Técnico abre o jogo sobre o Remo e mostra preocupação

A pífia apresentação do Remo, ontem à noite em Santarém, especialmente no segundo tempo, não escapou à crítica do próprio técnico Márcio Fernandes, que fez sua estreia à frente da comissão técnica. Com metade dos jogadores literalmente se arrastando em campo, o jogo expôs uma situação inversa ao que os atletas haviam prometido nas entrevistas anteriores à partida com o Tapajós.

Fernandes considera a situação é alarmante. “É preocupante. O que eu vi me deixou realmente preocupado, porque aos 17 minutos já tinha feito três substituições, com mais quatro a fazer por questões físicas. Isso não pode acontecer em um time como o Remo, que é grande, que chega para ser campeão. Isso não pode acontecer”, admitiu.

Avaliou ainda que o Remo saiu no lucro com o empate. Sem poder contar com contratações imediatas, o novo técnico ainda mandou um recado direto ao torcedor. “No final, demos até sorte de não termos tomado o gol de cabeça. Vamos sentar e conversar pra dar uma melhorada, porque do jeito que tá é muito preocupante”, acrescentou Fernandes.

OAS pagou delatores para “ajustar” depoimentos contra Lula, diz ex-executivo

Por Fernanda Valente, no Conjur

Em reclamação trabalhista, um ex-executivo da OAS afirma que os executivos da empresa que fizeram delação premiada receberam R$ 6 milhões para “ajustar os depoimentos aos interesses” dela. Ele, que negociou sozinho com o Ministério Público, não recebeu dinheiro, diz ter sofrido represálias e ter sido “jogado à própria sorte”. A delação do dono da OAS, Leo Pinheiro, é uma das principais acusações contra o ex-presidente Lula nos processos da “lava jato”.

Na ação, Adriano Quadros de Andrade, ex-gerente administrativo da OAS, reclama de ter recebido tratamento discriminatório. Ele conta ter sido demitido sem receber o adicional de 40% de FGTS, nem qualquer amparo financeiro da empresa. O motivo, diz ele, é não ter entrado no pacote de diretores, cujas delações foram montadas de acordo com as diretrizes do “andar de cima” da empreiteira, conforme alega no processo. Como resultado, teve de pagar multa de R$ 150 mil, que foi reajustada para R$ 250 mil.

Testemunha de Andrade no processo, o ex-diretor da OAS Mateus Coutinho de Sá confirmou tudo o que foi alegado pelo ex-colega. Em seu depoimento, disse que todos os executivos que negociaram juntos suas delações receberam doações simuladas de R$ 6 milhões. Como a empresa entrou em recuperação judicial pouco tempo depois, alegou dificuldades financeiras e não honrou o compromisso: Coutinho disse só ter recebido metade do valor que foi prometido.

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Mateus Coutinho de Sá é um estudo de caso da “lava jato”. Foi condenado a 11 anos de prisão por Sergio Moro, que viu “prova robusta” da participação da OAS no esquema de corrupção envolvendo a Petrobras. Ficou nove meses preso, isolado, por não conhecer os demais envolvidos no esquema. Nesse meio tempo, ele perdeu o nascimento de uma filha e a mulher pediu divórcio. Dois anos depois de ser preso preventivamente, foi absolvidopelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Por falta de provas.

Direitos iguais
Na sentença trabalhista do processo de Adriano Quadros de Andrade, a juíza Solange Aparecida Gallo, da 31ª Vara do Trabalho de São Paulo, concordou só com uma parte das alegações do ex-gerante. Concedeu os 40% do FGTS, mas negou equiparação na parte da multa pela delação. “O fato de a testemunha ouvida ter recebido benefício em razão de sua delação premiada não gera direito ao autor de receber igual benefício”, escreveu na decisão.

Segundo a juíza, o próprio executivo reconheceu que o pagamento se deu porque a testemunha beneficiou a OAS em sua delação, “o que demonstra que a mesma continua a cometer crimes e omitir fatos à Justiça e que tal benefício também foi pago por ato ilegal cometido, o que não pode ter o aval do Judiciário”.

