Temer vira réu por mala com R$ 500 mil da JBS

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O ex-presidente Michel Temer agora é réu por corrupção passiva em uma ação penal. A denúncia é relativa ao caso da mala de R$ 500 mil da empresa JBS S.A. O Ministério Público Federal reapresentou a denúncia à Justiça, e o juiz Rodrigo Bentemuller, da 15ª Vara da Justiça Federal em Brasília, decidiu acatar.

O ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, que recebeu a mala do executivo da JBS, também é réu no caso. Michel Temer já havia sido denunciado pela Procuradoria-Geral da República no caso da mala, mas como tinha foro privilegiado pelo fato de ser presidente da República, o processo não andou.
A denúncia contra Temer tem origem no acordo de delação premiada entre o empresário Joesley Batista (JBS) e o Ministério Público Federal, em que o executivo apresentou uma conversa gravada com Michel Temer, realizada em março de 2017.
Na conversa, Joesley fala sobre a compra do silêncio de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o ex-presidente dá a entender que a propina deve ser mantida.

Trivial variado da terra de MarlMoro

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“O Moro estuda a ‘possibilidade’ de reduzir os tributos do cigarro, para ‘proteger’ a saúde dos brasileiros…O cara é debochado e acha que somos todos bobos? Essa redução só se relaciona com o lobby histórico das fumageiras e NUNCA com a saúde!!!”. Pedro Ruas

“PSL fecha questão a favor da reforma da Previdência. ‘Estamos dando a sinalização que acho que o mercado esperava…’ – Deputado Waldir (GO). Sonho um dia ver os deputados darem a sinalização que o povo espera e deixarem de ser reféns do mercado, onde ninguém vive de aposentadoria”. Eduardo Moreira

“Comunicação do Planalto não sabe como fazer Bolsonaro ler um texto para uma câmera Bolsonaro e o teleprompter: missão impossível”. José de Abreu, autoproclamado presidente do Brasil

“Ao defender a celebração do golpe de 64, Bolsonaro abriu um debate necessário sobre a ditadura e as ameaças que vivemos hoje sob seu governo. Tudo isso involuntariamente, claro”. Lula Falcão

“Em abril de 1969, 41 professores universitários foram aposentados pelo AI-5 – os físicos Mario Schenberg, Esther Frota, José Leite Lopes, Plínio Sussekind etc. A Societé Française de Physique e dez cientistas Prêmios Nobel protestaram, mas nada demoveu a ditadura. Vale festejar?”. Hildegard Angel

“Como chanceler, Ernesto Araújo repete tese de que nazismo seria de esquerda, tida como absurda e desonesta por acadêmicos e diplomatas na Alemanha. Historiadores europeus se impressionam: ‘Uma asneira e altamente problemático diplomaticamente'”. DW

“Estado policial: homens armados invadem salas de aula para cumprir mandado de prisão na USP. ‘Colegas meus que estavam lá disseram que foi tenso. Entraram em todas as salas armados com fuzis’.” Rodrigo Vianna

Edno é anunciado como novo reforço do Leão

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O conselheiro remista Diego Bessa fez o anúncio da contratação do atacante Edno, na tarde desta quinta-feira nas redes sociais. Bessa explicou que o clube conseguiu encaminhar uma negociação “justa e boa para o atleta e para o Remo”. Ao lado do conselheiro, Edno se manifestou em vídeo confirmando a volta ao Leão.

O jogador já passou pelo clube em 2016 e agora volta para reforçar o Remo na Série C do Brasileirão. Na última passagem pelo Baenão, Edno fez 16 partidas e marcou 7 gols.

O atacante de 35 anos estava no Atlético Tubarão (SC) e antes teve passagens por Avaí (SC), PSV (Holanda), Cruzeiro (MG), Athletico (PR), Portuguesa (SP), Corinthians (SP), Botafogo (RJ), Cerezo Osaka (Japão), Ponte Preta (SP), Vitória (BA), América (MG) e Moreirense (Portugal).

Um Odorico na Seleção

POR GERSON NOGUEIRA

“Externo desequilibrante”, “jogador terminal”, “sinapses do último terço”, “performar desempenho”.

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Talvez desde que Sebastião Lazaroni sumiu na voragem do tempo, ali pelos idos de 1990, o torcedor brasileiro não se deparava com tamanha saraivada de termos estrambóticos e sem lógica no universo do futebol. Tite, de vocação cada vez mais teatral, recheou suas últimas entrevistas de liberdades poéticas pra lá de duvidosas.

