Empresas de Carlos Lima e Rosangela Moro-Zucolotto surgiram pouco antes do acordão de R$ 2,5 bilhões na Lava Jato

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Do Jornal GGN

Um dos agentes mais combativos e midiáticos da Lava Jato, Carlos Fernando dos Santos Lima está oficialmente aposentado do Ministério Público Federal desde a última segunda-feira (18). Mas seu afastamento da operação ocorreu antes, em 14 de setembro de 2018. Duas semanas depois, em 27 de setembro de 2018, a Petrobras assinou nos Estados Unidos um acordo de “não-acusação” com o Departamento de Justiça (DOJ) americano que resultou no pagamento de uma multa de R$ 2,5 bilhões em solo brasileiro.

Mesmo sob uma enxurrada de críticas, hoje os procuradores de Curitiba travam uma batalha pelo controle de metade desse dinheiro, R$ 1,25 bilhão. A pretensão da equipe de Deltan Dallagnol é injetar esses recursos num fundo patrimonial administrado por uma ONG ou fundação privada sob a influência da Lava Jato.

Se tudo sair conforme o planejamento da “República de Curitiba”, a instituição poderá contratar escritórios de advocacia como o que será inaugurado por Santos Lima. Em entrevista ao Estadão, ele prometeu só não advogar contra o MPF e em ações ligadas à Lava Jato. No ramo de compliance, pretende vender seu know how em forma de palestras e cursos.

Quem também investiu numa empresa de palestras, em sociedade com Carlos Zucolotto e outros advogados, foi a esposa do ex-juiz Sergio Moro, Rosangela Moro.

A HZM2 Cursos e Palestras foi revelada pela Agência Pública em julho de 2018 – cerca de dois meses antes do acordo EUA-Petrobras.

Por ter sido afastado da Lava Jato em 14 de setembro de 2018, o nome de Carlos Lima não aparece no acordo assinado entre Petrobras e MPF, em Curitiba, em janeiro de 2019.

Foi neste acordo de janeiro de 2019 – um desdobramento do termo assinado entre Petrobras-EUA, em 2018 – que a estatal se submeteu ao pagamento de R$ 2,5 bilhões numa conta bancária vinculada à 13ª Vara Federal em Curitiba. Também concordou que metade do dinheiro iria para o fundo da Lava Jato e a outra fatia, para indenização de acionistas brasileiros.

A validade do acordo é questionada pela Procuradoria-Geral da República no Supremo Tribunal Federal, que congelou o dinheiro.

Isto porque, no contrato original entre Petrobras e EUA, consta que o pagamento da multa deveria se dar em benefício das “autoridades brasileiras”, não da força-tarefa do MPF em Curitiba, que escanteou qualquer órgão ligado ao Executivo nas negociações.

Cartola cita “folclore” para justificar atos racistas contra atacante brasileiro

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O presidente do Blooming, Juan Jordán, falou em entrevista coletiva sobre as ofensas racistas de torcedores do clube ao brasileiro Serginho, do Jorge Wilstermann, no jogo entre as equipes no último fim de semana pelo Campeonato Boliviano. O dirigente minimizou a atitude dos aficionados e atribuiu o fato ao “folclore do futebol”.

“Que não se perca o folclore do futebol. Vocês, amigos da imprensa, estão todos os dias no futebol com os jogadores. Quem não tem apelido, não tem identidade. E não é só com os jogadores, acontece com todos nós, os “cruceños” (de Santa Cruz de La Sierra) e os “não cruceños” que vivemos aqui: “Mono” (macaco, em espanhol) Galarza, Pulga Aguirre, Flecha Vaca, etc.”, completou.

Aos 40 minutos do segundo tempo, o atacante Serginho (ex-Linense, Mogi Mirim, Portuguesa e XV de Piracicaba, entre outros clubes) deixou o gramado reclamando de ofensas racistas vindas da torcida do Blooming.

O presidente do Blooming, porém, contra-atacou, entrando com ações pedindo a suspensão de Serginho e do Jorge Wilstermann por abandono de jogo. Ele quer que Serginho seja suspenso por um ano. “Queremos esclarecer à família Bluminista que uma denúncia foi feita ao Tribunal de Justiça Desportiva contra o jogador Sergio Enrique Francisco (Serginho), com base no artigo 74 do Código de Disciplina da Federação Boliviana de Futebol. Este artigo fala sobre ofensas ao público. Pedimos a suspensão de um ano para o jogador “, disse.