Para negar a indenização por danos morais, a juíza aponta que o executivo sabia da irregularidade dos atos e deveria ter se recusado ao cumprimento, mas pelos benefícios que recebia e do alto salário “preferiu acatar com ordens contrárias ao ordenamento jurídico, sendo, portanto, participe do ato ilegal”. “Não pode agora querer continuar se beneficiando da ilegalidade dos atos por ele cometidos e receber indenização por tal fato”, disse.

Clique aqui para ler a sentença.
Processo: 10009119020185020031

“Ideologia de gênero”? Só se for o machismo. E machismo mata

Por Alessandra Nilo, no Congresso em Foco

A cada ano, no Dia Internacional da Mulher, costuma-se lembrar das conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, como o direito ao trabalho e o direito de escolher suas representações políticas. Mais do que nunca, hoje precisamos lembrar que coisas que atualmente parecem naturais, de fato, foram conquistadas arduamente. Literalmente com sangue, suor e lágrimas, sob a liderança do movimento feminista. Levou tempo, mas finalmente, agora, todas as evidências mostram: sem igualdade de direitos entre homens e mulheres, jamais haverá uma sociedade justa e economicamente sustentável. Mas o falso debate, imposto por ideias atrasadas e conservadoras, de que falar em direitos das mulheres é um perigo para a sociedade, segue alimentado sob a expressão “ideologia de gênero”, que apenas reforça o machismo e a violência contra as mulheres e contra as pessoas LGBTI+.

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O uso pejorativo do termo tem embasado as falsas teorias – e as mentiras deslavadas – de grupos que resistem, por princípio, ao avanço de políticas públicas de promoção da diversidade sexual e igualdade de gênero. Ou seja, ao avanço de direitos mais estruturantes aos seres humanos: o direito de ser quem se é, e de ser respeitada como tal. No Brasil, o debate ganhou força a partir de 2014, nas discussões sobre o Plano Nacional de Educação e atingiu seu ápice nas eleições de 2018: a defesa da “família tradicional” pautou e definiu o pleito, passando a balizar as falas e ações do atual governo, explicitamente antagônico aos movimentos feminista e LGBT+.

Os resultados eleitorais de 2018 são apenas mais um indicador de quanto a sociedade brasileira é ainda machista e o quanto pouco se importa com a vida das mulheres. Portanto, se existe algo que possa ser chamado de “ideologia no campo de gênero”, a ideologia maléfica, daninha e que precisa ser erradicada é o machismo, que normatizou um conjunto de valores e crenças impregnadas há séculos nas sociedades, corações e mentes, de que os homens são “superiores” às mulheres. Machistas, portanto, independentemente de qual identidade de gênero ou orientação sexual tenha, são as pessoas que negam o preceito básico de que todos e todas são iguais em direitos e deveres.  Trata-se de uma cultura que, inevitavelmente, resulta em uma brutal carga de violência física, verbal e simbólica.

As evidências são acessíveis a quem quiser fazer um debate com base em dados cientificamente comprovados. A segunda edição do estudo “A vitimização de mulheres no Brasil”, divulgada recentemente pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que 16 milhões de brasileiras com 16 anos ou mais sofreram algum tipo de violência em 2018, ou seja, 12.864 mulheres foram agredidas a cada dia, a maioria delas, negras. E, de novo: 76,4% dos agressores eram conhecidos – namorados e ex-namorados, cônjuges e ex-cônjuges, companheiros e ex-companheiros, vizinhos, pais, amigos, irmãos. Que desenvolvimento esperar de um país cuja taxa de feminicídio é a quinta maior do mundo e em que 13 mulheres são assassinadas por dia? Sim, o machismo mata e não mata apenas mulheres. A população LGBT+ segue vítima da mesma “ideologia” que, em 2018, matou 420 pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transexuais no Brasil.

