemática “Prá não dizer que não falei de flores”, de Geraldo Vandré, que gravara, em 1965, a obra-prima “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, também incluída nesta edição histórica. A apresentação desta caixa da Revivendo foi assinada pelo pesquisador José Silas Xavier, uma referência na música popular brasileira, que narrou inúmeras passagens da trajetória do sanfoneiro maior do Brasil e traçou um perfil do compositor e instrumentista, que se tornaria uma das maiores expressões musicais brasileiras de todos os tempos. O referido depoimento de Gonzagão ao MIS de Juiz de Fora serviu de base para parte do texto elaborado por Silas apresentando os CDs. O teor integral da entrevista foi divulgado em primeira-mão, em julho de 1997, pela revista AZ, editada na época pela Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa).
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Jorge Sanglard – Jornalista e pesquisador. Escreve em jornais de Portugal e do Brasil.

Casos de família

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Segundo o jornalista Bernardo Mello Franco, de O Globo, o presidente Jair Bolsonaro pode resolver a questão com duas ações fundamentais para o país: 1) Tomar o celular do filho. 2) Contratar uma babá para tomar conta do menino.

Fim de linha para a IstoÉ Brasília

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Do Comunique-se

Localizada em prédio comercial na Asa Sul, a sucursal da IstoÉ teve sua operação encerrada na segunda-feira, 22. O fim das atividades da redação da revista semanal em Brasília foi confirmada por quem vivenciou tal desfecho. Diretor da sucursal até então, Rudolfo Lago falou sobre o tema. Demitido, ele lamentou a situação e colocou em xeque o futuro da Editora Três. Além dele, outros profissionais baseados no Distrito Federal foram dispensados.

“Não tenho a menor dúvida de que é um passo célere para o fim da revista e da Editora Três. Tomou-se também a decisão de acabar com a revista Planeta, a primeira revista da editora fundada por Domingo Azulgaray. A decisão tomada hoje é meio como extirpar metade das funções vitais de um corpo para evitar a evolução de um câncer. Até pode diminuir a evolução do câncer. Mas o corpo pela metade não vai sobreviver por muito tempo”, publicou Rudolfo Lago em seu perfil no Facebook. Na postagem, deu a entender que a publicação semanal pode ser considerada um paciente em estado terminal.

Em contato com a reportagem do Portal Comunique-se, Rudolfo Lago informa que o processo para descontinuar o trabalho da equipe foi rápido. Ainda na condição de liderança da sucursal, ele recebeu telefonema na manhã de segunda. Do outro lado da linha estava alguém (que prefere não revelar o nome) da direção da Editora Três em São Paulo. A conversa não foi para discutir pauta ou algo do tipo. O jornalista apenas recebeu uma ordem: comunicar que o escritório seria fechado. A partir daquele instante, a produção de conteúdo cessou. “Desde então, não trabalhamos mais”, comenta. “De tarde, já tínhamos assinado as rescisões”, pontua.

Além de Rudolfo Lago, a sucursal da IstoÉ em Brasília contava com mais dois jornalistas: os repórteres/editores Ary Filgueira e Wilson Lima. Filgueira também foi demitido. Lima, por sua vez, segue como contratado da Editora Três — e deverá trabalhar no sistema home office a partir de agora. Fora o trio, o espaço contava com a presença de Suely Melo como secretária de redação. Conforme destaca o agora ex-diretor, ela (que tem 15 anos de casa) seguirá na empresa pelos próximos dias, para finalizar questões burocráticas sobre o fim do escritório.

Com pouco mais de um ano à frente da hoje extinta sucursal brasiliense da IstoÉ, Rudolfo Lago faz questão de valorizar o trabalho da equipe. Mesmo com poucas pessoas, pautas produzidas pelo time vinham tendo relevância no impresso e no digital da marca. Também era do time da capital federal que, segundo ele, surgiam os conteúdos que faziam o título ganhar destaque junto a outros veículos de comunicação.

