João Gordo avisa: “Metaleiros fascistas vão se arrepender”

images_cms-image-000627832

O músico João Gordo, ex-vocalista da banda Ratos de Porão, disse que os “metaleiros” irão se arrepender por terem apoiado conservadores. Para ele, não há possibilidade de relacionamento com “fascistas”. “Não troco ideia com fascista, não. Esses metaleiros fascistas vão tudo se arrepender. Como esses caras dizem ser satanistas, escutam black metal, falam que são fãs do capeta e tal, mas apoiam cristão fundamentalista? Os caras são loucos, velho, tá ligado?”, disse o roqueiro, em entrevista ao programa no programa Interdependente, veiculado pela Frei Caneca FM, de Recife (PE).

“A coisa mais fácil de acontecer é o Malafaia, esses filha da puta cristão aí, proibir banda de black metal, de death metal de tocar aqui, cara. Porque falam do capeta, tá ligado? É muito ridículo isso tudo, cara. Antigamente, o metal era contra tudo isso. Agora tá do lado desses filhos da puta? Acho isso uma merda e sempre digo: com fascista não tem ideia, cara. Os caras não entendem, são burros, tapados. Acreditam em mentiras e são racistas. São tudo que não presta, então não tem ideia”, completou João Gordo.

Globo censura notícia sobre decisão que suspendeu censura a entrevista de Lula

globo_censura_lula-600x300

Não deu na Globo. O telejornal da emissora dos Marinho censurou a queda da censura às entrevistas do ex-presidente Lula. O petista estava proibido de falar à imprensa desde setembro do ano passado, quando o ministro Luiz Fux cassou uma liminar que garantia entrevista do ex-presidente a três órgãos de comunicação (Folha, El País e Rede Minas). Estabeleceu, portanto, a censura prévia.

Coube ao ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a decisão que derrubou a censura a Lula que é mantido preso político há mais de 1 ano na Polícia Federal de Curitiba.

Se censurou Lula, por outro lado, a Globo enalteceu o fim da censura aos sites O Antagonista e Crusoé. Deu mais 15 minutos de fama aos disseminadores de fake news.

Moral da história: para a burguesia, a liberdade de imprensa — no sentido filosófico — é um valor de “classe”, jamais universal; aliás, O Antagonista apoiou a censura ano passado à Folha, El País e Rede Minas. (Do Blog do Esmael Morais)

Braga põe ingresso a R$ 10,00 para ter apoio da torcida contra o Vila Nova

519615923

O Bragantino faz neste sábado o segundo jogo contra o Vila Nova, pela terceira fase da Copa do Brasil, no estádio Mangueirão, a partir das 16h. Na idade, deu Vila, 2 a 0, placar que força o Tubarão a ter que ganhar por três gols de diferença para continuar vivo na competição. Caso vença por dois gols de vantagem, haverá cobrança de penalidades.

“O Bragantino, mais uma vez, está mobilizando os torcedores paraenses para incentivar o time a virar esse placar, que começou de 2 a 0 para o Vila Nova. Com a ajuda deles (torcedores) a gente vai tentar reverter esse placar e, mais uma vez, alavancar o nome do Pará”, conclamou ontem o diretor de futebol do Braga, Elson Sousa, confiante na reversão do placar.

Os ingressos estão sendo vendidos em três locais na Região Metropolitana de Belém: as lojas Positron dos shoppings Grão Pará (Benguí) e Metrópole Ananindeua (Coqueiro) ou no Hotel Riviera, na Rodovia Mário Covas, onde a delegação do Bragantino-PA está hospedada. A arquibancada custa R$ 10,00 e a cadeira R$ 20,00. O estacionamento também é R$ 10,00.

