Trivial variado do país preso em Curitiba

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“Prisão de Lula é violência histórica e jurídica. Foram feitos processos a jato e adotadas decisões sob medida contra ele, encarcerado há um ano. Existe controvérsia respeitável sobre provas. Agora, STF volta a manipular pauta da corte para evitar decisão que pudesse beneficiá-lo”. Kennedy Alencar

“A pesquisa do DataFolha é muito ruim para Bolsonaro. Ele tem a pior avaliação de 3 meses dentre todos os presidentes em seu primeiro mandato. Além disso, considera-se que ele é preguiçoso e ‘pouco inteligente'”. Carol Proner

“Nunca na história deste país, um presidente conseguiu (em tão pouco tempo) levantar contra ele as mais diferentes personalidades e grupos pelo mundo, indo da Rússia até a China, de Angela Merkel até o Hamas. Só se iguala no vexame aos governos milicos do golpe de 64”. Toni Bulhões

“Em 5 anos de Lava a Jato, 3 anos do golpe de Temer, 1 ano da prisão de Lula e 100 dias de Bolsonaro confirma-se quem “quebrou” o país e infernizou a vida de brasileiros não foram governos do PT.Mas a oposição insatisfeita com derrota eleitoral constante e adversários estrangeiros”. Marcio Pochmann

“A pesquisa Datafolha sobre os 100 dias confirma que Bolsonaro teve a sua pior avaliação no Nordeste brasileiro. Eita povo arretado! Nunca duvidou que o miliciano trabalha pouco e é pouco inteligente, em perfeita harmonia com o resultado geral da pesquisa”. Palmério Dória

“Moro afirma que vai descobrir ‘esquemas criminosos pré-existentes’. Genial. Depois vai partir para os pós-existentes. É o Brasil tornando concreto o pressuposto de Minority Report. Chupa, FBI!”. Paulo RJ

Governo bate recorde de desaprovação

05/04/2019 Inauguração do Espaço Integridade da Ouvidoria da

O presidente Jair Bolsonaro tem a pior avaliação para um presidente em primeiro mandato em seus três meses iniciais de governo desde a redemocratização do país, em 1985, aponta pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo neste domingo (7). Ele completa 100 dias de gestão na próxima quarta-feira (10).

Segundo o instituto, 30% dos brasileiros consideram o novo governo ruim ou péssimo, índice semelhante ao daqueles que consideram ótimo ou bom (32%) ou regular (33%). Não souberam opinar 4% dos entrevistados. A maioria das pessoas ouvidas, porém, ainda acredita que ele fará uma gestão boa ou ótima (59%).

O instituto ouviu 2.086 pessoas com mais de 16 anos em 130 municípios nos dias 2 e 3 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A pior avaliação de um presidente eleito em começo de mandato até então era de Fernando Collor (no PRN à época), reprovado por 19% em 1990. Naquele momento ele já vivia o desgaste popular com o confisco da poupança, primeira medida anunciada por seu governo. Em 1995, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tinha a desaprovação de 16%.

Leão deve repetir escalação diante do Tubarão

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Com duas vitórias e três vitórias desde que assumiu o comando do Remo, Márcio Fernandes encara hoje o seu primeiro jogo decisivo. Enfrenta o Bragantino com a vantagem do empate, após vencer o jogo de ida, em Bragança, pelas semifinais do Campeonato Estadual.

O sistema de jogo baseado no controle da posse de bola e muita troca de passes parece começar a se consolidar, deixando o time mais entrosado a cada jogo. Em entrevista, na sexta-feira, ele atribuiu a evolução à compreensão dos jogadores.

“São vários fatores que levam ao crescimento de uma equipe. E uma delas, que é mais importante de todas, e o grupo de trabalho comprar a ideia do treinador. Isso é primordial. Não adianta você dar os melhores treinamentos, falar as palavras mais bonitas do mundo se o grupo que você está trabalhando não comprar a ideia”, disse.

As boas participações do centroavante Emerson Carioca contra o Paragominas e o Bragantino, marcando gols importantes, podem garantir a titularidade no confronto de hoje, mas Fernandes observa que ele ainda luta para entrar em forma. 

