Futebol real x virtual amplifica pressão com populismo e redes sociais

Por Paulo Vinícius Coelho

Um dos perfis do twitter que pregam a demissão de Abel Braga, do Flamengo, amanheceu a sexta-feira, depois da goleada de 6 x 1 sobre San José, festejando ter quatro mil assinaturas. Havia 64 mil torcedores no Maracanã na noite de quinta-feira. A média de espectadores rubro-negra é de 40 mil no estadual e de 62 mil presentes na Libertadores.

Quatro mil assinaturas é realmente muita coisa, mas não é o retrato da maior torcida do país. Na quinta à noite, houve vaias no final do primeiro tempo, aplausos em parte do jogo, nenhum grito de Fora, Abel no estádio. Sem ser impecável, o Flamengo registrou sua terceira maior goleada na história da competição continental.

Quatro mil assinaturas representam 6% do público presente ao Maracanã. O Flamengo tem 32 milhões de torcedores. Há movimentos em redes sociais em todos os clubes. Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Vasco parecem ter os twitteiros mais indignados atualmente. Talvez a boa fase dos últimos anos do Corinthians diminua a ira corintiana.

A febre e a indignação das outras quatro torcidas nas redes sociais só não impressiona mais do que o fato de sites e emissoras de TV registrarem as mensagens como se fossem o espelho da realidade. São apenas um extrato.

As hashtags Fora Abel, Fora Alberto Valentim, Fora Leco aparecem todos os dias em programas televisivos e contrastam, em boa parte, com o que se vê na vida real, dentro dos estádios. Todos esses movimentos existem. Medir suas relevâncias é que se tornou difícil para quem vive só no mundo virtual.

Sábado passado, fui ao Fla-Flu. Sabia que o Maracanã não grita mais o nome dos jogadores do Flamengo – a exceção é Cuellar — e que as duas uniformizadas mais tradicionais, Jovem e Raça, estão suspensas. Sabia da resistência de parte da arquibancada a Abel Braga. Diferente do que se diz, a multidão gritou os nomes de Cuellar e Diego, não apenas do volante colombiano. Cantou o hino e entoou o tradicional “Ah, meu Mengão, eu gosto de você” durante todo o jogo, inclusive após o gol de Gilberto, do Fluminense.

Ao chegar em casa, o twitter tinha uma mensagem direta para mim: “A maior torcida do Brasil vaiou o Abel hoje, quando ele tirou o Diego. Exigiu Arrascaeta o tempo inteiro com músicas… na coletiva, ele (Abel) afrontou a todos dizendo que comanda de dentro para fora. Insustentável!”. Respondi com uma pergunta: “Eu estava no estádio e não percebi. Você também estava no estádio?”

Veio a réplica: “Como não percebeu? Aaa eee… solta o Arrascaeta nessa porra! Música clássica de estádio da nossa torcida. Cantaram pro Guerrero quando foi suspenso. Substituição do Diego foi vaiada quase em uníssono”. Calmamente, devolvi: “Percebi a vaia à saída do Diego e percebi aplauso ao Diego e Cuellar no anúncio da escalação. Você estava no estádio?”

A tréplica chegou: “Hoje, não. Estou fora do país. Mas passei a vida na Raça Rubro-Negra desde os 5 anos de idade e fui em todas as Libertadores no século 21.”

O Brasil está doente. O futebol é o dedo mindinho dessa doença e também padece. O problema é quando quem pode olhar para o todo escolhe observar só a unha do dedinho. Só a rede social. Às vezes, parecemos gritar o que o povo quer ouvir. Ou melhor, o que a rede social quer ler. Há populismo e panfletos repetidos exaustivamente, mentiras que contadas dez vezes parecem verdade.

No domingo (7), o Uol publicou: “Feliz e Bravo: Flamenguistas exaltam final, mas se irritam com Abel e VAR.” A matéria colecionava mensagens no twitter. Havia contas que variavam de três seguidores até dez mil do perfil #ForaAbel. Na “reportagem”, não havia nenhum depoimento de algum jornalista que relatasse o que viu no estádio. Todos os relatos eram leitura do mundo virtual.

