Polícia encontra arsenal na casa de amigo do suspeito de atirar em Marielle

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A Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil do Rio de Janeiro encontrou 117 fuzis incompletos, do tipo M-16, na casa de um amigo do policial militar Ronnie Lessa no Méier, na Zona Norte do Rio.

De acordo com investigações da DH e Ministério Público, Lessa foi responsável por atirar na vereadora Marielle Franco e no motorista Anderson Gomes no dia 14 de março de 2018.

As armas, todas novas, estavam desmontadas em caixas em um guarda-roupas – só faltavam os canos.

Segundo o secretário de Polícia Civil, Marcos Vinícius Braga, esta é a maior apreensão de fuzis da história do Rio, superando inclusive a feita no aeroporto Internacional do Rio em 2017 – na ocasião, foram encontradas 60 armas vindas dos EUA dentro de aquecedores de piscinas. Em 2019, a PM apreendeu, de 1º de janeiro até esta segunda, 100 fuzis.

O dono da casa, Alexandre Mota de Souza, afirmou para os policiais que Ronnie, seu amigo de infância, entregou as caixas, e pediu para guardá-las e não abri-las. Alexandre acabou preso, entretanto, sob a suspeita de tráfico de armas. A polícia chegou nele rastreando um barco que seria de Ronnie e estaria em seu nome.

“Alexandre é amigo do Lessa há anos e ele fez apenas um favor em colocar essas encomendas, porque ele não sabia do que se tratava, no seu apartamento. Ele ficou surpreso ao saber do conteúdo, mas ele não tem nada a ver com esse episódio lamentável da vereadora”, disse seu advogado.

No Méier, os policiais encontraram grande quantidade de armas – incluindo fuzis – e 500 munições no endereço de Alexandre.

Os agentes também acharam R$ 112 mil na operação, sendo R$ 50 mil na casa dos pais de Ronnie e R$ 60 mil em seu carro. (Da G1)

Remo tem novo plano para finalizar obras do Baenão

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O estádio Baenão vai completar cinco anos sem receber jogos oficiais. O último foi em 1º de maio de 2014, quando o Remo derrotou o Independente por 4 a 0 no Campeonato Paraense daquele ano. A longa espera da torcida é partilhada pela diretoria. O presidente Fábio Bentes, cujo programa de governo inclui a reforma do estádio, tenta achar alternativas para arrecadar dinheiro que permita a reabertura ainda neste ano.

A mais recente opção para captação de recursos envolve uma solução a curto prazo e o próprio Fábio explica o que deverá ser feito. “Iremos anunciar um novo patrocinador”, informou, referindo-se a um acordo com uma cervejaria. Fábio confirmou que o contrato será divulgado oficialmente no próximo dia 14 de março, por ocasião do lançamento dos novos uniformes do Remo.

“O valor desse patrocínio será destinado integralmente às obras do Baenão”, garantiu o mandatário azulino. Os valores do repasse do patrocinador não serão divulgados em função de cláusulas contratuais. No entanto, com a garantia de patrocínio, a diretoria buscará levantar mais dinheiro para completar a quantia de R$ 500 mil, necessária para custear as obras de revitalização do estádio Evandro Almeida. Deste valor, cerca de R$ 300 mil serão destinados exclusivamente ao sistema de combate a incêndio, que é a parte mais onerosa do projeto.

Memórias de um quase amigo de milícias

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“Incrível como os bolsonaros se mantiveram puros cercado de amigos milicianos, laranjas e que desviam dinheiro público. Incrível.” Wilson Gomes

“Adélio Bispo, fakeadista frequentava mesmo Clube de tiro dos Bolsonaro em SC. Agora miliciano, vizinho do Bolsonaro, é preso por matar Marielle. coincidência estes bandidos tão próximos do homem? E a segurança ‘nem aí’?”. Luiz Müller

“O que é socialismo? Motorista se internar no mesmo hospital de luxo do presidente ou PM morar no mesmo condomínio de luxo do presidente onde a casa mais baratinha custa 2 milhões E ter um Porsche Cayene de 423 mil reais na garagem? Nem o Lula conseguiu distribuir renda assim”. Cristina Andrade

“Filho do Bolsonaro namorou a filha do miliciano acusado de matar a Marielle? E eles eram vizinhos do presidente? Que perigo para o Bolsonaro, viver ao lado de um cara que pode ser tão perigoso, hein?”. Guga Noblat

“Bastou um sítio com pedalinho e uma visita do presidente Lula a um triplex brega pra quadrilha de Curitiba condenar Lula a prisão perpétua. Imagina se ele morasse vizinho e tirasse foto com um miliciano assassino? Seria esquartejado em praça pública”. Nélia Lins da Silva

“Imagine se o filho de Lula tivesse namorado com a filha do PM acusado pela morte de Marielle Franco?”. Gilberto Dimenstein

Uma renovação tardia na seleção alemã

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Coluna Halbzeit, na DW

“Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”. É o que talvez tenha passado na cabeça de Joachim Löw ao anunciar na semana passada que os campeões mundiais de 2014 Mats Hummels, Jerôme Boateng e Thomas Müller não fazem mais parte dos seus planos para o futuro da Mannschaft.

