100 dias de vergonha

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Por Leandro Demori – The Intercept_Brasil

O primeiro dia do governo de Jair Bolsonaro escrevi para você explicando porque a imprensa foi escolhida pelo presidente como seu inimigo número 1. A pergunta àquela altura era: o que teme o capitão da reserva?

Listei alguns dos muitos esqueletos que Bolsonaro acumulou no armário durante seus quase 30 anos de vida pública, da Wal do açaí à rede para disseminar fake news. Mas como todo brasileiro, não tinha como prever que havia mais, muito mais.

Em apenas cem dias, Bolsonaro demonstrou ser incapaz de assumir a postura que se espera do ocupante do cargo. Em Brasília, a rotina de constante crise e a bateção de cabeça parece ser um método.

Os primeiros três meses nos fizeram crer que este é o menor dos problemas. Em janeiro já ficou claro que o fio do caso Queiroz era mais longo do que se imaginava e a proximidade da família Bolsonaro com as milícias tornou-se algo concreto. No comecinho de março nós fuçamos o histórico do gabinete do ex-capitão e confirmamos o que a imprensa já ventilava: uma funcionária fantasma por lá também.

Mentir é parte importante da nova forma de governar. Primeiro pegamos o ministro do Meio-Ambiente, Ricardo Salles, que não estudou em Yale apesar de surfar no nome da universidade há muitos anos. Na semana passada foi a vez do ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra. Ele insiste em propalar que o Brasil vive uma epidemia de drogas e para comprovar sua tese não viu problemas em censurar um levantamento da Secretaria Nacional de Política de Drogas, órgão do Ministério da Justiça, que demonstra o oposto disso.

Nesses cem dias de cortina de fumaça para desviar o foco do debate público, o Intercept se manteve alheio a mais nova bobagem do dia para mostrar como funciona a máquina de lama que sustenta o presidente: suas mentiras, os crimes fabricados e quem comanda a milícia digital.

Também nos dedicamos a fazer algo que está no nosso DNA.

A missão do Intercept passa por levar mundo afora uma cobertura pautada pela verdade e transparência sobre o que está acontecendo no Brasil. Você sabe o alcance que temos em outras partes do mundo e por isso fomos contundentes ao reportar para nossa audiência estrangeira o escândalo que envolve a família Bolsonaro com as milícias cariocas. Nas vésperas da visita a Trump também publicamos um extenso material expondo a realidade sobre o governo do ex-capitão para o público americano. Nesse meio tempo, nossa colunista Rosana Pinheiro Machado andou por 26 universidades americanasdenunciando o que acontece no Brasil.

Esse tipo de jornalismo não é algo possível para a maioria dos veículos brasileiros. Nós podemos fazê-lo porque nós não temos fins lucrativos e não dependemos de anunciantes. Em bom português: nós não temos rabo preso porque dependemos dos nossos leitores. Você acha nosso trabalho importante e quer contribuir para que ele avance ainda mais?

Com tanta coisa acontecendo, percebemos logo no início do ano que seria preciso ampliar a equipe que temos em Brasília. Foi graças ao apoio que recebemos de 2 mil leitores mensalmente que conseguimos mandar para lá o Rafael Moro, nosso novo Editor Contribuinte. Ele juntou-se à repórter Amanda Audi e os dois são nossos olhos no Planalto Central.

O governo mal começou e já temos uma avalanche de casos de corrupção, fios soltos, mentiras e crises. Não é preciso ser o mais atento dos analistas para notar que o papel da imprensa só cresceu nesse período, para desespero de Bolsonaro. O presidente não escolheu este inimigo à toa. Ele sabe bem o que precisa esconder. De que lado você quer estar nessa disputa?

Se você acha que informação, independência e coragem são as armas que dispomos contra o sombrio governo do capitão da reserva, considere apoiar o Intercept Brasil.