“Outra queixa também foi apresentada perante o mesmo tribunal contra o corpo técnico do clube Wilstermann, com base no artigo 57, que fala sobre abandono do campo, também apresentando provas”, acrescentou Jordán.

O tema gerou grande repercussão no país, com manifestações de repúdio até do presidente da Bolívia, Evo Morales. Juan Jordán, porém, disse que o Blooming é contrário a qualquer episódio de racismo e não quer que o clube seja tratado como bode expiatório. “O Blooming está completamente em desacordo e repudia qualquer fato de discriminação e racismo, o que está acontecendo em todos os campos do país”, disse.

Nas redes sociais, o camisa 10 ganhou o apoio de sua equipe. “Todo meu apoio para Serginho, que deixou o campo diante dos insultos racistas de uma importante parte da torcida do Blooming. Que a lei atue com contundência para que isso não volte a acontecer”, escreveu o técnico do time, o espanhol Miguel Ángel Portugal, em sua conta no Twitter.

No Facebook, o Jorge Wilstermann também mostrou seu repúdio às manifestações da torcida do Blooming contra Serginho. “O futebol não pode se manchar por atos racistas. Estes feitos não podem ficar impunes. De uma vez por todas, isso tem que parar”, publicou a equipe em sua página oficial no Facebook.

Até mesmo o presidente da Bolívia, Evo Morales, se solidarizou com o atleta. “Nossa solidariedade a Serginho, jogador do Wilstermann, que abandonou ontem o campo, em protesto, após receber insultos racistas da parte de maus torcedores. O futebol é um esporte que une os povos; não devemos permitir que se manche com estes atos discriminatórios”, publicou o chefe de estado no Twitter. (Do UOL)

Trivial variado da escalada militarista

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“Parem de criticar o Bolsonaro! Não é fácil ser presidente do Brasil e presidente do fã clube do Trump ao mesmo tempo!”. José Simão

“O projeto de reforma dos militares que interessa é acabar com as Forças Armadas. Não trabalham, não produzem, não nos protegem. Só vagabundeiam e conspiram. Dinheiro jogado fora desde sempre.” André Forastieri

“Tem um papo de vidente rondando as redes de que JB está perto do fim. O tal vidente só não sabe se o presida se afasta por problema de saúde, pressão popular, por conta dos ‘inimigos ocultos’ ou todas as alternativas. Alguém arrisca uma tese?”. Márcia Guedes

“Se governo pretende economizar 1 tri em 10 anos com reforma da Previdência, sacrifício dos militares equivale a 1%. É injusto com conjunto da sociedade. Contradiz discurso de combate a privilégios. Ajuda lobby de altos funcionários públicos a bater na reforma. Sobrará pro INSS”. Kennedy Alencar

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“O PIG pregou a disseminação do ódio com arma política, com isso surgiu esta versão piorada do que há de pior na política, esta mala sem alça, baba-ovos do Trump. Bolsonaro usou a democracia para asfixiá-la. É um efeito perverso do jogo democrático. Ele é a ignorância que perdeu a vergonha”. Estevam Sampaio

“Bolsonaro se vendeu como militar nacionalista, defensor dos setores médios e alguém fora da política. Em 3 meses de governo mostrou quem é: um político entreguista, defensor dos ricos e atolado em denúncias de picaretagem até o pescoço. Resultado: o apoio ao seu governo derreteu”. Márcio Tavares

“Tivemos uma eleição vencida com ajuda de fake news, temos há meses linchamento virtual de jornalistas e artistas críticos ao Bolsonaro, mas só agora que tem gente atacando o Supremo eh que a Justiça resolveu se mexer de verdade”. Guga Noblat

“A visita de Bolsonaro aos EUA foi vergonhosa, um fiasco… Só a imprensa brasileira não vê isso!”. Helder Salomão

Governo Bolsonaro perde um terço de apoio em 60 dias, diz Ibope

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Jair Bolsonaro perdeu três de cada dez apoiadores do seu governo em apenas dois meses. A proporção de quem considera sua administração boa ou ótima caiu de 49% em janeiro para 39% em fevereiro e chegou a 34% em março, segundo o Ibope.

O presidente perdeu 15 pontos percentuais em 60 dias.