STF tem mais uma oportunidade de mostrar grandeza

Por Luis Nassif, no Jornal GGN

A valentia da Lava Jato acabou. A petulância de procuradores de primeira instância de Curitiba, transformou-se em pânico. Os abusos voltam-se contra eles. Dependem, agora, da defesa corporativista ou dos garantistas que eles tanto combateram. Se meramente corporativista, será uma defesa insossa, restrita às associações de classe. Também para a Lava Jato, chegou A Hora do Espanto.

o-stf-tem-mais-uma-oportunidade-de-mostrar-grandeza-por-luis-nassif-709a40e2-ef36-492d-8a77-53ecce4ffbc7-696x696

Não irá parar por aí o ofensiva do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o poder da Lava Jato encastelado no Estado. Nos próximos dias, chegarão ao STF os nomes dos auditores da Receita que montaram o relatório implicando Gilmar Mendes e esposa. No bojo do Inquérito 4781, que  investiga as ameaças aos Ministros do STF, o Ministro Alexandre de Moraes requisitou a cópia integral do relatório. Até então, a Receita tinha enviado um relatório parcial, omitido o nomes dos funcionários envolvidos.

Cumpre-se o mesmo ritual que marcou outros momentos de paroxismo da história, no qual os primeiros jacobinos são degolados. A expectativa maior é sobre o próximo tempo do jogo.

Passado esse embate entre o dragão e a lagartixa, é hora do Supremo Tribunal Federal (STF) mostrar a que veio. Decisões do Superior Tribunal de Justiça, do Conselho Nacional de Justiça, iniciativas da própria Procuradoria Geral da República, dependem, mais do que de decisões, de sinais emitidos pelo STF.

Até agora, esses sinais não foram animadores. Premido pelo clamor das massas, pela onda moralista-punitivista da Lava Jato, e pelo oportunismo político de parte de seus membros, o Supremo abriu mão de sua missão contra-majoritária e de última cidadela dos direitos. Foi pusilânime com os arroubos da Lava Jato, cúmplice do golpe do impeachment e da prisão política de Lula.

Nos próximos dias, se saberá a resposta a esse enigma: o julgamento de Lula pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Não haverá maioria pela absolvição. Mas há abusos evidentes que teriam que ser corrigidos. Como, por exemplo, a imputação dos crimes de corrupção somados aos de lavagem de dinheiro. Já há jurisprudência no STF de que a lavagem de dinheiro é delito assessório ao crime de corrupção. Sem contar a irracionalidade de criar a figura inusitada da lavagem de apartamento — Lula teria mantido o apartamento em nome da OAS, para  “lavar” o apartamento.

Há, também, elementos de sobra mostrando que o TRF4, a 2a instância, aumentou a pena de Lula para impedir que, por ter completado mais de 70 anos, tivesse direito à prescrição de alguns dos crimes dos quais foi acusado. Ocorrendo isso, a prisão política do isolamento poderá ser trocada pela prisão política domiciliar.

Mais uma vez o STF é colocado ante a história. Nos últimos anos, não houve erro: decepcionou sempre os que apostavam que passaria a agir com grandeza.

Agora terá nova chance de se reabilitar, em um momento em que o país está a um passo da selvageria generalizada.

Decisão do STF inclui entrevista de Lula para Florestan Fernandes Jr.

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta quinta-feira (18) que liberou o ex-presidente Lula para dar entrevista à jornalista Mônica Bergamo da Folha de S.Paulo, inclui ainda o jornalista Florestan Fernandes Jr, para o El País.

Com isso, os dois serão os primeiros jornalistas com acesso ao ex-presidente após sua prisão pela Lava Jato, que completou um ano no último dia 4. Quem liberou o pedido de entrevista foi o presidente da corte, Dias Toffoli, suspendendo a censura imposta em setembro de 2018 pelo ministro Luiz Fux.

decisao-do-stf-inclui-entrevista-de-lula-para-florestan-fernandes-jr-do-el-pais-lula-entrevista-696x481

Além de cassar a permissão para que Lula falasse aos jornais, o ministro disse ainda que se as entrevistas já tivessem sido realizadas, não poderiam ser publicadas, “estabelecendo uma censura prévia que é expressamente proibida pela Constituição”, pontuou Mônica Bergamo ao criticar a decisão do membro do STF.