Supremo pode suspender trecho do Estatuto do Torcedor que penaliza clubes

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O Supremo Tribunal Federal (STF) formou hoje (11) maioria de votos para manter a decisão individual do ministro Alexandre de Moraes, que suspendeu trecho do Estatuto do Torcedor impedindo a participação de clubes de futebol inadimplentes em competições esportivas. Apesar de seis votos proferidos foram a favor da liminar, o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Marco Aurélio, e não há data para a retomada.

A Corte julga se referenda decisão na qual Moraes, relator do caso, suspendeu há dois anos as alterações introduzidas pela Lei 13.155/2015, que inseriu no estatuto um programa de gestão fiscal para o futebol brasileiro.

Na ocasião, o ministro entendeu que a norma não pode condicionar a participação dos clubes nas competições ao pagamento de débitos federais, como regularidade de pagamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), direitos de imagem dos atletas e demais obrigações trabalhistas.

Nesta tarde, ao inciar o julgamento de mérito, Alexandre de Moraes reafirmou sua posição e disse que a medida provocaria a “morte civil” dos clubes de futebol. Segundo o ministro, a imposição de rebaixamento para categoria inferior teria impacto nas finanças do clube, como perda de direitos de transmissão, rendas dos jogos disputados em casa, além da impossibilidade da obtenção de recursos para pegar as dívidas.

“Houve exagero ao se exigir que, salvo com certidão totalmente negativa de débito, não se pudesse mais participar do campeonato”, afirmou. Acompanharam o relator os ministros Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski. O ministro Marco Aurélio pediu vista, ou seja, mais tempo para analisar o caso. (Da Agência Brasil)

Trivial variado de um mundo que anda para trás

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“Bolsonaro NÃO SE SOLIDARIZOU com a família NEGRA que teve o carro fuzilado com 80 tiros pelo Exército, um pai de família assassinato. Mas usou o Twitter para se solidarizar com Danilo Gentili que foi condenado por agredir uma mulher”. Cristina Andrade

“Para passar pano e se solidarizar com quem comete crime e faz de conta que é comédia, Bolsonaro se manifesta rapidinho. Para se solidarizar com a família de um trabalhador, que morreu vítima do Estado com 80 tiros, ele fica quieto”. Manuela D’Avila

“Entender o fascismo como um regime que não se reinventa é um erro. O fascismo de hoje é o mercado demolindo liberdades, prendendo, derrubando governos, massacrando povos. Não é um fenômeno nacional, mas um dos filhos da globalização econômica financista”. Renato Rovai

“Vc, jornalista comprometido em informar, recebe documentos e depoimentos oficiais, sobre grampos, ações militares, torturas, assassinatos, corrupções e espionagens de um determinado país, vc publicaria? Vc, caso realmente for um jornalista, sim! Foi o caso do Julian Assange”. Adriano Argolo

“Julian Assange, o homem que fez uma revolução mundial na imprensa, foi aprisionado pelas supostas forças democráticas do planeta por uma acusação forjada. A mídia agirá com a complacência de sempre diante desse ato de terror. Qualquer semelhança com Lula é mera coincidência”. Palmério Dória

Bolsonaro se solidariza com Gentili, condenado por insultos contra deputada

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O presidente Jair Bolsonaro demonstrou, nesta quinta-feira (11/4), solidariedade ao apresentador de tevê Danilo Gentili, condenado, na quarta-feira, a seis meses e 28 dias de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de injúria contra a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS).

