Partidos alemães condenam absurdo de Bolsonaro sobre nazismo

48134231_303

Políticos de todos os partidos que compõem o Parlamento alemão condenaram as declarações do presidente Jair Bolsonaro e do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, de que o nazismo teria sido um movimento de esquerda. Deputados ouvidos pela DW consideraram inaceitável a comparação feita pelo governo brasileiro.

“Os nazistas já usavam conscientemente a distorção política como instrumento da sua propaganda fascista. O fato de Jair Bolsonaro se apoiar nesta mentira é um ultraje nojento às vítimas do nazismo”, afirmou a deputada Yasmin Fahimi, presidente do Grupo Parlamentar Teuto-Brasileiro no Bundestag (Parlamento alemão).

A deputada do Partido Social-Democrata (SPD), legenda mais antiga da Alemanha, lembrou ainda que as primeiras vítimas nos porões de tortura nazistas foram os social-democratas e sindicalistas e destacou que o nazismo foi um regime de extrema direita, marcado pela desumanidade, pelo belicismo e por uma ideologia racista que custou a vida de milhões de pessoas.

“Essas declarações difamam a memória das vítimas da violência nazista. Um movimento de esquerda luta pela liberdade e igualdade das pessoas, ou seja, justamente o contrário”, disse Fahimi, que faz parte da legenda que integra a coalizão que governa a Alemanha ao lado da União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler federal Angela Merkel, e da União Social-Cristã (CSU).

O porta-voz de política externa do Partido Verde, Omid Nouripour, também condenou as declarações de Bolsonaro e do ministro Araújo. “Isso é uma distorção e falsificação massiva da verdade histórica. A tentativa de desacreditar a esquerda com esse absurdo é uma manobra concertada internacionalmente pela extrema direita para desviar a atenção de sua política vazia, porém, desumana”, disse.

O deputado ressaltou que o nome Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, ou NSDAP, foi apenas uma estratégia para atrair a classe trabalhadora e classificou a legenda como a mais extremista de direita que já houve.

Peter Weiss, da conservadora CDU, lembrou que o partido nazista em seu início tinha uma ala socialista, que progressivamente foi eliminada. “O nazismo não foi um ‘movimento de esquerda’, mas um movimento nacionalista, völkisch e racista, que conduziu a uma catástrofe na Alemanha e Europa”, afirmou o deputado, que também faz parte do grupo parlamentar alemão responsável por cultivar as relações com o Congresso brasileiro.

O deputado Gero Hocker, do Partido Liberal Democrático (FDP), disse que o Brasil tem problemas maiores do que um debate sobre a história alemã. “Em vez de fazer comparações históricas inadmissíveis, Bolsonaro deveria promover em seu gabinete a vigência das condições básicas legais confiáveis também para investidores estrangeiros em seu país, impulsionar a educação e cortar impostos para trabalhadores e empresários para, assim, atrair investidores e fortalecer o poder de compra”.

O deputado, que também é membro Grupo Parlamentar Teuto-Brasileiro, argumentou ainda que todo sistema ditatorial, tanto os de direita quanto os de esquerda, combate a diversidade e abertura de uma sociedade, e em ambos os casos há restrições de liberdades econômicas e sociais. Desta maneira, as duas classificações apresentam características semelhantes. “Ao mesmo tempo, historicamente é inútil fazer uma relativização do sofrimento das ditaduras de esquerda e de direita por meio de uma comparação geral como a de Araújo”.

Para o deputado Alexander Ulrich, da legenda A Esquerda, as declarações demonstram uma ignorância massiva ou são negação deliberada da história e política. “Isso é para um presidente, especialmente de um país grande como o Brasil, extremamente dramático e perigoso. Com essas declarações, Bolsonaro quer desacreditar a esquerda, no entanto, ele acaba apenas se ridicularizando”, acrescentou.

