Nos bastidores do rock

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Episódio-chave na história dos Beatles, a rápida saída de George Harrison em janeiro de 1969 foi mantida em segredo. Naquela tarde, Yoko Ono assumiu os vocais. A atmosfera ficou cinza. A banda se preparava para o que seria seu último show, mas agora estava incompleta. A solução? “Vamos colocar o Eric”, bradou o impulsivo John Lennon. Clapton mantinha amizade com toda a banda – mas principalmente com o próprio George, e aquilo seria no mínimo desconfortável…

“Se o George não voltar até segunda ou terça [13 ou 14 de janeiro de 1969], chamamos Eric Clapton para tocar”, disse John naquele tumultuado dia. O relato está publicado no site da revista Where’s Eric!, mantida pelo fã-clube britânico de Clapton desde 1992, com assinantes em mais de 30 países.

John teria ido além, dizendo que Clapton saíra do Cream porque eram “todos solistas” e que os Beatles “lhe dariam liberdade total para tocar sua guitarra” , sendo que a banda deveria continuar com ou sem George.

Os Beatles queriam registrar uma apresentação ao vivo para encerrar o filme “Let It Be”, que retratou o cotidiano da banda no estúdio. Com o cronograma apertado, o show tinha que acontecer antes do fim do mês. Isso contribuiu para a extrema ansiedade de John. Tratava-se do “Rooftop Concert”, na cobertura do prédio da Apple em Londres.

De acordo com a publicação, a conversa daquela noite entre John, Ringo Starr e Michael Lindsay-Hogg (diretor do documentário “Let It Be”) foi inteiramente gravada. O áudio não está disponível, mesmo porque valeria milhares de dólares nas mãos de colecionadores. Mas as intenções de John são confirmadas no best-seller “The Beatles: Anthology”, lançado pela própria Apple Corps em 2000 (Editora Cassel & Co – UK).

Na página 316, Paul McCartney recorda:

“Depois que George foi embora tivemos uma reunião na casa do John, e acho que seu primeiro comentário foi ‘vamos colocar o Eric’. […] Pensamos ‘não, espere um minuto. George saiu e não pode ser assim – não é bom o suficiente”.

George deixou a banda após um tenso diálogo com Paul, que foi registrado pelas câmeras. A jam maluca com Yoko e a chegada do ‘quinto beatle’ que amenizou o clima das gravações também são parte do vídeo.

Tragédia anunciada

Por Jean Wyllys

Carluxo é o grande e maior vilão dessa tragédia chamada “Governo da família Bolsonaro”. Seria a pior das três filhas do “Rei Lear”. Shakespeare antecipou seu caráter séculos atrás ao criar também Iago, de “Otelo”. Invejoso, cheio de vergonha de si (homofobia internalizada fruto da repressão paterna desde a infância), buscando – numa ambiguidade de sentimentos já descrita por Freud e, depois, Lacan como característica do típico perverso – ao mesmo tempo, agradar e superar o pai, Carluxo, como os vilões das tragédias gregas e shakespearianas, não consegue fugir de seu destino trágico de produzir uma desgraça, a desgraça. Este fato, aliás, agrada-me: Carluxo já é e será mais ainda a ruína do governo Bolsonaro, já assombrado pelo poderoso espectro de Marielle Franco – como o espectro do pai de Hamlet assombrava o rei e a rainha conspiradores; como o espectro do comunismo que assombrava a Europa injusta e desigual do século XIX (como o é a Europa do século XXI, esse mero jogo de posições de algarismos romanos), Marielle Franco, cujos assassinos têm ligações ainda não esclarecidas com a família do presidente.

Carluxo desdenhou de Rodrigo Maia; atacou sua honra ao levantar suspeitas sobre sua honestidade; afrontou publicamente o presidente da Câmara, ao apoiar o narcisista menor e desqualificado Sérgio Moro, espécie de Macbeth vulgar e subjetivamente muito mais raso, mas dirigido por um arremedo de Lady Macbeth ressentida e cafona; Carluxo fez tudo isso mesmo sabendo que a aprovação da Reforma da Previdência (leia-se: fim da aposentadoria dos trabalhadores e privilégios para os mais ricos) – única agenda que ainda mantém seu pai louco e doente no palácio do Planalto – depende de Rodrigo Maia e mais ninguém. Maia é o oficial pragmático, mas temperamental. Não tolera a ingratidão tampouco o veneno de Carluxo. Este é, portanto, um vilão odioso e capaz de atrocidades, mas burro. Ao fim dessa tragédia tupiniquim, Carluxo terá sua punição (assim como seu pai e seus irmãos). E não se espantem se esta punição vier não das mãos da Justiça humana, mas das mãos do amante posto na sombra.

