Quando o destaque vem da zaga

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POR GERSON NOGUEIRA

É de conhecimento até do reino mineral que o Campeonato Estadual 2019 é um dos mais fracos e desinteressantes da década. A ausência de grandes jogos tem afastado o torcedor, tanto na capital quanto no interior. As partidas das semifinais, realizadas nesta semana, não contribuíram para mudar a avaliação negativa. Pelo contrário até.

As condições sofríveis dos campos de Bragança e Tucuruí influíram decisivamente para jogos de fraco nível técnico. Durante e depois das partidas, transmitidas pela TV, torcedores se manifestaram criticamente através das redes sociais.

Na quinta-feira, os efeitos da chuva tornaram ainda mais difícil a condução da bola no jogo entre Independente e PSC, no estádio Navegantão. De futebol mesmo apenas alguns cruzamentos na área, que resultaram nos quatro gols da noite.

Nada de distribuição lógica dos times em campo. Prevaleceu apenas o bumba-meu-boi como estratégia de jogo. Faltas duras, lançamentos sempre parando na lama e nem sinal de dribles e fintas.

Acabou levando a melhor a equipe que já conhecia alguns dos atalhos do gramado, pois treina diariamente no estádio. Com raça e iniciativa, o Independente teve méritos para conquistar a vitória, afinal os obstáculos puniram igualmente os dois times.

Em meio a tantos problemas agravados pelo temporal, um jogador saiu de campo como grande destaque da noite. Não apenas pelos gols marcados e a impecável participação defensiva, o amapaense Dedé se sobressaiu pela liderança no time do Independente.

Comandou as ações no setor defensivo e fez a leitura correta das circunstâncias da partida, indo ao ataque para tentar o cabeceio em todas as cobranças de falta e escanteio. Ganhou praticamente todas as disputas com os zagueiros do Papão.

No lance do primeiro gol, logo aos 7 minutos, saltou junto com quatro marcadores, incluindo os zagueiros Micael e Vítor Oliveira. Ganhou em impulsão e força, tocando na bola e mandando para as redes.

Mudou ligeiramente de posicionamento dentro da área para receber o segundo lançamento fatal, aos 39 minutos, e novamente levou a melhor sobre a pesada linha de zaga bicolor.

Cotado para defender o Remo depois de jogar a Segundinha de acesso ao Parazão, Dedé não fechou acoro com os azulinos porque a diretoria do Ypiranga só aceita negociar “pacote fechado”, o que inclui os jogadores Fazendinha, Fabinho e Jari. O Independente aceitou acordo e tem se beneficiado disso na competição.

Talvez o Ypiranga siga dificultando acordo para empréstimo, mas é certo que depois de quinta-feira Dedé caiu nas graças das duas maiores torcidas do Estado e virou um dos poucos destaques individuais do Parazão.

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Uma fiscalização que pode salvar vidas

Foi preciso que uma tragédia acontecesse para que as autoridades passassem a inspecionar normas de saúde e segurança no ambiente que os clubes destinam aos atletas da base. Semanas depois do incêndio que vitimou 10 jogadores das divisões amadoras do Flamengo, no Rio, o Ministério Público do Trabalho (MPT) promoveu a Semana Nacional de Fiscalização nos Clubes de Futebol, encerrada ontem (5).

Ao todo, foram visitados e inspecionados alojamentos e centros de treinamento (CT) no Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e S. Paulo.

As irregularidades mais comuns se referem à falta de projetos elétricos, alojamentos desconfortáveis e condições precárias de higiene. No Ceará, os clubes visitados foram o Ferroviário e o Nordeste. Ceará e Fortaleza não foram inspecionados.

Grêmio e Internacional tiveram suas dependências vistoriadas, sem que os fiscais encontrassem situações de risco iminente, mas os auditores do Trabalho notificaram os clubes para a apresentação de documentos atualizados.

Os clubes do Rio foram fiscalizados logo em seguida ao incêndio no Ninho do Urubu. Os locais de treinamento de Vasco, Botafogo e Fluminense foram advertidos pela força-tarefa quando a problemas nas instalações elétricas e infiltrações nos prédios.

Elogiável sob todos os pontos de vista, a força-tarefa é constituída de procuradores que representam Coordenadorias Nacionais de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescente (Coordinfância) e de Defesa do Meio Ambiente de Trabalho (Codemat), do MPT.

Todas as vistorias tiveram o apoio de órgãos como Superintendência Regional do Trabalho, MP Estadual, Vigilância Sanitária e Corpo de Bombeiros. Relatórios oficiais serão divulgados ao final de todas as inspeções. As instalações destinadas a outras modalidades esportivas também estão na mira do MPT.