E, além da “ideologia machista” matar pessoas, ela também tem assassinado políticas públicas. A atual ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, por exemplo, nada entende sobre os temas da sua pasta e enquanto se preocupa porque a mulher tem estado “muito fora de casa” ou com o uso de cores, finge ignorar que a igualdade de gênero reforça a resiliência da economia, impulsiona o crescimento e, como prova o Objetivo 5 da Agenda 2030, é fundamental para o desenvolvimento. Ela “escolhe” ignorar os altos custos altos da desigualdades – o índice de desemprego no final de 2017 era de 13,4%, contra 10,5% entre os homens. Com o recorte de raça a situação das mulheres negras grita ainda mais: segundo o IBGE, o desemprego entre as mulheres negra passou de 9,2% em 2014 para 15,9% em 2017, enquanto entre as brancas, subiu de 6,2% em 2014 para 10,6% em 2017.

Dados do Banco Banco Mundial mostram que o custo da desigualdade, em 2017, em termos globais, chegou a US$ 160 trilhões. Portanto, a opção política que o governo do Brasil faz em continuar um país de “ideologia machista” é grave, muito grave, e precisa ser denunciada neste 8 de março.

Nós conseguimos participação maior no mercado de trabalho (mas ainda menor que os homens), no acesso à saúde (mas continuamos as principais cuidadoras), superamos os homens em anos de escolaridade e nas taxas de expectativa de vida (mais ganhamos menos). A nossa participação política é mínima e muda lentamente, mas chegamos lá. Somos ameaçadas, reprimidas ou mortas (lembrem de Marielle Franco!). A continuarem os retrocessos nas políticas públicas, incluindo na educação, os dados de violência de gênero se tornarão mais graves e, como consequência, a justiça social, a erradicacão da pobreza e o desenvolvimento nunca serão alcançados.

Por isso, a desigualdade de gênero não pode ser tratada com tanta irresponsabilidade pelo poder público e a ser alimentada como uma disputa de narrativas. Tampouco é um tema apenas para um único dia no ano. Esta é uma questão de vida e morte para nós, mulheres. O machismo mata. Mata as mulheres, as pessoas LGBTI e a todas as possibilidades de vermos o Brasil se desenvolver e evoluir, sustentavelmente, pelas vias da política.

Fundo da Lava Jato “tem cheiro de campanha eleitoral” em favor de Moro

Do Jornal GGN

“Não tem cheiro de campanha eleitoral? E com muita grana…”

Foi arrematando com estas palavras que o jornalista Tales Faria noticiou, nesta quinta (7), o temor entre bolsonaristas de que a turma de Deltan Dallagnol patrocine antecipadamente a candidatura de Sergio Moro à Presidência em 2022, implodindo o governo aos poucos.

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Faria colocou em xeque o possível uso do fundo bilionário que será constituído com dinheiro da Petrobras, em favor da Lava Jato, para impulsionar a candidatura de Moro.

A bola da falta de limites no emprego dos recursos desse polêmico fundo foi cantada aqui no GGN por Luis Nassif há 2 dias. Veja aqui.

A história, para quem pega o bonde andando, é a seguinte: numa cooperação internacional ainda nebulosa, a Lava Jato de Curitiba ajudou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos a formular uma denúncia contra a Petrobras com base nos depoimentos de delatores premiados. Para escapar de um processo em solo americano, a estatal brasileira, em 2018, sujeitou-se a um acordo de “não-acusação” com o DOJ e, em troca, desembolsou R$ 2,5 bilhões que, convenientemente, vão parar no fundo patrimonial idealizado pela turma de Deltan Dallagnol. Hoje mais cedo, o GGN mostrou que o acordo com o DOJ poderá colocar informações sigilosas de negócios da Petrobras nas mãos do governo americano.

Ao celebrar o anúncio do fundo, procuradores de Curitiba destacaram a criação de uma fundação a ser gerida pela “sociedade civil” e que irá administrar o caixa, definindo o destino dos recursos. Adiantaram que o foco é promover projetos de conscientização sobre o combate à corrupção e, de quebra, compensar os afetados, em termos de saúde, educação e segurança pública, pelos desdobramentos das investigações.

Não será nenhuma surpresa, portanto, se o fundo da Lava Jato patrocinar reformas ou construção de escolas e hospitais, por exemplo. Ensaio desse movimento (populista) já pode ser visto no braço fluminense da operação, que tem obtido do juiz Marcelo Bretas autorização para aplicar “recursos resgatados” em escolas públicas.