Seu saldo ainda é positivo porque apenas 24% dizem que o governo é ruim ou péssimo. Outros 34% consideram que é regular, e 8% não souberam avaliar.

Em comparação com outros presidentes eleitos, porém, o começo da passagem de Bolsonaro pelo Palácio do Planalto é o pior já registrado.

Nos seus primeiros mandatos, segundo o jornalista José Roberto Toledo, Dilma, Lula, Fernando Henrique e Collor sustentaram taxas mais altas do que os 34% de Bolsonaro nos meses iniciais. A popularidade deles só ficou abaixo desse patamar nos segundos mandatos de FHC e Dilma, quando os presidentes já acumulavam mais de quatro anos de desgastes.

“Estamos em uma guerra ideológica para matar pobre”, denuncia policial militar

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Por Martel Alexandre Del Corlle, no Justificando

Eu voltei para a polícia militar em 2016. O motivo e as circunstâncias são longos demais para se narrar aqui. Depois de todas as experiências que eu havia passado dentro da polícia eu havia voltado mais forte e determinado a fazer o que era certo. Fui colocado em um batalhão que cuidava da região metropolitana de Curitiba. Fiquei empolgado. Eu adoro ser policial, cuidar da sociedade, ajudar a fazer deste país um local mais justo. Certas partes de mim parecem terem sido feitas para isso. Eu fico calmo nas ocorrências de vulto, eu gero soluções rápidas e nunca tive uma ocorrência na qual se possa dizer que o procedimento adotado foi errado.

Chegando ao batalhão, eu assumi uma companhia. Algo novo para mim. Estaria no comando de muitos policiais. Considerei uma grande oportunidade. Comecei a realizar algumas mudanças: treinamento para todos os policiais, banco de horas, mudança na forma da escala. Havia conversado com um professor de jiu-jítsu e uma academia de musculação que ficava a poucos metros da companhia para que os policiais pudessem treinar no local com um preço diferente devido ao número de possíveis inscritos.

Isso durou menos de um mês. Fui enviado para a escala de coordenação de policiamento. Fiquei um pouco chateado, mas sem problemas. Policial militar é policial em qualquer lugar e função. Na função de coordenador percebi vários defeitos. Sempre fui assim, eu encontro as falhas com facilidade. A parte boa é que eu também encontro as soluções. Comecei a dizer alguns problemas que eu encontrava para a execução de um bom serviço aos meus chefes, juntamente com uma proposta para solucionar a demanda. Fui ouvido em partes e outras foram ignoradas. Quanto a alguns problemas eu sequer poderia tocar no assunto. Eram pesados demais e eu poderia sofrer represálias.

O tempo que fiquei na unidade, estagnado, vendo muitas coisas erradas, começou a me estressar. E quando eu digo “coisas erradas” não estou dizendo que eles não faziam meus gostos. Estou me referindo a distribuição de efetivo pela malha feita de maneira irresponsável, o que no final gera mortes e assaltos; refiro-me ao uso político das forças de segurança, realizando operações que aparecem muito, mas que não solucionam nada; refiro-me a vistas grossas para a corrupção policial, condenando os policiais novatos a experiências terríveis dentro da viatura; refiro-me a vistas grossas para execuções e torturas; refiro-me a métodos de fiscalização obsoletos e ineficientes; dentre outras coisas. Todos problemas sérios, que condenam vidas e que são de fácil solução. Tão fácil que eu apresentei uma solução para praticamente todos.

Meu estresse e desapontamento chegou a tal ponto que eu fui até a diretoria de pessoal da polícia e fiz uma proposta ao chefe: gostaria de ajuda para ir para outra unidade, caso isso não fosse possível, eu queria ajuda para solicitar minha saída da polícia. Eu não esperava nenhuma ajuda, estava certo que aquele seria meu último dia na polícia, mas eu me enganei. O oficial que me recebeu me ouviu. Contei todas as minhas frustrações para ele e ele entendeu. Resolveu então me mandar para um batalhão que fosse mais apegado a técnica e ao estudo. Enviou-me para uma unidade de policiamento escolar. Confesso que as circunstâncias da transferência me deixaram animado. Sempre sonhei com uma unidade policial voltada para a técnica, para o estudo e para o resultado de maneira humanizada.