Alguns comentaristas esportivos alemães sequer discutem se a decisão de Löw está correta ou não. O que muitos questionam é por que ele demorou tanto a tomá-la e lamentam que só agora o técnico tenha chegado à conclusão de que os três não servem mais para vestir a camisa da seleção.

Houve pelo menos dois grandes momentos na história recente do futebol alemão em que Löw poderia ter dado o pontapé inicial para implementar uma verdadeira revolução na equipe.

O primeiro foi logo após a inesperada conquista do título da Copa das Confederações em 2017.  Um elenco radicalmente rejuvenescido, contando com apenas dois campeões mundiais, a saber Mathias Ginter e Julian Draxler, chegou na Rússia, fez uma bela campanha e levantou a taça.  De quebra, ganhou a Bola de Ouro com Julian Draxler, eleito melhor jogador do torneio. Sem esquecer que o ataque alemão foi o mais eficiente da competição com 12 gols marcados. As respectivas Chuteiras de Ouro, Prata e Bronze foram para Lars Stindl, Leon Goretzka e Timo Werner.

Esperava-se que o treinador aproveitasse o momento da conquista de um título inédito para alavancar de vez a renovação do time. Ledo engano. Sempre que podia, Löw insistia na estrutura básica da equipe campeã mundial de 2014.

No amistoso contra a Espanha, por exemplo, pouco antes da Copa do Mundo, havia sete campeões mundiais em campo. Na estreia frente ao México, a Alemanha entrou em campo com sete jogadores do inesquecível 7 a 1 do Mineirão.  A espinha dorsal do time era majoritariamente formada por veteranos da campanha de 2014. Da jovem equipe campeã da Copa das Confederações, apenas Joshua Kimmich e Jonas Hector se firmaram como titulares.

O resultado, todos conhecem.

Clamores se fizeram ouvir pelo mundo do futebol alemão exigindo uma renovação já. Em vão. Continuou tudo como dantes no quartel de Abrantes. Joachim Löw foi confirmado no cargo e saiu de circulação por dois meses curtindo férias na Floresta Negra e na ilha paradisíaca da Sardenha.

Na sua volta, Löw teve uma nova chance de renovar o elenco, para a Liga das Nações, mas preferiu tocar o barco com a velha guarda mesmo. No empate com a França e na derrota para a Holanda, havia seis campeões mundiais titulares na equipe. Curiosamente o melhor resultado foi uma vitória categórica por 3 a 0 num amistoso com a Rússia – com apenas um campeão mundial em campo: Manuel Neuer.

O ano de 2018 entrou para a história do futebol alemão como tendo sido o pior da Mannschaft. Em jogos oficiais foram quatro derrotas, dois empates e apenas uma vitória (aquela sobre a Suécia com gol milagroso de Toni Kroos nos acréscimos.

Todo este drama relatado aqui poderia ter sido evitado se Löw tivesse tido a coragem de promover a renovação radical da equipe logo após a Copa das Confederações. Não teve – e paga um preço alto por sua covardia.

A aposentadoria de Hummels, Boateng e Müller já deveria ter acontecido faz tempo. Já durante a Copa da Rússia deu para perceber claramente que Hummels e Boateng não são mais os mesmos no quesito retomada de velocidade quando perdem a bola.

Müller faz tempo que perdeu sua leveza de jogo e eficiência na finalização. No Bayern já perceberam isso há dois anos e lá tem substitutos à altura. Apenas Joachim Löw e sua comissão técnica continuavam enxergando tudo com suas lentes cor-de-rosa trazidas na bagagem juntamente com o título conquistado no Maracanã.

Tem mais um detalhe. A forma como foram aposentados da seleção prejudica e muito os três jogadores. Como escreveu Jörn Meyn do Spiegel Online: “Agora eles ficam parecendo carros velhos que Löw queria dirigir mais um pouco mesmo depois da trombada na Rússia. Foi só então que percebeu que não servem mais”. Venhamos e convenhamos, não é uma saída honrosa da Mannschaft.

