Papão busca o ajuste ideal

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POR GERSON NOGUEIRA

O time que o técnico Léo Condé está formatando para a estreia do Papão na Série C, sábado, em Erechim (RS), contra o Ypiranga, tem algumas mudanças pontuais no meio e reserva algumas surpresas quanto ao posicionamento a partir do meio-campo, com efeito direto sobre a transição, pontos vulneráveis da equipe no Campeonato Paraense.

Nos treinos que antecederam a viagem para Erechim, Condé concentrou o foco na retenção de bola e na aproximação entre os setores, a fim de facilitar transição e mobilidade. Com apenas quatro jogos no comando, o técnico teve pouco tempo para impor ainda no Estadual alguns conceitos que normalmente aplica aos times que dirige.

Com a saída antecipada do Parazão, Condé dedicou-se a aprimorar a troca de passes e insistir com as jogadas pelas beiradas do campo. Passa a ter, com a contratação dos atacantes Pimentinha e Jheimy, alternativas para explorar mais os contragolpes e inversões de posicionamento.

Pimentinha, que já treina com os companheiros, é um jogador que conhece bem os métodos de Condé, com quem trabalhou no Sampaio Correia e no Botafogo de Ribeirão Preto. Coincidência ou não, foram os dois pontos altos da carreira do atacante, que andou pelo Remo, em 2017, sem maior brilho.

Conhecido pelo apego aos detalhes, o técnico tem testado volantes e meias, embora ainda dependa da regularização dos reforços junto à CBF para definir o time. Chamou atenção no treino final a preocupação com o setor de marcação e criação. Atenção nos ajustes envolvendo os volantes como Johnny Douglas, Marcos Antonio, Caíque, William e os novatos Uchoa e Wellington Reis.

Por enquanto, a escalação para sábado em Erechim vai ter um predomínio de jogadores que foram titulares no Parazão, mas a inquietude do técnico faz crer que a equipe deve sofrer muitas mudanças a partir da segunda rodada do Brasileiro.

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Direto do blog campeão

“É inadmissível que a esta altura do século 21, depois de tanta experiência negativa acumulada, o repatriamento de quem não deu certo lá fora. Contrato de três anos (para Tiago Luís)? Realmente cada vez mais eu me certifico de que o Paysandu quer se transformar num time fora de série, mas é no sentido de cair para a D e, depois desta, não ter mais série nenhuma”. Miguel Ângelo Carvalho

“Futebol paraense e essa mania de trazer jogadores que já passaram por aqui deixando saudades ou não. No Brasil tem tantos jogadores novos em condições de praticarem um bom futebol aqui. Aí vêm os dirigentes com essa de recontratar jogadores que nem sempre dão certo na volta”. Lucilo Filho

“Parabéns ao Leão bicampeão estadual. Feliz com o título, mas muito preocupado com o restante da temporada. O Remo é um arremedo de equipe. No segundo tempo da final só deu Galo. Espero que o título não ofusque a necessidade de reforços e mudanças”. Luís Felipe Corrêa

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No Leão, Batista parte e Tito não vem mais

Para quem esperava que Tito fosse um dos dianteiros do Remo na Série C, as pretensões do clube parece que esbarraram definitivamente nas dificuldades para a liberação do jogador pelo Confiança. Apesar do interesse do atleta, a transferência é improvável a essa altura. Palavras de um importante prócer do Leão.

A diretoria azulina já busca outra alternativa, depois de ter liberado ontem o centroavante Deivid Batista, que frustrou expectativas com pífia passagem pelo time durante o Parazão.

O atacante Fidélis, que já foi sondado oficialmente pelos dirigentes do Leão, continua ligado ao Bragantino. A postura dos azulinos é de espera, evitando entrar em leilão ou em conflito com o Tubarão pelo jogador.

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DAZN confirma exibição da estreia bicolor

Ao contrário do que apontava a grade inicial da DAZN para transmissão via streaming dos jogos da Série C, foi confirmada ontem a transmissão do jogo Ypiranga x PSC, sábado, às 17h15, na rodada inaugural do Brasileiro da Série C.