Na época, Fux considerou as recomendações da procuradoria-geral da República, Raquel Dodge. Ela defendeu que a liberdade de expressão encontrava limitações na condição de preso do ex-presidente.

“O fato é que ele [Lula] é um detento em pleno cumprimento de pena e não um comentarista de política”, escreveu Dodge completando que a proibição estava de acordo para que “as finalidades da pena a ele imposta” fossem “concretizadas, sendo, portanto, compatível com a ordem jurídica do país”.

A prisão de Lula é avaliada por alguns especialistas como estritamente política, entre eles Geoffrey Robertson advogado do campo de direitos humanos e conselheiro da rainha da Inglaterra. Ao analisar o caso de Lula, a pedido dos seus advogados, Robertson acabou entrando no grupo de defesa do petista.

O ex-presidente foi detido no ano em que iria concorrer ao terceiro mandato à presidência do Brasil, cargo que ocupou de 2003 até 2011, quando saiu com 87% de popularidade, segundo levantamento do instituto de pesquisa Ibope feito no final do seu segundo mandato.

A operação Lava Jato de Curitiba, que resultou em duas condenações contra Lula, afirma o ex-presidente teria recebido como benefícios a construção e reforma de um apartamento triplex no Guarujá, que legalmente não foi adquirido pelo ex-presidente, e a reforma de um sítio, em nome de um amigo, que ele frequentava junto com a família, em troca do favorecimento de construtoras em licitações públicas.

A defesa de Lula nega as acusações e levou o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos, da ONU. A mesma organização internacional defendeu a participação do ex-presidente nas eleições presidenciais do ano passado, concluindo que a Lava Jato estava ferindo os direitos políticos de Lula.

Além de afirmar que o ex-presidente não era comentarista político, Dodge rebateu o argumento de Mônica Bergamo e Florestan Fernandes Jr de que a liminar de Fux proibindo as entrevistas do ex-presidente contrariava a liberdade da própria imprensa.

Usando como base uma decisão da justiça norte-americana, Dodge pontuou que a Supremo Corte daquele país, ao decidir sobre a liberdade de imprensa num outro caso, pontuou que esse direito “não obriga o Governo a conceder à imprensa acesso especial àquela informação cujo acesso equivalente não é dado aos membros do público em geral”.

As entrevistas de Lula à Folha e ao El País aconteceriam em um momento decisivo da disputa eleitoral do ano passado, em setembro, portanto semanas antes do primeiro e segundo turnos, que foram realizados nos dias 7 e 28 de outubro, respectivamente.

Trivial variado do furor punitivista da Lava Jato

D4iaMmuWwAUj0Jv

“O lavajatismo latinoamericano, com seu viés ideológico, não contava com o suicídio do ex-presidente Alan Garcia, Resultado: multidões nas ruas de Lima. Lembra Vargas, 1954”. Lula Falcão

“A corrupção derrete a democracia. Alan Garcia acusado, se mata. Foi meu aluno na França. Populista, não resistiu à maré corruptora. Ou restabelecemos a simplicidade no viver e o respeito à lei ao governar, ou há risco de ditadores enganarem o povo com discursos morais enganosos”. FHC, que vive abastadamente em Paris

“E nada do se manifestar em suas redes sobre o Dia dos Povos Indígenas (19/4), cujos direitos estão consagrados na Constituição Federal. Nenhuma surpresa em se tratando de um político que passou a vida atacando os direitos dos povos indígenas”. Juliano Medeiros

“Neto do Lula morreu em hospital de pobre, filha do Lula vende ovos de páscoa pra se sustentar. Até o Guedes afirmou que Lula não roubou um tostão porque tem patrimônio de gente honesta”. Cambará