Alguns defensores do técnico argumentam que ele apenas reproduz termos rotineiros na atividade profissional nos clubes e seleções. Se isso é verdade, as frases pecam pelo hermetismo, dificultando a capacidade de compreensão e perdendo a finalidade.

Pior é que o comandante lança mão de uma ginástica verbal que não significa absolutamente nada e cujo conteúdo é tão raso quanto o futebol que a Seleção pratica. Persistente na disseminação do “tatiquês”, também chamado de “titês”, o técnico rebusca tanto o palavreado que acaba por se tornar confuso e chato.

A responsabilidade de dirigir a Seleção Brasileira implica em evitar  discursos de corte surrealista. É aconselhável que a mensagem seja simples, objetiva e direta. Ao contrário de mestre Chacrinha, técnicos do escrete precisam explicar sempre, confundir jamais.

Saudado por muitos, inclusive pelo escriba aqui, como honrosa exceção no deserto de ideias do segmento de treinadores no Brasil, Tite começou a extrapolar o limite da sensatez nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018. No auge da popularidade, assumiu com gosto a persona de consultor, passando a transformar entrevistas em performances.

Com a confiança cega nas próprias ideias, Tite passou a Copa apontando o dedo indicador a cada nova frase, como forma de reger a imprensa, mesmo que as palavras não fizessem qualquer sentido. Aquela porção submissa de repórteres e analistas esportivos que habitam o entorno da Seleção não parava de bajular e aplaudir, motivando o uruguaio Lugano a rotular Tite de encantador de serpentes.

No fundo, ao fulminar o idioma com construções canhestras e concordâncias sofríveis, Tite quer apenas lustrar o próprio currículo, aparentar modernidade e erudição. Nada muito diferente do que fazem alguns ditos experts, destilando sapiência tecnicista nos debates táticos.

O certo é que, além de treinar o selecionado, buscando as melhores configurações e escolhendo os jogadores mais capazes, Tite deveria se preocupar em usar uma linguagem clara e acessível ao cidadão comum. A massa que (ainda) segue a Seleção não tem obrigação de entender gorjeios de boçalidade.

Curiosamente, quanto mais a Seleção padece de qualidades mais o técnico se esmera em falar difícil. Alguém já o definiu como Rolando Lero ou mesmo um Odorico Paraguaçu sem a graça do personagem criado por Dias Gomes.

O aspecto mais preocupante da pesporrência que embala o discurso titeano é a imposição de um elitismo que cria apartheid de conhecimento entre o aficionado e os chamados doutores em futebol, cuja iniciação acadêmica menospreza o torcedor-raiz. No país que vê surgir a cada dia hordas de mentes tacanhas é assustador que até o futebol passe a ser uma seara dominada por gente de “nível superior”.

Tite dispõe de tempo para salvar uma carreira vitoriosa, antes que se perca no folclore que fulminou Lazaroni e Luxemburgo, mas precisa por os pés no chão e deixar de lado os arroubos de superioridade. Deve, acima de tudo, botar em prática as teorias que defende.

Futebol é simples. Complicá-lo com discursos impenetráveis não deixa de ser um atestado de incompetência.

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Leão terá novo fornecedor de material em 2020

O Remo recebeu proposta considerada irrecusável para trocar de fornecedor de material esportivo ao final do contrato com a Topper em dezembro deste ano. A paixão da torcida continua a ser o ativo mais rentável do clube e a gestão atual busca caminhos para fazer com que esse ardor que envolve a massa torcedora traga resultados concretos às finanças do clube.

Segundo o presidente Fábio Bentes, em contato com a coluna, o acerto proposto é muito vantajoso em relação ao atual e permitirá um aporte inicial de recursos, no valor de R$ 450 mil, a serem pagos imediatamente, a título de adiantamento.

Em cima do montante de vendas de 2018, a expectativa seria de dobrar a receita obtida com material esportivo com o atual fabricante. Nesse aspecto, cresce a importância de fidelidade do torcedor aos produtos de fábrica, a fim de garantir dividendos extras ao clube.

O faturamento estimado levando em conta dados de 2017-2018 foi superior a R$ 2 milhões, já levando em conta os custos de enxoval do elenco.