“Uma das últimas reportagens de destaque foi a que mostramos que a irmão de milicianos assinava cheques da campanha do Flávio Bolsonaro”, diz o jornalista. No caso, ele se refere à matéria “Os novos rolos que envolvem Flávio Bolsonaro”, produzida por Wilson Lima em 22 de fevereiro. O Globo, Estadão, Valor Econômico, Poder360 e Congresso em Foco foram alguns dos veículos que repercutiram a denúncia.

Rudolfo Lago pontua, ainda, que não foi lhe dada maiores explicações sobre o fechamento da sucursal. Foi dito, conforme relata, que a decisão foi tomada pelo comando da Editora Três por questões financeiras. Informa que esse problema já vinha prejudicando os ganhos da equipe nos últimos tempos. “Na média, vinham atrasando nosso salário em um mês e meio”, conta. “Ainda não recebemos o 13º salário relativo a 2018; sendo que o que era de 2017 foi resolvido somente agora”, desabafa o jornalista.

Com toda a situação, ele questiona se a definição por parte da empresa se mostrará assertiva a médio e longo prazo. “Não sei como vão fazer para manter a produção sobre política, sendo que praticamente todas as fontes ficam aqui em Brasília. Fora que das 70 páginas editoriais da revista, 20 ou 30 eram de responsabilidade do nosso time”. Trabalho que não ficava restrito ao meio impresso. “No site, a maioria das mais lidas era composta por reportagens produzidas pela equipe da sucursal, que deixa de existir”, lamenta o profissional. Até o momento, a direção da Editora Três não comentou as afirmações feitas pelo jornalista. A publicação também não se posicionou a respeito do fim da sucursal de Brasília.

Vida pós-IstoÉ

Aos 54 anos, Rudolfo Lago começa a planejar seu futuro profissional fora da IstoÉ. Com décadas de experiência na cobertura dos bastidores do poder diretamente de Brasília, o experiente jornalista soma passagens por veículos como os jornais O Globo e Correio Braziliense, a revista Voto e os sites Congresso em Foco e Fato Online. Iniciando “conversas e cafés” com membros da imprensa, ele voltará a colaborar com textos analíticos para o site Os Divergentes. Trata-se do projeto do qual estava participando até ser contratado pela Editora Três em fevereiro de 2018.

Íntegra do relato de Rudolfo Lago:

A partir da manhã de hoje, cumpro a dolorosa tarefa de fechar as portas da sucursal de Brasília da revista IstoÉ.

Eu não tenho a menor dúvida de que é um passo célere para o fim da revista e da Editora Três. Tomou-se também a decisão de acabar com a revista Planeta, a primeira revista da editora fundada por Domingo Azulgaray. A decisão tomada hoje é meio como extirpar metade das funções vitais de um corpo para evitar a evolução de um câncer. Até pode diminuir a evolução do câncer. Mas o corpo pela metade não vai sobreviver por muito tempo.

Antes da decisão de pôr fim à sucursal de Brasília, a IstoÉ, carro-chefe da editora, já vinha funcionando com uma equipe de somente 13 pessoas. Esta sucursal, há alguns anos, tinha só ela mais de vinte jornalistas. Nestes últimos tempos, éramos três. Mas a leitura de qualquer edição da revista demonstrava o volume de produção que tinha Brasília como origem. Das cerca de 70 páginas editoriais da revista, vinte pelo menos eram produzidas todas as semanas pela sucursal de Brasília.

Com relação ao nosso trabalho na sucursal, o que posso apresentar são números e dados. Na medição de audiência da semana passada, as duas matérias mais lidas e de maior alcance nas redes sociais foram produzidas pela Sucursal de Brasília: a entrevista com Dom Falcão, o bispo que se envolveu numa polêmica com Caetano Veloso, e a boa apuração de Wilson Lima sobre a atuação de Flávio Bolsonaro nos bastidores para barrar a CPI Lava Toga.

Ao longo do tempo em que estive à frente da sucursal, a quase totalidade das matérias que tiveram repercussão foram por nós produzidas.