Fica a pergunta sobre quão radicalmente será feita a revolução. Agora em março, no dia 20, já poderemos ter uma ideia no amistoso com a Sérvia. Quatro dias mais tarde, rola o primeiro compromisso oficial em 2019, contra a Holanda pelas Eliminatórias da Euro 2020.

Mats Hummels, Jerôme Boateng e Thomas Müller vão ver o jogo pela TV .

Gerd Wenzel começou no jornalismo esportivo em 1991 na TV Cultura de São Paulo, quando pela primeira vez foi exibida a Bundesliga no Brasil. Desde 2002, atua nos canais ESPN como especialista em futebol alemão. Semanalmente, às quintas, produz o Podcast “Bundesliga no Ar”. A coluna Halbzeit sai às terças. Siga-o no TwitterFacebook e no site Bundesliga.com.br

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. 

Nos bastidores do rock

“Lady Madonna” foi composta por Paul McCartney para homenagear a maternidade e todas as dificuldades que as mulheres enfrentam.
A música começava com uma referência à Virgem Maria (Madonna é como os italianos chamam a Nossa Senhora), mas ao longo da letra, a homenagem passou a ser a todas as mães.

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Durante uma entrevista à Musician, ele comentou: “Como elas fazem?” Um bebê no peito, como elas arrumam tempo de alimentá-lo? Onde arrumam dinheiro? Como vocês fazem isso?”.
O cantor Richie Havens se lembra de estar com Paul em um clube em Greenwich Village, quando uma garota se aproximou e perguntou se a canção era sobre os EUA. Paul respondeu: “Não. Eu estava lendo uma revista africana e vi uma mulher com um bebê. Embaixo da foto estava escrito ‘Mountain Madonna’ e eu disse: não, Lady Madonna. E escrevi a música”.
A inspiração para a harmonia surgiu de uma gravação dos anos 50, produzida por George Martin. Eles queriam um piano parecido com o que aparece na canção instrumental “Bad Penny Blues”, do trompetista de jazz Humphrey Lyttelton, que se sentiu lisonjeado com a referência de sua canção em uma gravação dos Beatles.
Os vocais de fundo foram feitos pelos quatro Beatles com as mãos em forma de concha em volta da boca.

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“Lady Madonna” foi lançada em março de 1968, no single com “The Inner Light”, sendo o último lançamento dos Beatles pelo selo Parlophone da Inglaterra e Capitol dos EUA. Todas as gravações posteriores foram produzidas pela Apple Records.
A canção chegou ao primeiro lugar na Inglaterra e em quarto lugar nos EUA. Atualmente, ela aparece no disco “The Beatles Past Masters” (disco 2), na coletânea “1967-1970” e no disco “1”. (Fonte: Canal dos Beatles) 

Vai ver que tudo é culpa do Lula

Por Fernando Horta, no Facebook

Só porque um ex-sargento da PM (que ganha R$ 7 mil por mês) mora num condomínio de luxo no RJ, ao lado de um ex-tenente do Exército (que ganha R$ 10 mil de aposentadoria), que virou presidente, não é para vocês ficarem levantando falsos contra o fascista.
Também não é porque o filho dele empregava todas as esposas e filhas de milicianos, que a gente vai imaginar alguma ligação.
Acho, ainda, que só porque o Queiroz cuidava do laranjal para toda a família, não quer dizer que eles todos saibam e se aproveitem do dinheiro.
Os valores depositados na conta da primeira fascista, da mesma forma, não podem nos fazer pensar numa ligação da presidência com as milícias.
Os discursos de exaltação de milicianos, feitos pelo ex-tenente (que nunca foi capitão) que virou presidente, e os prêmios oferecidos aos assassinos pela Assembleia do RJ, em nome do filho-fascista, também não nos autorizam a pensar que os Bolsonaros estão envolvidos no assassinato da Marielle.

É mais provável que os assassinos tenham ligação com o Lula.

Prisão de PMs suspeitos da morte de Marielle é golpe em Bolsonaro

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Do Catraca Livre

Não há nenhum sinal – nem mais remoto – de que a família Bolsonaro tenha qualquer envolvimento com a morte da vereadora Marielle Franco. Mas há fartas ligações da família com as milícias.
Não apenas em discursos. Mas também empregos. Mãe e mulher de um chefe das milícias foragido – Adriano Nóbrega – estavam empregadas no gabinete de Flávio Bolsonaro.
A prisão hoje dos policiais atinge a família Bolsonaro, por mostrar a ligação de PMs, associados a milícias, com o assassinato de Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes.

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Leia aqui o resumo da notícia do O Globo:

A Delegacia de Homicídios (DH) da Capital prendeu o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-PM, Elcio Vieira de Queiroz, por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.
A prisão foi determinada pelo juiz-substituto do 4º Tribunal do Júri Guilherme Schilling Pollo Duarte, após denúncia do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ.