Carluxo não vai fazer ideia das referências contidas nesse texto. Carluxo, seus irmãos e seu pai desprezam e detestam a cultura.
Por isso são tão torpes.

(*) Jean Wyllys – Deputado federal, atualmente no exílio

Polícia investiga nova chacina na zona rural de Baião

A Polícia Civil confirmou que três corpos carbonizados foram encontrados em uma fazenda, situada nas imediações da vicinal da Martins, na zona rural de Baião, distante 80 km da cidade de Tucuruí. As vítimas são três funcionários da fazenda, cujos nomes ainda não foram divulgados. Policiais civis da Superintendência Regional de Tucuruí e da Delegacia Especializada em Conflitos Agrários, estão na região desde a manhã da sexta-feira (22), investigando os crimes. Segundo informações preliminares, os mortos na fazenda seriam um casal de caseiros e um tratorista. No domingo (24), uma equipe do IML (Instituto Médico Legal) foi acionada pela equipe de policiais civis que ainda estavam na região para remover os corpos do local.

Diante da gravidade dos fatos, o delegado-geral Alberto Teixeira, e uma força-tarefa formada por policiais civis da DPI (Diretoria de Polícia do Interior), do Núcleo de Inteligência Policial (NIP), da Divisão de Homicídios de Belém e GPE (Grupo de Pronto-Emprego), estão em deslocamento para a região com o objetivo de reforçar a equipe da Polícia Civil que já investiga, desde a manhã da última sexta-feira, os eventos criminosos na região.

A fazenda onde ocorreu o crime fica a 14 km do assentamento em que se deu o triplo homicídio no último dia 22, no município de Baião, em que foram mortos Claudionor Amaro Costa da Silva, 43 anos, sua esposa Dilma Ferreira Silva, 45 anos, e um amigo do casal, Milton Lopes, 38 anos. Até o momento, não é possível afirmar se existe relação entre os dois fatos criminosos, nem se os crimes são resultantes de conflitos agrários, mas a Polícia Civil não descarta, nesse primeiro momento, nenhuma linha de investigação e envidará todos os esforços e recursos para solucionar o mais rapidamente possível esses crimes. (Da Agência Pará)

Desembargador manda soltar Temer e critica Lava Jato no despacho

O desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2a Região (TRF-2), mandou soltar, na tarde desta segunda-feira (25), o ex-presidente Michel Temer. O emedebista havia sido preso na última quinta por ordem do juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal do Rio de Janeiro. O ex-ministro Moreira Franco, preso na mesma operação, também teve a soltura determinada pelo magistrado, assim como as outras cinco pessoas presas na mesma operação.

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Relator do caso no TRF-2, Athié escreveu que reconhece “a absoluta lisura” de Bretas no processo, mas defendeu que as prisões afrontavam garantias constitucionais.

“Ressalto que não sou contra a Lava Jato, ao contrário, também quero ver nosso país livre da corrupção que o assola. Todavia, sem observância das garantias constitucionais, asseguradas a todos, inclusive aos que a renegam aos outros, com violação de regras não há legitimidade no combate a essa praga”, escreveu o desembargador na decisão”, escreveu.

Temer havia sido detido por conta de uma investigação desmembrada do Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro do ano passado. A apuração que levou à prisão do ex-presidente aponta que ele recebeu propinas da empreiteira Engevix, que havia sido subcontratada para obras na usina nuclear de Angra 3, no Rio. Temer teria recebido, diretamente, R$ 1,1 milhão neste caso, mas o MPF estima que o grupo ligado ao ex-presidente recebeu, ao longo dos anos, repasse ou promessa de até R$ 1,8 bilhão em propinas.

A prisão

Temer, Moreira Franco e os demais envolvidos foram presos na última quinta (21) e levados ao Rio de Janeiro. O ex-presidente é alvo de 10 inquéritos por suspeitas variadas, mas a operação que o prendeu é é desdobramento das Operações Radioatividade (15ª fase da Lava Jato), Pripryat e Irmandade, todas ligadas à de Angra 3.

A prisão de Temer foi desencadeada pela delação premiada de José Antunes Sobrinho, ex-sócio da empreiteira Engevix. A empreiteira foi subcontratada por um consórcio que venceu o principal contrato da usina nuclear. Uma das empresas do consórcio era a Argeplan José Batista Lima Filho, o Coronel Lima, apontado como operador de Temer.

