








O DAZN, primeiro serviço de streaming de esportes ao vivo e on demand do mundo, acaba de adquirir os direitos de transmissão da Série C do Campeonato Brasileiro pelas próximas quatro temporadas. Como parte do acordo, serão transmitidas quatro partidas da terceira divisão nacional por rodada.
Visando a chegada da sua plataforma OTT no Brasil, o Dazn continuará a disponibilizar algumas partidas, gratuitamente, no seu canal do Youtube. Assim, os torcedores poderão acompanhar o seu time do coração na Série C antes mesmo do lançamento oficial do serviço de streaming no país. Até o fim da competição, um jogo por rodada estará em uma janela de exposição aberta, podendo ser em uma plataforma digital de grande alcance ou canal de TV. Durante o campeonato, todos os times terão partidas exibidas.
Dazn já começa as transmissões neste fim de semana! Sábado (27) é dia de Ypiranga x Paysandu, às 17h15. Na sequência, às 19h15, teremos Remo x Boa Esporte. No domingo (28), vai rolar ABC x Náutico, às 18h. O jogo Santa Cruz x Treze, às 20h, fecha a rodada, na segunda-feira (29).
Além da Série C, a empresa detém os direitos da Copa Sul-Americana, da Serie A italiana, Supercoppa Italiana, FA Cup, Ligue 1 francesa, WTA de tênis e Fórmula Indy. O preço e todo o portfólio brasileiro de eventos esportivos da plataforma serão divulgados em breve.
O acordo de transmissão da Série C reforça a rápida expansão do Dazn pelo mundo. A marca já está presente no Japão, Alemanha, Áustria, Suíça, Canadá, Itália, Estados Unidos e recentemente na Espanha. Com o Brasil, serão nove mercados de atuação em menos de três anos.
Segundo o vice-presidente Executivo do Dazn no Brasil, Bruno Rocha, a plataforma vai sempre buscar os melhores torneios e campeonatos disponíveis para os apaixonados torcedores brasileiros: “Sem dúvida, por ser uma paixão nacional, o futebol estará presente em peso no nosso portfólio. Estamos muito empolgados em oferecer o melhor do futebol nacional e internacional. E nada melhor do que começar essa relação com a Série C. É um orgulho fazer a transmissão de uma competição tão disputada e com torcedores tão apaixonados. Será um grande sucesso”, comemora.
“O acordo da CBF com o Dazn para a Série C é um importante passo para consolidação dessa competição, que conta com equipes tradicionais e torcedores espalhados por todo o país. É o início de um processo para otimizar a distribuição do conteúdo e o retorno financeiro, a partir da salutar chegada dessas novas empresas ao mercado de compra de direitos. Esperamos que essa participação tenha uma constante evolução para contribuir com o desenvolvimento do futebol brasileiro”, afirma o Diretor de Competições da CBF, Manoel Flores. (Divulgação)

Vanderlei Luxemburgo negou ser ultrapassado ao encerrar a participação na edição de hoje (22) do “Futebol na Veia”, da ESPN Brasil. O treinador aproveitou o assunto e a oportunidade para chamar Mauro Cezar Pereira, comentarista da emissora e blogueiro do UOL Esporte, para um debate sobre ideias de futebol.
“Eu proponho esse debate. Mas eu acho que tem coisa boa no Brasil. Você pode não gostar do Luxemburgo, do Felipão, mas são vencedores. Então, parece perseguição. Ele (Mauro) me bate todo dia. Eu estou até calejado. Então eu estou aqui no local de trabalho dele, propondo um debate para saber o que ele acha ultrapassado, o que ele acha velho e eu gostaria de falar sobre futebol, sobre a experiência e como ela me deixou mais preparado para o futebol. Um programa como esse aqui, sem briga, com perguntas boas, respostas, um tempo legal, para ouvirmos as ideias”, propôs Luxemburgo.
Mais tarde, no programa “Linha de Passe”, Mauro Cezar disse aceitar o debate, desde que de forma civilizada. Ele ainda rebateu cada um dos pontos levantados por Luxemburgo (leia a íntegra da resposta abaixo). “Sobre seu desafio para o debate, o seu assessor tem o meu contato. Ele pode me ligar que eu não vou receber ele mal, com palavrões, de forma nenhuma. Vamos conversar civilizadamente, desde que você seja capaz de fazer”, disse o comentarista.
Vanderlei Luxemburgo também citou um problema recente de Mauro Cezar nas redes sociais. Na ocasião, o comentarista expôs um xingamento no Twitter e o nome da empresa em que trabalhava o autor da ofensa. O internauta exposto acabou sendo demitido pela companhia. “A gente viu que ele teve um problema com uma pessoa no Twitter, que ele ligou na empresa do cara, e o mandaram embora. Esse tipo de coisa acho covarde, desonesta. (…) A gente, que é pessoa pública, tem que aguentar os xingamentos. Eu já aguentei coisa de todo tipo”, disse Luxemburgo.
