
A escola Logos, em Ananindeua, está anunciando a exibição do documentário “1964: Brasil entre armas e livros”, produzido pela Brasil Paralelo, grupo de direita que vende uma narrativa de defesa do golpe civil-militar de 1964. A decisão desagradou muitos pais e estudantes, que desejam saber se o estabelecimento vai promover algum tipo de atividade para mostrar os atos que romperam com a ordem institucional e as garantias individuais no Brasil. Questionam também se fazer apologia de um período ditatorial não afronta a Constituição Federal de 1988, fundada na “igualdade e justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos”.
Em resposta, o Centro Educacional Logos emitiu nota dúbia, buscando retratação e pedindo desculpas “por despertar um sentimento negativo em relação a nossa publicação” e acrescentando que “ditaduras ou qualquer forma de opressão, não representam de forma alguma a nossa instituição e o que acreditamos”.
Mais adiante, o colégio alega “liberdade de pensamento” para o ato de vender ingressos para a exibição do filme. “Não é fácil o momento político que o país está vivenciando, entendemos e respeitamos todos os comentários e opiniões na nossa página, pois acreditamos no estímulo à discussão livre, sempre. Foi por essa premissa, da liberdade de pensamento, que permitimos espaço ao filme em nosso canal”.
Afirma ainda que, “como escola, temos a difícil missão de formar cidadãos éticos. Entendemos que nossos alunos devam se preparar para abordar este tema em provas, com questões polêmicas e atuais. Por esse motivo apoiamos a diversidade de opiniões, com liberdade total para a busca de informações”.
Como instituição de ensino, o Centro Educacional Logos deveria se preocupar com as leis e os preceitos constitucionais em vigor. Ao contrário do alegado apoio a “diversidade de opiniões”, deveria se ater ao cumprimento de um princípio básico na educação: o respeito à verdade e aos fatos históricos.
Difundir uma obra que escamoteia a verdade e defende a farsa da “revolução democrática” em 1964, fazendo apologia a um golpe militar que gerou perseguições políticas e desaparecimento de pessoas, é um desserviço à causa da educação.
Um trabalho destes é uma verdadeira ofensa àqueles que sofreram na pele as atrocidades dos anos de chumbo.
Daqui a pouco ele deve lançar algum produto promovendo o nazismo, negando que o que os crimes cometidos podem ser justificados.
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Além disso, caro Miguel, veja os riscos que os alunos desse colégio correm caso esse falseamento transborde pras salas de aula de história.
Definitivamente o Brasil encontra-se sob risco trágico de ver sua educação transformada em doutrinação medieval a respeito de crenças e práticas que negam a ciência, a reflexão crítica e a liberdade de expressão.
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