É um jogador no qual a gente acredita muito. Vejo nele um potencial grande, mas ainda precisa melhorar em algumas coisas. A gente conversa muito com ele. Ele tem se esforçado, inclusive na parte física, tem melhorando, mas ainda precisa um pouco. Ainda está um pouco acima do peso. Precisa melhorar essa condição”, avaliou o técnico.

A tendência é que Márcio Fernandes mantenha a mesma equipe que começou o jogo em Bragança: Vinícius; Geovane, Kevem, Marcão e Jansen; Djalma, Yuri e Dedeco, Douglas; Edno e Gustavo.

A partida começa às 16h, no estádio Jornalista Edgar Proença.

Lula completa um ano na prisão, reafirma inocência e questiona motivos

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Em artigo publicado pela Folha de S.Paulo (leia a íntegra mais abaixo) neste domingo (7), dia que completa um ano desde que foi preso, o ex-presidente Lula reafirma sua inocência, critica a condução do processo que resultou em sua condenação, tanto pelo ex-juiz e hoje ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) quanto pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), e questiona a quem interessa mantê-lo preso. O petista também acusa o Supremo Tribunal Federal (STF) de negar sua liberdade em decorrência  de pressões da mídia, do mercado e das Forças Armadas.

“Nada encontraram para me incriminar: nem conversas de bandidos, nem malas de dinheiro, nem contas no exterior. Mesmo assim fui condenado em prazo recorde, por Sergio Moro e pelo TRF-4, por ‘atos indeterminados’ sem que achassem qualquer conexão entre o apartamento que nunca foi meu e supostos desvios da Petrobras. O Supremo negou-me um justo pedido de habeas corpus, sob pressão da mídia, do mercado e até das Forças Armadas, como confirmou recentemente Jair Bolsonaro, o maior beneficiário daquela perseguição”, escreve.

Ao empossar o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, Bolsonaro fez um discurso enigmático de agradecimento ao ex-comandante do Exército general Villas Bôas. “General Villas Boas, o que já conversamos morrerá entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”, declarou o presidente. No ano passado Villas Bôas causou polêmica ao publicar textos nas redes sociais às vésperas do julgamento de um recurso de Lula no Supremo.

“Parcialidade”

No texto, o ex-presidente acusa Sérgio Moro de agir com parcialidade e de ter ajudado o atual governo. “Os mais renomados juristas do Brasil e de outros países consideram absurda minha condenação e apontam a parcialidade de Sergio Moro, confirmada na prática quando aceitou ser ministro da Justiça do presidente que ele ajudou a eleger com minha condenação. Tudo o que quero é que apontem uma prova sequer contra mim”, declara o petista.

Lula afirma que sua candidatura foi proibida contrariando a lei eleitoral, a jurisprudência e uma determinação do Comitê de Direitos Humanos da ONU para garantir seus direitos políticos e que não há nada que respalde a sua prisão. “Por que têm tanto medo de Lula livre, se já alcançaram o objetivo que era impedir minha eleição, se não há nada que sustente essa prisão? Na verdade, o que eles temem é a organização do povo que se identifica com nosso projeto de país. Temem ter de reconhecer as arbitrariedades que cometeram para eleger um presidente incapaz e que nos enche de vergonha”, diz.

Derrotas na Justiça

Ele está preso desde 7 de abril de 2018 em uma sala especial de 15 metros quadrados no 4º andar da sede da Polícia Federal em Curitiba. Desde então, saiu apenas duas vezes de lá: em 14 de novembro, para depor à Justiça Federal; e em 2 de março, para acompanhar o velório do neto Arthur, de 7 anos, que morreu com um quadro de infecção generalizada. O ex-presidente foi preso após ter sido condenado, em segunda instância pelo TRF-4, à pena de 12 anos e um mês de prisãono caso do triplex do Guarujá (SP).

O petista sofreu várias derrotas judiciais no último ano. Além de ter pedidos de liberdade e tentativa de anular a condenação negados, ele também foi impedido de disputar a eleição presidencial. Os advogados de Lula depositam suas esperanças agora em duas frentes. No julgamento de um recurso que pede a anulação da condenação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e na decisão do Supremo sobre a legalidade das prisões após condenações em segunda instância. Esse julgamento estava marcado para a próxima quarta-feira (10), mas foi adiado por tempo indeterminado pelo presidente do STF, Dias Toffoli, a pedido da Ordem dos Advogados do Brasil, segundo ele.