Cheguei na nova unidade e fui bem recebido. Todos diziam que a unidade funcionava como uma grande família, onde todos se ajudavam e que sugestões eram sempre bem-vindas. Parecia um sonho se tornando real. Eu nunca havia trabalhado com policiamento em escolas, ou com prevenção de uso de drogas para adolescentes, etc. Fui até uma livraria e comprei uns dez livros sobre pedagogia, formas de se comunicar com crianças e adolescentes e como falar sobre drogas para adolescentes. Também pesquisei como as policias de outros países tratavam o policiamento para menores, e fui investigar sobre o programa DARE que é a base do PROERD que é aplicado aqui no Brasil.

Eu tinha medo de não chegar ao nível dos oficiais que ali estavam. Alguns estavam na unidade a mais de 10 anos, e eu só conseguia pensar que teria de ralar muito para chegar perto do conhecimento deles sobre policiamento para adolescentes. Acho que esse foi meu primeiro engano. Percebi que o conhecimento de parte do oficialato era baixíssimo, inadmissível para um batalhão especializado. Havia uma mistura grotesca de religião e orientações policiais. Quase tudo na unidade acabava com referências religiosas. Chegando ao absurdo de ocorrer uma pregação no meio de solenidades militares e escalas para comparecimento em igrejas. E aí começa a minha queda.

Eu decidi dizer o que considerava certo e não aceitar absurdos. A minha primeira porrada contra o sistema foi me negar a ir em um culto numa igreja católica para o qual eu estava escalado. Não fui porque o estado é laico, independentemente da minha religião. Não me doeria nada ir para o culto, mas eu sei que alguns policiais se ofenderiam. E eu não entrei na polícia para me defender, entrei para defender os outros, inclusive meus policiais. Eu disse a todos os meus policiais que nenhum deles era obrigado a ir e que poderiam dizer que eu passei tal informação. Muitos foram e disseram que temeram represálias contra mim.

Durante os meus estudos sobre o PROERD eu descobri dados nada positivos sobre o programa. Não há evidências científicas da eficácia do programa. Os estudos feitos sobre o programa americano mostram que ele é ou ineficiente ou contraproducente (adolescentes que passaram pelo programa usaram mais drogas na vida adulta do que os que não passaram). Além disso o PROERD era aplicado em escolas particulares enquanto escolas públicas ficavam sem o serviço; o treinamento era disperso e fraco, nos locais em que havia treinamento; o programa era engessado e pouco atualizado, agindo como um vetor de ideias conservadoras e não científicas; e estava também impregnado de religião.

Conheci vários instrutores do PROERD e posso dizer que a maioria tinha boas intenções e fazia o seu máximo. O erro estava na chefia que atuava voltada para si e não para a vida das crianças e adolescentes. Todos os erros que eu apontava eram para que crianças e adolescentes tivessem mais chances de uma vida feliz, e eu não percebia a mesma vontade por parte dos meus chefes. Peguei todos os dados científicos sobre o programa e levei para os meus chefes. A resposta deles foi: O PROERD NUNCA VAI ACABAR, POIS É UM PROGRAMA DE DEUS.

E eu disse, em algum momento, que queria acabar com o programa? Eu queria melhorá-lo! Eles me devolveram os papéis com as pesquisas impressas e eu fui embora.

Fiz um vídeo falando sobre esses pontos. A ideia era ensinar policiais por outras vias. Gravava vídeos sobre abordagem, prevenção, violência, etc. Vários policiais acompanhavam e eu me sentia satisfeito em lutar por um mundo melhor. O vídeo que fiz sobre o PROERD chegou até meus chefes. Eles criticaram o vídeo e disseram que se eu via problemas na unidade eu deveria tratar o problema apenas internamente, já que a polícia era uma “instituição TOTAL” (eu recomendo que você busque o significado deste termo). Eu os lembrei de que eu havia trazido o problema do PROERD. Eles então me convidaram a sair da unidade, e eu disse que faria o que fosse melhor para a segurança pública. Eles disseram que eu ficaria na unidade e que teria um canal direto com eles para apresentar propostas e demandas. Eu fiquei satisfeito. O vídeo havia causado algum efeito.