“Me solidarizo com o apresentador e comediante @DaniloGentili ao exercer seu direito de livre expressão e sua profissão, da qual, por vezes, eu mesmo sou alvo, mas compreendo que são piadas e faz parte do jogo, algo que infelizmente vale para uns e não para outros”, escreveu no Twitter Bolsonaro, que já foi condenado a pagar indenização à deputada por ofendê-la.
Em resposta, o apresentador se disse honrado e que nunca havia imaginado ser condenado por protestar contra a censura ou receber apoio presidencial. “Também fico aliviado por entender que esse post significa um registro do compromisso do governo com a liberdade de expressão”, acrescentou Gentili, que também recebeu apoio de fãs e amigos.
A sentença contra o apresentador e humorista foi assinada pela juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo. O humorista poderá recorrer em liberdade.
O caso julgado aconteceu em 22 de março de 2016. Na ocasião, ele publicou um vídeo rasgando e esfregando nas partes íntimas uma correspondência oficial enviada por Maria do Rosário. De acordo com a juíza, ficou provado que Danilo ofendeu “a dignidade ou o decoro” da deputada, “atribuindo-lhe a alcunha de ‘puta’, bem como expôs, em tom de deboche, a imagem dos servidores públicos federais e seu respectivo órgão, ou seja, a Câmara dos Deputados”.

A morte como política

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Por Marcelo Semer, na revista Cult

Há um ano, quando a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes foram cruelmente assassinados, a campanha presidencial já estava a todo vapor. Os pretendentes ao Planalto cuidaram de manifestar solidariedade e indignação com o bárbaro crime. Exceto o então deputado Jair Bolsonaro, que preferiu o silêncio, sob o pretexto de que uma manifestação sua seria “muito polêmica”.

Não se sabe exatamente que tipo de polêmica Bolsonaro pretendia estabelecer com a repulsa generalizada, no país e fora dele, a um homicídio de natureza política, justo ele, ironicamente, que viria a ser vítima de um atentado na campanha. Fato é que vários de seus apoiadores distribuíram fake news pelas redes sociais simulando aproximações da vereadora com bicheiros ou traficantes. Todas falsas. O desprezo para com a morte mais tarde viria se somar ao insulto com as ameaças, e novas fake news contra o deputado reeleito Jean Wyllys, que abdicou da posse e saiu do país justamente com medo de ser a próxima vítima.

A campanha seguiu adiante e nem o episódio da facada foi suficiente para que a morte deixasse de ser um assunto vulgar. Bolsonaro fez arminha com as mãos, ensinando o movimento que se tornou seu símbolo a crianças de tenra idade; simulou metralhar adversários e encerrou a campanha com um virulento discurso onde insinuava, se eleito, mandar seus desafetos para a Ponta da Praia –local conhecido como desova de corpos durante a ditadura.

Os índices de violência policial contra civis no país provavelmente são os mais altos do mundo; ainda assim, a vitória de Bolsonaro parece que vai conseguir a proeza de aumentá-los um pouco mais. Há um nítido objetivo neste sentido. Palavras de ordem de que, agora, a repressão está liberada sem limites, têm sido ouvidas por transeuntes em São Paulo e indígenas nas reservas de Roraima.

Com a morte como método, cercear a celebração da liberdade virou um alvo prioritário.

Indignado com o sucesso do desfile da Mangueira, ao final, campeã do Carnaval carioca, Carlos Bolsonaro tentou fazer uma espécie de ligação entre Marielle (homenageada no enredo) e um ex-presidente da agremiação preso por envolvimento criminoso – ocultando, todavia, a filiação política e a circunstância dele como apoiador de seu pai. Não se entendia muito bem por que o assaque gratuito à memória de Marielle naquele momento, mas o tempo logo ia se encarregar de explicar.

De toda a forma, o Carnaval foi mesmo um momento lúgubre para a família.

O presidente foi ridicularizado ao redor do mundo, porque, irritado com blocos e com o firme propósito de difamá-los e assim deslegitimar as críticas, divulgou vídeo de escatologia sexual sem restrições a seus mais de três milhões de seguidores. Dias depois, replicou matéria com afirmações falsas contra uma jornalista do Estado de S. Paulo – aproveitando para desgastar também o pai desta jornalista, desafeto por função, eis que especializado na cobertura e desvelamento das práticas das milícias no Rio de Janeiro, que parece ser um calcanhar de Aquiles da nova gestão.