“A grande mídia não diz é que o congelamento de preços na Argentina é o rotundo fracasso do neoliberalismo ali, em implementação aqui. Inflação, desemprego, alta de preços dos alimentos. Agora caos, saques, repressão. Omitem como autocensura. Por colaboração, não por vergonha”. Tarso Genro

Xadrez do dia em que os procuradores da Lava Jato entraram em pânico

xadrez-doa-dia-em-que-os-procuradores-da-lava-jato-entraram-em-panico-por-luis-nassif-captura-de-tela-2019-04-19-12.26.21-696x524

Por Luis Nassif, no Jornal GGN

Vamos a algumas informações frescas sobre o caso Dias Toffoli/Alexandre Moraes-Lava Jato e a reação ao Inquérito 4781 que investiga ataques ao Supremo.

PEÇA 1 – TOFFOLI NÃO ESTÁ ISOLADO NO STF

Não há a menor dúvida de que o vazamento do tal telegrama que mencionava “o amigo do amigo do meu pai” teve a intenção de constranger o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, nas vésperas da votação da prisão após julgamento em 2ª instância. Foi uma tacada política. E há pouquíssimas dúvidas sobre as origens desse vazamento, nos porões da Lava Jato.

Por isso mesmo, no STF houve manifestações contra a censura e a forma atabalhoada como o ministro Alexandre de Moraes conduziu os primeiros movimentos o inquérito 4781 – que apura ataques a membros do STF. Mas as ações contra os abusos da Lava Jato têm apoio interno.

No Supremo, há convicção da maioria sobre o excesso de poder conferido ao Ministério Público, fora do controle do Judiciário.

PEÇA 2 – HÁ INTENÇÃO DE ENQUADRAR O MPF

Considera-se que, nos últimos anos, o Ministério Público ganhou poderes excessivos, que o colocaram fora do controle jurisdicional. São eles:

  • os TACs (Termos de Ajustamento de Conduta) que permitiu ao MP mandar em todas as prefeituras sem passar pelo Judiciário.
  • Os PICs (Procedimentos de Investigação Criminal) que permite ao MP fazer investigações sem a supervisão de um juiz, como ocorre nos inquéritos policiais, em que toda investigação está vinculada a um magistrado.
  • A delação premiada, que permite toda sorte de jogadas, da indução ao conteúdo das delações, o direcionamento para advogados amigos e até os esquemas de chantagem contra empresas. O caso ganhou contornos mais graves com a denúncia de empresas financiando a delação de seus executivos.
  • Pela Lei da Ação Pública, o controle do MPF sobre fundos constituídos pelas multas e ressarcimentos de réus condenados.
  • e, agora, o plea bargaining, instituto que permitirá ao representante do Ministério Público negociar diretamente com o acusado e deixar de acusá-lo formalmente, se considerar que as informações apresentadas foram satisfatórias.

Volto ao tema no final do texto. Há instrumentos que são essenciais para o bom funcionamento do MPF e não podem ser destruídos em função do mau uso pela banda podre da corporação.

PEÇA 3 – RECEIOS DA QUEBRA DE HIERARQUIA

No Xadrez das Contradições do Pós Impeachment, coloquei que um dos pontos principais de discussão era a questão da quebra da hierarquia.

“Base x cúpula

É a principal contradição que emerge do golpe.

A desconstrução da Constituição, perpetrada pelo STF, não afetou apenas o sistema partidário. Passou a estimular uma rebelião do baixo clero em relação aos controles hierárquicos de cada instituição.

É oi que tem levado a uma reação, ainda tímida, do STF, do Conselho Nacional de Justiça e da PGR. E tem despertado preocupações no Alto Comando das Forças Armadas”.