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Diante da proposta de trazer todos os problemas da unidade ao comando da unidade, eu reuni meus policiais e pedi para que eles escrevessem os maiores problemas que eles encontravam na unidade e quais seriam as soluções que eles visualizavam. Compilei todos esses dados e somei as minhas análises e conclusões. Fiz um documento e enviei ao comando. Não tive nenhuma resposta. A única coisa que eu consegui foi criar uma situação muito estranha da unidade contra mim. Começando por algumas tentativas de punições absurdas, tais como: chegar atrasado em uma operação na qual eu não estava escalado; estacionar o veículo na vaga, porém da maneira errada. Nenhuma dessas prosperou, até que encontraram uma solução: transferência. Mandaram-me para outra cidade.

A cidade não era distante, mas ser transferido sabendo que isso está sendo feito para te prejudicar, mais as incontáveis vezes em que oficiais e praças da unidade vieram me consolar dizendo que a perseguição estava descarada e ridícula, deixou-me debilitado. Tudo isso reativou a minha depressão, que até aquele momento estava controlada. Eu não quis dar o braço a torcer. Minha mãe, percebendo que eu estava muito mal, marcou um psiquiatra. Eu fui e comecei a tomar medicamentos para me manter bem. Fui para meu novo local de trabalho e fiz o meu melhor, apesar da depressão. Comecei a ter muito sono, mas fiz de tudo para não demonstrar minha fraqueza e seguir com o meu trabalho, mesmo recebendo tantas porradas. O conceito de cristão e de família daquela unidade é muito estranho. A minha família apoia e o meu Jesus ama.

No novo local, ouvi os policiais para saber como otimizar o serviço. Defini instruções semanais, assim como fazia em Curitiba. Preparei um novo sistema e conscientizei os policiais sobre diversos temas necessários para o trabalho em escolas: respeito à dignidade da criança e adolescentes; pactos internacionais; prevenção ao uso de drogas; motivos que levam pessoas às drogas; prevenção da violência; inclusão da polícia militar como órgão de maior importância na rede de proteção; homossexualidade e transexualidade.

Tudo ia muito bem, apesar da perseguição. Apesar de oficiais irem até minha unidade para me informar que eles estavam sendo escalados para me fiscalizar. Foi lá que escrevi um texto sobre por que a ideologia do Bolsonaro seria uma péssima escolha para os policiais e para a segurança pública. Não demorou para que eu fosse novamente transferido. Isso acabou comigo. A minha depressão estava muito difícil de controlar e com essa troca de locais ficou impossível.

Eu pedi ajuda em vários setores da polícia e praticamente todos responderam que sabiam que eu estava sendo punido com uma transferência, mas que não podiam fazer nada, pois o sistema era assim mesmo. Eu não conseguia mais trabalhar e fui até a diretoria de pessoal pedir ajuda, a resposta foi praticamente a mesma. Meu psiquiatra fez um documento dizendo que essas transferências eram muito ruins para mim e, enquanto eu estava aguardando a resposta da polícia militar, foi aberto um procedimento contra mim por deserção. Recebi ajuda de muitas pessoas nesse período, mas eu não tinha forças para lutar. Advogados me orientaram diversas vezes e isso evitou que eu fosse preso como desertor.

Fui até meu local de trabalho, mas já estava impossível para mim. Eu não tinha mais vontade de ser policial, não tinha energia, nem força. Conheci bons oficiais neste novo local, mas eu estava doente demais para trabalhar como deveria. Graças aos policiais dessa unidade e da que eu estava antes eu não sai da polícia.

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A partir desse momento, qualquer pequeno incidente parecia algo grave demais para mim. Foi nesses dias que eu discuti com uma amiga que era muito importante para mim. Sem esperança de mudar algo no trabalho, sem esperanças de ser bom para quem era bom para mim, eu decidi tirar minha própria vida.

Sai de casa com essa intenção e avisei alguns amigos antes de desligar o telefone. Falei com o ilustrador de um livro meu e depois encontrei meu primo. Tentei sair de perto dele para poder realizar o que havia planejado, mas ele não deixou. Minha família me encontrou num momento onde eu só sentia dor. Eu vi meu pai voltar a respirar, praticamente, quando ele me encontrou com vida.

Fui para o hospital da polícia e de lá fui para um internamento que durou 40 dias. Se eu tinha alguma dúvida de que a minha luta estava certa, ela acabou dentro do hospital. Lá encontrei muitos policiais emocionalmente destruídos por terem sido o policial ideal. Alguns contavam dos batismos que, basicamente, são execuções que eles tiveram de realizar como forma de teste quando eram novos na polícia. Segundo eles, era necessário ir até uma favela e matar alguém para mostrar que eles seriam policiais de coragem. Outros policiais estavam com a família destruída. De tanto fazerem coisas de que se arrependem e voltarem para casa sem poder contar nada.