Na última coluna de Tales Faria no UOL, o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello já condena a participação do Ministério Público Federal na jogada que vai misturar dinheiro público proveniente da Petrobras e interesses privados.

Na noite desta quinta, o governador Flávio Dino sai em defesa da transferência dos recursos do fundo à União pela turma da Lava Jato, imediatamente. Dentro do governo Bolsonaro, segundo Faria, um grupo já foi destacado para convencer o presidente a abandonar a promessa de enviar ao Congresso uma proposta para acabar com a reeleição.

“Os bolsonaristas temem que a antecipação da campanha pró-Moro, comandada pelo procurador Deltan Dallagnol, possa afastar a turma de Curitiba do governo. Consideram que, de maneira explícita ou disfarçada, tiveram o apoio da equipe da Lava Jato na eleição presidencial. E acham que só com a possibilidade de reeleição de Bolsonaro o grupo não se divide.”

Trivial variado da fronteira do caos

“…É pernicioso fazendo surgir ‘super órgãos’, inviabilizando o controle fiscal financeiro. É a perda de parâmetros, é o descontrole, é a bagunça administrativa. É a Babel”. Marco Aurélio Mello, ministro do STF, sobre fundo criado pela Lava Jato

“Ao dizer que a democracia e liberdade só existem quando “as Forças Armadas assim o querem”,Bolsonaro ataca a Constituição Federal,submete a Democracia a uma “boa vontade” dos militares e desconsidera a soberania do povo brasileiro que tanto lutou pela Democracia!”. Erika Kokay

“Bolsonaro é um desastre anunciado que vai levar o país à maior tragédia já vista. A falta de dinheiro, o drama do emprego e a falta de serviços públicos já são percebidos em todos os lugares. E a política destes malucos só agravam a situação e aumenta o caos.” Florisvaldo Raimundo

“Executivos da OAS confessaram que foram pagos para incriminar Lula. A prisão é política Libertem Luiz Inácio Lula da Silva!”. Beta Bastos

“Sabe como os mágicos enganam a gente? Fazem todo mundo olhar para um lugar enquanto o truque está sendo feito em outro lugar. O tweet do Bozo, tudo do Bozo é pra isso. Olho no laranjal, no Queiroz, no campo, nos minérios… e no Guedes”. André Forastieri

“É o contrário: Se as Forças Armadas de um país não estão comprometidas com a democracia e a liberdade, seus generais devem ser afastados e presos pelo poder civil. Só em republiquetas os militares tutelam os regimes de governo. Democracia tutelada por mão militar não é democracia”. Wilson Gomes

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“Não são as Forças Armadas que definem os limites da democracia. É a democracia que define o papel e os limites das Forças Armadas.” Aloizio Mercadante

“O laudo do Exército que aposentou o Bolsonaro aos 33 anos foi de insuficiência mental. Como ele pode não servir ao Exército e pode servir pra ser presidente com essa insuficiência mental?”. Lucas Amorim

“Previdência Social não creditou nenhum valor dos aposentados e pensionistas que recebem no segundo dia do mês. Os outros governos há mais de 20 anos sempre foram pontuais. Será que esse será estilo novo de governar?”. Wagner Gomes

A escolha ideal

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Por Janio de Freitas, na Folha SP

O autor da cafajestada tuiteira que escandaliza as classes média e rica tem todo o direito de estar, ele sim, com o mais sincero e legítimo espanto. Tudo o que levou a fazê-lo presidente veio de iniciativas dessas classes. Não por acaso, as mais informadas sobre o tenentinho desordeiro, depois sobre o político estadual defensor da ditadura e das milícias, e logo o deputado federal que enriqueceu as características precedentes com duas demonstrações: a ignorância sem brechas e uma variedade insuperável de atos qualificáveis, desde sempre, como molecagens, cafajestices, falta de decoro e de educação, e daí para pior. Não cabe falar em deselegância, em falta de sensibilidade.

Foram três décadas de exibição, bem exposta ao país pela comunicação em geral, até que esse personagem anômalo se revelasse o ideal, político e de governante, das classes média e rica para o Brasil. O direitismo de Geraldo Alckmin e Henrique Meirelles foi desprezado como insignificância diante do “mito”.