Veja a íntegra do artigo do ex-presidente Lula publicado na Folha de S.Paulo:

“Por que têm tanto medo de Lula livre?
Já alcançaram o objetivo, que era impedir a minha eleição

Luiz Inácio Lula da Silva *

Faz um ano que estou preso injustamente, acusado e condenado por um crime que nunca existiu. Cada dia que passei aqui fez aumentar minha indignação, mas mantenho a fé num julgamento justo em que a verdade vai prevalecer. Posso dormir com a consciência tranquila de minha inocência. Duvido que tenham sono leve os que me condenaram numa farsa judicial.

O que mais me angustia, no entanto, é o que se passa com o Brasil e o sofrimento do nosso povo. Para me impor um juízo de exceção, romperam os limites da lei e da Constituição, fragilizando a democracia. Os direitos do povo e da cidadania vêm sendo revogados, enquanto impõem o arrocho dos salários, a precarização do emprego e a alta do custo de vida. Entregam a soberania nacional, nossas riquezas, nossas empresas e até o nosso território para satisfazer interesses estrangeiros.

Hoje está claro que a minha condenação foi parte de um movimento político a partir da reeleição da presidenta Dilma Rousseff, em 2014. Derrotada nas urnas pela quarta vez consecutiva, a oposição escolheu o caminho do golpe para voltar ao poder, retomando o vício autoritário das classes dominantes brasileiras.

O golpe do impeachment sem crime de responsabilidade foi contra o modelo de desenvolvimento com inclusão social que o país vinha construindo desde 2003. Em 12 anos, criamos 20 milhões de empregos, tiramos 32 milhões de pessoas da miséria, multiplicamos o PIB por cinco. Abrimos a universidade para milhões de excluídos. Vencemos a fome.

Aquele modelo era e é intolerável para uma camada privilegiada e preconceituosa da sociedade. Feriu poderosos interesses econômicos fora do país. Enquanto o pré-sal despertou a cobiça das petrolíferas estrangeiras, empresas brasileiras passaram a disputar mercados com exportadores tradicionais de outros países.

O impeachment veio para trazer de volta o neoliberalismo, em versão ainda mais radical. Para tanto, sabotaram os esforços do governo Dilma para enfrentar a crise econômica e corrigir seus próprios erros. Afundaram o país num colapso fiscal e numa recessão que ainda perdura. Prometeram que bastava tirar o PT do governo que os problemas do país acabariam.

O povo logo percebeu que havia sido enganado. O desemprego aumentou, os programas sociais foram esvaziados, escolas e hospitais perderam verbas. Uma política suicida implantada pela Petrobras tornou o preço do gás de cozinha proibitivo para os pobres e levou à paralisação dos caminhoneiros. Querem acabar com a aposentadoria dos idosos e dos trabalhadores rurais.

Nas caravanas pelo país, vi nos olhos de nossa gente a esperança e o desejo de retomar aquele modelo que começou a corrigir as desigualdades e deu oportunidades a quem nunca as teve. Já no início de 2018 as pesquisas apontavam que eu venceria as eleições em primeiro turno.

Era preciso impedir minha candidatura a qualquer custo. A Lava Jato, que foi pano de fundo no golpe do impeachment, atropelou prazos e prerrogativas da defesa para me condenar antes das eleições. Haviam grampeado ilegalmente minhas conversas, os telefones de meus advogados e até a presidenta da República. Fui alvo de uma condução coercitiva ilegal, verdadeiro sequestro. Vasculharam minha casa, reviraram meu colchão, tomaram celulares e até tablets de meus netos.

Nada encontraram para me incriminar: nem conversas de bandidos, nem malas de dinheiro, nem contas no exterior. Mesmo assim fui condenado em prazo recorde, por Sergio Moro e pelo TRF-4, por “atos indeterminados” sem que achassem qualquer conexão entre o apartamento que nunca foi meu e supostos desvios da Petrobras. O Supremo negou-me um justo pedido de habeas corpus, sob pressão da mídia, do mercado e até das Forças Armadas, como confirmou recentemente Jair Bolsonaro, o maior beneficiário daquela perseguição.