Eu sai da estatística de policial que comete suicídio, mas muitos se foram por causa desse sistema. E nós, policiais, somos todos culpados. Uns são culpados por fazer o mal ativamente. E outros são culpados pela omissão, por saberem que tudo isso acontece e não fazerem nada. Aí fica parecendo que eu sou um maluco.

Conheci um tenente do qual gostei muito. Achei ele bem parecido comigo. Ele era empolgado, inteligente, queria solucionar os problemas de segurança pública do local. Mas eu fiquei muito triste quando ouvi da boca dele que certos pelotões da polícia têm de trabalhar diferente, ou seja, tem de executar e torturar.

E a história segue. Bastam cinco minutos com um policial para ele contar sobre algum abuso de autoridade, sobre alguma execução que ele presenciou ou ouviu falar, sobre uma seção de tortura.

E todos acreditam estar fazendo o bem. Eu não duvido deles, pois eu também já acreditei. Somos treinados com o mantra BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO, mas eu nunca vi um policial sair para executar um deputado bandido, um juiz que vende sentença, um senador que é chefe de tráfico. E eu não espero que saiam. O que eu quero demonstrar é que você, policial, está sendo enganado. Você está numa guerra ideológica para matar pobre. Não é bandido bom é bandido morto, mas sim, pobre bom é pobre morto. Você está sendo manipulado.

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Fizeram você acreditar que o crime mais hediondo do país é o tráfico de drogas, enquanto a gente trata com menos cuidado do homicídio, do estupro, do roubo, da corrupção. Fizeram você acreditar que o seu serviço é dar solução a ocorrência, e que se houver reincidência a culpa é sua. Fizeram você acreditar que quem comete um erro nunca vai melhorar, mas você se esquece que ser policial é aprender na prática que todo o mundo erra, e que todo o mundo merece uma segunda chance. Onde você estaria sem uma segunda chance? Quem você seria se não fossem perdoados nenhum dos seus erros?

A manipulação não é à toa. Enquanto você mata e se mata, enquanto você corre atrás de traficante como se alguém fosse obrigado a usar drogas, os grandes crimes continuam acontecendo e a gente não tem efetivo para prevenir ou para investigar, já que nossa capacidade está toda na droga.

Você está sendo manipulado, usado. Para essa galera, a sua vida não vale nada. É por isso que eles querem que você suba morro para matar traficante, pois o que vale é o show, a sensação do caos. A sua vida é insignificante. Tão insignificante quanto a do traficante. Se sua vida fosse importante para o Bolsonaro e cia, eles lhe dariam proteção e diminuiriam a incidência de crimes, mas eles só querem um palco para dizer que estão certos e um holofote para desviar o foco dos problemas de sempre.

Nós, policiais, somos muito mais culpados pela situação em que o Brasil está do que você imagina. Nós ajudamos na mentira, nós servimos de distração, e nós rompemos o nosso juramento de fazer o certo, mesmo que isto custe as nossas vidas.

Fazer o certo quase custou a minha vida. Fazer o certo custou o contato com pessoas muito importantes para mim.

Eu ainda não vejo muito motivo para viver. Parece que tudo o que fiz foi inútil, em vão. Não sei se consigo vestir uma farda novamente. Mas eu sigo procurando uma resposta. Talvez o mais importante é que mesmo na dor eu tentei ser eu mesmo.

(*) Martel Alexandre del Colle tem 28 anos e é policial há 10 anos. É aspirante a oficial da Polícia Militar do Paraná.

Zagueiro é apresentado e pode estrear no Re-Pa

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Contratado no final de fevereiro, o zagueiro Marcão foi apresentado oficialmente nesta segunda-feira (18) como reforço azulino para a temporada. Na entrevista, prometeu se empenhar ao máximo para cair logo nas graças da exigente torcida remista. Como metas, afirmou que pretende “ser campeão (paraense) e ter o acesso à Série B”.

Marcão tem 23 anos, é natural do Rio de Janeiro (RJ) e estava atuando no Marítimo (Portugal), onde disputou 13 jogos. “Minha última partida foi no final de janeiro. Estou bem fisicamente, há 2 anos venho trabalhando direto, sem férias”, garantiu.