A última vez que IstoÉ foi mencionada no Jornal Nacional foi quando publicamos os áudios das conversas comprometedoras de um secretário do governo do Paraná que mais tarde acabaram levando à prisão do ex-governador Beto Richa. Fizemos ainda uma trabalhosa apuração junto a amigos da ministra Cármen Lúcia, conseguindo extrair diversas declarações ditas por ela a esses amigos sobre a situação do Supremo Tribunal Federal em um de seus momentos mais tensos.

Fomos os primeiros a contar sobre a vida humilde na Ceilândia dos parentes de Michelle Bolsonaro. Mostramos as indenizações milionárias e mal explicadas da Comissão da Anistia, publicando pela primeira vez a lista com os nomes e os valores de cada indenização. Publicamos os cheques assinados pela irmã de dois milicianos em nome da campanha de Flávio Bolsonaro no Rio, na última reportagem de grande repercussão de IstoÉ – que, talvez, venha mesmo a ser a última reportagem de grande repercussão de IstoÉ.

Enquanto vamos aqui recolhendo nossas coisas pessoais e nossos papéis, vamos assistindo melancólicos a mais um capítulo dessa triste crise do jornalismo brasileiro. No Brasil, essa crise que é do modelo agravou-se muito pelos equívocos cometidos pelos responsáveis por cada publicação, que não perceberam – e ainda não percebem – as mudanças. Aqui, toma-se a decisão de eliminar o principal foco de produção. Sei lá: vão-se os dedos para não se perder os anéis…

Papão busca o ajuste ideal

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POR GERSON NOGUEIRA

O time que o técnico Léo Condé está formatando para a estreia do Papão na Série C, sábado, em Erechim (RS), contra o Ypiranga, tem algumas mudanças pontuais no meio e reserva algumas surpresas quanto ao posicionamento a partir do meio-campo, com efeito direto sobre a transição, pontos vulneráveis da equipe no Campeonato Paraense.

Nos treinos que antecederam a viagem para Erechim, Condé concentrou o foco na retenção de bola e na aproximação entre os setores, a fim de facilitar transição e mobilidade. Com apenas quatro jogos no comando, o técnico teve pouco tempo para impor ainda no Estadual alguns conceitos que normalmente aplica aos times que dirige.

Com a saída antecipada do Parazão, Condé dedicou-se a aprimorar a troca de passes e insistir com as jogadas pelas beiradas do campo. Passa a ter, com a contratação dos atacantes Pimentinha e Jheimy, alternativas para explorar mais os contragolpes e inversões de posicionamento.

Pimentinha, que já treina com os companheiros, é um jogador que conhece bem os métodos de Condé, com quem trabalhou no Sampaio Correia e no Botafogo de Ribeirão Preto. Coincidência ou não, foram os dois pontos altos da carreira do atacante, que andou pelo Remo, em 2017, sem maior brilho.

Conhecido pelo apego aos detalhes, o técnico tem testado volantes e meias, embora ainda dependa da regularização dos reforços junto à CBF para definir o time. Chamou atenção no treino final a preocupação com o setor de marcação e criação. Atenção nos ajustes envolvendo os volantes como Johnny Douglas, Marcos Antonio, Caíque, William e os novatos Uchoa e Wellington Reis.

Por enquanto, a escalação para sábado em Erechim vai ter um predomínio de jogadores que foram titulares no Parazão, mas a inquietude do técnico faz crer que a equipe deve sofrer muitas mudanças a partir da segunda rodada do Brasileiro.