Para Mauro Cezar, o treinador “distorceu completamente” a história. André Plihal, que apresentou o programa, aceitou a proposta de debate de Luxemburgo, mas defendeu seu colega sobre o que ocorreu no Twitter. “Você tem o espaço aqui para chamar o Mauro, isso a gente garante. Tenho certeza de que ele vai te responder, ou que vocês vão ter a chance de fazer esse debate. Só quero fazer a ressalva de que o Mauro não pediu a demissão de ninguém. Ele também não é obrigado a aceitar qualquer xingamento e, expondo as pessoas que fazem isso, ele inibe outras. Eu concordo com a atitude dele. E, para esclarecer, quem tomou a decisão de demitir o funcionário foi a empresa por conta da conduta do próprio”, disse.
Mais tarde, Mauro Cezar se manifestou no “Linha de Passe”:
Não é pauta
“O Luxemburgo esteve no ‘Futebol na Veia’, nosso programa de fim de tarde. Ao final do programa, ele fez referências ao meu respeito. […] Fiz aqui algumas anotações para não me perder. Falou tanta coisa né? Nada muito inteligente, mas falou muita coisa. Primeiro disse que eu bato nele todos os dias. Não nem motivo porque ele está há 541 dias fora do mercado, foi há 541 dias que o Sport o demitiu então não teria nem motivo para falar diariamente de Vanderlei Luxemburgo porque ele não é assunto, não é pauta há algum tempo”.
Sem generalizações
“Depois disse que eu coloco todos os técnicos dentro de um saco só, dizendo que são ruins. Não, pelo contrário, não presta atenção no que eu falo e pelo jeito não presta atenção no nosso trabalho e está falando de orelhada. Fernando Diniz, Tite, Carille, Thiago Nunes, Mano Menezes, que eu acho que pode fazer mais do que apresenta, o Renato (Gaúcho) que eu não acreditava, que no Grêmio foi superbem, está indo bem, sempre elogiado. Odair Hellman, técnico que pode apresentar bons trabalhos, foi muito bem no ano passado. O Ceni elogiamos bastante, faz um trabalho excelente que a gente sempre elogia. Roger Machado foi mal no Palmeiras, mas já fez bons trabalhos. É um técnico jovem, estudioso, dedicado. Acho que vai estar no mercado… E o próprio Felipão no ano passado, acho o estilo de jogo superado, antigo, não se usa mais este estilo de jogo nas grandes ligas do planeta, mas inegavelmente ele foi campeão e mereceu elogios, que fizemos.”
O que é ser ultrapassado?
“Aí ele fala o que é ‘ser ultrapassado?’. Os times reativos que jogam aqui por uma bola, se preocupando em não perder antes de querer ganhar. São esses times que jogam esse futebol medíocre que temos falado aqui direto, de jogos ruins, de times que praticam partidas fracas. E os arquitetos destas equipes são os treinadores, com exceções, e estes técnicos que citei em alguns momentos são protagonistas destas mudanças”.
Passado elogiado de Luxemburgo
“O próprio Luxemburgo, quando era o melhor técnico do Brasil e elogiado, não praticava esse futebolzinho medíocre, não. Suas equipes eram equipes agressivas, que jogavam, que iam para cima, que metiam gol, não faziam 1 a 0 e recuavam, trabalhavam com a bola. Ele foi o melhor técnico do Brasil durante um tempo e sempre foi muito elogiado porque os times dele jogavam futebol. Não tinham raiva da bola”.
“Luxemburgo, os times brasileiros, muitos deles, jogam com raiva da bola. É fácil perceber. O campeão brasileiro, o Palmeiras, foi o 12º no ranking de troca de passes e de posse bola no último Campeonato Brasileiro. Em nenhuma liga do planeta você vai encontrar um campeão que fique tão pouco tempo com a bola. Funcionou assim? Funciona aqui, no futebol praticado aqui, lá fora não. Veja o domínio de times argentinos, colombianos e etc… na Libertadores. Enfim…”
Outras críticas
“Ele atribuiu a mim algumas coisas que não costumo falar: ‘ah, não conhece nada’. ‘Perseguição’. Isso é uma mania agora, quando se critica alguém dizem “Ah, é uma perseguição”. Então não pode criticar? Você é um perseguidor se criticar o trabalho de um profissional? Tá bom, se é dessa maneira… Eu acho um argumento muito fraquinho, mas enfim…” “(Ele disse que eu falo) ‘Tem que ser mandado embora’… Eu não falo que tem que ser mandado embora, o que eu digo é o seguinte: os técnicos que fazem trabalhos ruins podem sim ser demitidos como qualquer profissional. Hoje em dia os técnicos reclamam da instabilidade no cargo quando o melhor remédio é que façam um bom trabalho. Faça um bom trabalho, apresente bons jogos, os resultados virão e não será demitido. É assim que funciona. Lógico, agora quando o técnico vai mal, o trabalho é ruim, acaba saindo porque em determinado momento você percebe que não vai sair mais nada”.