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Trecho da notícia do O Globo:

Segundo a denúncia das promotoras Simone Sibilio e Leticia Emile, o crime foi “meticulosamente” planejado três meses antes do atentado. Além das prisões, a operação realiza mandados de busca e apreensão nos endereços dos denunciados para apreender documentos, telefones celulares, notebooks, computadores, armas, acessórios, munições e outros objetos. Lessa e Elcio foram denunciados pelo assassinato e a tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, assessora da vereadora que sobreviveu ao ataque. A ação foi batizada de Operação Buraco do Lume, referência ao local no Centro de mesmo nome, na Rua São José, onde Marielle prestava contas à população sobre medidas tomadas em seu mandato. Ali ela desenvolvia também o projeto Lume Feminista. Os denunciados foram presos às 4h desta madrugada.

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As promotoras pedem ainda a suspensão da remuneração e do porte de arma de fogo de Lessa. Também foi requerida a indenização por danos morais aos familiares das vítimas e a fixação de pensão em favor do filho menor do motorista Anderson até completar 24 anos de idade. Em certo trecho da denúncia, elas ressaltaram: “É inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia. A barbárie praticada na noite de 14 de março de 2018 foi um golpe ao Estado Democrático de Direito”.

A Folha trouxe um exemplo ao mostrar graficamente as relações da família Bolsonaro, milícias e Marielle Franco.

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Do ódio ao exílio: quem tem medo de Marcia Tiburi?

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Por Guto Alves, no blog O Cafezinho

Conheci Marcia Tiburi há alguns anos na fila de embarque de um aeroporto, no dia de seu aniversário. Um sorriso no rosto e a simpatia no abraço já mostraram muito sobre quem era Marcia. Desde aquele dia até hoje, muita coisa mudou no Brasil. No Brasil daquela ocasião, Marcia era uma celebrada autora, defensora dos direitos humanos, professora e filósofa. No Brasil de hoje, com Bolsonaro presidente, seu nome estampa manchetes com a notícia de que teve que se retirar do país devido a ameaças constantes que vinha recebendo.  Não é coincidência.

Atendendo a um convite de Lula, Tiburi resolveu candidatar-se a governadora do Rio de Janeiro no ano passado pelo Partido dos Trabalhadores. Atendendo a um convite seu, eu embarquei nesta jornada ao seu lado. Se até então eu tinha por ela uma admiração pela pensadora que é e pela pessoa amiga e generosa que eu conhecia, passei a admirá-la com a paixão de quem viu de perto, minuto a minuto, a entrega, a força e a garra de Marcia durante o difícil processo que foi atravessar esta campanha.

Que não seria fácil, todos nós sabíamos. Somos brasileiros conscientes do estado caótico e fragilizado das instituições nacionais, sobretudo a tão mencionada e “celebrada” democracia.  Quando se decide participar de um pleito carregando no peito a estrela vermelha do PT no auge do antipetismo e com Lula preso, pensa-se saber o que é que vem por aí, mas todo o horror vivido durante os quarenta e cinco dias de campanha que tivemos não só atendeu às nossas expectativas, como superou todas elas.

Era imensa a minha vontade de tentar transmitir ao eleitor aquela Marcia que eu conhecia e se tornava cada dia maior. Eu vi a transformação de uma pessoa em nome de um projeto, em nome do que ela acreditava que poderia fazer pelo estado do Rio. Em cada estudo sobre os valões fluminenses, eu via vontade de transformar. Em cada comunidade que visitávamos, eu via força no seu olhar de quem tentava amparar, ainda que por breves minutos, a dor da miséria daquelas pessoas.

Crua e nua nos jogos de poderes da política, Marcia embarcou topando seguir o roteiro que rege uma campanha eleitoral. Gravou programas de TV, discursou em palanques, caminhou pelas ruas com bandeiras, gritou em microfones, defendeu seu programa de governo. Iniciava seus dias ainda pela madrugada e os encerrava também nela. Era incansável na missão de cumprir com aquilo que tinha se proposto e de atender a tantas vozes que agora entoavam seu nome, seguravam suas bandeiras e esperavam dela a solução.

Por muitas vezes, eu, que a acompanhava em cada atividade e compromisso durante todo este período, pensei que ela não fosse aguentar. E com uma força descomunal, ela conseguia ir adiante. Juntos, visitamos os lugares onde a miséria se faz presente. Viajamos num carro blindado a muitos lugares do Rio de Janeiro, sobretudo a região metropolitana e a baixada fluminense. Encaramos de perto o olhar da tristeza daqueles que são abandonados pelo estado.