A lembrança parece obsessiva, mas é justa: o Flamengo tem 32 milhões de torcedores! Dirigentes sem preparo se baseiam pelo que leem e julgam que a pressão se dá na vida virtual. Os exemplos aqui citados de rubro-negros valem twitteiros de outros clubes.

O mundo mudou e é óbvio que as redes sociais têm importância. É excelente que a vida democrática dê chance de manifestação a quem nunca teve. Mas isso precisa vir acompanhado de responsabilidade. De filtro. Quem pode filtrar é quem separa as mensagens inteligentes das burras, os protestos legítimos dos interesseiros, as manifestações democráticas das autoritárias. Ninguém está separando.

O Flamengo venceu o San José por 6 x 1 na quinta-feira, sua terceira maior goleada na história da Libertadores. Teve defeitos táticos, analisados por todos os comentaristas. Falhou Rodrigo Caio, Léo Duarte não fez bom jogo, William Arão não engrena, os atacantes perderam gols demais. O time não joga bem, mas foi derrotado só em dois de seus dezenove jogos no ano. Marcou 39 gols. Só o Grêmio fez mais, entre os doze maiores clubes do país.

No dia seguinte, o orgulho na rede social era ter 4 mil seguindo o #ForaAbel. Abel Braga não é nem nunca foi o melhor técnico do Brasil. De todos os treinadores de grandes times brasileiros, é quem frequenta esse círculo restrito há mais tempo. Desde 1985, quando assumiu o Botafogo.

Nas redes sociais, às vezes recebe tratamento de estagiário, palavra com que se convencionou ofender Maurício Barbieri, sete meses atrás, porque dirigia o rubro-negro sem jamais ter trabalhado em clube grande antes. Dos sete representantes brasileiros na Libertadores, só o Cruzeiro está invicto. Só dois, Santos (1963) e Corinthians (2012), ganharam o torneio sem sofrer nenhuma derrota. O campeão sempre tropeça.

Em 1981, ano do único troféu do Flamengo, em quinze participações, o rubro-negro tinha Zico, Júnior, Adílio, Andrade e Leandro e, mesmo assim, empatou contra o Olimpia, dentro do Maracanã, na fase de grupos. Mereceu manchete crítica do Jornal dos Sports: “Fla joga um ponto fora: 1 a 1 com Olimpia.” No dia seguinte, a primeira página tinha outra visão: “Fla desconfia da correria na Taça: vai pedir antidoping.”

O Flamengo empatou com o Olimpia no Maracanã e ninguém disse que o time brasileiro não corria. Eram os paraguaios que corriam demais. Hoje, a cada jogada perigosa do adversário, uma mensagem de 280 caracteres aparece na internet. Há um meio caminho entre desconfiar da honestidade do adversário e não aceitar um tropeço, como o melhor Flamengo da história teve, dentro de casa, contra um adversário paraguaio. Quatro meses depois daquela atuação ruim, foi campeão mundial.

Trivial variado do puxadinho das milícias

“O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, diz que Bolsonaro é um homem muito perigoso, a mídia internacional o classifica como tudo que não presta e diz que ele destruiu a imagem do Brasil no mundo e que ele é um fracasso violento e racista. O mundo o classifica como o pior!”. Adriano Argolo

“Apartamento barato no Rio? Procura o Major Ronald. Segurança total! Foi condecorado pela Familícia Bolsonaro. Está sumido, mas é boa gente. Não é porque dois prédios caíram e mataram 17 pessoas que você vai querer atrapalhar os negócios, né?”. Renan Araújo

“Que sentimento indescritível, ler o que o presidente do nosso país fala. Como mente e nada acontece. Evaldo foi assassinado pelo NOSSO exército. Que sua família receba toda minha solidariedade. Que revolta, ódio, dor, desesperança. E o super juiz ? Parece até q trabalha na globo”. Juninho Pernambucano

“Hoje é dia 04/04/2019! Quando será o depoimento do Flávio Bolsonaro? E as investigações sobre o Queiroz, esposa e filhas? E o cheque da Michele Bolsonaro? E o Jair? Esquemas? E os milicianos? E suas famílias nos gabinetes? Quem mandou matar Marielle?”. Abdalah Farah Neto 