O nome da empresa interessada não pode ser revelado, por razões contratuais, mas é quase certo que o Remo terá novo fornecedor a partir de 2010. O dinheiro que a ser pago agora será imediatamente empregado nas obras de reforma do estádio Evandro Almeida.

Ao contrário do que chegou a ser divulgado nas redes sociais e em sites esportivos, o presidente remista descarta a Nike como futura parceira. A gigante norte-americana só fornece material para clubes da Série A brasileira e acaba de ter contrato rompido com o Internacional.

Além da possibilidade de obter capital através desse pré-acordo, a diretoria analisa propostas de clubes nacionais e do exterior pelo jovem zagueiro Kevem, de 18 anos, revelação da base azulina que assumiu a titularidade durante a ausência de Mimica.

A oferta mais interessante seria da Ucrânia, com previsão de venda de 70% dos direitos econômicos do atleta por cerca de R$ 500 mil.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 28)

Shows de Sandy & Junior sob suspeita de armação na venda de ingressos

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O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) determinou que as empresas Live Nation Brasil Entretenimento e a Empresa Brasileira de Comercialização de Ingressos apresentem relatório minucioso das vendas realizadas para o show Sandy e Júnior – 30 anos, virtualmente e presencialmente, informando a quantidade de ingressos vendidos no total, bem como o número de ingressos vendidos por CPF. Suspeita é de que número de bilhetes colocados à venda é menor do que o anunciado, a fim de turbinar a divulgação do show.

A decisão, em caráter liminar, atende a ação movida por duas consumidoras, que sustentaram a existência de fortes indícios de que as vendas realizadas para o show foram fictícias, simuladas.
Para o cumprimento da ordem, o juiz concedeu o prazo máximo de cinco dias corridos, sob pena de multa diária de R$ 1.000 até o limite de R$ 50 mil.
As autoras haviam pedido também que as rés cancelassem as compras que infringiram a regra de seis inteiras e duas meias por CPF e recolocassem os ingressos à venda. Sobre esses pedidos, o magistrado registrou que, no momento, “não é possível atendê-los, posto que sem as devidas informações, não se mostra adequado determinar o cancelamento das vendas”. (Do Correio Braziliense)

Escola vende ingressos para exibição de documentário que nega o golpe de 64

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A escola Logos, em Ananindeua, está anunciando a exibição do documentário “1964: Brasil entre armas e livros”, produzido pela Brasil Paralelo, grupo de direita que vende uma narrativa de defesa do golpe civil-militar de 1964. A decisão desagradou muitos pais e estudantes, que desejam saber se o estabelecimento vai promover algum tipo de atividade para mostrar os atos que romperam com a ordem institucional e as garantias individuais no Brasil. Questionam também se fazer apologia de um período ditatorial não afronta a Constituição Federal de 1988, fundada na “igualdade e justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos”.

Em resposta, o Centro Educacional Logos emitiu nota dúbia, buscando retratação e pedindo desculpas “por despertar um sentimento negativo em relação a nossa publicação” e acrescentando que “ditaduras ou qualquer forma de opressão, não representam de forma alguma a nossa instituição e o que acreditamos”.
Mais adiante, o colégio alega “liberdade de pensamento” para o ato de vender ingressos para a exibição do filme. “Não é fácil o momento político que o país está vivenciando, entendemos e respeitamos todos os comentários e opiniões na nossa página, pois acreditamos no estímulo à discussão livre, sempre. Foi por essa premissa, da liberdade de pensamento, que permitimos espaço ao filme em nosso canal”.
Afirma ainda que, “como escola, temos a difícil missão de formar cidadãos éticos. Entendemos que nossos alunos devam se preparar para abordar este tema em provas, com questões polêmicas e atuais. Por esse motivo apoiamos a diversidade de opiniões, com liberdade total para a busca de informações”.

Como instituição de ensino, o Centro Educacional Logos deveria se preocupar com as leis e os preceitos constitucionais em vigor. Ao contrário do alegado apoio a “diversidade de opiniões”, deveria se ater ao cumprimento de um princípio básico na educação: o respeito à verdade e aos fatos históricos.

Difundir uma obra que escamoteia a verdade e defende a farsa da “revolução democrática” em 1964, fazendo apologia a um golpe militar que gerou perseguições políticas e desaparecimento de pessoas, é um desserviço à causa da educação.

Não havia ameaça comunista em 1964. Nem hoje

Por Alexandre Andrada – The Intercept_Brasil

Há uma farsa historiográfica que ronda a praça de maneira persistente: a tese de que que a “revolução de 64” teria salvo o Brasil da ameaça comunista.