Uma das mensagens de apoio que o STF recebeu foi do General de Divisão André Luis Novaes Miranda, do Comando Militar do Sudeste, preocupado com a quebra de hierarquia na Justiça. Afinal, com 15 generais 4 estrelas, como segurar 300 mil soldados se a quebra de hierarquia se alastrar?

PEÇA 4 – ESTÁ SE CHEGANDO PERTO DO VAZADOR

O ministro Alexandre Moraes convocou não apenas delegados de confiança da Polícia Federal, como também está trabalhando com a Polícia Civil de São Paulo. As investigações estão perto de chegar ao vazador.

Algumas das pessoas investigadas, com poucos seguidores nas redes sociais, atuavam como pontos de disseminação dos fakenews. Eles publicavam as primeiras notícias e um conjunto de seguidores, robôs ou não, disseminavam o conteúdo para milhares de perfis.

À medida que as investigações avançam, instaura-se a cizânia na Lava Lato. Ontem mesmo, o procurador Deltan Dallagnol se defendeu, alegando que os procuradores tiveram acesso aos autos depois do vazamento ter sido publicado. Jogou a suspeita na Polícia Federal. Nas redes sociais, os ataques ao STF caíram quase 80%.

Ao mesmo tempo, informações que chegaram ao Supremo indicam que houve troca frenética de telefonemas entre os procuradores, às 5h30 da manhã, para saber se havia movimentação de polícia na frente da sua casa. Como se sabe, invasões de domicílio podem ser feitas a partir das 6h. Para sua sorte, nenhum foi detido na banheira, como Marat na Revolução Francesa.

No episódio do vazamento das conversas entre Lula e Dilma, quando o ministro Teori Zavascki exigiu explicações, delegados da PF informaram ter consultado o PGR Rodrigo Janot, que estava em viagem. E não foram desmentidos. O clima da época impediu que Janot fosse devidamente enquadrado.

No limite, os que atuaram na ponta acabarão por jogar a responsabilidade nas costas do ex-juiz Sérgio Moro.

PEÇA 5 – O INQUÉRITO 4781

Nos próximos dias, haverá um aumento da disputa em torno do Inquérito 4781. Hoje, O Globo abriu editorial a favor do trancamento do inquérito. Há tempos, as Organizações Globo tornaram-se reféns dos punitivistas do MPF, em função do envolvimento com a corrupção da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Como se recorda, o MPF abafou o inquérito que corria no Rio de Janeiro. E tornou a abafar quando o Ministério Público espanhol enviou provas da compra da Copa do Brasil pela Globo, sem a participação de “laranjas”. É uma espada de Dâmocles permanente no pescoço do grupo.

Por outro lado, as ações do STF embutem o risco de se trocar o autoritarismo miliciano do baixo clero por um sistema autoritário centralizado, o autoritarismo das milícias pelo autoritarismo da cúpula.

PEÇA 6 – A PRESERVAÇÃO DO MPF

Todos esses pontos exigirão um posicionamento claro das instituições.

O MPF colhe, agora, a irresponsabilidade do pior Procurador Geral da história, Rodrigo Janot, permitindo os abusos iniciais da Lava Jato e, depois, aderindo de forma oportunista às ondas formadas.

Os novos poderes do MPF provocaram o surgimento dos pequenos ditadores na ponta. Mas foram e são, também, ferramentas relevantes de defesa dos direitos nas mãos de procuradores responsáveis.

Tem-se agora uma PGR com pouco jogo de cintura político, mas séria e responsável em relação ao MPF e ao país. E um trabalho exemplar, por todo o país, de procuradores que não se deixaram contaminar pelo deslumbramento e falta de limites da Lava Jato e que têm nos TACs e outras ferramentas instrumentos relevantes de defesa dos direitos dos índios, dos negros, do meio ambiente.

Não se pode comprometer a autonomia do MPF – um dos princípios centrais da democracia brasileira – por conta de meia dúzia de tresloucados e por lideranças claudicantes. O pior que poderia acontecer seria substituir o MPF abusivo de hoje pelo MPF adesista de outros tempos.