“Nosso país não é racista, não, só tem um presidente racista que defende um humorista racista e o maior reality show do país sendo ganho por uma racista. Somando os três dá uns 80 milhões de fãs, mas o Brasil não é racista, eu juro”. Luiz Guilherme Prado

“Conversa com Bial! Moro: ‘tive RUGAS com Gilmar’. E eu verrugas com Toffoli! O Moro tem o primário mal feito!”. José Simão

“Eu reclamei do seu silêncio, Jair Bolsonaro. Mas estou arrependido, porque você deveria ficar calado. Você é irresponsável e covarde. Um pai de família foi fuzilado pelo Exército e você falando em incidente. Pena que eu tenha que dizer isso pra o presidente da República”. Marcelo Freixo

Neymar se mete em treta com sertanejo por causa de bailarina do Faustão

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Neymar e o cantor sertanejo Zé Felipe, o filho do cantor Leonardo, acabaram se estranhando nas redes sociais no fim desta semana. Desta vez, Bruna Marquezine e Anitta não tiveram nada a ver com a história e o centro dessa polêmica foi Isabella Arantes. Sabe quem é ela? Antes da apresentação, vamos a um breve resumo da história: O jogador do PSG aproveitou a quinta-feira para recordar seu Ano Novo e publicou uma foto com os amigos Gabriel Medina e Isabella.

No entanto, os amigos do atacante aproveitaram para zoar sobre uma possível crise no namoro da moça e Zé Felipe, seu namorado, não gostou. O cantor chegou a publicar um vídeo debochando de Neymar, mas apagou pouco tempo depois. E m seguida, postou uma foto com a amada para garantir que estava tudo bem entre eles.

Enfim, vamos a apresentação: Isabella é bailarina do programa Domingão do Faustão. Ela tem 21 anos e é natural da cidade de Aparecida, interior de São Paulo. Além da dança, a moça também pretende se dedicar ao teatro. Tem 169 mil seguidores no Instagram.

Adora uma praia… É adepta da malhação para manter o corpo em forma. Há poucos meses juntos, ela se mantém discreta em relação ao namoro com Zé Felipe e nunca publicou fotos ao lado do rapaz.

Passou o Ano Novo em Barra Grande, na Bahia, onde conheceu Neymar e companhia. Aliás, também esteve no Camarote Salvador no Carnaval, quando começou todo bafafá do menino Ney. Logo depois da capital da Bahia, também curtiu os últimos dias de folia Camarote Rio. Mesmo local em que o “parça” Neymar esteve.

Com 2012 na lembrança

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POR GERSON NOGUEIRA

A decisão do Parazão começa hoje à tarde, no estádio Jornalista Edgar Proença, e o Remo tem bons motivos para não subestimar a importância do primeiro duelo. Em 2012, decidindo o título com o Cametá, os azulinos foram derrotados na primeira partida por 2 a 1 e empataram a segunda, deixando escapar o título nos minutos finais.

A lembrança daquele desfecho de campeonato pode não estar na cabeça do técnico e dos jogadores atuais, nenhum deles atuando naquela competição, mas certamente está bem viva na memória da torcida.

Significa, basicamente, que o Remo não pode se permitir uma atuação hesitante ou cautelosa em excesso no confronto deste domingo. A escalação desenhada na sexta-feira indica que o técnico Márcio Fernandes não muda o sistema de jogo, mas certamente vai modificar o ataque.

A mudança tem a ver com o baixo rendimento do setor ofensivo no jogo contra o Bragantino, domingo passado. Apesar de boa movimentação no primeiro tempo, quando Djalma e Douglas Packer faziam a transição inicial para as jogadas de ataque, o time não se encontrou na etapa final e esteve a pique de ser derrotado no Mangueirão.

Com a contusão sofrida por Edno e o pífio rendimento de Mário Sérgio contra o Bragantino, domingo passado, o caminho ficou aberto para o aproveitamento de Emerson Carioca, atacante de melhor retrospecto no campeonato, com dois gols, duas assistências e um pênalti sofrido no jogo contra o Paragominas.