Papão e Leão iguais em quase tudo

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POR GERSON NOGUEIRA

O choque-rei valeu por uma meia dúzia de jogadas agudas, incluindo as que resultaram em gol, mas a marcação prevaleceu sobre a criatividade e o jogo ficou muito longe do rol dos clássicos inesquecíveis, apesar de ter sido superior tecnicamente ao anterior. Faltaram lances de perigo e dribles de levantar torcida. Parecia desde o começo que o empate era a meta comum, tamanho o cuidado com o meio-campo e as zonas de marcação.

Ainda que a emoção tenha ficado reprimida, as duas equipes se comportaram razoavelmente bem. O Remo teve, pela primeira vez no campeonato, dois tempos de rendimento parecido, sem as oscilações que tanto marcaram a equipe até aqui. O sistema implantado por Márcio Fernandes, baseado no encurtamento de distâncias e combate direto, começa a dar frutos positivos.

No Papão, que teve Leandro Niehues como técnico interino ontem, a movimentação entre meio e ataque não foi tão efetiva, mas a defesa conseguiu se resguardar bem, com Mota aparecendo decisivamente no 2º tempo em cabeceio de Mário Sérgio que tinha endereço certo.

O Remo de Márcio Fernandes entrou com três volantes – Djalma, Dedeco e Diogo Sodré –, tendo ainda Douglas Packer e Gustavo Ramos mais preso aos combates no meio, sem ir muito à frente. Em vários momentos, o improvisado Rafael Jansen deixava a lateral esquerda para se juntar a Marcão e Kevem na grande área, aumentando o bloqueio aéreo.

Do lado bicolor, Leandro Niehues armou um time que no papel pouco diferiu da formação utilizada por João Brigatti. Na meia-cancha, Marcos Antonio e Caíque como volantes e Tiago Primão na articulação, mas, na prática, o time pouco agredia, esperando a movimentação dos azulinos.

Como os esquemas sem mantinham fechados, os gols acabaram saindo em jogadas de aproximação da área. Kevem perdeu o gol em duas tentativas, mandando a primeira na trave. E, aos 21 minutos, o melhor jogador em campo, Douglas Packer cobrou com perfeição falta à direita do ataque, colocando a bola na gaveta esquerda de Mota.

O Remo foi superior ainda por mais 20 minutos, pressionando a zaga bicolor e perdendo boas oportunidades, com Gustavo e Dedeco. Mas, em jogada pela esquerda, o lateral Diego Matos disparou um chute forte, mas despretensioso, enganando Vinícius e empatando o clássico, aos 41’.

Na etapa final, o Remo continuou bem organizado, apenas facilitando um pouco na troca de passes. Mário Sérgio quase desempatou em duas ocasiões, incluindo a já citada bela defesa de Mota, e Packer andou ameaçando com manobras pela esquerda.

Fernandes substituiu Sodré por Echeverría, dando ainda mais qualidade ao passe. Depois, tirou Gustavo, cansado, e colocou David Batista para aumentar força na área. Por fim, Alex Sandro substitui a Mário Sérgio. De maneira geral as modificações no Leão foram mais produtivas que as do PSC, onde Niehues trocou inicialmente Paulo Henrique por Paulo Rangel.

Mas, com o crescimento ofensivo do Remo, o técnico do Papão pôs Alan no lugar de Marcos Antonio. Lesionado, Primão foi substituído por Alex Galo. O Remo ainda insistiu com Packer e Alex Sandro, mas os dez minutos finais acabaram por sacramentar o empate, pois os times visivelmente preferiram evitar maiores riscos.

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Clubes argentinos relembram anos de chumbo

Belo e oportuno exemplo de consciência política parte dos clubes de futebol da Argentina. Vários clubes se uniram ontem para relembrar o Dia Nacional da Memória pela Verdade e Justiça e subiram a hashtag #NuncaMás, em claro repúdio ao golpe de Estado que implantou a ditadura militar no país entre 1976 e 1983.

A data foi instituída pelo parlamento argentino em 2001 em memória dos 30 mil desaparecidos políticos do período. “O Racing tem claro que ‘Nunca Mais’ é um símbolo intimamente ligado à vida”, escreveu no Twitter o atual o líder do certame argentino. “Por isso não esquece e por isso se incorpora à comemoração do Dia Nacional da Memória pela Verdade e Justiça”.

Em forte manifestação, o perfil do Racing disse ainda que o regime tinha um “plano genocida” e “sequestrou, torturou, assassinou e desapareceu com milhares de cidadãos e cidadãs. Além disso, desenvolveu um plano sistemático de apropriação de menores que tirou o direito à identidade de centenas de meninos e meninas”.

Independiente, Boca Juniors, River Plate e Estudiantes também se manifestaram. O fato é que os argentinos há tempos mostram que o futebol não pode se alienar de questões políticas relevantes. Desprezar a história é se arriscar a repetir erros históricos.