O apreço de Bolsonaro pelas milícias vem, aliás, de longa data. Em 2013, no plenário da Câmara, o deputado as estimulou explicitamente: “Enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo. Se não houver espaço para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o meu apoio.”

O apoio da família, é bem verdade, nunca lhes faltou – entre títulos, homenagens e cargos no gabinete do filho Flávio Bolsonaro, capitaneado pelo assessor, motorista e coletor de salários, Fabrício Queiroz.

Em fevereiro de 2018, mesmo candidato, Bolsonaro permaneceu defendendo as milícias: “Tem gente que é favorável à milícia, que é a maneira que eles têm de se ver livres da violência. Naquela região onde a milícia é paga, não tem violência”.

O trato com a morte parece ser o salvo-conduto que as garante na proximidade do poder.

Às vésperas de completar um ano do assassinato de Marielle e Anderson, a polícia civil do Estado do Rio de Janeiro e o Ministério Público finalmente apresentaram os suspeitos da execução dos crimes. Houve comoção porque os acusados eram provenientes da Polícia Militar. Um dos matadores residia no mesmo condomínio luxoso de Bolsonaro (seus filhos inclusive teriam sido namorados), enquanto a fotografia do outro réu ao lado do presidente correu a internet em busca de uma explicação que, afinal, não veio.

Preocupações supostamente desnecessárias, diria Eduardo Bolsonaro, para quem a morte de Marielle não tinha diferença nenhuma das mais de sessenta mil que acontecem anualmente no Brasil. “Ninguém a conhecia antes do assassinato”, vociferou o deputado, na mesma linha do pai que fez questão de marcar seu desconhecimento – a despeito dela ter sido colega da Câmara Municipal do filho Carlos.

Os assassinatos de Marielle e Anderson foram tudo menos corriqueiros: os dados da investigação demonstraram uma preocupação intensa dos autores em esconder os passos ao mesmo tempo em que eram percorridos – até uma falsa máscara de braço teria sido empregada para disfarçar, a eventuais câmaras, a cor da pele do homicida. No mesmo dia da prisão preventiva, ademais, foram apreendidos 117 fuzis importados de alta potência – o grau de profissionalismo exala de todos os poros.

O Brasil inteiro se pergunta, então, quem mandou matar Marielle – mas o presidente da República, entrevistado no mesmo dia das prisões, disse que quer saber, primeiro, quem mandou matá-lo, ignorando que os indícios consistentes em relação a Adélio Bispo, revelados pela própria Polícia Federal que está sob o comando do ministro Moro, é de que o atentado foi obra de um agente com desequilíbrio emocional e sem rastros de mandantes. Em tudo diverso dos indícios de profissionalismo do caso Marielle, servindo a provocação apenas para engrossar a cortina de fumaça.

O que liga Bolsonaro a uma política de morte, todavia, nem são as inúmeras coincidências que impressionam, mas as políticas que defendeu em toda uma vida parlamentar, quando louvou um reconhecido torturador no plenário da Câmara ou quando lamentou que poucos haviam sido mortos durante a ditadura; quando dizia que só cachorros procuravam ossos (em referência aos desaparecidos), ou quando assentou os excessos do coitadismo, sobretudo em relação às vítimas da homofobia. Ele não se constrangeu de levar tais temas para dentro do Palácio do Planalto. A desmontagem dos instrumentos de proteção a vulneráveis tem sido uma das primeiras providências de governo.

Na esfera da segurança pública, suas principais propostas foram intrinsecamente ligadas à morte. Primeiro, flexibilizar a posse de arma de fogo por decreto, invertendo por completo o espírito do Estatuto do Desarmamento; depois, um pacote de projetos de lei capitaneado por mecanismos para diminuir a responsabilidade penal e expandir as hipóteses de ação preventiva pelos agentes de segurança.