Isso tudo sem ser escalado como titular em nenhum dos 12 jogos do Remo na competição, o que só valoriza a sua produção. O fato é que Emerson aproveitou ao máximo as oportunidades que teve. Apontado como fora de forma por alguns, ele é o atacante remista de melhor presença na área entre todos que participaram da competição.

Emerson e seus companheiros terão a missão de desbravar a forte defesa do Independente, centrada na experiência de Charles e na segurança de Dedé, que é também um exímio cabeceador. Contra o PSC, nas semifinais, sua participação ofensiva foi determinante para a classificação do Galo Elétrico.

Outra figura que merece atenção é o meia Fazendinha, principal articulador do time de Charles Guerreiro. Ele não disputou as semifinais dentro de condições ideais, mas se recuperou e é uma das peças fundamentais do desenho de jogo do Galo Elétrico.

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Bola na Torre

Giuseppe Tommaso apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV. Participação de Rui Guimarães na bancada de debates, ao lado deste escriba de Baião.

Em pauta, os gols e análises sobre os jogos do Parazão e a Copa do Brasil.

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Tubarão precisa saber receber o torcedor

O amigo desportista e jornalista Paulo Bemerguy observou em seu concorrido blog Espaço Aberto, na quinta-feira, a saia-justa proporcionada pela diretoria do Bragantino aos seus torcedores na partida contra a Aparecidense, pela Copa do Brasil.

Apesar de vitorioso e classificado à próxima etapa da competição, com uma bela soma conquista, o clube agiu como se esperasse apenas 600 testemunhas para o jogo no Mangueirão.

Aí apareceram mais de 6 mil. Sem estrutura para atender tantas pessoas, criou-se uma balbúrdia infernal em torno das bilheterias do estádio. Até o policiamento era mínimo.

Muita gente foi ao Mangueirão torcer pelo Tubarão e chegou 15 minutos antes, mas só conseguiu entrar por volta de 20h, tamanha era a lentidão nas filas para compra de ingresso.

Turbinado pelos R$ 2,6 milhões arrecadados, até aqui, o Bragantino tem chances de ir em frente na Copa do Brasil. Terá pela frente, na próxima semana, o Vila Nova-GO.

Deve, desde já, se preparar para atender a torcida de Belém que certamente vai comparecer para incentivar o time. É hora de pensar grande.

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A sina da Estrela Solitária na Copa BR

O Botafogo de Zé Ricardo foi eliminado da Copa do Brasil, ontem à noite, pelo Juventude, de Marquinho Santos, exibindo a falta de combatividade típica de times sem fibra e comprometimento. Fez um gol, teve dois jogadores expulsos, permitiu o empate num lance bobo, levou a virada após ter a bola nos pés e depois saiu reclamando da arbitragem, quando deveria olhar para seus próprios erros e se envergonhar.

Zé Ricardo foi despachado na sexta-feira, mas o prejuízo fica. O clube, que planejava arrecadar pelo menos R$ 4 milhões na Copa do Brasil, sai de mãos abanando, eliminado por um oponente que não integra a confraria de primeira linha do futebol brasileiro.

Uma linhagem de dirigentes neófitos e até ingênuos, em certos aspectos, está levando o Botafogo à ruína. São senhores bem intencionados, com boa projeção na sociedade e em suas atividades, mas que não entendem patavina do que é o negócio chamado futebol. A Série B é logo ali.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 14)

Comoção em Brasília no enterro de jovem morto a tiros em discussão de trânsito

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Cerca de 200 pessoas se despediram, na manhã deste sábado (13/4), de Felype Anderson de Sousa, 22 anos, baleado pelas costas, ao menos quatro vezes, após um acidente de trânsito leve, no Itapoã. A vítima, que é motorista de aplicativo, chegou a ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas morreu antes mesmo de receber atendimento médico.