Vai se entrar em uma nova etapa da vida política do país. E ainda não se sabe se avançando mais ainda rumo ao estado de exceção, ou em relação aos valores civilizatórios.

Lava Jato e ligações com Odebrecht levaram ao suicídio de Alan García

ODM5NzQ1ZTA3MjgyYmY0ZmNiMGU1ZDYzYTc3MmU2NTNfOWIwNjU5NmZjMWMxOTk1ODk1OWU5NTVhODUzMzI1NzgucG5n

Por Mariana Álvarez Orellana, de Lima

O poder Judiciário peruano ordenou, na última quarta-feira (17), a prisão preventiva do duas vezes ex-presidente peruano Alan García (1985-1990 e 2006-2011) por seu relacionamento com a construtora brasileira Odebrecht, uma das principais protagonistas do Caso Lava Jato. O ex-mandatário decidiu atirar contra sua própria cabeça antes da de ser detido.

À meia-noite daquele dia, o promotor José Domingo Pérez havia notificado a polícia sobre um mandado preliminar de investigação, invasão, busca domiciliar e mandado de captura emitido pelo Juiz Juan Carlos Sánchez Balbuena contra o ex-presidente Alan García Pérez e outros oito investigados por suborno da empresa Odebrecht.

Os membros da Polícia de Investigações de Alta Complexidade (Diviac) e um representante do Ministério Público chegaram às seis da manhã na casa de Alan García em Miraflores, Lima, e informaram o ex-presidente de que eles estavam procedendo a execução de um mandado de captura preliminar contra ele. García recebeu a notícia na escada que se conecta ao segundo andar da residência. Disse que iria ligar para seu advogado e se trancou em seu quarto, de onde um tiro foi disparado contra si.

O também líder do Partido Aprista era investigado pelo escritório do promotor da equipe especial da Lava Jato José Domingo Perez pelo Decreto de Emergência 032-2009 e contribuições da empresa brasileira para sua campanha presidencial de 2006.

No dia anterior, em uma longa entrevista à RPP News, o ex-Presidente disse: “confio na história. Eu sou cristão, acredito na vida após a morte. Acredito ter um pequeno lugar na história do Peru”. “Seria uma situação ruim se a pátria se convencesse de que tenho algo a pagar, porque é a pátria… Assim como eu a servi e tenho feito as coisas para ela, eu não estou aqui para resmungar e odiar”, disse.

Após a morte, surgiram várias questões sobre a continuidade do processo contra ele e contra outros envolvidos no suposto pagamento de subornos a García por parte da brasileira Odebrecht. Para o advogado criminalista Carlos Caro, a morte do ex-presidente significará o arquivamento de todos os processos contra ele.

“De acordo com a lei, ele morreu sendo inocente, A presunção de inocência só se quebra com uma sentença condenatória firme, que não existia neste caso. Ele morreu, literalmente, sendo inocente”, disse Caro ao site Gestión.pe.

Este arquivamento não implica, no entanto, que o processo contra os outros investigados vá parar. Ex-funcionários do governo aprista como Enrique Cornejo, Luis Nava e Miguel Atala, com ordem de detenção preventiva, podem ser processados normalmente. O processo penal implica a não afetação do patrimônio do ex-mandatário. No entanto, o Ministério Público pode iniciar um processo de confisco de bens se o investigação determinar que existem bens de origem ilícita deixados por Alan García.

O político estava proibido de sair do país desde novembro, devido à investigação por conluio, lavagem de dinheiro e tráfico de influência ligado à concessão à Odebrecht da construção da Linha 1 do Metrô de Lima. Graças a um acordo entre investigadores e a García, assinado em 14 de fevereiro, a empresa entregou novas evidências de subornos a altos funcionários no Peru.