Pela lista inicial, o Papão teria apenas um de seus nove jogos exibidos na programação das segundas-feiras do serviço de streaming. Seria o jogo da quinta rodada contra o Boa Esporte, no estádio Dilzon Melo, em Varginha-MG.

(Coluna desta quinta-feira, 25, no Bola)

A (i) lógica do direito e o caso Lula

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Por Luis Nassif, no Jornal GGN

Em priscas eras, quando denunciei o então consultor geral da República (logo depois Ministro da Justiça) Saulo Ramos, ele tentou respondeu às acusações com um jurisdiquês incompreensível. Na época, consegui uma fonte privilegiada, o então Ministro do Supremo Tribunal Federal Sidney Sanches, que me deu um conselho de ouro: analise a medida do ponto de vista da lógica de uma pessoa racional.

A doutrina tem que espelhar o mundo real.

Na época, Saulo deu parecer para conceder um ano de correção pela inflação a títulos da dívida pública emitidos um mês antes do final do congelamento do cruzado. Era uma tramoia óbvia, que ele procurava disfarçar citando capítulos e parágrafos da doutrina.

Algo similar está acontecendo com o julgamento de Lula.

Em qualquer sistema democrático, quem denuncia tem o chamado ônus da prova, a obrigação de provar a acusação. Em caso de dúvida, prevalece a versão do réu. Ou seja, o réu só pode ser condenado quando o conjunto de provas levantadas não derem margem a nenhuma dúvida sobre sua culpabilidade.

Vamos conferir algumas pérolas do julgamento de Lula pelas três instâncias – 13ª Vara, de Curitiba, turma do TRF4 e turma do Superior Tribunal de Justiça.

  1. O que caracteriza a propriedade de um imóvel é o registro. Podem ser também contratos de gaveta. Se não existe provas nem de um nem de outro, não se pode afirmar que o imóvel mudou de mãos. É o caso do triplex. A OAS até poderia pretender vender o imóvel a Lula. Se Lula não aceitou, seja porque não gostou, seja porque o assunto vazou, e não há nenhuma prova da transferência da propriedade, então não houve venda ou doação. Não havendo, não tem crime a ser apurado. Não existe enquadramento legal para o fato de, em algum momento, Marisa da Silva ter manifestado interesse pelo imóvel. A Lava Jato aceitou a suposição do “contrato de boca”, sendo que a boca acusadora foi de outro réu aspirando a delação premiada.
  2. A lavagem de dinheiro é caracterizada pelo ocultamento dos ganhos ilícitos. Como, por exemplo, a compra de bens em nomes de terceiros, para disfarçar a origem do capital. Se o imóvel continua em nome do proprietário original, e não há nenhuma prova da transferência do imóvel para terceiros, então não houve o crime da lavagem de dinheiro. A Lava Jato sustentou que a lavagem de dinheiro consistia, justamente, na não transferência do triplex para o Lula. É de um nonsense…
  3. Corrupção e lavagem de dinheiro são tratados como uma ação única pelo STF. Não pode haver duas penas para uma só ação. As três instâncias aplicaram as duas penas porque, segundo os doutos juízes, a lavagem do apartamento prosseguiu muitos anos depois dos supostos fatos que teriam originado a propina. E qual a prova? O fato do triplex continuar em nome da OAS. Não há código nem jurisdiquês que legitime tal absurdo lógico.
  4. Não se levantou uma prova sequer sobre a compra do triplex por Lula. Mas a conclusão da Justiça, nas três instâncias, não foi a de que Lula seja inocente, mas a de que ele era muito esperto para ser apanhado e a operação era muito sofisticada. Fantástico! No mundo da lavagem de dinheiro, em que correm cifras bilionárias, transitando em paraísos fiscais, por estruturas complexas de dinheiro, de offshores, a tal operação sofisticada consistia em um tríplex meia boca em plena Guarujá, onde o beneficiário pela lavagem de dinheiro desfilaria publicamente pelas calçadas da cidade.
  5. A não ser em economias centralizadas, políticas econômicas são feitas para beneficiar setores da economia. Pode parecer estranho a procuradores e juízes, que pertencem ao lado improdutivo da economia, mas economia de mercado é assim. É papel dos governantes criar condições favoráveis às empresas nacionais, para que possam gerar emprego, impostos e investimentos. E é comum essas empresas apoiarem os partidos políticos cujas políticas públicas são benéficas ao setor. A propina é caracterizada por um percentual amarrado a uma obra específica. Além de não conseguir comprovar que o tríplex foi repassado a Lula, a Lava Jato não conseguiu estabelecer uma relação sequer entre o tríplex e os três contratos que a OAS tinha com a Petrobras. Por isso criou a figura do fato indeterminado.
  6. Toda a denúncia se baseou em uma delação na qual, para ter direito a benefícios, o delator teria que entregar o que os inquisidores pedissem. Justamente para evitar esse tipo de manobras, só são aceitas delações acompanhadas de provas. A Lava Jato aceitou as delações de Leo Pinheiro. Provas? Em determinado momento da delação, Pinheiro explicou ter destruído as provas, a pedido de… Lula, é claro. E a Lava Jato aceitou.
  7. Lula só poderia ser acusado de corrupção no período em que foi presidente – e, portanto, tinha ascendência sobre as pessoas indicadas. Para tanto, Moro colocou como data do crime 2009, último ano de Lula na presidência. Na hora de aplicar a pena, percebeu o fora. Há um prazo para a prescrição da pena, que tem relação direta com a pena aplicada. Com a pena que ele impôs a Lula, haveria a prescrição. É por isso que, quando o caso pulou para o TRF4, os três desembargadores – lendo votos escritos antecipadamente, com o mesmíssimo conteúdo – aumentaram a pena, atropelando o próprio Código Penal.
  8. No STJ, os quatro ministros – lendo votos preparados antecipadamente e todos com o mesmo teor – corrigiram as penas excessivas. Mas mudaram a data inicial da contagem da prescrição para 2014, que seria o período de influência de Lula no governo.
  9. Com a redução da pena, teoricamente Lula poderia pleitear prisão domiciliar em setembro. Mas, como era de se esperar, a Justiça age de forma sincronizada. E o juiz de primeira instância, do caso do sítio, tratou de acelerar o julgamento, para o TRF4 poder apreciar antes de setembro.