Caso do Twitter
“E aí teve o que achei um golpe baixo, que foi distorcer totalmente a história do rapaz que perdeu o emprego depois de me ofender no Twitter, um torcedor do Flamengo. Durante um jogo entre Flamengo e Madureira, estava em casa, vendo o jogo, tuitei algo na linha do que estava falando agora, que o Flamengo estava perdendo muitos gols, que jogos mais difíceis viriam, que não é possível jogar daquela maneira, que era preciso corrigir aquilo e o cara me direcionou vários palavrões e eu não sou obrigado, ninguém é obrigado… A rede social é quase uma extensão do nosso trabalho, é uma via de mão dupla de discutir o futebol de forma civilizada, e não ser xingado sem mais sem menos. E o rapaz tinha lá orgulhosamente o nome da empresa, a função dele. Mandei sim um e-mail, e mando de novo se precisar, para a empresa dele e perguntei: ‘Vocês concordam com isso, com esse comportamento?”. Da mesma maneira que tem pessoas que mandam e-mail para a ESPN até dos EUA pedindo a demissão de jornalista da casa e de outras empresas também, isso sem que tenhamos ofendido qualquer pessoa, apenas por discordar de uma opinião de futebol”.
“Esse cara me ofendeu. Depois, a empresa mandou embora. Primeiro, mandou para mim o e-mail dizendo que tomaria providências e eu respondi: ‘Espero que vocês o reorientem, esse comportamento não é legal’. E ele foi demitido. Depois a empresa me mandou outro e-mail dizendo que não foi um ato isolado. Então, algo mais aconteceu. Posteriormente descobrimos na timeline do Twitter várias ofensas a vários companheiros, como Erick Faria (SporTV), Flavio Gomes (Fox Sports), e parabenizando a Torcida Raça Rubro-Negra e um de seus líderes por terem ido ao aeroporto no ano passado agredir jogador do Flamengo. E nesse mesmo tuíte ele citava vários jogadores… Rodinei, Willian Arão, Diego. ‘É isso mesmo’, ‘agora é o Terror’, o ‘bicho vai pegar’, esse tipo de expressão. Esse foi o sujeito. Talvez por desinformação o Luxemburgo distorceu completamente. Isso é covardia”.
Pronto para o debate
“Ele usou muito a palavra covardia. Aliás, ele diz que não liga de ser ofendido. Se ele não liga é problema dele. Se ele está acostumado a ser xingado, acha legal, irrelevante, tudo bem. Eu acho que não é assim que funciona e tenho meu direito de pensar diferente”.
“Ele falou muito de covardia. Luxemburgo, o negócio é o seguinte, meu caro. Covarde é quem fala pelas costas. Todos os meus comentários são feitos aqui na lata, a pessoa está assistindo e está vendo o que estou falando. Não estou falando pelas costas, meu caro. Estou falando aqui. Acho que seus últimos trabalhos foram ruins e talvez por isso há 541 dias você não trabalhe em nenhum clube de futebol no Brasil. Sobre seu desafio para o debate, o seu assessor tem o meu contato. Ele pode me ligar que eu não vou receber ele mal, com palavrões, de forma nenhuma. Vamos conversar civilizadamente, desde que você seja capaz de fazer”.


Por Maria Fernanda Ziegler, da Agência Fapesp
Estudo internacional com a participação de pesquisadores brasileiros descobriu que a poluição urbana vinda de Manaus (AM) aumenta – muito mais do que o esperado – a formação dos aerossóis produzidos pela própria floresta amazônica.
De acordo com o artigo publicado na revista Nature Communications, a poluição urbana resulta em um aumento médio de 200%, com picos de até 400%, na formação dos aerossóis orgânicos secundários. O trabalho teve apoio da FAPESP por meio da campanha científica Green Ocean Amazon (GOAmazon) e de um Projeto Temático vinculado ao Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).
O aumento exagerado dos aerossóis produzidos pela floresta tem impacto significativo em fatores importantes para as mudanças climáticas globais, como o balanço radioativo, a produção de nuvens e de chuva, assim como na taxa de fotossíntese das plantas. Em situações em que a poluição urbana não afeta a floresta, os aerossóis orgânicos são produzidos no solo da Amazônia. Porém, como o estudo mostrou, em quantidades muito inferiores.