Conversa para boi dormir.

A renúncia de Jânio Quadros em 1961, e a ascensão do seu vice João Goulart, odiado pelo partido mais conservador da época, a UDN, de Carlos Lacerda, e por parte dos militares, foi o ápice de uma cisão ideológica que perdurava havia quase 20 anos. De agosto de 1961 a março de 1964, Jango foi alvo de uma guerra discursiva que o pintou como corrupto e conspirador de uma ofensiva comunista. Era tudo fantasia.

O rolo começou em 1946 com uma briga política que se estendeu por duas décadas entre os três partidos dominantes da chamada Terceira República (1946-1964), incendiada pela UDN de Lacerda. Os udenistas, derrotados nas urnas por Vargas (1950) e depois por Juscelino Kubistchek (1955), faziam uma guerrilha com notícias e editoriais falando sobre o risco iminente de o país virar comunista sem base nenhuma na realidade.

Na Constituinte de 1946, os comunistas do PCB formavam uma bancada respeitável, com um senador – Luís Carlos Prestes – e 14 deputados. Entre esses, Carlos Marighella.

Marighella, que se tornaria mundialmente conhecido por sua guerrilha urbana e acabaria morto pela Ditadura Militar em 1969, era um congressista como outro qualquer. Fazia discurso, frequentava gabinetes, apresentava moções e tomava cafezinho com seus pares.

Em maio de 1947, a justiça declarou ilegal a existência do PCB e os mandatos dos comunistas foram cassados. Diante do golpe jurídico, os comunistas não apelaram para as armas. Ao longo da Terceira República, eram três os partidos dominantes. O PTB, partido de Vargas e Jango, que ocupava a porção à esquerda do espectro político; o PSD, partido centrista, que abrigava Dutra e JK, e a UDN, partido de viés mais liberal, cujo ponto central era o ódio a Vargas.

A UDN era o partido favorito da grande imprensa, de setores da classe média  e da intelectualidade nacional. Só não era o partido favorito dos eleitores. O fracasso nas urnas foi transformando a UDN em uma organização golpista. Se hoje é o “bolivarianismo” que assusta o “cidadão de bem” brasileiro, nos anos 1950 o fantasma regional era o “peronismo”.

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Às vésperas das eleições vencidas por Vargas, o jornal do udenista Carlos Lacerda, uma das grandes figuras do partido, publicava declarações de um general, afirmando: “o governo tem conhecimento de um vasto plano subversivo organizado pelos comunistas, cuja eclosão se daria ao mesmo tempo, em todo o território nacional. O governo brasileiro está de posse de dados concretos comprovando que o sr. Getúlio Vargas mantém relações com o general Perón, presidente da Argentina”. Dizia-se que Perón financiaria o movimento “para restaurar a Ditadura” no Brasil.

Apelava-se para o medo, plantava-se a semente da paranoia. Mas Vargas saiu-se vitorioso, com 48,5% dos votos. Quando a derrota ficou evidente, a UDN optou por não reconhecer o resultado. O jornal de Lacerda trazia em letras garrafais: “Getúlio não foi eleito legalmente”. Como Vargas não obteve mais de 50% dos votos, golpistas como Lacerda e Aliomar Baleeiro passaram a insistir na tese de que a maioria do eleitorado o rejeitara. Tentam na Justiça barrar a posse de Vargas.Ficou famosa a frase de Lacerda, repetida à exaustão naqueles tempos: “Vargas não deveria ser eleito. Se eleito, não deveria tomar posse. Se tomasse posse, não poderia governar”.

Ainda que tenha feito um governo algo conservador, segundo percepção de renomados historiadores do país, Vargas não pôde governar. Em 1954, em meio às denúncias de orquestrar um plano secreto junto com Perón e de corrupção no Banco do Brasil, a UDN pede seu impeachment, que é rejeitado no Congresso.

Após o episódio da rua Toneleros – quando morreu o oficial da Aeronáutica Rubens Vaz, e Lacerda é alvejado –, Vargas é instado pela cúpula militar a renunciar à presidência. Naquela noite, mata-se com um tiro no peito. Aos se aproximarem as eleições de 1955, temendo a derrota, a UDN volta a pregar o golpe. Primeiro são denúncias contra Juscelino Kubistchek, acusando-o de corrupto. Adiante, a defesa desavergonhada da não realização das eleições naquele ano.