O pacote Moro, chamado de “anticrime”, poderia tranquilamente ser rebatizado de “mais mortes”. Abandona preocupações concretas com o fortalecimento do papel investigativo da polícia, necessário diante do baixíssimo grau de resoluções dos homicídios e aumenta consideravelmente as hipóteses em que a morte se afirme como política policial – o que constrange os mais comezinhos princípios do direito internacional dos direitos humanos e, de quebra, a garantia da dignidade humana, que encima a Constituição.

A proposta, enfim, não deixa de ser uma fidedigna tradução da caricatural lei do abateaventada pelo governador Wilson Witzel, para que os policiais antecipem suas ações sobre indivíduos que tenham posse de fuzis. O que a investigação do caso Marielle vem mostrando, no entanto, é que os fuzis não estão nas comunidades. Estão na posse de quem reside em luxuosos condomínios da Barra da Tijuca. Na favela, ficam apenas os corpos.

Na Câmara dos Deputados, noticiou a imprensa, um grupo de parlamentares atrapalhou uma sessão em homenagem ao aniversário da morte de Marielle Franco com barulho de latidos de cachorro. Entre seus líderes, estava o deputado Daniel Silveira, do partido do presidente da República, que se popularizou por quebrar, em um comício ao lado do então candidato Witzel, uma placa de rua com o nome da vereadora assassinada – estilizando uma segunda morte da vereadora.

O assassinato de Marielle põe a nu a força da ideia da morte como política; da violência como silenciamento; da imbricação partidária com milícias, poder paralelo financiador das campanhas políticas. É por isso que incomoda tanto quando Marielle é homenageada ou celebrada. A lembrança traz à tona um cipoal de ligações escusas e verdades altamente inconvenientes.

A morte de Marielle é um encontro do Brasil com o país que ele está se tornando. Um país no qual a violência é o padrão de linguagem, a paranoia o condimento de gestão, e o cerco ao conhecimento, a interdição ao debate e a repulsa à política completam o ciclo destrutivo. Instrumentos tradicionais de democracia são desprezados cada qual a seu modo e tempo. Por fim, capitulam diante do exercício da morte.

Neste jogo não há vencedores. Apenas alguns sobreviventes.

MARCELO SEMER é juiz de Direito e escritor. Mestre em Direito Penal pela USP, é também membro e ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia.

A força que vem do interior

POR GERSON NOGUEIRA

A final entre um clube do interior e um grande da capital não era a aposta mais óbvia para o Campeonato Paraense. Pelo comportamento inicial das equipes, com liderança tranquila da dupla Re-Pa nas duas chaves, tudo apontava para uma decisão nos moldes tradicionais, colocando frente a frente os velhos rivais. Méritos para o Independente, que contrariou a lógica e escreveu um novo script para a decisão do Estadual.

Nem bem a poeira baixou em torno da eliminação do PSC das finais do Parazão, eis que outro interiorano irrompe com toda força, fazendo história na Copa do Brasil. Em sua estreia no torneio nacional, o Bragantino derrotou a Aparecidense (GO) por 3 a 2, no Mangueirão, em confronto que teve um final eletrizante, e garantiu classificação para a terceira fase da Copa BR.

Depois de um começo muito travado, com marcação forte no meio-campo, o Braga foi saindo do campo de defesa, abrindo espaços no campo adversário através de jogadas puxadas por Marco Goiano e Lukinha.

A desenvoltura dos homens de meio-campo foi determinante para que o Bragantino assumisse o controle da partida antes da metade do primeiro tempo. Foi Lukinha o autor do gol de abertura, aos 35 minutos, tocando para as redes depois que o goleiro Wallace espalmou chute de Mauro Ajuruteua.

Com muitas chegadas pelos lados do campo, com Bruno Limão e Esquerdinha, o Bragantino teve uma produção que poderia ter garantido mais gols e uma condução mais tranquila do jogo.

