Futebol pífio, emoção zero

POR GERSON NOGUEIRA

A rodada final da fase classificatória do Campeonato Paraense primou pela coerência: foi um retrato do baixíssimo nível técnico da competição. Os dois grandes da capital passaram sem muito esforço pelos adversários interioranos, vencendo sem precisar mostrar bom futebol. Bragantino e Independente são os outros semifinalistas.

Além das atuações discretas dos principais times, a rodada que definiu os classificados não teve nem a emoção que normalmente cerca situações de briga por vagas. Até o Independente, que perdeu em Bragança, não teve motivos para se assustar, pois o Remo superou o Paragominas com facilidade.

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Em Marabá, o Águia foi melhor ao longo de três terços do jogo, mas não teve competência para transformar a pressão e a posse de bola em gols. Conseguiu 10 escanteios, beneficiou-se da expulsão de Bruno Oliveira e encurralou o PSC, mas esbarrou sempre na boa presença do goleiro Mota, que fez quatro defesas importantes.

Apesar do domínio, o Águia deixava espaços na defesa e permitiu duas grandes chances ao Papão no 2º tempo com Paulo Henrique e Elielton. Na terceira oportunidade, após escanteio, o zagueiro Vítor Oliveira acertou um chute no canto esquerdo da trave do Águia e abriu o placar, aos 28 minutos.

Abalado com a desvantagem e exibindo sinais de cansaço, o Águia ainda tentou buscar o empate, mas se abriu ainda mais e tomou o segundo gol apenas seis minutos depois de sofrer o primeiro. Aos 34’, Tiago Primão lançou bola na área para desvio certeiro de Nicolas, principal destaque do PSC em campo.

Com 2 a 0, a situação ficou inteiramente controlada pelos bicolores, principalmente no aspecto físico. Nicolas e Elielton ainda perderam oportunidades para ampliar. Com um plano de jogo mais objetivo na etapa final, Léo Condé obteve a vitória logo na estreia, mesmo com desempenho sofrível da equipe em grande parte do jogo.

No Mangueirão, Márcio Fernandes também alcançou o seu primeiro triunfo, depois de três empates. O Remo passou pelo Paragominas sem correr grandes riscos, jogando na conta do chá.

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Com um time bastante modificado, pela necessidade de poupar jogadores para o primeiro duelo das semifinais, o Leão começou melhor. Em boa manobra no ataque, Alex Sandro passou a Emerson Carioca, mas Paulo Rafael evitou o gol. Felipinho fez fila entre os zagueiros remistas e bateu de fora, obrigando Vinícius a espalmar para escanteio.

Um penal esquisito (sobre Emerson) marcado aos 30’ do primeiro tempo abriu caminho para a vitória. Echeverría cobrou e converteu, dando ainda mais tranquilidade à equipe para jogar nos contra-ataques. Logo em seguida, Kaíque entrou na área, mas bateu por cima da trave de Vinícius.

Logo no reinício do jogo, Felipinho invadiu a área, mas Vinícius abafou o chute e a bola saiu pela linha de fundo. Novamente num contragolpe nasceu o escanteio que levou ao segundo gol do Remo, aos 7’.

A bola cobrada por Echeverría encontrou Emerson Carioca na linha da pequena área, livre de marcação e contando ainda com a saída espalhafatosa do goleiro Paulo Rafael. A partir daí, o Remo foi absoluto.

O lateral Geovane ainda desperdiçou um contra-ataque fulminante, que tinha quatro azulinos contra dois defensores do Paragominas. O lançamento do lateral saiu pela linha de fundo, arrancando vaias da torcida.

As novidades no Remo foram a entrada do jovem Pingo e a reestreia de Yuri no meio-campo. Ambos atuaram bem, dando consistência ao setor, que teve Echeverría como articulador até os 20 minutos do período final. Quando o paraguaio saiu, cansado, a tarefa passou a ser executada por Yuri.

Nos acréscimos, Wilker arrematou com grande perigo, mas Vinícius defendeu e arrancou aplausos da torcida pela atuação impecável.

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Semifinais podem salvar o campeonato

Depois de 10 rodadas sem destaques individuais, nenhuma grande surpresa entre os emergentes e frieza por parte do torcedor, os quatro semifinalistas têm a responsabilidade de salvar o campeonato, nem que seja pela força da emoção.

A nova etapa já começa quarta-feira, em Bragança, entre Bragantino e Remo. No dia seguinte, o Independente recebe o Papão em Tucuruí.

Invictos e com 22 pontos conquistados, os bicolores entram nas semifinais na condição de favoritos. Apesar disso, para enfrentar o Independente, o time precisa evoluir em organização e mostrar mais qualidade no meio-campo.

O Remo, que ostenta a segunda melhor campanha (19 pontos), poupou meio time ontem para ter força máxima na quarta-feira. Tem tudo para fazer com o Bragantino o confronto mais equilibrado das semifinais.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 01)

Rodada do Parazão define semifinalistas

Com as vitórias de Remo, Paissandu e Bragantino na rodada final da etapa classificatória, neste domingo, ficaram definidos os times classificados para as semifinais do Campeonato Paraense: Remo, Bragantino, PSC e Independente.