Minha candidatura foi proibida contrariando a lei eleitoral, a jurisprudência e uma determinação do Comitê de Direitos Humanos da ONU para garantir os meus direitos políticos. E, mesmo assim, nosso candidato Fernando Haddad teve expressivas votações e só foi derrotado pela indústria de mentiras de Bolsonaro nas redes sociais, financiada por caixa 2 até com dinheiro estrangeiro, segundo a imprensa.

Os mais renomados juristas do Brasil e de outros países consideram absurda minha condenação e apontam a parcialidade de Sergio Moro, confirmada na prática quando aceitou ser ministro da Justiça do presidente que ele ajudou a eleger com minha condenação. Tudo o que quero é que apontem uma prova sequer contra mim.

Por que têm tanto medo de Lula livre, se já alcançaram o objetivo que era impedir minha eleição, se não há nada que sustente essa prisão? Na verdade, o que eles temem é a organização do povo que se identifica com nosso projeto de país. Temem ter de reconhecer as arbitrariedades que cometeram para eleger um presidente incapaz e que nos enche de vergonha.

Eles sabem que minha libertação é parte importante da retomada da democracia no Brasil. Mas são incapazes de conviver com o processo democrático.

Ex-presidente da República (2003-2010).

Batalha pela vaga na final

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POR GERSON NOGUEIRA

A vitória remista no primeiro confronto das semifinais contra o Bragantino criou perspectivas diferentes para a definição do primeiro finalista do Campeonato Estadual, hoje à tarde, em Belém. Com a necessidade de vencer, o time interiorano terá que abandonar a cautela e partir para o ataque, o que pode tornar o jogo aberto e propício à velocidade de alas e atacantes do Remo.

Pela maneira como o time se comportou em Bragança, principalmente quando reteve a bola e procurou trocar passes apesar do lamaçal, Márcio Fernandes tende a manter a formação no 4-4-2, com Jansen na lateral esquerda e um meio-de-campo que pode ter o estreante Ramires como parceiro de Djalma à frente dos zagueiros.

A defesa, aliás, vive um período de estabilidade com a entrada em cena de Marcão, que conseguiu rápido entrosamento com Kevem, substituto de Mimica (lesionado) desde o clássico Re-Pa.

Os dois treinos de preparação para o embate deste domingo devem ter servido para ajustes no apoio dos laterais ao ataque, ponto mais vulnerável e errático do time. Pela esquerda, Jansen mostra-se mais confiante nas manobras com Gustavo Ramos. Na direita, Geovane até apoia bem, mas tem dificuldades quando o Remo é atacado por ali.

Um dos pontos que atrapalharam o trabalho de João Neto e continua a influir sobre o rendimento é a transição entre meio e ataque. Djalma posicionado na saída trouxe mais segurança à operação de entrega da bola aos homens da frente, mas sem ele ou outro bom passador essa faixa importante do campo fica a descoberto porque goleiro e zagueiros preferem apelar para a ligação direta.

Com a chegada de Edno e a evolução de Emerson Carioca, Fernandes passa a contar com a alternativa de um ataque de força, podendo abrir mão de jogadores de flutuação, como Mário Sérgio e Henrique.

O departamento de criação estará novamente com Douglas Packer, cujo desempenho em Bragança foi bastante comprometido pelos obstáculos do gramado. Apesar disso, mostrou-se ágil na busca por opções de jogadas mais favoráveis ao seu estilo.

Douglas – ao lado de Marcão e Emerson – é a melhor novidade quanto a reforços que o técnico remista teve desde sua chegada ao Evandro Almeida. Ele ainda insiste com Diogo Sodré de vez em quando, mas a tendência é que a meia-cancha se torne cada vez mais consistente na troca de passes e lançamentos verticalizados.

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Nas mãos de interinos, Braga vem disposto a tudo

O Bragantino já tem novo técnico, mas vai tentar se classificar à final do Campeonato Paraense sob a direção de dois interinos. O preparador físico Robson Melo e o auxiliar Ivan Almeida comandam o time contra o Remo. Samuel Cândido foi apresentado como novo técnico, mas só assumirá depois do jogo deste domingo.