O Jair Bolsonaro com título de presidente é o Jair Bolsonaro que todos, mesmo se dotados só de informações mínimas da política, puderam saber quem era, como era e do que se mostrava capaz. E quem, em 30 anos, não teve sequer esse resíduo de informação, na campanha recebeu do candidato uma síntese bastante fiel da sua sedução pela violência, pela morte alheia, pelas palavras e atos moldados no primarismo feroz.

Não há eleitor ingênuo nesse drama brasileiro, se não for tragédia. Não há, portanto, eleitor inocente nos que produziram a vitória nas urnas. Nem mesmo o grande contingente dos evangélicos. Do qual não se sabe se mais usou ou foi usado pela classe rica, na busca de um poder que só compartilham na aparência, enquanto afiam as lâminas.

Nas responsabilidades da classe média estão as dos militares, em particular a da oficialidade do Exército, ativa e reformada. É imaginável que seu pudor profissional, já com muitos hematomas, esteja agora envolto em sentimentos misturados que a perplexidade silencia. Aos olhos da paisanada, a formação do militar do Exército está sob muitas interrogações. Não só pela figura central, mas também pelo endosso que lhe foi dado e pela associação que, noticiou o “Estado de S. Paulo”, já conta com mais de uma centena de militares em postos do governo.

Aos militares do núcleo de poder há que reconhecer o respeito demonstrado por suas funções, na relação com os cidadãos. Nada de arroubos, nem de exibicionismo. Apesar de daí decorrer, também, o desconhecimento geral do que pensam esses militares, mesmo que só como definições de políticas públicas. E isso inquieta, porque é quase unânime a percepção do péssimo estado do país. E do que alguns ministros já começaram para piorá-lo.

Má conduta tuiteira tem a ver com o Ministério da Justiça, embora também com a área da comunicação. O cargo de ministro pode ser um prêmio, ou retribuição, mas isso não dispensa de deveres. O ex-juiz hoje é tão ministro quanto fugitivo: sempre fugindo de indagações a que não responde porque não disse, nem fez, o que as dispensaria, e era do seu dever.

Na casa de Sergio Moro, a vitória de Jair Bolsonaro teve comemoração, levada por sua mulher às redes sociais. Prova de identificação que elimina as hipóteses de encontro com o inesperado, por parte de quem renegou a toga para estar ao lado de quem hoje escandaliza. Moro leva a muitas afirmações de surpresa, entre seus admiradores, mas não pode se surpreender com “o mito”.

Jair Bolsonaro encerrou sua mensagem suja com este pedido: “Comentem e tirem suas conslusões” (sic). No que me cabe, pedido atendido.

Em ritmo de ressaca carnavalesca

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POR GERSON NOGUEIRA

A falta de gols traduziu bem o que foi o jogo Tapajós x Remo, ontem à noite, em Santarém. Sem dúvida, foi uma das piores partidas do campeonato. Com pouqussímas testemunhas nas arquibancadas do estádio Barbalhão (561 espectadores), os times exageraram na falta de criatividade, nos erros de passes e na ausência de jogadas mais trabalhadas.

O lance mais agudo aconteceu só aos 48 minutos do 2º tempo, quando uma bola cabeceada por Daivison bateu no travessão de Vinícius no último lance da noite. Apesar do fraco nível técnico, se um time merecia vencer era o Boto santareno, que teve mais iniciativa e disposição, embora pecando muito nas finalizações.

Walter Lima e Márcio Fernandes estrearam como técnicos de Tapajós e Remo, respectivamente, e devem ter constatado que há muito trabalho a ser feito para que os times venham a ter um desempenho razoável na competição.

O caso de Fernandes é mais complexo, pois os problemas se acumulam desde o período em que João Neto era o comandante e não há  tempo para arrumar a casa em pleno campeonato. Para complicar as coisas, os jogadores estão longe de satisfazer as expectativas da exigente torcida.

Ontem, algumas das velhas fragilidades do Remo ficaram expostas no embate com o Tapajós. A defesa continua sobrecarregada pela fragilidade do setor de meio-campo, área crítica da equipe.