Não cabe em apenas um texto toda a experiência que vivemos e o que aprendi caminhando ao lado de Marcia Tiburi, mas se paro para pensar, cenas lindas me surgem na memória. Lembro-me do carinho de Marcia com cada mulher que lhe abordava, com cada uma das “meninas das bandeiras”, cuja função ela gostaria de ter abolido devido ao sol escaldante do Rio. Vejo Marcia se agachando para olhar nos olhos daqueles a quem ela pedia voto. Lembro do seu sorriso de vergonha quando saímos pela primeira vez para distribuir material de campanha.

Por inúmeras vezes vi Marcia chorando por se sentir impotente diante da destruição que toma conta do estado do Rio de Janeiro. Ouvi outras incontáveis vezes ela dizer “Nós temos que ganhar essa eleição, olha como essa gente vive!”. Vi seus olhos incharem ao conversar com as mães da Rocinha, da Tavares Bastos, de São Gonçalo, de Padre Miguel. Vi Marcia se empolgar com o interesse das mulheres por política, sobretudo as mulheres negras. Senti sua emoção quando nos encontramos com a mãe de Marielle e Marcia proibiu o uso de seu nome em todos os seus atos de campanha. “Não vou usar Marielle”, ela disse.

Certa vez, quando voltávamos de uma caminhada no subúrbio do Rio, depois de termos visto cenas de puro descaso e muita miséria e abandono, Marcia teve uma crise de choro dentro do carro. “O que vai ser dessa gente? Quem vai cuidar dessas pessoas?”, me perguntou aos prantos. Numa visita a Duque de Caxias, parou um discurso no meio porque cruzou com o olhar de uma mãe esperançosa que a assistia. Novamente, chorou em silêncio. Quando conseguiu seu ônibus de campanha, o Tibus, celebrou: poderia levar com ela o maior número de mulheres possível e não andaria mais de carro sozinha, e sim com todas elas.

Em Brasília, quando fomos para o registro da candidatura de Lula, andamos perdidos a pé pela cidade abarrotada de manifestantes pela liberdade de Lula, além dos olhares de repreensão que recebemos no aeroporto, tivemos momentos de muito carinho e amizade. Por todos os lados, pessoas paravam Marcia pedindo fotos e declarando afeto. Em verdade, é preciso ressaltar quanto amor Marcia inspirou por onde passou, atravessando o ódio de quem a afrontava, e quanto amor também recebeu. Lembro que em Brasília, perto de perdermos o voo e longe de conseguirmos um táxi, ganhamos carona de uma fã que não parava de chorar enquanto nos levava ao aeroporto.

Em certa ocasião, eu passava pela rua quando um carro parou ao meu lado e o vidro escuro se abriu. Era Marcia, chorando, me pedindo que entrasse. O que foi? Perguntei aflito. “A vida é muito miserável”, ela me respondeu aos prantos. Em um dos muitos atos de campanha, Marcia havia encontrado com um grupo de crianças que lhe pediram ajuda. Duas das crianças já tinham também seus próprios filhos. Crianças criando crianças nas ruas do Rio de Janeiro. Nestes momentos, que foram muitos, nossos olhares se cruzavam e nós chorávamos. Chorávamos porque sabíamos que a vitória daqueles que não se importam com estas crianças se aproximava. Chorávamos porque era pesado demais. Chorávamos porque éramos cúmplices na dor.

Ao longo do caminho, quando conhecíamos mais do estado e do jogo da política, ainda que exauridos fisicamente, ganhamos mais voz, força e garra para seguir em frente. Minha fonte era Marcia. A dela, eu sei, era o povo. Marcia se descobriu uma grande interlocutora com a voz das ruas. Era lá onde gostava de estar, com as pessoas, dialogando, escutando. Com as mulheres da periferia, com os homens das favelas, com as crianças das ruas que corriam ao seu encontro.

Com uma equipe de trabalho pequena, abandonada por muitos, Marcia nunca deu um passo atrás durante todo o processo eleitoral. Foi muito duro assistir de perto uma pessoa tão doce e sensível enfrentar monstros tão cruéis e poderosos. Na era da desinformação, uma incansável força-tarefa tinha que dar conta de combater robôs e uma indústria de fake news que disseminavam absurdos escabrosos sobre ela.

