Papão e Tubarão decidem 3º lugar em jogo único

As diretorias de Paissandu e Bragantino entraram em acordo nesta sexta-feira e decidiram fazer a decisão do 3º lugar do Campeonato Paraense em jogo único, neste sábado, às 18h30. Pelo regulamento, estavam previstos dois jogos, amanhã e no sábado seguinte, 20 de abril. A medida visa reduzir despesas. Além do terceiro lugar, está em disputa a vaga na Copa do Brasil 2020.

O futuro das transmissões esportivas

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Por Aline Bordalo

Muito tempo atrás, todos os repórteres (rádio, jornal e TV) podiam trabalhar no campo. Quando o juiz apitava, adentravam o gramado em busca de seu alvo. Tem até uma entrevista famosa do Raul Quadros com o goleiro Raul Plassmann durante uma partida.

Realmente isso atrapalhava bastante. Era muita gente que não tinha nada a ver com o jogo ali. Até que a emissora detentora dos direitos dos campeonatos instituiu uma regra liberando apenas os profissionais dos veículos que também tinham os direitos a permanecerem no campo e proibindo qualquer um deles de passar das quatro linhas. E ai de quem infringisse a regra!!

Uma vez eu estava fazendo um jogo ao vivo em Volta Redonda e dei um passo (SÓ UM!) pra dentro do gramado pra entrevistar um jogador que estava saindo. Acabei suspensa por dois jogos. Isso mesmo!! Trabalhava na Band, mas a Globo ligou pro meu chefe em São Paulo exigindo que eu ficasse de fora da transmissão das duas próximas partidas. Foi uma das coisas mais surreais que me aconteceram. Sorte que eu conhecia todo mundo da Federação e consegui reduzir minha pena para um jogo apenas.

Fora do Brasil o repórter não entrevista ninguém nem antes da partida nem no intervalo, apenas no final, na frente do backdrop, com a marca dos patrocinadores atrás. E eu realmente acho que esta prática vai chegar aqui. A tendência é essa. Nas novas transmissões, feitas na Internet, não tem nem repórter cobrindo.

Mas qual o real papel do repórter durante um jogo? Dependendo do narrador, ele dá informações que o próprio narrador pode dar, já que na cabine a equipe recebe o “dossiê” completo dos dois times. Dizer quem levou cartão também é dispensável, já que a imagem mostra. A não ser que aconteça alguma confusão, a presença do repórter no campo não é tão fundamental assim. Tanto que atualmente os repórteres de rádio ficam na emissora, acompanhando o jogo pela TV.

Este ano já estamos vivendo a experiência de ter jogos transmitidos apenas pela Internet, como alguns da Copa Sul-Americana, e esta é realmente a tendência. Meu filho de 14 anos só liga a TV para ver jogo, e não se incomodou nem um pouco de ter que assistir o do Fluminense no YouTube. Isso é muito bom, pois democratiza o esporte e dá o direito do torcedor assistir onde bem quiser, ouvindo a opinião e a narração de quem preferir.

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Por Aline BordaloRepórter, jornalista esportiva e escritora. Profissional de imprensa há mais de 20 anos. Além da crônica esportiva, também já lidou com as chamadas pautas gerais. Ao lado do marido, o também comunicador Alexandre Araújo, escreveu o livro infantil Onde a Coruja Dorme e Outras Histórias.

Bye bye, Zé Roberto

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Zé Ricardo não é mais técnico do Botafogo. O comandante foi demitido nesta sexta-feira após a derrota por 2 a 1 para o Juventude na quinta, que culminou na eliminação do time alvinegro da Copa do Brasil. O clube anunciou a saída do treinador às 11h35:

“O Botafogo de Futebol e Regatas comunica que o técnico José Ricardo Mannarino não seguirá à frente do comando técnico da equipe de futebol profissional.

O Clube agradece ao treinador pelo trabalho, dedicação, e por todo o profissionalismo empenhado. Botafogo de Futebol e Regatas”.

O jornalista Paulo Vinícius Coelho deu a informação primeiramente em seu blog, e o GloboEsporte.com confirmou posteriormente.