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Direto do blog campeão

“É inadmissível que a esta altura do século 21, depois de tanta experiência negativa acumulada, o repatriamento de quem não deu certo lá fora. Contrato de três anos (para Tiago Luís)? Realmente cada vez mais eu me certifico de que o Paysandu quer se transformar num time fora de série, mas é no sentido de cair para a D e, depois desta, não ter mais série nenhuma”. Miguel Ângelo Carvalho

“Futebol paraense e essa mania de trazer jogadores que já passaram por aqui deixando saudades ou não. No Brasil tem tantos jogadores novos em condições de praticarem um bom futebol aqui. Aí vêm os dirigentes com essa de recontratar jogadores que nem sempre dão certo na volta”. Lucilo Filho

“Parabéns ao Leão bicampeão estadual. Feliz com o título, mas muito preocupado com o restante da temporada. O Remo é um arremedo de equipe. No segundo tempo da final só deu Galo. Espero que o título não ofusque a necessidade de reforços e mudanças”. Luís Felipe Corrêa

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No Leão, Batista parte e Tito não vem mais

Para quem esperava que Tito fosse um dos dianteiros do Remo na Série C, as pretensões do clube parece que esbarraram definitivamente nas dificuldades para a liberação do jogador pelo Confiança. Apesar do interesse do atleta, a transferência é improvável a essa altura. Palavras de um importante prócer do Leão.

A diretoria azulina já busca outra alternativa, depois de ter liberado ontem o centroavante Deivid Batista, que frustrou expectativas com pífia passagem pelo time durante o Parazão.

O atacante Fidélis, que já foi sondado oficialmente pelos dirigentes do Leão, continua ligado ao Bragantino. A postura dos azulinos é de espera, evitando entrar em leilão ou em conflito com o Tubarão pelo jogador.

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DAZN confirma exibição da estreia bicolor

Ao contrário do que apontava a grade inicial da DAZN para transmissão via streaming dos jogos da Série C, foi confirmada ontem a transmissão do jogo Ypiranga x PSC, sábado, às 17h15, na rodada inaugural do Brasileiro da Série C.

Pela lista inicial, o Papão teria apenas um de seus nove jogos exibidos na programação das segundas-feiras do serviço de streaming. Seria o jogo da quinta rodada contra o Boa Esporte, no estádio Dilzon Melo, em Varginha-MG.

(Coluna desta quinta-feira, 25, no Bola)

A (i) lógica do direito e o caso Lula

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Por Luis Nassif, no Jornal GGN

Em priscas eras, quando denunciei o então consultor geral da República (logo depois Ministro da Justiça) Saulo Ramos, ele tentou respondeu às acusações com um jurisdiquês incompreensível. Na época, consegui uma fonte privilegiada, o então Ministro do Supremo Tribunal Federal Sidney Sanches, que me deu um conselho de ouro: analise a medida do ponto de vista da lógica de uma pessoa racional.

A doutrina tem que espelhar o mundo real.

Na época, Saulo deu parecer para conceder um ano de correção pela inflação a títulos da dívida pública emitidos um mês antes do final do congelamento do cruzado. Era uma tramoia óbvia, que ele procurava disfarçar citando capítulos e parágrafos da doutrina.

Algo similar está acontecendo com o julgamento de Lula.

Em qualquer sistema democrático, quem denuncia tem o chamado ônus da prova, a obrigação de provar a acusação. Em caso de dúvida, prevalece a versão do réu. Ou seja, o réu só pode ser condenado quando o conjunto de provas levantadas não derem margem a nenhuma dúvida sobre sua culpabilidade.

Vamos conferir algumas pérolas do julgamento de Lula pelas três instâncias – 13ª Vara, de Curitiba, turma do TRF4 e turma do Superior Tribunal de Justiça.