Quem tem a força, pode tudo. Mas não se utilize o fato das três instâncias terem concordado com essas aberrações, como sinal de imparcialidade da Justiça. Trata-se de estado de exceção na veia.

City vence United e ultrapassa o Liverpool na briga pelo título inglês

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Manchester City se aproximou do bicampeonato inglês ao vencer o clássico local contra o Manchester United por 2 a 0, nesta quarta-feira, 24, no estádio Old Trafford, em partida atrasada válida pela 31ª rodada do Campeonato Inglês. Restando apenas três rodadas, o City ultrapassou o Liverpool e voltou à liderança. De quebra, deixou o rival de Manchester com poucas chances de classificação à Liga dos Campeões.

Jogando fora de casa, o Manchester City foi superior durante toda a partida, controlando a posse de bola e criando mais chances de gol. A pressão foi recompensada ainda no primeiro tempo, quando o meia português Bernardo Silva marcou o primeiro. No segundo, o atacante alemão Leroy Sané bateu e contou com colaboração do goleiro espanhol David De Gea, que não conseguiu defender com os pés.

A equipe treinada por Pep Guardiola voltou a liderar a competição, com 89 pontos, um a mais que o Liverpool – que persegue o título desde 1990. Agora, as duas equipes tem a mesma quantidade de partidas e lutarão ponto a ponto nas últimas três rodadas. O United, por outro lado, permanece na sexta posição, a três pontos do Chelsea, quarto colocado, e a dois do Arsenal, quinto. (Da Placar)

Filho de Bolsonaro completa 38 horas de ataques ao vice-presidente no Twitter

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Há cerca de 38 horas, o vereador carioca Carlos Bolsonaro dispara uma série de ataques ao vice-presidente, Hamilton Mourão, o que tem gerado uma crise interna no Planalto. Desde a tarde de segunda-feira (22), o filho mais próximo do presidente da República usa seu Twitter para fazer diversas críticas a posicionamentos adotados pelo general, que, segundo ele, vão em desencontro com as ideias do presidente.