No Mangueirão, o Remo derrotou o Paragominas, com gols de Echeverría (pênalti) e Emerson Carioca. Em Marabá, o Papão passou pelo Águia com gols de Vítor Oliveira e Nicolas. Em Castanhal, empate de 1 a 1 entre Castanhal e Tapajós. E em Bragança, no estádio Diogão, o Bragantino venceu o Independente por 1 a 0.

Os jogos da fase semifinal começam na quarta-feira (3), em Bragança, com a partida Bragantino x Remo. No sábado, Remo x Bragantino, no Mangueirão.

A outra semifinal começa na quinta-feira, com o jogo Independente x Paissandu, no estádio Navegantão, em Tucuruí. No domingo, na Curuzu, PSC x Independente.

Leão cansou dos empates

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POR GERSON NOGUEIRA

Márcio Fernandes está em Belém há um mês e não conseguiu ainda festejar uma vitória como técnico do Remo. É verdade que não perdeu ainda, mas a sequência de empates gera desconforto e uma pressão extra sobre elenco e treinador, que foi contratado para dar novo rumo ao time, cujas atuações decepcionantes causaram a queda de João Neto.

Contra o Paragominas, neste domingo, o Remo luta para carimbar a primeira colocação de seu grupo, o A1. Até um empate serve, mas essa alternativa é firmemente rejeitada por todos no Evandro Almeida.

A ideia é fazer com que a vitória finalmente se concretize. Técnico e auxiliares avaliam que o triunfo já poderia ter ocorrido no Re-Pa de domingo passado, quando a equipe mostrou desenvoltura, boa troca de passes e maior compactação entre os setores.

A vitória acabou não acontecendo devido a um detalhe tão inesperado quanto raro: uma falha individual do goleiro Vinícius, ídolo da torcida e responsável por atuações impecáveis ao longo de sua atuação como titular do gol remista.

Para quebrar o incômodo jejum, Fernandes deve armar um time bem diferente daquele que vem jogando. Marcão permanece ao lado de Kevem na zaga, mas a lateral esquerda terá o retorno de Tiago Félix. A grande mudança, porém, está no meio, onde o jovem volante Pingo fará parceria com Dedeco e Diogo Sodré. No ataque, Emerson Carioca pode substituir o quase imexível Mário Sérgio.

O sistema não se altera. É o 4-4-2 clássico, com forte marcação no meio e tentativas de infiltração comandadas pelo meia-armador Douglas Packer.

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VAR não salva arbitragem ruim

Quem perdeu uma hora e meia vendo o Fla-Flu de quarta-feira, pelas semifinais do interminável Campeonato Carioca, aprendeu o quanto o VAR à brasileira pode ser um desserviço para esclarecimentos de lances polêmicos no futebol.

A questão é que a interpretação das jogadas cabe a árbitros ruins. Quando o profissional não tem qualificação para apitar jogos, como o notório Marcelo de Lima Henrique, não há tecnologia capaz de ajeitar as coisas.

Pelo contrário, acaba piorando, como nas interpretações do gol legal do Flu logo no primeiro lance da partida e na análise do penal que deu o triunfo aos rubro-negros nos acréscimos da partida.

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Direto do Twitter

“Realmente, está difícil pra cinquentões como eu, acostumados aos famosos ano sim-ano não do Flu, nessa baba que o transformaram. Nem me importo mais com a roubalheira do Fla e a lambeção de saco da imprensa, atrás de audiência da massa rubro negra. É até melhor ganhar deles assim.

O que revolta são os manés se submeterem à política de cotas que beneficia Fla e Corinthians e prejudica os outros 18. Depois reclamam. Caramba, se unam e exijam montante dividido em cotas iguais. Quem tiver mais torcida que faça diferença com venda de camisa, sócio torcedor, etc.”

De Sérgio Soeiro, um tricolor quase desesperançado

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir das 22h, na RBATV. Na bancada de debatedores, Giuseppe Tommaso e Rui Guimarães. Em pauta, a rodada final da etapa classificatória do Campeonato Paraense.

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Observações sobre reforços e o “plano milionário”

De um benemérito azulino e atento observador das contratações que o clube faz para a Série C:

“Edno é bom atacante, profissional exemplar e teve passagem correta pelo clube, mas está há mais de um mês parado e o peso da idade (35 anos) é preocupante para uma competição como a Terceira Divisão. Havia a promessa do executivo de futebol de que faria um time bom, bonito e barato. O limite de idade seria 30 anos”.

Por outro lado, um grande colaborador azulino fez contato com a coluna para elogiar a postura do presidente Fábio Bentes, que rechaçou delirante “plano milionário” anunciado pelo mesmo dirigente que destruiu o estádio Baenão há cinco anos.

A diretoria estranhou a natureza do negócio proposto, no qual o misterioso parceiro se recusa a aparecer e uma terceira figura é que assinaria os papéis, sem nenhuma garantia bancária para a sustentação do acordo.

A oferta era de arrendamento do Remo por 20 anos pelo valor total de R$ 10 milhões (R$ 500 mil por ano), sendo que o orçamento anual do clube gira hoje em torno de R$ 18 milhões. Segundo o interlocutor da coluna, um negócio com toda pinta de arapuca sem volta.

Aliás, o último plano mirabolante com parceiro milionário foi apregoado por Manoel Ribeiro antes da eleição passada. Até hoje os tais milhões de reais não apareceram.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 31)