O velório de Felype começou às 8h, na capela 3 do Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. Familiares, amigos e conhecidos vítima se reuniram para o último adeus. O corpo foi sepultado por volta das 11h. De dentro da capela, ruídos de choros e gritos de desespero podiam ser escutados à distância. Muito abalados, os familiares do jovem não quiseram falar com a imprensa. A cerimônia fúnebre foi guiada pelo pastor evangélico Jorge Soares, que realizou uma pregação breve.
Hinos religiosos foram entoados para a despedida. Alguns dos presentes vestem uma blusa de ‘luto’ com a foto de Felype. Em um momento de imensa dor, as pessoas próximas se abraçam, a fim de amenizar, ao menos por um instante, o sofrimento de perder um jovem visto como uma pessoa do bem.
O jovem treinava muay-thai em academias desde os 12 anos e, até o ano passado, fazia o esporte no Itapoã, na Academia Elite, afirma o professor e proprietário do estabelecimento, Júnior Lopes. “O Felype era extremamente educado e gentil. Isso também refletia quando ele lutava, pois não era do tipo que queria machucar ‘para valer’ o próximo. Não é atoa que todos nós estamos chocados com o que aconteceu. Ele sequer começou uma briga e, mesmo assim, teve a vida ceifada de forma tão cruel”, destaca o morador da Asa Sul.
Segundo a delegada-chefe da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), o suspeito de assassinar Felype de Sousa é Alessandro Guerreira Barros, 27 anos. Até a mais recente atualização desta matéria, ele continuava foragido. Ele já foi condenado por tentativa de homicídio em 2013, por ter atirado contra um homem que julgava ser amante da namorada dele. Alessandro cumpriu pena de cinco anos no Complexo Penitenciário da Papuda e, atualmente, trabalhava em um bar da Asa Sul. (Do Correio Braziliense)

Para prefeito de Nova York, Bolsonaro é um “ser humano perigoso”

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O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, chamou o presidente Jair Bolsonaro de “ser humano perigoso” e pediu que o Museu de História Natural da cidade não sedie uma cerimônia em que o chefe de Estado brasileiro será homenageado.

Em entrevista à radio americana WNYC, De Blasio, que faz parte da ala esquerda do Partido Democrata, disse que se preocupa com os planos de Bolsonaro para a exploração da Amazônia — algo que o nova-iorquino afirma que poderia colocar todo o planeta em risco —, bem como seu “racismo evidente” e sua “homofobia”.

“Esse cara é um ser humano muito perigoso”, afirmou o prefeito. “Eu certamente peço ao museu que não permita que ele seja recebido lá”.

De Blasio se referia à cerimônia de gala que está prevista para ser realizada pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, conhecida pelas posições alinhadas com o pensamento de direita, no dia 14 de maio. Bolsonaro é convidado de honra do evento e, na ocasião, receberá o título de “Pessoa do Ano” dado pela Câmara. O evento está agendado para acontecer no Museu de História Natural de Nova York, mas a instituição alega que a reserva do espaço foi feita antes de ser informada sobre quem receberia a honraria.

“Se você está falando de uma instituição apoiada publicamente (o museu) e está falando de alguém que está fazendo algo tangivelmente destrutivo (Bolsonaro), fico desconfortável com isso”, declarou De Blasio à rádio.

O museu recebeu US$ 8,6 milhões em financiamento da prefeitura de Nova York no ano passado e está localizado em terras públicas às margens do Central Park.

Em uma mensagem nas redes sociais na quinta-feira, o museu, que defende a preservação ambiental e está sendo pressionado por pesquisadores a cancelar o evento, disse que estava “preocupado” e “explorando as opções” para decidir o que fazer agora.

Em nota ao GLOBO na sexta-feira, o museu indicou que ainda não tem uma decisão e nem informa quando ela poderá ocorrer. No comunicado, reafirma que as políticas ambientais de Bolsonaro estão por trás do impasse.

“Estamos profundamente preocupados, e o evento não reflete de forma alguma a posição do museu de que há uma necessidade urgente de conservar a floresta Amazônica, que tem implicações tão profundas para a diversidade biológica, comunidades indígenas, mudanças climáticas e a saúde futura de nosso planeta. Estamos avaliando as nossas opções”, afirmou o museu em e-mail.

Em um comunicado à imprensa sobre a cerimônia de gala, a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos destacou que Bolsonaro obteve 57 milhões de votos nas eleições brasileiras de outubro de 2018 e elogiou seu trabalho em questões como segurança pública e direitos dos veteranos militares. (Com informações de O Globo e agências internacionais)