Apesar da movimentação mais intensa do Tubarão, a Aparecidense não se entregou. Seguiu buscando o empate através de contra-ataques sempre direcionados a Aleilson e ao veterano Nonato.

Foi pelos pés de um paraense que o time goiano chegou ao empate, logo a um minuto de partida no 2º tempo. O lateral Rayro, ex-Águia, aproveitou uma bola rebatida pela zaga do Bragantino e mandou um chute alto, sem defesa para Axel.

Sem se perturbar, atacando sempre pelos lados, o Bragantino acabou chegando ao segundo gol. Após cruzamento de Paulo de Tárcio, a bola desviou no braço de Filipe e o árbitro marcou o pênalti. Marco Goiano, o mais produtivo jogador do Tubarão, cobrou e desempatou o placar.

Fidélis teve grande chance três minutos depois, entrando na área e batendo forte, mas a bola foi afastada pela defesa. Quando o Braga parecia dominar o jogo, eis que Rayro aparece outra vez para mudar os planos. Disparou da entrada um chute forte, no canto, empatando o jogo.

A expulsão do lateral Rafael Cruz, aos 25’, deu novo ânimo ao Bragantino. Logo em seguida, Marco Goiano quase marcou, chutando rente à trave. Aos 39’, Samuel Cândido trocou Fidélis por Tony Love, a fim de buscar o terceiro gol e evitar a disputa nos penais.

O esforço valeu a pena. Aos 40’, Bruno Limão cruzou rasante na área, a zaga cortou errado e a bola foi nos pés de Marco Goiano, que só tocou para o fundo do barbante. Já sem Rayro, também expulso de campo, Moisés ainda teve grande chance para a Aparecidense, mas levantou a bola nas mãos do goleiro Axel.

Um jogo de ingredientes emocionantes, com um público pequeno (pouco mais de 6 mil espectadores) mas animado. O Bragantino embolsa com a classificação mais R$ 1,45 milhão, totalizando R$ 2,6 milhões até agora. Caso vença o Vila Nova-GO na próxima etapa, ganhará mais R$ 1,9 milhão. Nunca um clube do interior do Pará faturou tanto e chegou tão longe na Copa do Brasil.

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Magic Johnson, uma despedida em tom ruidoso

Um gigante pediu para sair de cena e, como seria natural, o anúncio abalou os alicerces do melhor basquete profissional do mundo. Magic Johnson deu uma entrevista na terça-feira à noite anunciando sua renúncia ao cargo de presidente das operações de basquete do Los Angeles Lakers, deixando a NBA em polvorosa.

A má campanha do Lakers na temporada vinha desgastando Magic, responsável por contratações e escolhas, mas não foi suficiente para causar estragos em sua imagem. Os desdobramentos de sua renúncia provam isso.

Alheio aos seus críticos como executivo da franquia, Magic afirmou calmamente que deixava o cargo para voltar a ser ele mesmo, procurando ajudar atletas com conselhos (citou Serena Williams) e se reincorporando aos assuntos de sua comunidade. Passou sinceridade.

O Lakers, porém, convive com uma realidade bem complicada. Apesar de ter em seu time o melhor jogador da atualidade, LeBron James, não conseguiu acertar o passo ao longo da temporada, situação em boa parte atribuída internamente ao próprio Magic.

Com 37 vitórias e 45 derrotas no período 2018-2019, a equipe de LA vai buscar meios de se reconstruir para a próxima edição da liga, talvez até sem LeBron em quadra.

Chama atenção no gesto de Magic o desprendimento e o desapego a um cargo milionário. Só os realmente grandes são capazes de gestos surpreendentes e corajosos. Sabendo que seu trabalho era minado nas esferas administrativas do Lakers, ele preferiu pedir o boné comunicando em rede nacional, antes de avisar a dona da franquia, Jeanie Buss.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 11)