Os mais recentes, divulgados pela mídia digital IDL-Repórteres e o diário El Comercio, provam que a Odebrecht entregou pelo menos quatro milhões de dólares para o braço direito de García durante seu governo, o ex-secretário da presidência e ex-ministro Luis Nava, hoje hospitalizado em uma clínica local.

Os quatro ex-presidentes que governaram o Peru desde 2001 estão sob investigação do Ministério Público por suas ligações com a Odebrecht e por ter recebido subornos ou contribuições não declaradas em suas campanhas eleitorais. Dois deles já foram presos por este motivo: Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski, enquanto Alejandro Toledo continua foragido.

Também cumpre prisão preventiva de 36 meses, desde outubro passado, a duas vezes ex-candidata presidencial Keiko Fujimori, investigada por lavagem de dinheiro proveniente da contabilidade paralela da Odebrecht. Seu pai, o ditador Alberto Fujimori, está cumprindo uma sentença de 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade, roubo e corrupção.

As investigações da trama da Odebrecht no Peru exige desvendar operações de triangulação financeira que usam bancos tradicionais e empresas radicadas em paraísos fiscais para esconder a trilha do dinheiro e os destinatários finais.

A Odebrecht tinha no Brasil um setor Estruturado (leia departamento de subornos), que registrava com precisão, em um sistema chamado Drousys-MyWebDay, cada montante transferido para contas bancárias ou empresas. As anotações incluíram o codinome ou apelido dos destinatários relacionados a cada obra pública ou a cada campanha eleitoral.

D264_DJXgAci88T

De socialdemocrata a feroz anticomunista 

Em 1985, Alan García levou, pela primeira vez ao poder, a APRA, o mais organizado partido peruano de então e que era antiimperialista, com ligações iniciais com a Internacional Comunista, e que se converteu, com o passar dos anos, em um dos grupos mais anticomunistas. Seu primeiro governo foi progressista, com subsídios para as classes menos beneficiadas e com uma tentativa de não pagar a dívida externa e de nacionalizar os bancos.

Ao mesmo tempo, foi duro na guerra popular do Sendero Luminoso e é acusado de ordenar a matança de mais de 300 militantes, muitos deles já detidos, enquanto em Lima era organizado o primeiro congresso da Internacional Socialista na América. Ele é lembrado também por ser responsável por uma das maiores hiperinflações do país.

No final de seu governo, apoiou a candidatura de Alberto Fujimori, que uma vez na presidência e depois como ditador, colocou em marcha um programa neoliberal de choque monetarista, privatizador e de dura repressão popular sob o manto da guerra antiterrorista.

Alan García voltou ao poder em 2006 chamando à unidade das direitas, aplicando as receitas do Fundo Monetário Internacional e em aliança com os grandes empresários. Sua companheira de fórmula em 2016 foi a Social-Cristã Lourdes Flores, sua adversária durante o primeiro governo, mas que mal conseguira 5% dos votos. Seus partidários no Congresso se aliaram com os fujimoristas.

O tiro final de 17 abril de 2019 ocorreu em um Peru abalado por uma grande revolta contra todos os casos de corrupção. Entre seus apoiadores há aqueles que querem considerá-lo um mártir da perseguição judicial pelos atos de corrupção. Por anos, ele soube evitar a prisão e a tortura a que foram submetidos vários de seus colaboradores apristas por razões políticas. Mas desta vez, ele sentiu que sua detenção era o fim: não tinha como contar com evidências ou eximir-se tampouco com apoio popular para continuar com a luta.

Lavagem de dinheiro, conluio e tráfico de influências

Em março de 2017, o Procurador ad hoc para o Caso Lava Jato anunciou a apresentação de uma queixa contra o ex-presidente Alan García, o ex-ministro dos Transportes e das Comunicações Enrique Cornejo e do antigo diretor executivo da Autoridade Autônoma de Trem Elétrico (AATE) Oswaldo Plascencia pelo caso da concessão do metrô de Lima.