Presidente da Disney diz que Hitler teria “amado as redes sociais”

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“Esta é a ferramenta promocional mais eficaz com a qual um extremista pode sonhar porque, em seu design, as redes sociais oferecem uma visão estreita do mundo, filtrando tudo o que parece questionar nossas crenças e, ao mesmo tempo, validando nossas convicções e ampliando nossos medos mais profundos “, disse nesta quinta-feira (11) Bob Iger, presidente do grupo Disney. A declaração foi feita durante o recebimento de um prêmio humanitário do Centro Simon Wiesenthal, em Los Angeles, segundo a revista Variety.

Bob Iger também criticou as redes sociais por seus papel na propagação do discurso de ódio, acreditando que este deu a impressão, erroneamente, de que todos compartilhavam mesmas opiniões.

“O ódio e a raiva estão nos levando novamente ao abismo”, continuou Iger, afirmando que eles estão contaminando o discurso público e transformando os Estados Unidos e a cultura em algo completamente irreconhecível para aqueles que ainda acreditam na civilidade e nos direitos humanos.

Mandante do caso Marielle já foi identificado

 

Por Andrei Meireles

Sérgio Moro esteve muito próximo de poder anunciar entre as realizações dos 100 dias de sua gestão no Ministério da Justiça e Segurança Pública a elucidação do assassinato da vereadora Marielle Franco. Desde março, ele sabe que a investigação da investigação, aquela tocada pela Polícia Federal em parceria com os promotores estaduais do Gaeco, havia identificado, além dos executores, quem mandou matar. A previsão na cúpula da PF em Brasília é, com todas as pontas amarradas, fechar o caso até o final de abril, no máximo em meados de maio.

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Moro de fato tem mérito nesse desfecho. Desde que assumiu o Ministério manteve a prioridade nessa investigação, fruto de uma parceria da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, com o ex-ministro da Segurança Pública Raul Jungmann, quando tiveram certeza de estava havendo sabotagem na investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro.

Sem jurisdição no caso estadual, Raquel Dodge e Jungmann usaram depoimentos de investigados contando sobre interferências para evitar o esclarecimento do caso para colocar os federais na parada. Eles passaram a investigar a investigação da polícia civil. Além de pressionarem a apuração da polícia carioca, identificaram, com a decisiva ajuda da turma do Gaeco, as brechas para avançar na investigação do próprio caso.

A avaliação no Ministério Público e na Polícia Federal em Brasília é que esse atalho deu certo. Minhas fontes não querem antecipar o resultado da investigação. Fiz com elas um jogo de exclusão com nomes citados nas apurações ou somente especulados como possíveis mandantes dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes. Posso até ter esquecido alguém. Mas daqueles que me lembrei só um não foi descartado: o ex-deputado estadual, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Domingos Brazão. Uma das fontes chegou a dizer que provavelmente seria uma aposta acertada, uma pule de dez.

Domingos é o líder da família Brazão, há tempos ligada às milícias e com forte influência eleitoral na Zona Oeste, especialmente na favela Rio das Pedras, a terceira maior da cidade. A família consolidou sua força lá em 2010. De uma eleição para outra, a votação de Domingos em Rio das Pedras pulou de 2% para 29%.

Suas digitais no Caso Marielle foram identificadas primeiro em tentativas de embaralhar as cartas para que o assassinato ficasse sem solução. Na sequência dessas pistas, ele acabou virando o principal suspeito de mandar matar Marielle. De suspeito a comprovadamente mandante teria sido o grande avanço da Polícia Federal na investigação da investigação.

A conferir.

Justiça Militar vai julgar pelotão do Exército que disparou 80 tiros contra músico no Rio

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Primeiro, veio o choque coletivo. Foram 80 tiros de fuzil disparados por integrantes do Exército contra o carro de uma família no Rio de Janeiro. Depois, veio a indignação. Em vez de serem julgados pela Justiça Comum, os autores ficarão a cargo da Justiça Militar – em tese, seus próprios pares. Apesar das famílias de vítimas de abusos policiais temerem a impunidade e o corporativismo, os números trazem alguma esperança: nos últimos 32 anos, houve 12 mortes de civis atribuídas a integrantes das Forças Armadas. A Justiça Militar determinou punição em todos os casos.