Estudos semelhantes realizados em florestas boreais – que são a base da modelagem climática global – apresentavam aumento de no máximo 60% dos aerossóis orgânicos secundários em florestas impactadas pela poluição de cidades próximas.
“Pela primeira vez, conseguimos entender e prever com modelos as concentrações de aerossóis na Amazônia. Já era sabido que os modelos climáticos do hemisfério Norte não se aplicam aos casos da floresta amazônica. Víamos que a conta, baseada nos estudos anteriores, não fechava. Portanto, os resultados dessa nova pesquisa vão trazer maior acuidade aos modelos meteorológicos, assim como à modelagem climática regional e global”, disse Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e um dos autores do artigo.
De acordo com Artaxo, o próximo passo é englobar a química dos aerossóis tropicais nos modelos climáticos globais, como os do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo, conseguindo assim prever melhor os ciclos hidrológicos da Amazônia e identificar alterações nos padrões de chuva de toda a região tropical do planeta.
Pequena alteração, grande mudança
Aerossóis são partículas (sólidas, líquidas ou gasosas) suspensas no ar. Podem ser produzidos naturalmente pela floresta, como partículas primárias, ou secundariamente na atmosfera a partir de precursores gasosos (COV) emitidos pelas florestas (aerossóis orgânicos secundários), por exemplo, ou por atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis.
O aumento de até 400% dos aerossóis orgânicos secundários em virtude da pluma de poluição de Manaus tem um impacto muito significativo no ecossistema. Essas partículas são importantes para a transmissão de radiação solar na atmosfera, para a formação e o desenvolvimento de nuvens, produzindo chuva, entre outros efeitos.
O grupo de pesquisadores conseguiu observar e medir os compostos que vêm da pluma de poluição manauara, como ozônio (O3), óxidos de nitrogênio (NOx), dióxido de enxofre (SO2) e radicais hidroxila (OH).
“Quando surge uma grande quantidade de enxofre e de compostos nitrogenados na atmosfera, vindos como poluição, ocorre uma oxidação muito mais rápida desses vapores orgânicos na floresta. Essa conversão cria muitos aerossóis novos, muito mais do que se teria de maneira puramente natural”, disse Henrique Barbosa, professor do IF-USP e também autor do artigo.
No estudo, a equipe internacional de pesquisadores analisou as consequências dessas mudanças tanto do ponto de vista experimental e observacional, quanto utilizando modelagem numérica dos processos atmosféricos. A equipe também simulou matematicamente a formação dessa grande quantidade de aerossóis, identificando os processos associados à sua origem e os mecanismos químicos que faltavam nos modelos usados até então.
“A Amazônia é uma região extremamente limpa de poluição. Um minúsculo aumento de compostos nitrogenados, por exemplo, provoca um aumento brutal de aerossóis na floresta. A perturbação causada pela emissão antropogênica é muito violenta e tem impactos em todo o clima da região, no sistema hidrológico, assim como no clima global”, disse Barbosa.
Essa alteração tem forte impacto sobretudo na formação das nuvens na Amazônia. “Observamos como, por causa da quantidade de aerossóis ultrafinos nas nuvens, muda a velocidade do ar ascendente. Isso deixa as nuvens mais vigorosas e com mais água precipitável”, disse Barbosa.
Fotossíntese
A quantidade de aerossóis também influencia fortemente a fotossíntese da floresta, que depende da radiação solar para a fixação de carbono pelo ecossistema.
“Percebemos que, até certo ponto, o aumento dos aerossóis secundários torna a fotossíntese mais eficiente. Depois disso, as reações se dão de forma mais lenta”, disse Barbosa.
De acordo com o pesquisador, isso acontece por causa da interação dos aerossóis com a radiação solar. Circulando livremente no ar, os aerossóis podem mudar a quantidade de radiação na floresta, seja ela direta (aquela que faz sombra) ou difusa.
Na floresta, como a vegetação tem diferentes níveis de altura das folhas, a radiação difusa tem mais facilidade de penetrar na copa e atingir até as folhas mais baixas – sendo, portanto, mais eficiente para a planta fazer a fotossíntese.
Já a radiação direta ilumina apenas as camadas mais altas de folhas e, depois de atingi-las, faz a sombra. “Quando há mais aerossol na atmosfera, aumenta a fotossíntese. Porém, se tiver demais, atrapalha. No fim das contas, não importa se aumenta a oferta de radiação difusa. No balanço final, o aerossol acaba diminuindo tanto a luz solar que a planta não consegue fixar muito carbono”, disse Barbosa.