Quanto mais a mensagem positiva de sua campanha e seu programa de governo se espalhavam, mais Marcia era atacada covardemente por aqueles que se escondem em suas casas, mas se mostram valentes nas redes sociais. Algumas postagens em sua página de campanha chegaram a receber mais de mil comentários de ataques contendo ameaças, calúnias e difamações, tanto a direita quanto à esquerda: o que não faltou a Marcia foi fogo amigo. De cabeça erguida, Marcia tentava encarar tudo com bom humor, sabendo que era só o início do um Brasil triste que se consolidaria meses depois com a posse de Jair e sua bolsomonarquia.

Vi Marcia ser atacada durante caminhadas. Vi Marcia ser atacada durante falas em locais públicos. Vi Marcia ser atacada durante as gravações de seus programas de TV. Vi o MBL editar, manipular e disseminar vídeos que a difamavam. Ouvi e li, ao seu lado, palavras e agressões tão malvadas que não me sinto a vontade para reproduzir aqui a baixeza dos xingamentos que a ela direcionavam.

“Eu sou forte, não se preocupe comigo”, ela dizia. E, de fato, força é um de seus maiores atributos. Talvez seja a força que provém da inteligência. Ao fim de todos os dias, depois de tantos atos de campanha, o que Marcia fazia era ir pra casa estudar. Estudar para saber mais do povo, conhecer melhor o que poderia oferecer até mesmo aqueles que a achincalhavam e a linchavam virtualmente.

No dia das eleições, fomos juntos votar em um colégio tradicional no Flamengo. Ali, o horror dos horrores. Vaiada desde que saiu do carro, por pouco não foi agredida pelo ódio fascista daqueles que ali estavam. Uma senhora que aparentava ter idade para ser sua mãe, encostou seu rosto no dela para gritar, odiosamente, que ela não iria ganhar nunca, chamando-a de imunda. Meu peito apertava, Marcia se assustava, mas seguia em frente. Naquele dia, respiramos aliviados, horas depois, pois havia acabado o inferno da corrida eleitoral. Ela cozinhou pra mim e rimos como dois amigos. Essa Marcia, pensei, os maldosos deveriam conhecer antes de espalharem inverdades.

Qual o pecado de Marcia Tiburi, afinal?

Enquanto eu, ingenuamente, pensava que conhecendo Marcia como eu conhecia as pessoas teriam uma outra percepção e menos ódio, me peguei pensando: afinal, por que odeiam tanto alguém que não conhecem? Qual o pecado de Marcia? A resposta é o medo. As pessoas têm medo de seres humanos como Marcia Tiburi. Um medo que nasce da inveja, mas medo. Uma mulher poderosa, que impõe suas ideias, escritora de sucesso, acadêmica premiada, personalidade relevante. Sua figura impunha medo e recebia o troco.

Quando Marcia sacode o establishment e escancara, sem medo, suas convicções, sendo mulher, ela extrapola o lugar que é concedido a ela no sistema de castas fascista que vem se tornando o Brasil. Com a eleição de Jair Bolsonaro ao poder, perde a esquerda, mas perde muito mais a direita brasileira. Quando o escárnio do horror se legitima com a faixa presidencial, qualquer possibilidade de soberania democrática, inclusive a pregada pela direita liberal, e de respeito aos direitos individuais desaparece. E figuras como Marcia, cuja existência e atuação questionam naturalmente este sistema, se tornam alvo fácil. Não é mais sobre direta e esquerda.

Deixa de ser apenas cruel e assustador quando as leviandades atingem o patamar das ameaças físicas. Deixa de ser apenas uma dor de cabeça quando você não tem mais a segurança de participar de um evento literário sem esquemas de proteção. Passa-se ao que devemos chamar o que se vive a partir de agora: um estado de exceção.

Derrotada nas eleições, a vida seguindo como escritora e colunista, Marcia não pode mais continuar com sua vida normalmente. Tornou-se alvo daqueles que nominam o período atual de “Nova Era”. Nesta nova era, jornalistas são ameaçados pelo presidente via twitter. Nesta nova era, parlamentares renunciam ao posto por ameaças de morte. Nesta nova era, pensadoras como Marcia Tiburi e Débora Diniz podem até dizer o que pensam, mas precisam buscar um lugar seguro para viver e preservar a integridade física.

A reação debochada daqueles que também a atacam é a prova de que há em curso um estado de exceção. Quando percebe-se que o direito à liberdade de expressão é atacado de forma tão doentia pelo exército de seguidores iludidos do bolsonarismo (que é nada, mas um nada perigoso), é preciso ter cautela para analisar os contextos.

Vejamos: vivemos sob a tutela de um governo mentiroso, reunido ao redor de uma figura medíocre, inapta e inconsequente, que governa cercado de seus filhos e se dirige à nação utilizando o Twitter como um adolescente usa para resolver conflitos de sala de aula. O Governo brasileiro virou um picadeiro sem graça, onde tudo é possível dentro do absurdo. Neste estado pós-democrático, onde a verdade não vale mais nada, ou melhor, onde se cria verdades convenientes, a desinformação tem sido a maior e mais perigosa das armas.