“A Justiça Militar é sempre mais rigorosa que a comum. Mesmo que possa e deva ser aperfeiçoada, ela funciona muito bem”, disse à coluna o juiz criminal Márcio Schiefler, que era braço direito do ministro Teori Zavascki na Lava-Jato e hoje compõe o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Por outro lado, Camila Asano, coordenadora de programas da Conectas, uma ONG dedicada aos direitos humanos, teme o corporativismo por parte dos juízes militares. “A ampliação da Justiça Militar, por si só, já é violação de direitos, é afronta à democracia. Com o crescente processo de democratização, deveria haver redução do alcance da Justiça Militar. No Brasil, tem ocorrido o oposto”, reclamou.

Não há estudo sobre as penas impostas aos militares. Mas o promotor da Justiça Militar Flávio Milhomem diz que, pela experiência dele, as punições são mais duras. “As penas são as mesmas previstas no Código Penal. Sob o olhar do leigo, a Justiça Militar pode ser corporativa. Mas, na realidade, muitas vezes os militares tendem a ser mais rigorosos que os juízes comuns, para dar uma resposta à corporação”, afirma Milhomem.

Claro, não há garantia de que o julgamento do caso do Rio será mais rigoroso ou mais rápido na Justiça Militar. Mas os dados apontam para essa possibilidade. Em 2017, havia 63,5 milhões de processos aguardando julgamento na Justiça Estadual. A taxa de congestionamento era de 75% – ou seja, a cada 100 processos, apenas 25 são julgados. Os outros ficam aguardando nos escaninhos. Enquanto isso, eram 3.308 processos aguardando julgamento na Justiça Militar. O congestionamento era de 39%. Os dados foram divulgados no ano passado pelo CNJ, no estudo “Justiça em Números”.

Existe, ainda, outro fator em prol da Justiça Militar. Na Justiça Comum, a pessoa é julgada na primeira instância. Cabe recurso ao Tribunal de Justiça e, depois, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Dentro de cada tribunal, existe a possibilidade de mais de um recurso. Por fim, se houver discussão de algum tema constitucional, a defesa pode se arriscar também a ir ao Superior Tribunal Federal (STF).

A Justiça Militar tem apenas duas instâncias. A primeira é formada por um juiz civil e quatro militares. O Superior Tribunal Militar (STM) tem 15 membros, dos quais cinco são civis. Dificilmente um crime militar chega ao STF, por falta de temas constitucionais relacionados. Ou seja: com menos possibilidades de recurso, o processo tende a ser concluído mais cedo.

Há três ramos especializados no Judiciário: a Justiça Militar, a Eleitoral e a do Trabalho. A Militar julga crimes militares, não necessariamente crimes cometidos por militares. Exemplos: se um civil roubar armas dentro de um quartel, será julgado pela Justiça Militar. Mas um militar pode ser julgado pela Justiça Comum, a depender do caso. No episódio do Rio, não há dúvida: integrantes das Forças Armadas cometerem crimes contra a vida de civis, durante o exercício profissional. (Da Revista Época)

E ainda tem cretino fazendo pose de arminha e defendendo o “liberou geral” do juiz Sergio Conje Moro para o uso de armas…

É preciso reinventar o Parazão

POR GERSON NOGUEIRA

Há muito tempo que as federações estaduais de futebol no Brasil não têm utilidade prática. Prestam um desserviço ao nobre esporte bretão. Cumprem (e mal) tarefas burocráticas ordenadas pela CBF, mas se caracterizam pela inércia, omissão e práticas retrógradas. Salvo raríssimas exceções, o futebol funcionaria melhor sem elas.

Não me refiro a uma federação em especial, mas a quase todas, tradicionais redutos de empreguismo e fisiologismo político, indiferentes ao papel institucional de administrar o futebol de maneira moderna, responsável e consequente – servindo aos clubes filiados e não se servindo deles.

Desafio que alguém aponte um único legado de federações que mantêm por 20 e até 30 anos os mesmos dirigentes, verdadeiros aiatolás ou monarcas sem coroa, alheios à transparência, à evolução do esporte ou à prestação mínima de contas com a sociedade. Em certos casos, a simples troca de comando não significa que o continuísmo tenha sido extinto.

Agora, para espanto geral, a entidade sai a condenar publicamente a atitude dos clubes que preferiram fazer seus jogos em Belém na etapa decisiva do Parazão, recriminando o interesse financeiro que estaria atropelando o aspecto técnico e a essência da competição.