Integrante do Grupo Parlamentar Teuto-Brasileiro, Ulrich destacou que a ideologia de extrema direita do nazismo não tem nenhuma relação com a ideologia democrática e solidária internacionalmente da esquerda. “Pelo contrário, vejo uma série de traços do nazismo na própria política de Bolsonaro. Ficaria surpreendido se ele descrevesse a si próprio como de esquerda”, afirmou.

Já o deputado Martin Hess, da legenda populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), disse que na Alemanha houve um debate no passado sobre essa tese sem que ela fosse incorporada no discurso e lembrou que Bolsonaro baseou sua declaração em argumentos do filósofo Olavo de Carvalho.

“Nosso partido, se concentra em encontrar soluções para problemas atuais e ameaças à nossa segurança e ao nosso bem-estar. Assim, devemos deixar debates históricos para historiadores e filósofos”, acrescentou Hess, que também está no Grupo Parlamentar Teuto-Brasileiro.

Questionado sobre os comentários, o porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, preferiu não comentar as declarações de Bolsonaro, porém, afirmou que a posição do governo da Alemanha em relação ao nazismo é bastante conhecida e clara. “Há anos e décadas existe uma convicção muito sólida que nos sustenta e sustenta todo nosso país”, destacou.

Na Alemanha, há um amplo consenso, nos âmbitos acadêmico, social e político, sobre a natureza de extrema direita do nazismo. A disputa sobre a classificação da ideologia nazista é inexistente entre historiadores renomados.

Declarações controversas

No fim da viagem a Israel, Bolsonaro disse a jornalistas “não ter dúvidas” de que o nazismo foi um movimento de esquerda. A declaração foi feita após uma vista ao memorial Yad Vashem, em Jerusalém, um museu público em memória às vítimas do Holocausto. A própria instituição define o nazismo como um movimento de direita.

O posicionamento do presidente ocorreu em meio à polêmica causada por declarações recentes de Araújo de que o nazismo teria sido um “fenômeno” de esquerda.  Com as alegações, a tese parece ter virado discurso oficial em Brasília.

Em longa entrevista a um canal simpático à extrema direita no Youtube, o ministro repetiu um discurso que esteve em alta nas mídias sociais brasileiras durante as eleições, mas que jamais foi levado a sério por acadêmicos na Alemanha. A tese é tida como absurda e desonesta por acadêmicos e diplomatas europeus.

Em Jerusalém, questionado na terça-feira se concordava com a afirmação de Araújo, Bolsonaro afirmou: “Não há dúvida. Partido Socialista… Como é que é? Da Alemanha. Partido Nacional-Socialista da Alemanha.”

Os atuais defensores do “nazismo de esquerda” costumam se basear no nome oficial da agremiação nazista, o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, ou NSDAP. A presença da palavra “socialista” revelaria a linha ideológica do regime. Historiadores internacionais de renome, porém, destacam que isso não passou de uma estratégia eleitoral para atrair a classe trabalhadora.

______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. 

Remo contabiliza 10 mil ingressos vendidos para a semifinal de domingo

bragantino0x1remo-3

Cerca de 10 mil ingressos já foram vendidos (torcedores comuns e ST) para a segunda partida da semifinal do Parazão, entre o Remo e o Bragantino, no próximo domingo. Até quinta-feira, o Remo acumulava 8.315 torcedores aptos a comparecer ao Mangueirão, segundo anúncio feito no twitter oficial do clube. Nesta sexta, as vendas alcançaram a casa de 10 mil ingressos. A venda prossegue nas Lojas do Remo, com bilhetes no valor de R$ 30,00 (arquibancada) e R$ 50,00 (cadeira). Os torcedores do Bragantino pagarão R$ 60,00 pelo ingresso ao lado B das arquibancadas.

Remo e Bragantino se enfrentam neste domingo (07), às 16h, no estádio Jornalista Edgar Proença. O Leão precisa de um empate para garantir presença na decisão e o Tubarão tem que vencer por dois gols de diferença para se classificar. Caso vença por um gol de diferença, a vaga será decidida na cobrança de tiros livres da marca do pênalti.