Marcão está à disposição do técnico Márcio Fernandes para o clássico contra o Paissandu, no próximo domingo (24/03), no Mangueirão. A partida pode sacramentar a classificação azulina antecipada às semifinais do campeonato.

Último jogador contratado pelo Leão, Marcão utilizará a camisa com a numeração 44 às costas. “Acrescentei mais um 4, pois já tinha um jogador usando o número”.

Bolsonaro retorna dos EUA com missão cumprida: desmoralizar o Brasil

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Por Carlos Fernandes, no DCM

Na sua primeira viagem internacional de caráter bilateral, o presidente Jair Bolsonaro conseguiu uma façanha digna apenas de uma seleta lavra de entreguistas. O que FHC demorou oito anos para deixar claro ao governo dos Estados Unidos, o mito não precisou mais do que três dias. E com efeitos consideravelmente mais efusivos e inquestionáveis.

Fruto de uma submissão patológica, o presidente brasileiro levou em sua bagagem a título de oferta, o objeto de décadas de exigências norte-americanas negadas cautelosamente pelo governo brasileiro em função da devida defesa de nossa soberania nacional.

A entrega de bandeja da base de Alcântara localizada em posição estratégica planetária para o lançamento de foguetes de uso comercial e militar representou a oferenda principal do servo sul-americano aos deuses do capitalismo.

A isenção de vistos de entrada para cidadãos norte-americanos, bem como a canadenses, japoneses e australianos sem contrapartida desses países, serviu como ornamentação de fundo para a nossa agora oficializada situação de Estado servil.

E nesse particular é curioso notar a pronta reação dos norte-americanos frente a tamanha deferência tratada por eles como de significância nada mais do que pueril.

Uma vez recebida do governo brasileiro a facilitação de entrada de seus cidadãos, o “agradecimento” do Estado norte-americano veio em forma de um comunicado oficial a seus viajantes para que “exerçam cautela aumentada no Brasil devido ao crime”.

O descaso é jocoso, embora solene.

Nada mais parecia possível em matéria de vergonha diplomática quando em determinado momento em que ambos os presidentes davam a tradicional entrevista nos jardins da Casa Branca, Bolsonaro resolve assumir de vez o seu papel de mera vedete de Donald Trump.

Perguntado sobre como o Brasil iria proceder caso um candidato democrata ganhasse as próximas eleições nos Estados Unidos, o fantoche tupiniquim que jura ainda estar em campanha no Brasil, despiu-se da sua já puída fantasia de presidente e encampou de vez o cabo eleitoral do chefe.

Os pilares das tradicionais relações diplomáticas entre nações estremeceram quando o presidente brasileiro afirmou categoricamente não ter dúvida que o povo americano voltaria a eleger Trump e todo o atraso que ele represente.

Não se tem notícias na história republicana dos Estados Unidos que um chefe de Estado seja lá de qual país tenha declarado apoio formal e incondicional a um candidato específico em suas eleições domésticas.

O princípio basilar que um Estado livre e democrática não dialoga com indivíduos, mas com outro Estado da mesma forma livre e democrático, foi jogado às favas somente para que não se restassem dúvidas quanto a subserviência de um político medíocre a outro.

Ultrapassados todos os limites da decência internacional nos eventos oficiais, ainda deu tempo para a trupe brasileira escarnecer o bom senso ao oferecer um jantar de gala na embaixada brasileira para gente com Olavo de Carvalho e Steve Bannon.

A cena de Bolsonaro sendo ladeado pelos dois à esquerda e à direita talvez só não representou com mais exatidão o desprezo que esse homem tem pelo Brasil e pelo seu povo do que a didática entrevista em que declarou que a maioria dos imigrantes não possuem boas intenções.

Para todos os brasileiros que vivem nos Estados Unidos e em mais uma infinidade de países e que deram a ele uma esmagadora vitória no exterior, é a adequada resposta a quem abandona a sua nação, não fisicamente, mas sim, patrioticamente.

Jair Bolsonaro é hoje, seguramente, o homem no mundo que mais atenta contra seu próprio país. Nada mais natural, portanto, que humilhe brasileiros e exalte norte-americanos.

Sobretudo os que pegam em armas, naturalmente.