Samuel substitui a Agnaldo de Jesus, que realizou um trabalho muito acima do esperado e conduziu a equipe até as semifinais, mesmo com as limitações técnicas do elenco.

É provável que o novo técnico oriente o time nos vestiários, mas nada que faça crer em mudanças radicais. Até pelo estilo mais conservador, Samuel deve sugerir a manutenção do perfil adotado por Agnaldo. O provável retorno dos volantes Ricardo Capanema e Paulo de Tárcio é outro aspecto positivo, adicionando mais solidez ao setor de marcação.

O ataque, de cujo desempenho dependerá a sorte do Bragantino no Mangueirão, ficou devendo no primeiro jogo. Fidélis é a principal arma pelos lados e Tony Love, muito contestado pela torcida, pode perder a posição para Mauro Ajuruteua ou Arian Taperaçu.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração a partir das 22h, na RBATV. Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião participam da mesa de debates, com direito a interatividade com os telespectadores. Em pauta, o Parazão e a Copa do Brasil.

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Risco de prejuízo pode forçar cuidados com gramados

Com os prejuízos causados pelo remanejamento do jogo da Copa do Brasil (contra a Aparecidense) para o estádio Jornalista Edgar Proença, o Bragantino resolveu se mexer para dar ares mais dignos ao estádio Diogão.

Em nota distribuída na sexta-feira, a diretoria comunica o início de um trabalho emergencial de recuperação do campo. Prometeu ainda que, depois dos jogos da Série D, a grama será toda substituída.

Tudo isso poderia ter sido contornado ainda no ano passado, se a fiscalização fosse mais rigorosa com o padrão de qualidade dos gramados do futebol paraense.

Por razões mais do que óbvias, o Independente deveria providenciar melhoramentos na drenagem do estádio Navegantão – antes que o descaso venha a doer no bolso.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 07)

Meu querido, meu velho, meu amigo

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Por Jean Wyllys

Difícil iniciar esta carta lhe perguntando se você está bem ou desejando que essas palavras lhe encontrem bem. Difícil porque sei que, por mais forte e resistente que você seja às injustiças e às dores que lhe foram infligidas ao longo desses anos, nada pode estar bem ou bom na situação em que você se encontra. Sua altivez e dignidade quando em público não mudam o fato de que você é um senhor idoso, com mais de 70 anos, que não oferece qualquer risco à sociedade brasileira, logo, de que sua prisão contraria todos os princípios de justiça e empatia, mesmo que ela estivesse baseada em provas e num processo condizente com um estado democrático de direito, coisa que sabemos que não está.

Para qualquer pessoa de bom senso, no Brasil e no mundo (e eu tenho corrido o mundo, meu querido), não faz qualquer sentido você estar preso – sem provas e por sentenças escancaradamente fraudulentas, até mesmo mal escritas e com trechos copiados de outras, dadas por juízes e juízas que agem como políticos vingativos, desonestos intelectualmente e ressentidos – enquanto notórios corruptos do mundo empresarial, do mercado financeiro, dos meios de comunicação e de partidos como MDB, DEM, PP, PSL (ratos menores, mas não menos perigosos) e PSDB gozam de liberdade e dos frutos da pilhagem; e enquanto um sujeito burro, comprovadamente odioso em relação às minorias sexuais e étnicas e com ligações suspeitíssimas com organizações criminosas paramilitares que praticam execuções extrajudiciais em troca de dinheiro desgoverna o país, revelando ao mundo o que há de pior no caráter nacional.

Escrevo-lhe esta carta, meu velho, porque amanhã essa sua prisão injusta faz aniversário. Há um ano você é um preso político, retirado fisicamente da cena pública sob acusações vindas de uma operação da Justiça e Ministério Público federais de Curitiba que, hoje estamos sabendo, não tinha apenas o propósito de criminalizar o PT e as esquerdas em favor da extrema direita fundamentalista cristã e miliciana, mas sobretudo o de se apropriar privadamente de recursos públicos (bilhões de reais!), ou seja, o de assaltar os cofres públicos, mas com os requintes de uma organização mafiosa, tudo sob a narrativa mentirosa de “combate à corrupção” – devidamente sustentada e reproduzida por uma imprensa historicamente antipetista – que tanto agrada à parte da classe média estúpida e alienada, porém arrogante, amedrontada, ressentida e invejosa. Escrevo-lhe esta carta do exílio que me impus para escapar da morte violenta que me rondava aí.