Bragantino anuncia Samuel como substituto de Agnaldo

dsc-0515

O Bragantino confirmou, no final da tarde desta quinta-feira, a contratação de Samuel Cândido em substituição a Agnaldo de Jesus no comando técnico da equipe. A demissão de Agnaldo foi anunciada depois da derrota para o Remo, por 1 a 0, na quarta-feira, em Bragança.

Samuel foi escolhido de uma lista que incluía também Rogerinho Gameleira, Cacaio e Lecheva. Os dirigentes chegaram a cogitar também o nome de Roberval Davino, que dirige o Capivariano na Série A3 Paulista.

A diretoria avaliou que o trabalho de Agnaldo não evoluía, apesar da classificação para as semifinais do Parazão. Segundo alguns dirigentes, o time só engrenou na reta final do campeonato. Ao mesmo tempo, a saída de Agnaldo teria o objetivo de sacudir o elenco para a partida de volta contra o Remo, domingo, no Mangueirão.

O novo comandante terá também a missão de preparar o Bragantino para a segunda fase da Copa do Brasil, quando enfrentará o Aparecidense no Mangueirão, e para a Série D.  Samuel será apresentado neste sábado aos jogadores e à comissão técnica, devendo dirigir o time diante do Remo.

Condé admite dificuldades, mas mostra confiança na virada

leo-conde

A queda diante do Independente tirou a invencibilidade do Paissandu no Parazão e deixou o time em situação desfavorável para o jogo da volta em Belém. “Temos agora que fazer um bom trabalho de recuperação nesses dois dias, trabalhar na melhor estratégia para o jogo. A gente tem que buscar o gol, mas de forma organizada. Se tiver o desespero vai ser complicado”, disse o técnico Léo Condé após a derrota para o Independente, em Tucuruí.

Um ponto fraco do time alviceleste ficou exposto na partida: a fragilidade da zaga nas jogadas aéreas. Dois gols de cabeça do zagueiro Dedé no segundo tempo determinaram a vitória do Galo Elétrico. “Acabamos sofrendo dois gols ali, mérito deles, o zagueiro deles foi muito bem. Temos que neutralizar a jogada para a partida de volta”, disse Condé.

Apesar do resultado negativo, o técnico do Paissandu avalia que o placar pode ser revertido na partida de segunda-feira. “É jogo de 180 minutos. Acabou o primeiro tempo de 90. Assim como eles fizeram o placar aqui, o Paysandu pode tirar com o seu torcedor apoiando”, finalizou. 

Galo vence a lama e o Papão

POR GERSON NOGUEIRA

Quem achava que o estádio Diogão tinha o pior campo do Parazão, com o charco visto no jogo entre Bragantino e Remo anteontem, teve que rever seus conceitos apenas um dia depois: o gramado do Navegantão em Tucuruí parecia ontem um verdadeiro pântano, dificultando tremendamente as coisas tanto para o Independente como para o Papão, que acabou derrotado e perdendo a invencibilidade na temporada.

Foi um embate marcado pela luta permanente dos jogadores para controlar a bola, torcendo ainda para que os chutes e lançamentos não parassem nas poças d’água ou deslizassem além do planejado.

O começo da partida foi repleto de chutes a esmo dos dois lados, muito mais para se livrar da bola do que para tentar a construção de lances mais elaborados. O Independente teve uma oportunidade logo de cara após Fazendinha cobrar falta na área do Papão. A bola ficou presa na água, esperando um chute, mas a defesa conseguiu afastar.

Logo em seguida, Tiago Mandií arrancou pela direita e cruzou para Joãozinho, que disparou por cima da trave. Aos 7 minutos, Nicolas tocou de cabeça para a entrada de Elielton, mas Mocajuba se antecipou e desviou a bola em direção ao próprio gol. Redson se esticou e mandou a escanteio.