O Procurador Hamilton Castro ordenou o início da investigação por suposto tráfico de influência pelos subornos da Odebrecht para a atribuição das seções 1 e 2 da Linha 1 do Metrô Lima. O jornal El Comercio revelou que ele se reuniu oficialmente cinco vezes Marcelo Odebrecht, o ex-CEO da construtora Brasileira.

Em agosto, García defendeu as doações recebidas pela ONG presidida por sua ex-esposa Pilar Nores entre os 2006 e 2010 pela Odebrecht. Em novembro 2017, Marcelo Odebrecht revelou a promotores peruanos que o interrogaram em Curitiba que o iniciais “AG”, escritas na sua lista telefônica, referem-se a Alan García, que negou ter sido contratado como conferencista pela Odebrecht e disse que sua renda foi investigada no Ministério Público e no Congresso.

Em março de 2018, Jorge Barata (da Odebrecht) revelou que o ex-ministro do Interior do segundo governo Aprista Luis Alva Castro recebeu US$200 mil de suas mãos para a campanha presidencial de García em 2006. Três meses depois, o promotor José Domingo Pérez abriu uma investigação preliminar contra três ex-presidentes no marco do Caso Odebrecht: Alejandro Toledo, Pedro Pablo Kuczynski e Alan García por causa de seus aportes para organizações políticas.

Em junho de 2018, o advogado Erasmo Reyna, defensor legal de García apresentou uma queixa criminal por prevaricação diante do Ministério Público contra o promotor José Domingo Perez (julgada improcedente pela Segunda Promotoria Criminal) porque “quando ele começou a investigação contra Alan García, fez uso do que foi obtido no Brasil, que é uma documentação obtida sob a proteção de uma cooperação internacional”, justificou.

Em novembro, Alan García se apresentou diante dos promotores para ser interrogado pelo promotor Pérez como parte da investigação sobre a concessão da Linha 1 do Metrô Lima (seções 1 e 2) para a Odebrecht, e depois de deixar o gabinete do procurador, ele disse que a diligência havia sido suspensa. No mesmo dia, o promotor pediu a Pérez que solicitasse a o impedimento do país para o líder Aprista, que, antes da iminência de sua prisão, solicitou asilo diplomático no Uruguai, que o rejeitou em 3 de dezembro.

Em 10 de dezembro, a Câmara Criminal de Apelações Anticorrupção do Judiciário ampliou o impedimento de saída do país de 12 para 18 meses contra Miguel Atala, que teria recebido dinheiro da Odebrecht em contas de Andorra. O ex-funcionário da Petro-Peru do segundo governo Aprista teria recebido depósitos da Klienfeld Service LTD e da Coher Coher Investimento no valor de até US$ 1.321.766 durante os anos 2007 e 2008.

Em 18 de fevereiro deste ano, o promotor ad hoc do Caso Lava Jato, Jorge Ramirez, disse, depois de questionar Queiroz Marco Grillo, gerador de fundos de Caixa 2 da Odebrecht, ser “óbvio” que o contrato feito por Alan García para o pagamento de US$ 100 mil para uma conferência dada em maio de 2012 em São Paulo foi “simulado”. Pouco depois, o advogado brasileiro José Américo Vieira Spinola confessou ao promotor Perez que seu escritório de advocacia pagou US$ 100 mil ao ex-presidente García por uma palestra por ordem da Odebrecht.

Em 17 de abril, o advogado do o ex-presidente Alan García informou que ele atirou contra sua cabeça antes de ser detido pela polícia em sua casa em meio às acusações de recebido um pagamento ilegal da construtora Odebrecht.

Triste, solitário, final, disse o escritor argentino Osvaldo Soriano.

  • Antropólogo, professor e pesquisador peruano analista associado com o Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (HPLC, www.estrategia.la)

(Tradução: Vanessa Martina Silva)