Esse posicionamento até seria aceitável se as circunstâncias fossem mais favoráveis aos emergentes do interior, com estádios cheios e dinheiro em caixa. No quadro atual, revela apenas traços de hipocrisia e insensibilidade.

Não pode a FPF sair atirando pedras nos dirigentes de clubes preocupados com a parte financeira, pois na hora de arcar com dívidas trabalhistas e outros encargos eles são obrigados a pagar a conta sem o apoio da entidade.

Aliás, de interesse financeiro a federação entende. Jamais abriu mão, por exemplo, da taxa de 10% de participação obrigatória na renda bruta (o que garante não ter prejuízo nunca) dos jogos.

Os clubes não contam com ajuda extra. Participam de um certame estadual reconhecidamente deficitário, cuja tábua de salvação é o dinheiro oriundo dos contratos de patrocínio bancados pelo Governo do Estado.

Sem a providencial ajuda estatal, não haveria a “interiorização” que o coronel Antonio Carlos Nunes tanto propala como exitosa. Na realidade, talvez nem houvesse mais campeonato, tal é a inépcia em buscar patrocínios junto à iniciativa privada – como ocorre em outros Estados.

Há outro ponto fundamental a considerar.

A crítica aos clubes omite o fato significativo de que os gramados estão impraticáveis nesta época do ano por força das chuvas. As semifinais entre Bragantino x Remo e Independente x PSC não deveriam ter acontecido no Diogão e no Navegantão.

As imagens dos charcos em que os jogos foram disputados falam por si. A precariedade dos gramados é tão gritante que a CBF ordenou a mudança de local da partida Bragantino x Aparecidense, pela Copa do Brasil, do Diogão para o estádio Jornalista Edgar Proença.

Talvez não se fale muito a respeito disso porque a missão de fiscalizar as condições dos estádios (e gramados) cabe justamente à FPF. Portanto, ao reclamar da transferência dos locais de jogos, deveria assumir seu quinhão de responsabilidade processo, por não exigir com rigor que as agremiações que cuidem de suas praças esportivas.

As trocas de mando de campo não constituem o problema maior do Parazão. São sintomas de questões que apequenam a competição, que merece um plano de reestruturação para que não dependa exclusivamente de verbas públicas para existir.

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Papão diante de um novo desafio

Depois de ser alijado da decisão do Campeonato Paraense, cuja conquista era uma das metas do clube para a temporada, resta ao PSC fazer bom papel nos jogos que definirão terceiro e quarto lugares. Nas circunstâncias, não se pode nem afirmar que os bicolores sejam favoritos nessa disputa.

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O desafio não é simples. O Bragantino tem provado ser adversário respeitável, capaz de superar dificuldades em qualquer estádio. Fez bonito papel anteontem diante da Aparecidense, no Mangueirão. Mostrou ter fibra para brigar até o fim pela vitória.

É natural que o time dirigido por Samuel Cândido entusiasmado para a busca pela terceira colocação no campeonato, condição que garante uma vaga na Copa do Brasil 2020.

Para Léo Condé e seus comandados, o terceiro lugar tem importância diferente. Mais do que a vaga na Copa BR do ano que vem, está em jogo a continuidade do trabalho atual. O novo técnico está há duas semanas em Belém e já começa a ser questionado sem ter oferecido motivo para isso.

Foi derrotado nas semifinais com o mesmo time e sistema de jogo que seu antecessor, João Brigatti, utilizava. O problema é que herdou uma situação ilusória: o time tinha campanha invicta e liderava a classificação geral, mas não convencia ninguém quando à qualidade do jogo.

Bastou enfrentar uma situação adversa, em campo enlameado e contra adversário aguerrido, para que toda a suposta superioridade caísse por terra. É injusto atribuir a perda do título a Condé, mas o torcedor tende a alvejar quem está mais próximo.

Por esse motivo, Condé e seus jogadores precisam se agarrar à chance de sair dignamente do campeonato, superando um adversário de bom nível, mas sem a tradição centenária do clube alviceleste.

Até porque, caso o Papão não supere o Bragantino na série de dois jogos, os questionamentos ao novo comandante começarão a fazer sentido.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 12)