O modus operandi explícito é o da inconsistência e da bagunça organizada. Tudo parece muito desordenado, no entanto segue uma cartilha que nos levará ao pior. Enquanto o presidente tuíta absurdos e leva seus 3,4 milhões de seguidores a reações raivosas, contradizendo seus próprios atos e induzindo a erro o povo que o elegeu, o projeto de poder bolsonarista cresce na “surdina”, cercado pela equipe de governo mais militarista desde o período da Ditadura Militar.

O resultado não pode ser mais catastrófico. Estes que temem Marcia Tiburi, Diniz, Jean e tantos outros, estes que celebram o exílio de quem teme pela própria vida, estes pensam ter vencido neste jogo, mas estão prestes a descobrir que são peças descartáveis no tabuleiro do fascismo. Não há lugar para eles quando não há lugar para quem quer defendê-los de sua própria mediocridade. Não haverá lugar para eles quando o fascismo parar de brincar e resolver jogar de verdade com os peões brasileiros.

Com tristeza imensa eu acompanhei a saída de Marcia do Brasil. Com o peito apertado eu me despedi, pois sei o que significa assistir pensadores terem de deixar seu país quando viver nele se torna insustentável. É difícil ver Marcia ter que optar morar longe seu país, pelo qual tanto lutou e luta. Sei de sua dor, sei da dor que sofrerá o país. Neste cenário dominado pelo caos, é forte a mensagem que nos transmite com sua decisão. Mas fico feliz por saber que ela busca, mais uma vez, com mais força, com mais garra, seguir, onde quer que esteja, pensando e registrando nossos tempos, nossas barbáries e lutando por sua existência de mulher num mundo tão misógino que a expulsou de seu próprio país.

(*) Jornalista e produtor no Rio de Janeiro

Em nota, Abraji e OAB repudiam ataque público de Bolsonaro à imprensa

Na noite de domingo, o presidente Jair Bolsonaro fez um novo ataque público à imprensa, desta vez valendo-se de informações falsas. Isso mostra não apenas descompromisso com a veracidade dos fatos, o que em si já seria grave, mas também o uso de sua posição de poder para tentar intimidar veículos de mídia e jornalistas, uma atitude incompatível com seu discurso de defesa da liberdade de expressão. Quando um governante mobiliza parte significativa da população para agredir jornalistas e veículos, abala um dos pilares da democracia, a existência de uma imprensa livre e crítica.

A onda de ataques no domingo começou antes da manifestação do presidente. Grupos que apoiam Bolsonaro difundiram e amplificaram nas redes sociais declarações distorcidas da repórter Constança Rezende, de O Estado de S.Paulo, para alimentar a narrativa governista de que a imprensa mente quando se refere às investigações sobre as movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro. Como é comum nesse tipo de ataque, a família de Constança também virou alvo. O grave nesse episódio é que o próprio presidente instigou esse comportamento, ao citar como indício de suposta conspiração que Constança é filha de um jornalista de O Globo.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se unem neste momento no repúdio a qualquer tentativa de intimidação de jornalistas. Profissionais atacados por fazer seu trabalho terão sempre nosso apoio.

Diretoria da Abraji

Felipe Santa Cruz – presidente do Conselho Federal da OAB

Pierpaolo Cruz Bottini – coordenador do Observatório de Liberdade de Imprensa do Conselho Federal da OAB

Morre o gênio da tabelinha

 

POR GERSON NOGUEIRA

O mundo do futebol perdeu ontem um gigante. Morreu Coutinho, grande parceiro de Pelé nas diabruras que aquele fantástico ataque do Santos aprontava nos anos 60. Nos últimos tempos, quase não se falava mais nele, como também pouco se fala em Pelé. Coisa absolutamente normal nestes tristes tempos de memória esmaecida e pouco carinho pelos cracões do passado. Só há o impulso de homenageá-los quando já estão partindo, o que soa inevitavelmente injusto e até ingrato.

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Coutinho foi um gênio da grande área, acima de Ademir Menezes, Pagão e Baltazar, seus antecessores naquela faixa de campo tão disputada. Maior que Vavá e Toninho Guerreiro, contemporâneos seus. Veio um pouco antes de Tostão aparecer, fulgurante e cheio de estilo, no Cruzeiro e na Seleção do tricampeonato mundial. Como ele, o mineiro era um camisa 9 que fazia da habilidade sua marca registrada para abrir defesas.