Sabe, Lula – e seguramente você deve saber, porque tem amigos que foram exilados durante os anos terríveis da ditadura civil-militar no Brasil – o exílio não é nada fácil. É uma “longa insônia”, como já disse o escritor francês Victor Hugo. Eu direi que é um “não-lugar”, para citar outro francês, o filósofo Marc Augé. No exílio, estamos permanentemente a caminho, numa estrada sem retorno à vista e cujo fim não se pode vislumbrar. Trata-se de um salto interminável de um lado para outro a que não se chega, e com o abismo a nos espreitar baixo. O exílio é um além, meu amigo.

Contudo, o exílio é melhor que a prisão. Esse além ainda pode ser uma vida em liberdade espacial. O salto pode ser sentido e visto como um vôo. Pode-se aproveitar a paisagem do interminável caminho que ele é. E é esse o sentido que tenho dado ou tentado dar ao meu exílio, em nome dos que aí ficaram e estão ameaçados. Em cada espaço que se abre para mim na Europa, nos EUA, no Canadá e em países da América Latina, eu tenho apontado para a nuvem de gafanhotos que paira sobre – e já devora – a nossa democracia ainda em broto; tenho denunciado sua prisão arbitrária e gritado “Lula livre!”, colando adesivos em postes, e tenho tornado presente a memória de nossa saudosa Marielle Franco, exigindo que se descubra quem mandou matá-la.

Muitos têm me acompanhado, Lula. Você não está só! E o propósito dessa carta é o de lhe dizer isso. Ainda que todos no Brasil e no mundo o esqueçam – algo impossível, porque você já é história e vive na dignidade de cada pobre, preto, preta, favelado, periférico, gay, lésbica, travesti, evangélico, católico, judeu, umbandista, indígena, camponês, operário e trabalhador informal conquistada durante e por causa de seus governos, mesmo que estes não tenham consciência e até lhe sejam ingratos, insultando-o nas redes sociais – ainda que isso aconteça, eu estarei com você, não importa o preço que eu tenha que pagar por isso. Não tenho medo da impopularidade. E a gratidão e a bondade são algumas das minhas virtudes, entre meus muitos defeitos.

Desde 1989, eu o vejo como o pai que meu pai poderia ter sido. Seguramente você teria, a princípio, algum problema com minha homossexualidade, com o pai meu teve, mas, certamente, superaria isso e me amaria como sempre e me protegeria dos horrores da homofobia. De alguma maneira, Lula, eu segui seus passos a partir de então. E desde que meu pai se foi deste mundo, em 2001, você é a referência paterna em minha vida. Outro dia, andando sozinho pela madrugada fria da Berlim iluminada e quase vazia, com os fones de ouvido e o iMusic (Você sabe o que é isso? É uma espécie de caixa de músicas do celular) em modo aleatório, chegou-me uma canção de Roberto Carlos cujos versos me tocam profundamente.

Porque me falam de meu pai e mais ainda de você, meu querido. “Esses seus cabelos brancos bonitos; esse olhar cansado profundo, me dizendo coisas num grito; me ensinando tanto do mundo; e esses passos lentos de agora, caminhando sempre comigo, já correram tanto na vida, meu querido, meu velho, meu amigo… Sua vida cheia de histórias e essas rugas marcadas pelo tempo, lembranças de antigas vitórias ou lágrimas choradas ao vento; sua voz macia me acalma e me diz muito mais do que eu digo, me calando fundo na alma, meu querido, meu velho, meu amigo!

Seu passado vive presente nas experiências contidas nesse coração consciente da beleza das coisas da vida. Seu sorriso franco me anima; seu conselho certo me ensina. Beijo suas mãos e lhe digo, meu querido, meu velho, meu amigo: tudo isso é pouco diante do que sinto”.

Eu quero é te ver livre, guerreiro.

Te amo.

Jean Wyllys.