Isopreno
De acordo com os pesquisadores, o estudo mostrou que as florestas tropicais são muito mais dinâmicas do que se imaginava. “O aumento de aerossóis causado pela poluição é muito maior nas florestas tropicais [400%] do que nas boreais [60%]. Isso se deve aos mecanismos diferentes de emissão e oxidação, além da presença de isopreno apenas nas tropicais”, disse Artaxo.
O isopreno é um gás composto orgânico volátil (COV) emitido pelas plantas em florestas tropicais como parte de seu processo metabólico. Ele é emitido em grandes quantidades pela floresta amazônica e tem meia-vida curta na atmosfera, se transformando em partículas de aerossóis. “A transformação do isopreno em partículas é muito acelerada pela presença da poluição de Manaus, particularmente pelas emissões de óxidos de nitrogênio”, disse Artaxo.
Nas florestas boreais não há emissão de isopreno, mas de outro COV, o terpeno, e em quantidades muito baixas. Esse gás, no entanto, tem uma química atmosférica completamente diferente da observada no caso do isopreno.
“Isso faz com que as emissões de florestas tropicais sejam chave na produção de partículas e também na formação de ozônio, com uma química que era desconhecida antes do experimento GoAmazon. Agora que conhecemos os mecanismos químicos, podemos englobá-los nos modelos climáticos globais, melhorando nosso entendimento do papel das florestas tropicais no clima do planeta”, disse Artaxo.
O pesquisador ressalta que o aumento de aerossóis orgânicos secundários não está relacionado apenas com a poluição urbana, como a emitida por veículos. Pode ser resultado de outras atividades geradoras de óxido de nitrogênio, como as queimadas de florestas ou a operação de geradores em cidades pequenas na Amazônia.
“Descobrimos que os óxidos de nitrogênio são o elemento catalisador da formação dos aerossóis orgânicos secundários. Se tiver esse composto na poluição, independentemente da causa ou origem, esse processo de intensificação da produção de partículas vai ocorrer”, disse Artaxo.
Maior precisão
Atualmente, os modelos climáticos usam majoritariamente processos oriundos de estudos realizados no hemisfério Norte e, no caso dos aerossóis orgânicos secundários e seus impactos, não representam a realidade da Amazônia ou das florestas tropicais.
Para chegar ao novo modelo, com dados da floresta amazônica, foram usadas medidas feitas em aviões do Departamento de Energia dos Estados Unidos (US-DoE), medidas obtidas em superfície em várias estações amostradoras e um complexo programa de computador que simula a química da atmosfera e a meteorologia em escala regional, possibilitando relacionar meteorologia a processos químicos na atmosfera acima da floresta.
Com os dados de todas as reações químicas que ocorrem nesse processo, os pesquisadores conseguiram calibrar um modelo já existente (WRF-Chem), que acopla a dinâmica atmosférica com as complexas reações químicas para simular a dispersão da pluma de poluição e da produção extra de aerossóis pela interação poluição-emissões biogênicas naturais da floresta.
O próximo passo é integrar esses processos nos modelos climáticos globais, permitindo aprimorar a previsão de chuva e dos processos de formação de partículas em nível global, melhorando o entendimento do papel das florestas tropicais nas mudanças climáticas globais.
O artigo Urban pollution greatly enhances formation of natural aerosols over the Amazon rainforest (doi: 10.1038/s41467-019-08909-4), de Manish Shrivastava, Meinrat O. Andreae, Paulo Artaxo, Henrique M. J. Barbosa, Larry K. Berg, Joel Brito, Joseph Ching, Richard C. Easter, Jiwen Fan, Jerome D. Fast, Zhe Feng, Jose D. Fuentes, Marianne Glasius, Allen H. Goldstein, Eliane Gomes Alves, Helber Gomes, Dasa Gu, Alex Guenther, Shantanu H. Jathar, Saewung Kim, Ying Liu, Sijia Lou, Scot T. Martin, V. Faye McNeill, Adan Medeiros, Suzane S. de Sá, John E. Shilling, Stephen R. Springston, R. A. F. Souza, Joel A. Thornton, Gabriel Isaacman-VanWertz, Lindsay D. Yee, Rita Ynoue, Rahul A. Zaveri, Alla Zelenyuk e Chun Zhao, pode ser lido em http://www.nature.com/articles/s41467-019-08909-4.
(Leia mais sobre o GOAmazon em: agencia.fapesp.br/29519, agencia.fapesp.br/27044, agencia.fapesp.br/25371, agencia.fapesp.br/24177, agencia.fapesp.br/22366 e agencia.fapesp.br/18691)


Segundo o jornalista Bernardo Mello Franco, de O Globo, o presidente Jair Bolsonaro pode resolver a questão com duas ações fundamentais para o país: 1) Tomar o celular do filho. 2) Contratar uma babá para tomar conta do menino.

