Luxemburgo critica e pede debate com Mauro Cézar, que rebate e diz estar pronto

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Vanderlei Luxemburgo negou ser ultrapassado ao encerrar a participação na edição de hoje (22) do “Futebol na Veia”, da ESPN Brasil. O treinador aproveitou o assunto e a oportunidade para chamar Mauro Cezar Pereira, comentarista da emissora e blogueiro do UOL Esporte, para um debate sobre ideias de futebol.

“Eu proponho esse debate. Mas eu acho que tem coisa boa no Brasil. Você pode não gostar do Luxemburgo, do Felipão, mas são vencedores. Então, parece perseguição. Ele (Mauro) me bate todo dia. Eu estou até calejado. Então eu estou aqui no local de trabalho dele, propondo um debate para saber o que ele acha ultrapassado, o que ele acha velho e eu gostaria de falar sobre futebol, sobre a experiência e como ela me deixou mais preparado para o futebol. Um programa como esse aqui, sem briga, com perguntas boas, respostas, um tempo legal, para ouvirmos as ideias”, propôs Luxemburgo.

Mais tarde, no programa “Linha de Passe”, Mauro Cezar disse aceitar o debate, desde que de forma civilizada. Ele ainda rebateu cada um dos pontos levantados por Luxemburgo (leia a íntegra da resposta abaixo). “Sobre seu desafio para o debate, o seu assessor tem o meu contato. Ele pode me ligar que eu não vou receber ele mal, com palavrões, de forma nenhuma. Vamos conversar civilizadamente, desde que você seja capaz de fazer”, disse o comentarista.

Vanderlei Luxemburgo  também citou um problema recente de Mauro Cezar nas redes sociais. Na ocasião, o comentarista expôs um xingamento no Twitter e o nome da empresa em que trabalhava o autor da ofensa. O internauta exposto acabou sendo demitido pela companhia. “A gente viu que ele teve um problema com uma pessoa no Twitter, que ele ligou na empresa do cara, e o mandaram embora. Esse tipo de coisa acho covarde, desonesta. (…) A gente, que é pessoa pública, tem que aguentar os xingamentos. Eu já aguentei coisa de todo tipo”, disse Luxemburgo.

Para Mauro Cezar, o treinador “distorceu completamente” a história. André Plihal, que apresentou o programa, aceitou a proposta de debate de Luxemburgo, mas defendeu seu colega sobre o que ocorreu no Twitter. “Você tem o espaço aqui para chamar o Mauro, isso a gente garante. Tenho certeza de que ele vai te responder, ou que vocês vão ter a chance de fazer esse debate. Só quero fazer a ressalva de que o Mauro não pediu a demissão de ninguém. Ele também não é obrigado a aceitar qualquer xingamento e, expondo as pessoas que fazem isso, ele inibe outras. Eu concordo com a atitude dele. E, para esclarecer, quem tomou a decisão de demitir o funcionário foi a empresa por conta da conduta do próprio”, disse.

Mais tarde, Mauro Cezar se manifestou no “Linha de Passe”:

Não é pauta

“O Luxemburgo esteve no ‘Futebol na Veia’, nosso programa de fim de tarde. Ao final do programa, ele fez referências ao meu respeito. […] Fiz aqui algumas anotações para não me perder. Falou tanta coisa né? Nada muito inteligente, mas falou muita coisa. Primeiro disse que eu bato nele todos os dias.  Não nem motivo porque ele está há 541 dias fora do mercado, foi há 541 dias que o Sport o demitiu então não teria nem motivo para falar diariamente de Vanderlei Luxemburgo porque ele não é assunto, não é pauta há algum tempo”.

Sem generalizações

“Depois disse que eu coloco todos os técnicos dentro de um saco só, dizendo que são ruins. Não, pelo contrário, não presta atenção no que eu falo e pelo jeito não presta atenção no nosso trabalho e está falando de orelhada. Fernando Diniz, Tite, Carille, Thiago Nunes, Mano Menezes, que eu acho que pode fazer mais do que apresenta, o Renato (Gaúcho) que eu não acreditava, que no Grêmio foi superbem, está indo bem, sempre elogiado. Odair Hellman, técnico que pode apresentar bons trabalhos, foi muito bem no ano passado. O Ceni elogiamos bastante, faz um trabalho excelente que a gente sempre elogia. Roger Machado foi mal no Palmeiras, mas já fez bons trabalhos. É um técnico jovem, estudioso, dedicado. Acho que vai estar no mercado… E o próprio Felipão no ano passado, acho o estilo de jogo superado, antigo, não se usa mais este estilo de jogo nas grandes ligas do planeta, mas inegavelmente ele foi campeão e mereceu elogios, que fizemos.”

O que é ser ultrapassado?

“Aí ele fala o que é ‘ser ultrapassado?’.  Os times reativos que jogam aqui por uma bola, se preocupando em não perder antes de querer ganhar. São esses times que jogam esse futebol medíocre que temos falado aqui direto, de jogos ruins, de times que praticam partidas fracas. E os arquitetos destas equipes são os treinadores, com exceções, e estes técnicos que citei em alguns momentos são protagonistas destas mudanças”.

Passado elogiado de Luxemburgo

“O próprio Luxemburgo, quando era o melhor técnico do Brasil e elogiado, não praticava esse futebolzinho medíocre, não. Suas equipes eram equipes agressivas, que jogavam, que iam para cima, que metiam gol, não faziam 1 a 0 e recuavam, trabalhavam com a bola. Ele foi o melhor técnico do Brasil durante um tempo e sempre foi muito elogiado porque os times dele jogavam futebol. Não tinham raiva da bola”.