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Panamá empareda Tite e suas jovens apostas

O jogo foi horroroso. O Brasil fez 1 a 0 com o camisa 10 Paquetá e, minutos depois, cedeu o empate. Machado marcou para o Panamá. A partir daí, como era previsível, a Seleção aumentou a pressão, perdeu várias chances e acabou tendo que se conformar com o empate diante de uma seleção sem qualquer prestígio ou tradição.

Foi um resultado à altura do desempenho sofrível dos brasileiros. Sem inspiração maior no meio, as jogadas mais agudas surgiram de lances individuais com Richarlison e Coutinho. Amistosos desse naipe são perfeitamente dispensáveis, principalmente quando o calendário mostra que a Copa América está bem ali.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 25)

6.5

Por Edyr Augusto Proença

Meu amigo Marcos Quinam costuma dizer que “os de 24 são foda!”. Fazemos aniversário juntos. Durante a adolescência, tive vergonha de ter nascido nesse dia. Vocês sabem, é uma fase em que muitas mudanças acontecem, descobertas e o bullying é forte. Poxa, meu pai poderia ter adiado um dia, ao menos. Quem nasce dia 24 é viado, com certeza, a palavra assim escrita. Em muitos lugares, por minha própria conta, aumentava esse dia para 25, por exemplo. Esse número, por conta do Jogo do Bicho, até agora a perturbar as pessoas. Quando virei adulto, passei a ignorar. Até a dizer sem me perguntarem. Foda-se. Mas na adolescência, colégio somente para meninos, tudo era motivo para bullying. Qualquer gesto mais leve, uma palavra mal colocada e pronto.

Todos em momento de afirmação total e alguns, creio, certamente os mais incisivos, escondendo suas reais preferências. Meus filhos, na pré adolescência, certa vez, revoltados com um brinco que estava experimentando na orelha, aproveitaram um descuido e “chinaram” com o adorno. Hoje são cheios de brincos e tatoos. Meus poucos amigos gays são os melhores. Além do talento e caráter, são cheios de humor, ironia e inteligência para o pensamento veloz, com uma abrangência de conhecimento genial. Isso tudo, de menos.

E o que dizer de completar 65 anos? Já li dizerem “ah, eu nunca pensei chegar a essa idade”. Meus ídolos, Caetanos, Beatles, Stones, todos com dez anos acima. Meus discos preferidos comemoram 50 anos de lançados. Divido com os filhos calças, camisas, livros e música. Apesar de não ouvir nada interessante nos novos artistas, acabei de descobrir Royal Trux. Procurem. Leio sem parar e aguardo o lançamento de minha nova obra. É chato, mas mesmo no grupo de peladeiros acima de 50 anos, já sou veterano. As dores nos joelhos já me provocam uma dolorosa despedida dos campos. Não haverá público para a volta olímpica, nem programas de tv com melhores momentos. Apenas não irei jogar, com imensa tristeza. No mais a alegria de estar vivo e produtivo.

Uma vez, com Jocelyn Brasil, na época, mais de 90 anos, no carro, olhamos para uma menina bonita que passava. Ele me disse, apontando para a cabeça “aqui tem apenas 15 anos!”. Poderia dizer que os livros me deram o melhor, mas creio que foi o Teatro que me fez gente. Comecei tímido, nem ia aos ensaios. Foi com Cacá Carvalho que veio a reflexão sobre o que desejava dizer e mais inda, os processos de montagem, a harmonia de um coletivo, o exercício da humildade e a certeza de trabalhar para o bem comum. Já sou avô e aguardo mais um ou dois anos para “tomar” o neto de seus pais e sair por aí de mãos dadas, como um acordo íntimo, diria Fernando Pessoa, abrindo os caminhos, como meu avô Edgar fez comigo. Meu Deus, 65 anos, um ancião!

Meu pai se aborrecia quando lia em jornal “um ancião de 60 anos”. Eu também. Eu também. É chavão, sei, mas olho para mim, no espelho do banheiro. Não aquele todo em que passo o aparelho de barba, mas procuro dentro dos olhos, aquele moleque que corria da mãe em volta da mesa de jantar, fugindo de uma chinela certeira, nunca esquecendo de duas frases que me acompanham o tempo todo. Perguntei a meu pai, um dia, o que ele gostaria que eu fosse. Ele me disse que queria que eu fosse um homem bom. Só. E tudo o que isso representa. Quanto a mim, não importam prêmios, medalhas, cargos, nada disso importa. Serei sempre o kuí de farinha de minha mãe Celeste.

(Publicado em O Diário do Pará, Caderno TDB, Coluna Cesta e opiniaonaosediscute.blogspot.com em 22.03.19)