Do Comunique-se
Localizada em prédio comercial na Asa Sul, a sucursal da IstoÉ teve sua operação encerrada na segunda-feira, 22. O fim das atividades da redação da revista semanal em Brasília foi confirmada por quem vivenciou tal desfecho. Diretor da sucursal até então, Rudolfo Lago falou sobre o tema. Demitido, ele lamentou a situação e colocou em xeque o futuro da Editora Três. Além dele, outros profissionais baseados no Distrito Federal foram dispensados.
“Não tenho a menor dúvida de que é um passo célere para o fim da revista e da Editora Três. Tomou-se também a decisão de acabar com a revista Planeta, a primeira revista da editora fundada por Domingo Azulgaray. A decisão tomada hoje é meio como extirpar metade das funções vitais de um corpo para evitar a evolução de um câncer. Até pode diminuir a evolução do câncer. Mas o corpo pela metade não vai sobreviver por muito tempo”, publicou Rudolfo Lago em seu perfil no Facebook. Na postagem, deu a entender que a publicação semanal pode ser considerada um paciente em estado terminal.
Em contato com a reportagem do Portal Comunique-se, Rudolfo Lago informa que o processo para descontinuar o trabalho da equipe foi rápido. Ainda na condição de liderança da sucursal, ele recebeu telefonema na manhã de segunda. Do outro lado da linha estava alguém (que prefere não revelar o nome) da direção da Editora Três em São Paulo. A conversa não foi para discutir pauta ou algo do tipo. O jornalista apenas recebeu uma ordem: comunicar que o escritório seria fechado. A partir daquele instante, a produção de conteúdo cessou. “Desde então, não trabalhamos mais”, comenta. “De tarde, já tínhamos assinado as rescisões”, pontua.
Além de Rudolfo Lago, a sucursal da IstoÉ em Brasília contava com mais dois jornalistas: os repórteres/editores Ary Filgueira e Wilson Lima. Filgueira também foi demitido. Lima, por sua vez, segue como contratado da Editora Três — e deverá trabalhar no sistema home office a partir de agora. Fora o trio, o espaço contava com a presença de Suely Melo como secretária de redação. Conforme destaca o agora ex-diretor, ela (que tem 15 anos de casa) seguirá na empresa pelos próximos dias, para finalizar questões burocráticas sobre o fim do escritório.
Com pouco mais de um ano à frente da hoje extinta sucursal brasiliense da IstoÉ, Rudolfo Lago faz questão de valorizar o trabalho da equipe. Mesmo com poucas pessoas, pautas produzidas pelo time vinham tendo relevância no impresso e no digital da marca. Também era do time da capital federal que, segundo ele, surgiam os conteúdos que faziam o título ganhar destaque junto a outros veículos de comunicação.
“Uma das últimas reportagens de destaque foi a que mostramos que a irmão de milicianos assinava cheques da campanha do Flávio Bolsonaro”, diz o jornalista. No caso, ele se refere à matéria “Os novos rolos que envolvem Flávio Bolsonaro”, produzida por Wilson Lima em 22 de fevereiro. O Globo, Estadão, Valor Econômico, Poder360 e Congresso em Foco foram alguns dos veículos que repercutiram a denúncia.
Rudolfo Lago pontua, ainda, que não foi lhe dada maiores explicações sobre o fechamento da sucursal. Foi dito, conforme relata, que a decisão foi tomada pelo comando da Editora Três por questões financeiras. Informa que esse problema já vinha prejudicando os ganhos da equipe nos últimos tempos. “Na média, vinham atrasando nosso salário em um mês e meio”, conta. “Ainda não recebemos o 13º salário relativo a 2018; sendo que o que era de 2017 foi resolvido somente agora”, desabafa o jornalista.
Com toda a situação, ele questiona se a definição por parte da empresa se mostrará assertiva a médio e longo prazo. “Não sei como vão fazer para manter a produção sobre política, sendo que praticamente todas as fontes ficam aqui em Brasília. Fora que das 70 páginas editoriais da revista, 20 ou 30 eram de responsabilidade do nosso time”. Trabalho que não ficava restrito ao meio impresso. “No site, a maioria das mais lidas era composta por reportagens produzidas pela equipe da sucursal, que deixa de existir”, lamenta o profissional. Até o momento, a direção da Editora Três não comentou as afirmações feitas pelo jornalista. A publicação também não se posicionou a respeito do fim da sucursal de Brasília.