Até o momento, além dos clubes citados acima, foram fiscalizadas as dependências de Sport-PE, Santa Cruz, Náutico, Operário, Vila Nova, Atlético-GO, São Paulo, Corinthians e Palmeiras.

Espera-se que a abrangência da força-tarefa chegue a outros Estados ou motive representações regionais do MPT a realizarem inspeções de surpresa nos clubes que mantêm departamentos de futebol amador. No Pará, essa providência é mais do que necessária.

(Coluna publicada no Bola deste sábado, 06)

Condel aceita proposta e Remo terá nova fornecedora de material esportivo

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O Condel do Remo aprovou a proposta de uma nova fábrica de material esportivo interessada em fornecer os uniformes do. O presidente Fábio Bentes informou detalhes sobre a oferta, na reunião realizada quinta-feira, 4. A empresa (não identificada ainda) faria a confecção dos uniformes do Remo a partir de 2020 e o clube passaria a ter marca própria, com um percentual de 35% nos royalties. Segundo o presidente, a empresa está disposta a adiantar R$ 450 mil para a recuperação definitiva do estádio Evandro Almeida.

Sobre a questão da marca, Fábio explicou que existem alguns aspectos a considerar. “Diferente da estratégia de marca própria do nosso rival, que a responsabilidade de operação é toda deles, o Remo vai adotar um modelo ‘híbrido’. Não vamos nos responsabilizar pela venda das camisas, distribuição e cobrança de quem comprou. Isso quem se responsabiliza é a empresa parceira. Só fiscalizamos e acompanhamos os pedidos, temos acesso a toda a fiscalização do processo de compra, tendo controle de tudo o que é feito”, disse o presidente.

Ele adianta que o clube deve lucrar muito mais com a venda de material. “Vamos pular dos atuais 15% de comissionamento para 35%”. O clube ainda faturaria mais 10% sobre as vendas dos produtos nas Lojas do Remo. A Topper será notificada nos próximos dias sobre a proposta da concorrente e terá um prazo para responder.

Segundo ele, o Remo terá maior liberdade de definir modelos, itens e acessórios, além de ter várias camisas especiais ao longo do ano. “Por exemplo, o Fortaleza (CE), no ano passado, teve sete camisas comemorativas. O Remo, só com a ‘Leão de Pedra’, enfrentou uma ‘novela’. Então a parceria existe de uma forma mais efetiva”, apontou.

“Se levarmos em consideração o que foi vendido com a Topper no ano passado, em torno de 80 mil peças, a gente tem a perspectiva de venda de R$ 2,5 milhões. Se descontarmos o enxoval (material utilizado pelo próprio clube) no valor de R$ 500 mil, sobraria R$ 2 milhões. Isso dentro do cenário que a Topper informa sobre os uniformes. Se levarmos em consideração que temos um potencial para vender mais, podemos ganhar mais”, analisou.

Ele procurou tranquilizar os conselheiros e a torcida sobre eventuais riscos futuros. “Com relação a risco por ter que pagar pelo enxoval e pelo adiantamento, acertei com a empresa que o Remo não precisará dar nada lá na frente. Isso será descontado paulatinamente, ao longo do ano. Vamos apurar quanto foi arrecadado no mês, com o clube sempre recebendo algo. É um modelo bom para o clube”, defendeu.

Fábio, que já havia descartado a Nike como a provável nova parceira, negou também que seja a italiana Kappa. O nome da fábrica só será conhecido depois que a Topper se manifestar oficialmente sobre a decisão do Remo.

Agora vai: Gimenez dá conselhos a Bolsonaro sobre reforma da Previdência

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O café da manhã do presidente Jair Bolsonaro com chefes de redação e colunistas de jornais e emissoras de televisão de todo o país, na manhã desta sexta-feira (5), no Palácio do Planalto, teve também a participação da apresentadora Luciana Gimenez. Em tom descontraído, ela aconselhou o presidente a “falar o que tá rolando” sobre as negociações para aprovação da reforma da Previdência.

“O elefante azul da sala é a Previdência”, definiu Luciana, recorrendo a imagem mais utilizada no idioma inglês (the elephant in the room, um problema óbvio, que está diante de todos). “O povo tem consciência (da necessidade da reforma)”, comentou Bolsonaro. “Será?”, rebateu Luciana.
Ela lembrou que o presidente, quando ainda era deputado federal, participou por diversas vezes do programa Superpop e algumas das declarações mais polêmicas de Bolsonaro – em especial, sobre direitos humanos e temas LGBTs – ganharam repercussão nacional. (Do Correio Braziliense)