“Luxemburgo, os times brasileiros, muitos deles, jogam com raiva da bola. É fácil perceber. O campeão brasileiro, o Palmeiras, foi o 12º no ranking de troca de passes e de posse bola no último Campeonato Brasileiro. Em nenhuma liga do planeta você vai encontrar um campeão que fique tão pouco tempo com a bola. Funcionou assim? Funciona aqui, no futebol praticado aqui, lá fora não. Veja o domínio de times argentinos, colombianos e etc… na Libertadores. Enfim…”

Outras críticas

“Ele atribuiu a mim algumas coisas que não costumo falar: ‘ah, não conhece nada’. ‘Perseguição’. Isso é uma mania agora, quando se critica alguém dizem “Ah, é uma perseguição”. Então não pode criticar? Você é um perseguidor se criticar o trabalho de um profissional? Tá bom, se é dessa maneira… Eu acho um argumento muito fraquinho, mas enfim…” “(Ele disse que eu falo) ‘Tem que ser mandado embora’… Eu não falo que tem que ser mandado embora, o que eu digo é o seguinte: os técnicos que fazem trabalhos ruins podem sim ser demitidos como qualquer profissional. Hoje em dia os técnicos reclamam da instabilidade no cargo quando o melhor remédio é que façam um bom trabalho. Faça um bom trabalho, apresente bons jogos, os resultados virão e não será demitido. É assim que funciona. Lógico, agora quando o técnico vai mal, o trabalho é ruim, acaba saindo porque em determinado momento você percebe que não vai sair mais nada”.

Caso do Twitter

“E aí teve o que achei um golpe baixo, que foi distorcer totalmente a história do rapaz que perdeu o emprego depois de me ofender no Twitter, um torcedor do Flamengo. Durante um jogo entre Flamengo e Madureira, estava em casa, vendo o jogo, tuitei algo na linha do que estava falando agora, que o Flamengo estava perdendo muitos gols, que jogos mais difíceis viriam, que não é possível jogar daquela maneira, que era preciso corrigir aquilo e o cara me direcionou vários palavrões e eu não sou obrigado, ninguém é obrigado… A rede social é quase uma extensão do nosso trabalho, é uma via de mão dupla de discutir o futebol de forma civilizada, e não ser xingado sem mais sem menos. E o rapaz tinha lá orgulhosamente o nome da empresa, a função dele. Mandei sim um e-mail, e mando de novo se precisar, para a empresa dele e perguntei: ‘Vocês concordam com isso, com esse comportamento?”. Da mesma maneira que tem pessoas que mandam e-mail para a ESPN até dos EUA pedindo a demissão de jornalista da casa e de outras empresas também, isso sem que tenhamos ofendido qualquer pessoa, apenas por discordar de uma opinião de futebol”.

“Esse cara me ofendeu. Depois, a empresa mandou embora. Primeiro, mandou para mim o e-mail dizendo que tomaria providências e eu respondi: ‘Espero que vocês o reorientem, esse comportamento não é legal’. E ele foi demitido. Depois a empresa me mandou outro e-mail dizendo que não foi um ato isolado. Então, algo mais aconteceu. Posteriormente descobrimos na timeline do Twitter várias ofensas a vários companheiros, como Erick Faria (SporTV), Flavio Gomes (Fox Sports), e parabenizando a Torcida Raça Rubro-Negra e um de seus líderes por terem ido ao aeroporto no ano passado agredir jogador do Flamengo. E nesse mesmo tuíte ele citava vários jogadores… Rodinei, Willian Arão, Diego. ‘É isso mesmo’, ‘agora é o Terror’, o ‘bicho vai pegar’, esse tipo de expressão. Esse foi o sujeito.  Talvez por desinformação o Luxemburgo distorceu completamente. Isso é covardia”.

Pronto para o debate

“Ele usou muito a palavra covardia. Aliás, ele diz que não liga de ser ofendido. Se ele não liga é problema dele. Se ele está acostumado a ser xingado, acha legal, irrelevante, tudo bem. Eu acho que não é assim que funciona e tenho meu direito de pensar diferente”.

“Ele falou muito de covardia. Luxemburgo, o negócio é o seguinte, meu caro. Covarde é quem fala pelas costas. Todos os meus comentários são feitos aqui na lata, a pessoa está assistindo e está vendo o que estou falando. Não estou falando pelas costas, meu caro.  Estou falando aqui. Acho que seus últimos trabalhos foram ruins e talvez por isso há 541 dias você não trabalhe em nenhum clube de futebol no Brasil. Sobre seu desafio para o debate, o seu assessor tem o meu contato. Ele pode me ligar que eu não vou receber ele mal, com palavrões, de forma nenhuma. Vamos conversar civilizadamente, desde que você seja capaz de fazer”.

2 comentários em “Luxemburgo critica e pede debate com Mauro Cézar, que rebate e diz estar pronto

  1. Sabe o que eu acho? Esses programas esportivos são um pé no saco. São povoados de palpiteiros falando interminavelmente sobre o sexo dos anjos. Em muitos desses programas, os comentários vão rapidamente do elogio fácil à crítica gratuita. Virou lugar comum esses comentaristas afirmarem que o futebol brasileiro estagnou tecnicamente, mas não se vê um debate sério na imprensa sobre o que fazer para reverter esse quadro. Procurar uma saída pra isso também é papel da imprensa esportiva.

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  2. A ESPN tinha uma linha editorial muito interessante nos tempos do José Trajano. Depois que ele saiu, caiu muito em nível de qualidade, entrou nessa bagunça generalizada de programas que têm mais gente fazendo gracinhas e gritando do que opinando.

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