Até a manhã desta quarta-feira (24), já foram nove publicações sobre Mourão — a maioria envolvendo declarações do vice-presidente à imprensa.

Nem mesmo o pedido de seu pai, que teria dito que colocaria um “ponto final” naquilo que classificou como uma “pretensa discussão” entre os dois, foi suficiente para cessar os ataques. (Da revista Exame)

Nem internação dá jeito nos Três Patetas…

Papão anuncia mais 3 reforços para a Série C

 

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Dentro dos preparativos para o Campeonato Brasileiro da Série C, o PSC oficializou a contratação de mais três reforços. São os volantes Uchôa e Wellington Reis e o meia-atacante Diego Rosa, que já estão em Belém e iniciaram treinamentos.

Jogador de forte marcação, Uchôa disputou 50 jogos nas últimas três temporadas, oito deles na campanha de destaque da Ferroviária no Paulista deste ano, quando o time chegou às quartas de final. Em 2017 e 2018, conquistou dois acessos consecutivos com o Fortaleza-CE, equipe pela qual foi campeão brasileiro da Série B, ano passado.

Meio-campista versátil e de boa marcação, que joga como primeiro e segundo volante, Wellington Reis fez 63 jogos nas últimas três temporadas, 11 somente neste ano com a camisa do Vila Nova-GO. O atleta possui um acesso da Série C para a B do Campeonato Brasileiro pelo Fortaleza-CE.

Com 80 partidas disputadas nos últimos três anos, as dez mais recentes pelo São Caetano-SP no Paulistão 2019, Diego Rosa atua pelos lados do campo. O meia-atacante foi campeão da Copa do Brasil com o Vasco-RJ, em 2011, ano em que também conquistou um acesso com a equipe carioca; também subiu de divisão com o CRB-AL, em 2014; já em 2017, foi campeão da Copa do Nordeste pelo Bahia.

Antes de Uchôa, Wellington Reis e Diego Rosa, o clube já tinha anunciado o lateral-direito Tony, o atacante Pimentinha e o centroavante Jheimy.

Cartas marcadas: julgamento no STJ já estava pronto

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Numa thread no Twitter, o cientista político Alberto Carlos Almeida analisou o julgamento de Lula no Superior Tribunal de Justiça, chamando atenção para o fato de que todos os ministros da Quinta Turma leram votos prontos e convergiram em todos os temas. Houve pouco espaço para discussão e a defesa ficou à margem.

“As decisões foram todas lidas. A lei não obriga a isso. Cada magistrado poderia ir para a sessão a fim de debater, persuadir e ser persuadido, e depois decidir. Mas não, eles já vêm com algo
escrito. Não é assim em outros lugares do mundo. Outra coisa, diante de temas detalhados, complexos e variados todos eles obtiveram a mesma decisão. Estatisticamente a chance disso ocorrer por acaso é mínima. Ou seja, é alta a probabilidade que tudo tenha sido combinado, como foi no TRF-4. Com tudo já escrito, não faz o menor sentido a argumentação dos advogados de defesa. Ora, ora, as decisões já foram tomadas. A nossa justiça funciona dentro de padrões inquisitoriais”, escreveu Almeida.

Na visão do analista, “o fato de a pena ter sido reduzida não significa que Lula ficará em regime semi-aberto a partir de setembro”. O STJ reduziu a pena no caso triplex para 8 anos e 10 meses, o que dá a Lula o direito de pedir a progressão de regime prisional dentro de 5 meses. Isso se ele não for condenado em segunda instância no caso do sítio de Atibaia.

Para Almeida, a velocidade impressa pelo TRF-4 no caso triplex naturalizou a distinção dos prazos legais quando o assunto é Lula. “Onde passa um boi, passa a boiada. Agora é mais fácil condenar Lula pela segunda vez em função do sítio de Atibaia”.

Lula não será libertado: sua condição é de preso político e sua pena é perpétua

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Por Luis Nassif, no Jornal GGN

Não se entusiasme com a redução de pena de Lula pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Desde o início, PGR, Lava Jato, tribunais vêm jogando com o fator tempo. Pouparam o PSDB até o momento em que o impeachment e a prisão de Lula estavam garantidas. O TRF4 aumentou a pena de forma extravagante para impedir a prescrição por conta da idade de Lula. Agora, o STJ reduz a pena no caso do triplex. Se fosse só por conta dele, Lula sairia em setembro. Antes disso, haverá a aceleração do julgamento do sítio, impedindo a mudança do regime de prisão.