  1. O que caracteriza a propriedade de um imóvel é o registro. Podem ser também contratos de gaveta. Se não existe provas nem de um nem de outro, não se pode afirmar que o imóvel mudou de mãos. É o caso do triplex. A OAS até poderia pretender vender o imóvel a Lula. Se Lula não aceitou, seja porque não gostou, seja porque o assunto vazou, e não há nenhuma prova da transferência da propriedade, então não houve venda ou doação. Não havendo, não tem crime a ser apurado. Não existe enquadramento legal para o fato de, em algum momento, Marisa da Silva ter manifestado interesse pelo imóvel. A Lava Jato aceitou a suposição do “contrato de boca”, sendo que a boca acusadora foi de outro réu aspirando a delação premiada.
  2. A lavagem de dinheiro é caracterizada pelo ocultamento dos ganhos ilícitos. Como, por exemplo, a compra de bens em nomes de terceiros, para disfarçar a origem do capital. Se o imóvel continua em nome do proprietário original, e não há nenhuma prova da transferência do imóvel para terceiros, então não houve o crime da lavagem de dinheiro. A Lava Jato sustentou que a lavagem de dinheiro consistia, justamente, na não transferência do triplex para o Lula. É de um nonsense…
  3. Corrupção e lavagem de dinheiro são tratados como uma ação única pelo STF. Não pode haver duas penas para uma só ação. As três instâncias aplicaram as duas penas porque, segundo os doutos juízes, a lavagem do apartamento prosseguiu muitos anos depois dos supostos fatos que teriam originado a propina. E qual a prova? O fato do triplex continuar em nome da OAS. Não há código nem jurisdiquês que legitime tal absurdo lógico.
  4. Não se levantou uma prova sequer sobre a compra do triplex por Lula. Mas a conclusão da Justiça, nas três instâncias, não foi a de que Lula seja inocente, mas a de que ele era muito esperto para ser apanhado e a operação era muito sofisticada. Fantástico! No mundo da lavagem de dinheiro, em que correm cifras bilionárias, transitando em paraísos fiscais, por estruturas complexas de dinheiro, de offshores, a tal operação sofisticada consistia em um tríplex meia boca em plena Guarujá, onde o beneficiário pela lavagem de dinheiro desfilaria publicamente pelas calçadas da cidade.
  5. A não ser em economias centralizadas, políticas econômicas são feitas para beneficiar setores da economia. Pode parecer estranho a procuradores e juízes, que pertencem ao lado improdutivo da economia, mas economia de mercado é assim. É papel dos governantes criar condições favoráveis às empresas nacionais, para que possam gerar emprego, impostos e investimentos. E é comum essas empresas apoiarem os partidos políticos cujas políticas públicas são benéficas ao setor. A propina é caracterizada por um percentual amarrado a uma obra específica. Além de não conseguir comprovar que o tríplex foi repassado a Lula, a Lava Jato não conseguiu estabelecer uma relação sequer entre o tríplex e os três contratos que a OAS tinha com a Petrobras. Por isso criou a figura do fato indeterminado.
  6. Toda a denúncia se baseou em uma delação na qual, para ter direito a benefícios, o delator teria que entregar o que os inquisidores pedissem. Justamente para evitar esse tipo de manobras, só são aceitas delações acompanhadas de provas. A Lava Jato aceitou as delações de Leo Pinheiro. Provas? Em determinado momento da delação, Pinheiro explicou ter destruído as provas, a pedido de… Lula, é claro. E a Lava Jato aceitou.
  7. Lula só poderia ser acusado de corrupção no período em que foi presidente – e, portanto, tinha ascendência sobre as pessoas indicadas. Para tanto, Moro colocou como data do crime 2009, último ano de Lula na presidência. Na hora de aplicar a pena, percebeu o fora. Há um prazo para a prescrição da pena, que tem relação direta com a pena aplicada. Com a pena que ele impôs a Lula, haveria a prescrição. É por isso que, quando o caso pulou para o TRF4, os três desembargadores – lendo votos escritos antecipadamente, com o mesmíssimo conteúdo – aumentaram a pena, atropelando o próprio Código Penal.
  8. No STJ, os quatro ministros – lendo votos preparados antecipadamente e todos com o mesmo teor – corrigiram as penas excessivas. Mas mudaram a data inicial da contagem da prescrição para 2014, que seria o período de influência de Lula no governo.
  9. Com a redução da pena, teoricamente Lula poderia pleitear prisão domiciliar em setembro. Mas, como era de se esperar, a Justiça age de forma sincronizada. E o juiz de primeira instância, do caso do sítio, tratou de acelerar o julgamento, para o TRF4 poder apreciar antes de setembro.

Quem tem a força, pode tudo. Mas não se utilize o fato das três instâncias terem concordado com essas aberrações, como sinal de imparcialidade da Justiça. Trata-se de estado de exceção na veia.