Aos 54 anos, Rudolfo Lago começa a planejar seu futuro profissional fora da IstoÉ. Com décadas de experiência na cobertura dos bastidores do poder diretamente de Brasília, o experiente jornalista soma passagens por veículos como os jornais O Globo e Correio Braziliense, a revista Voto e os sites Congresso em Foco e Fato Online. Iniciando “conversas e cafés” com membros da imprensa, ele voltará a colaborar com textos analíticos para o site Os Divergentes. Trata-se do projeto do qual estava participando até ser contratado pela Editora Três em fevereiro de 2018.
Íntegra do relato de Rudolfo Lago:
A partir da manhã de hoje, cumpro a dolorosa tarefa de fechar as portas da sucursal de Brasília da revista IstoÉ.
Eu não tenho a menor dúvida de que é um passo célere para o fim da revista e da Editora Três. Tomou-se também a decisão de acabar com a revista Planeta, a primeira revista da editora fundada por Domingo Azulgaray. A decisão tomada hoje é meio como extirpar metade das funções vitais de um corpo para evitar a evolução de um câncer. Até pode diminuir a evolução do câncer. Mas o corpo pela metade não vai sobreviver por muito tempo.
Antes da decisão de pôr fim à sucursal de Brasília, a IstoÉ, carro-chefe da editora, já vinha funcionando com uma equipe de somente 13 pessoas. Esta sucursal, há alguns anos, tinha só ela mais de vinte jornalistas. Nestes últimos tempos, éramos três. Mas a leitura de qualquer edição da revista demonstrava o volume de produção que tinha Brasília como origem. Das cerca de 70 páginas editoriais da revista, vinte pelo menos eram produzidas todas as semanas pela sucursal de Brasília.
Com relação ao nosso trabalho na sucursal, o que posso apresentar são números e dados. Na medição de audiência da semana passada, as duas matérias mais lidas e de maior alcance nas redes sociais foram produzidas pela Sucursal de Brasília: a entrevista com Dom Falcão, o bispo que se envolveu numa polêmica com Caetano Veloso, e a boa apuração de Wilson Lima sobre a atuação de Flávio Bolsonaro nos bastidores para barrar a CPI Lava Toga.
A última vez que IstoÉ foi mencionada no Jornal Nacional foi quando publicamos os áudios das conversas comprometedoras de um secretário do governo do Paraná que mais tarde acabaram levando à prisão do ex-governador Beto Richa. Fizemos ainda uma trabalhosa apuração junto a amigos da ministra Cármen Lúcia, conseguindo extrair diversas declarações ditas por ela a esses amigos sobre a situação do Supremo Tribunal Federal em um de seus momentos mais tensos.
Fomos os primeiros a contar sobre a vida humilde na Ceilândia dos parentes de Michelle Bolsonaro. Mostramos as indenizações milionárias e mal explicadas da Comissão da Anistia, publicando pela primeira vez a lista com os nomes e os valores de cada indenização. Publicamos os cheques assinados pela irmã de dois milicianos em nome da campanha de Flávio Bolsonaro no Rio, na última reportagem de grande repercussão de IstoÉ – que, talvez, venha mesmo a ser a última reportagem de grande repercussão de IstoÉ.
Enquanto vamos aqui recolhendo nossas coisas pessoais e nossos papéis, vamos assistindo melancólicos a mais um capítulo dessa triste crise do jornalismo brasileiro. No Brasil, essa crise que é do modelo agravou-se muito pelos equívocos cometidos pelos responsáveis por cada publicação, que não perceberam – e ainda não percebem – as mudanças. Aqui, toma-se a decisão de eliminar o principal foco de produção. Sei lá: vão-se os dedos para não se perder os anéis…

POR GERSON NOGUEIRA
O time que o técnico Léo Condé está formatando para a estreia do Papão na Série C, sábado, em Erechim (RS), contra o Ypiranga, tem algumas mudanças pontuais no meio e reserva algumas surpresas quanto ao posicionamento a partir do meio-campo, com efeito direto sobre a transição, pontos vulneráveis da equipe no Campeonato Paraense.
Nos treinos que antecederam a viagem para Erechim, Condé concentrou o foco na retenção de bola e na aproximação entre os setores, a fim de facilitar transição e mobilidade. Com apenas quatro jogos no comando, o técnico teve pouco tempo para impor ainda no Estadual alguns conceitos que normalmente aplica aos times que dirige.
Com a saída antecipada do Parazão, Condé dedicou-se a aprimorar a troca de passes e insistir com as jogadas pelas beiradas do campo. Passa a ter, com a contratação dos atacantes Pimentinha e Jheimy, alternativas para explorar mais os contragolpes e inversões de posicionamento.