Depois dele, vários e vários dentro da lógica jurídica criada, de não exigir qualquer ato de ofício para as acusações. Basta ter sido presidente. E considerar que, se o apartamento que dizem ser dele, não está em seu nome, então houve lavagem de apartamento: agravante. E se não há qualquer prova de enriquecimento ilícito, então é por excesso de sofisticação da corrupção: mais agravante. E se Lula deixou de ser presidente em 2010, estenda-se o prazo de sua influência no governo até 2014 para evitar prescrição.

Não adianta alimentar esperanças. A sentença está dada, da prisão perpétua. Os argumentos, vê-se depois.

Moro é chamado de “ativista político” por ex-premier português José Sócrates

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O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, protagonizou um embate com o ex-primeiro ministro de Portugal José Sócrates, alvo da Operação Marquês, após criticá-lo durante o VII Fórum Jurídico, em Lisboa. Após a menção, Sócrates utilizou o site jurídico Migalhas para responder ao ex-juiz que, em seguida, deu mais declarações em entrevista a uma TV portuguesa.

“É famoso o exemplo envolvendo o antigo primeiro-ministro José Sócrates [na Operação Marquês], que, vendo à distância, percebe-se alguma dificuldade institucional para que esse processo caminhe num tempo razoável, assim como nós temos essa dificuldade institucional no Brasil”, afirmou Moro no Fórum Jurídico, na segunda (22).

Sócrates não poupou palavras ao retrucar o ministro nesse mesmo dia. “O que o Brasil está a viver é uma desonesta instrumentalização do seu sistema judicial ao serviço de um determinado e concreto interesse político. É o que acontece quando um ativista político atua disfarçado de juiz”. Veja íntegra da manifestação do ex-primeiro-ministro abaixo.

Mencionou ainda várias situações da Operação Lava Jato, que foi comandada por Moro quando juiz em Curitiba, chegando a falar da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso na Superintendência da Polícia Federal desde 7 de abril do ano passado.

Na terça (23), em entrevista à RecordTV Europa, Moro disse que não debate “com criminosos pela televisão” e que não faria mais comentários. “Em todo o lugar do mundo é difícil lidar com esses crimes de grande corrupção, envolvem pessoas poderosas. O sistema está preparado para [combater] outro tipo de criminalidade, mas todos os países precisam de avançar nessa área e enfrentar a grande corrupção”, completou.

Íntegra da manifestação do ex-primeiro-ministro português José Sócrates:

“O juiz valida ilegalmente uma escuta telefónica entre a Presidente da República e o anterior Presidente. O juiz decide, ilegalmente, entregar a gravação à rede de televisão globo, que a divulga nesse mesmo dia. O juiz condena o antigo presidente por corrupção em “atos indeterminados”. O juiz prende o ex- presidente antes de a sentença transitar em julgado, violando frontalmente a constituição brasileira. O juiz, em gozo de férias e sem jurisdição no caso, age ilegalmente para impedir que a decisão de um desembargador que decidiu pela libertação de Lula seja cumprida.

O conselho de direitos humanos das Nações Unidas decide notificar as instituições brasileiras para que permitam a candidatura de Lula da Silva e o acesso aos meios de campanha. As instituições brasileiras recusam, violando assim o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos que o Brasil livremente subscreveu. No final, o juiz obtém o seu prémio: é nomeado ministro da justiça pelo Presidente eleito e principal beneficiário das decisões de condenar, prender e impedir a candidatura de Lula da Silva.

O espetáculo pode ter aspectos de vaudeville mas é, na realidade, bastante sinistro. O que o Brasil está a viver é uma desonesta instrumentalização do seu sistema judicial ao serviço de um determinado e concreto interesse político. É o que acontece quando um ativista político atua disfarçado de juiz. Não é apenas um problema institucional, é uma tragédia institucional. Voltarei ao assunto.

José Sócrates

Ericeira, 22 de abril de 2019”