Vacaria é o único a combater de fato, embora exagerando em muitos momentos. Diogo Sodré, seu parceiro de missão, está muito aquém das necessidades da equipe. Erra passes em demasia, não consegue conectar meio com ataque e chuta muito mal.

Etcheverría ainda se movimentou razoavelmente no 1º tempo, mandou duas bolas perigosas em direção ao gol do Tapajós, mas na etapa final foi deslocado para a lateral esquerda, onde sumiu porque não tem fôlego para correr pelos lados e executar marcação forte.

Mesmo após uma semana de treinos, o Remo se mostrou travado e com jogadores manifestando cansaço ao longo do 2º tempo, depois da correria imposta pelo Tapajós na primeira etapa.

O ex-azulino Sílvio foi a principal alternativa ofensiva do Boto, forçando passagem pela esquerda, em cima de Djalma.Foi dele o primeiro arremate mais perigoso ao gol remista, obrigando Vinícius a uma boa defesa, aos 26’. Após a contusão grave de Amaral, o jogo parou por dez minutos e esfriou um pouco o ímpeto dos donos da casa.

Depois do intervalo, Fernandes manteve o sistema de três atacantes, trocando apenas Alex Sandro pelo velocista Henrique. Com mais rapidez nos avanços, o Remo criou sua melhor situação logo aos 2’ com Etcheverría cobrando falta e quase abrindo o placar. O goleiro Jader desviou com a ponta dos dedos.

Mas os bons momentos azulinos ficaram por aí. O Tapajós voltou a pressionar e Sílvio teve nova participação aguda, batendo forte de fora da área, aos 8’. Sem criação no meio, Fernandes fez o que Netão costumava fazer: substituiu peças que nada rendiam por jogadores que pouco acrescentaram.

Saíram Emerson Carioca e Tiago Félix e entraram David Batista e Dedeco. Com isso, Echeverría foi ocupar a lateral-esquerda, enfraquecendo ainda mais as ações no meio. O Tapajós foi mais feliz nas mexidas. Waltinho trocou Mariano por Daivison, acrescentando força às manobras do ataque.

Aos 21’, veio o lance que podia ter mudado a história da partida. Sílvio foi puxado dentro da área por Djalma, mas a arbitragem considerou o lance normal. O jogo se arrastou sem grandes mudanças, embora o Tapajós fosse mais agressivo até os acréscimos, quase marcando o gol no cabeceio de Daivison.

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Leão insiste em improvisos que não funcionam

Caso não busque reforços para dar suporte ao esquema de jogo desenhado por Márcio Fernandes, o Remo continuará com o pífio desempenho que já era marca da equipe nos tempos de Netão. Na apresentação de ontem, o novo treinador repetiu até os equívocos mais repetidos pelo antecessor.

Djalma pode ser mais útil atuando no meio, onde Diogo Sodré parece absoluto e imexível. Etcheverría precisa de ritmo e continuidade no setor de criação. É o mais habilidoso jogador que o Remo tem na meia-cancha, não pode ser improvisado na faixa lateral esquerda.

No ataque, outra insistência que Fernandes deveria repensar. Sem transição qualificada, não adianta escalar um trio de ataque. É uma escalação enganosamente ofensiva, pois os três atacantes ficam desassistidos e isolados na maior parte do tempo.

Emerson Carioca e Mário Sérgio têm dificuldades sérias de movimentação, pouco agredindo as defesas adversárias. Alex Sandro volta mais e rende melhor, mas é o menos acionado. Pelo visto ontem, ficou claro que Netão, Fernandes ou qualquer outro técnico terá imensas dificuldades em fazer o time produzir mais com os atuais jogadores.

Como se suspeitava, desde o princípio, o problema maior está nas escolhas.

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Presentes de cametaense para baionense

Grato pela lembrança, registro aqui os presentes carinhosos do amigo escritor Salomão Larêdo pela passagem de meu aniversário. Quase meu conterrâneo de Baixo Tocantins, Salomão me presenteou com suas mais recentes obras: a novela “Cabaré dos Bandidos (Guamares)” e o romance “Olho de Boto”, da Editora Empíreo.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 08)