Pimentinha, que já treina com os companheiros, é um jogador que conhece bem os métodos de Condé, com quem trabalhou no Sampaio Correia e no Botafogo de Ribeirão Preto. Coincidência ou não, foram os dois pontos altos da carreira do atacante, que andou pelo Remo, em 2017, sem maior brilho.
Conhecido pelo apego aos detalhes, o técnico tem testado volantes e meias, embora ainda dependa da regularização dos reforços junto à CBF para definir o time. Chamou atenção no treino final a preocupação com o setor de marcação e criação. Atenção nos ajustes envolvendo os volantes como Johnny Douglas, Marcos Antonio, Caíque, William e os novatos Uchoa e Wellington Reis.
Por enquanto, a escalação para sábado em Erechim vai ter um predomínio de jogadores que foram titulares no Parazão, mas a inquietude do técnico faz crer que a equipe deve sofrer muitas mudanças a partir da segunda rodada do Brasileiro.
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Direto do blog campeão
“É inadmissível que a esta altura do século 21, depois de tanta experiência negativa acumulada, o repatriamento de quem não deu certo lá fora. Contrato de três anos (para Tiago Luís)? Realmente cada vez mais eu me certifico de que o Paysandu quer se transformar num time fora de série, mas é no sentido de cair para a D e, depois desta, não ter mais série nenhuma”. Miguel Ângelo Carvalho
“Futebol paraense e essa mania de trazer jogadores que já passaram por aqui deixando saudades ou não. No Brasil tem tantos jogadores novos em condições de praticarem um bom futebol aqui. Aí vêm os dirigentes com essa de recontratar jogadores que nem sempre dão certo na volta”. Lucilo Filho
“Parabéns ao Leão bicampeão estadual. Feliz com o título, mas muito preocupado com o restante da temporada. O Remo é um arremedo de equipe. No segundo tempo da final só deu Galo. Espero que o título não ofusque a necessidade de reforços e mudanças”. Luís Felipe Corrêa
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No Leão, Batista parte e Tito não vem mais
Para quem esperava que Tito fosse um dos dianteiros do Remo na Série C, as pretensões do clube parece que esbarraram definitivamente nas dificuldades para a liberação do jogador pelo Confiança. Apesar do interesse do atleta, a transferência é improvável a essa altura. Palavras de um importante prócer do Leão.
A diretoria azulina já busca outra alternativa, depois de ter liberado ontem o centroavante Deivid Batista, que frustrou expectativas com pífia passagem pelo time durante o Parazão.
O atacante Fidélis, que já foi sondado oficialmente pelos dirigentes do Leão, continua ligado ao Bragantino. A postura dos azulinos é de espera, evitando entrar em leilão ou em conflito com o Tubarão pelo jogador.
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DAZN confirma exibição da estreia bicolor
Ao contrário do que apontava a grade inicial da DAZN para transmissão via streaming dos jogos da Série C, foi confirmada ontem a transmissão do jogo Ypiranga x PSC, sábado, às 17h15, na rodada inaugural do Brasileiro da Série C.
Pela lista inicial, o Papão teria apenas um de seus nove jogos exibidos na programação das segundas-feiras do serviço de streaming. Seria o jogo da quinta rodada contra o Boa Esporte, no estádio Dilzon Melo, em Varginha-MG.
(Coluna desta quinta-feira, 25, no Bola)

Por Luis Nassif, no Jornal GGN
Em priscas eras, quando denunciei o então consultor geral da República (logo depois Ministro da Justiça) Saulo Ramos, ele tentou respondeu às acusações com um jurisdiquês incompreensível. Na época, consegui uma fonte privilegiada, o então Ministro do Supremo Tribunal Federal Sidney Sanches, que me deu um conselho de ouro: analise a medida do ponto de vista da lógica de uma pessoa racional.
A doutrina tem que espelhar o mundo real.
Na época, Saulo deu parecer para conceder um ano de correção pela inflação a títulos da dívida pública emitidos um mês antes do final do congelamento do cruzado. Era uma tramoia óbvia, que ele procurava disfarçar citando capítulos e parágrafos da doutrina.
Algo similar está acontecendo com o julgamento de Lula.
Em qualquer sistema democrático, quem denuncia tem o chamado ônus da prova, a obrigação de provar a acusação. Em caso de dúvida, prevalece a versão do réu. Ou seja, o réu só pode ser condenado quando o conjunto de provas levantadas não derem margem a nenhuma dúvida sobre sua culpabilidade.
Vamos conferir algumas pérolas do julgamento de Lula pelas três instâncias – 13ª Vara, de Curitiba, turma do TRF4 e turma do Superior Tribunal de Justiça.
Quem tem a força, pode tudo. Mas não se utilize o fato das três instâncias terem concordado com essas aberrações, como sinal de imparcialidade da Justiça. Trata-se de estado de exceção na veia.
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