Em editorial de junho de 1955, Lacerda afirmava:

“Não há mais a menor dúvida: a eleição, nas atuais circunstâncias, significa a vitória dos que há longo tempo se prepararam. […] Em nome de que se pretende que toleremos a volta da oligarquia, com o seu cortejo de corrupção e violência? Sustentamos que existe, ainda, uma saída ‘legal, para a falsa legalidade que se pretende manter… A saída que existe… é a concessão de plenos poderes a um Executivo responsável, capaz de realizar as reformas preliminares de que carece a nação…”

Com a chapa JK-Jango eleita, a UDN tenta o golpe na justiça. Afonso Arinos tenta barrar a diplomação dos vencedores, argumentando que teria havido participação do PCB (ainda ilegal) na campanha dos eleitos.

Em novembro de 1955, percebendo as movimentações de um golpe orquestrado por setores civis (leia-se UDN) e militares, o general Henrique Lott põe em marcha o chamado “golpe preventivo”, garantindo a continuidade da legalidade no país.

JK consegue tomar posse e chegar ao final de seu governo, feito raro para a época. Nas eleições de 1960, a UDN decide apoiar Jânio Quadros, fenômeno político e então governador de São Paulo, mas que não fazia parte do partido.

Jânio, porém, renuncia à Presidência em agosto de 1961, jogando o país no caos. É nesse cenário que João Goulart (PTB), seu vice, torna-se presidente. Iria se tornar, na verdade. É declarado persona non grata para a segurança nacional por parte do Congresso, que se articula para impedir que o herdeiro de Vargas tome posse. Setores civis e militares quiseram impedir o cumprimento do texto constitucional. Havia o que se chamava de “veto militar” ao nome de Goulart.

No Rio Grande do Sul, começava a campanha pela legalidade, liderada por Leonel Brizola. Entre os legalistas, estavam o chefe do Exército naquela região, o general Machado Lopes. Circula a notícia que o II Exército, com sede em São Paulo, se encaminharia para o sul, de forma a desbaratar a resistência.

A ameaça passa a ser não de um golpe civil-militar, mas de guerra civil. O Jornal do Brasil em editorial afirmava: “a expressão guerra civil é a única que cabe para definir o que pode acontecer, a qualquer momento, no Brasil”. Até o The New York Times alertava: “os oficiais do Exército brasileiro, que desafiaram sua Constituição e a vontade dos eleitores ao se recusarem a deixar João Goulart assumir a presidência, trouxeram seu país à iminência de uma guerra civil.”

O jornal Correio da Manhã se manifestou em editorial intitulado “Ditadura”, no qual dizia: “o manifesto dos ministros militares, coagindo o Congresso… é o golpe abolindo o regime republicano no Brasil. É a ditadura militar.”

O meio-termo encontrado foi deixar Jango assumir, mas castrado dos poderes presidenciais, graças a um parlamentarismo de ocasião. Era o golpe envergonhado. Voltavam-se a utilizar as velhas armas contra Jango: uma suposta conspiração internacional de caráter peronista, as supostas tendências comunistas do latifundiário e as alegações de corrupção.

MERA FANTASIA 

Em 1964, o deputado udenista Bilac Pinto afirmava, sem qualquer prova concreta, que Goulart preparava uma revolução, que o presidente organizava uma guerrilha armada no país. Aproveitando-se do ambiente caótico de 1964, em que se somavam a crise econômica e alta polarização política, fez-se o golpe civil-militar de 31 de março.
A suposta guerrilha de Jango, o suposto armamento em posse das Ligas Camponesas (o MST da época), a suposta infiltração comunista nas Forças Armadas, era tudo fantasia.

O golpe ocorreu quase sem resistência, pois resistência não havia. Deu-se um golpe, pois um golpe se queria dar desde 1951, pelo menos. A luta armada comunista, que jamais colocou em risco o governo brasileiro, só emergiu após a implementação da ditadura, não antes. Enfim.

Houve um tempo no Brasil no qual políticos civis não reconheciam o resultado das eleições, que não se conformavam com uma democracia na qual os eleitores elegem seus adversários.

Houve um tempo no Brasil no qual militares de alta patente se arvoravam o direito de falar de política. Tempo em que generais ameaçavam não reconhecer o resultado das urnas, caso o eleito não fosse do seu agrado.