Aos 12’, outra chegada forte do ataque do PSC. Marcos Antonio conseguiu erguer a bola na área e o volante Caíque cabeceou rente à trave direita de Redson.

Aos 21’, Elielton foi atingido dentro da área. Paulo Rangel cobrou a penalidade. Redson, muito bem colocado, defendeu o chute rasteiro. A perda do penal abateu visivelmente os bicolores, que recuaram permitindo ao Independente tomar conta das iniciativas ofensivas.

Não havia esquematização de jogo, nem distribuição tática visível em meio ao lamaçal. Era na vontade e na força física. Muitas bolas divididas, faltas duras e erros constantes dos jogadores nas tentativas de acertar a bola.

O Independente, mesmo tendo mais presença no ataque, não criava chances claras de gol. A única jogada mais aguda ocorreu aos 48’, quando Joãozinho entrou em velocidade pela direita e foi tocado pelo goleiro Mota quando já saía pela linha de fundo.

A falta foi batida pelo próprio Joãozinho, que não desperdiçou, mandando no canto esquerdo da trave alviceleste, para deixar o Galo Elétrico em vantagem no final do primeiro tempo.

Léo Condé, diante da necessidade de ir em busca do empate, trocou Elielton por Paulo Henrique, tornando a linha de frente mais forte para encarar o duelo com a zaga do Independente, liderada pelo bom Dedé.

E foi o zagueiro macapaense que brilhou como artilheiro na segunda metade da partida. Logo aos 6 minutos, ele subiu mais que os quatro marcadores do PSC e testou cruzamento de Mocajuba. O cabeceio de cima para baixo venceu Mota e ampliou a vantagem do Galo no placar.

O Papão tentou reagir aos 18’ com uma falta bem cobrada por Tiago Primão. Redson defendeu de soco e, no rebote, Vítor Oliveira chutou para fora. Dois minutos depois, o gol finalmente saiu. Paulo Rangel controlou a bola na entrada da área e deu um passe cruzado para Nicolas desviar para as redes.

Por reclamação, Tiago Mandií foi expulso logo depois do gol do PSC, deixando o Galo ainda mais vulnerável. Condé buscou então reforçar o meio-campo colocando Alan Calbergue no lugar de Primão. A ideia era ter um jogador de boa pontaria para tentar arremates de média distância. Alan ficou devendo e quase não participou das jogadas.

Aos 39’, surgiu o gol que liquidou a fatura. Dedé subiu novamente entre os zagueiros e cabeceou fora do alcance de Mota, decretando a vitória do Independente por 3 a 1.

Para um jogo disputado em gramado impraticável, a marcha do placar garantiu um mínimo de emoção à torcida. Não por acaso, três dos quatro gols da noite foram feitos em jogada aérea.

Dedé, zagueiro do Galo, foi disparadamente o melhor em campo, tanto como defensor quanto como goleador, posicionando-se bem na área do PSC para aproveitar a lentidão da dupla de zaga Micael-Vítor Oliveira.

————————————————————————————-

Estado do Diogão faz CBF mudar local de jogo

As imagens do campo esburacado e enlameado do estádio Diogão convenceram a CBF a aceitar a solicitação do Aparecidense, que pediu a troca do local da partida válida pela 2ª fase da Copa do Brasil. Por esse motivo, o Bragantino terá que enfrentar o visitante no estádio Mangueirão, na próxima quarta-feira (10), às 19h15, deixando de faturar com a renda em seu próprio estádio.

De toda sorte, não se pode criticar o Aparecidense pela iniciativa. Campos como o do Diogão e do Navegantão não poderiam servir de local para jogos oficiais. A esculhambação que envolve os critérios de fiscalização de estádios no Parazão acaba por permitir situações intoleráveis.

Enquanto se preocupa com maçanetas, cadeados e torneiras de pias, a comissão de fiscalização da FPF ignora um aspecto fundamental do jogo: a perfeita condição do gramado para a prática de futebol, em respeito aos torcedores e em prol da segurança de atletas e árbitros.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 05)