Depois de Coutinho, o Brasil viu o surgimento de Reinaldo, Romário, Bebeto e Ronaldo, que confirmaram a vocação brasileira para produzir centroavantes de perfis absolutamente diferentes. O próprio Coutinho era um jogador diferenciado, de toque refinado e disparo sempre de primeira, como se estivesse sempre com o dedo no gatilho.

Tinha extraordinária capacidade de driblar e trocar passes em frações de segundo. Tão genial que só conseguiu estabelecer diálogo com outro gênio da bola, sua majestade, o Rei Pelé. Ambos eternizaram a tabelinha como gazua capaz de furar qualquer bloqueio de marcação. Dupla tão afinada quanto Lennon & McCartney, que, por sinal, estavam surgindo naqueles anos incríveis. Integrante imortal da linha clássica do Peixe: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Ao contrário do Rei, Coutinho não foi valorizado como deveria. Seus gols não são reprisados na TV, mas estão no YouTube para quem tem tempo e paciência para procurar preciosidades. Por ironia, a parceria que o consagrou talvez seja responsável pelo ostracismo porque Pelé, sendo Pelé, acaba sempre visto em primeiro plano.

Um de seus grandes momentos foi em setembro de 1962, pelejando contra a violenta defesa do Benfica, no Maracanã. O segundo gol santista teve até balãozinho dentro da área. Muitos narradores de rádio chegaram a cantar a sensacional jogada como de autoria de Pelé. Não era. Na verdade, Coutinho foi o executor do inspirado lance, tão brilhante que parecia coisa de Rei.

Naqueles tempos, circulava em tom de piada uma quase verdade: como eram muito parecidos fisicamente, quando uma tabelinha funcionava espetacularmente o mérito era atribuído ao Rei; quando algo saía errado, Coutinho era apontado como o autor da jogada ruim. Por isso, às vezes, usava uma fita branca de esparadrapo para se distinguir do parceiro mais famoso.

Apesar do esquecimento a que os heróis santistas foram relegados, Coutinho continuou vivo na memória dos cultores do futebol bem jogado, das fintas rápidas, do chute de primeira e das manobras de alto nível na área, embora longe dos olhos da molecada que hoje se encanta ao ver qualquer perna de pau de fim de semana.

Hoje, como tributo e obrigação histórica, deve-se lembrar aos mais jovens que Coutinho era um monstro correndo em direção ao gol. Letal dentro da área, um azougue com e sem bola. Marcou 368 gols em 1.457 jogos pelo grande Santos, ficando em 3º lugar na lista dos artilheiros do clube.

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Papão ensaia processo de qualificação do elenco

Correm notícias a respeito do interesse que o Papão tem em reforçar elenco trazendo mais quatro jogadores: um zagueiro, um volante, um meia-armador e um atacante. A situação tranquila no Campeonato Paraense favorece a prospecção sem açodamentos e longe da pressão que vem da necessidade imediata.

Líder em seu grupo, praticamente classificado às semifinais do Parazão, o PSC se mantém invicto e jogando na medida certa para não tropeçar diante de adversários tecnicamente inferiores. É, portanto, o momento ideal para começar o esforço final de preparação para o Brasileiro da Série C, que começará uma semana após o fim do Estadual.

Estranhei apenas a falta de um lateral-esquerdo na lista dos jogadores a serem contratados. Tendo Bruno Oliveira como único especialista na posição, o técnico João Brigatti (foto) tem sido obrigado a improvisar o zagueiro Fábio Alemão nos últimos jogos, devido à contusão sofrida pelo titular.

Para o ataque, onde Paulo Rangel começou bem e depois caiu de rendimento, há a necessidade de outro jogador de referência. João Leonardo, ex-Bragantino, não conseguiu se destacar a ponto de merecer uma chance entre os titulares. Os demais seis atacantes do elenco não têm o perfil para jogar no centro do ataque.

É na meia-cancha, porém, que reside a grande carência. O campeonato não fez o problema se manifestar de forma aguda, até mesmo pela baixa qualidade técnica dos competidores, mas é óbvio que o setor de criação segue em aberto, sem um ocupante confiável. Tiago Primão e Leandro Lima ainda não se mostraram capazes de garantir ao time a criatividade necessária para propor um jogo mais envolvente.

Brigatti certamente estará envolvido na busca pelos reforços. Ele demonstra sua inquietação ao lançar um olhar de observação sobre jogadores que atuam no Parazão. Alexandre, do S. Francisco, e Michel, do Paragominas, estariam no radar do treinador. Ao fazer isso, mesmo que os negócios não se concretizem, o treinador mostra profissionalismo e noção de realidade.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 12)