A cada dia de governo mais cresce imagem de Lula na memória do povo

Por Ricardo Kotscho

“Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta” (Albert Einstein).

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O espantoso aparato militar montado pela República de Curitiba para acompanhar Lula no velório do neto Arthur, mobilizando centenas de agentes fortemente armados e viaturas blindadas, foi a maior demonstração de fraqueza dos seus algozes que chegaram ao poder numa eleição fraudada.

Teve um repórter de TV que justificou a operação bélica para “garantir a segurança de Lula”.

Como assim? Lula nunca precisou disso quando era presidente da República, por que agora carecia ser cercado por homens de metralhadora em riste num cemitério em que só havia parentes, amigos e apoiadores desarmados?

A explicação pode estar nos números das pesquisas: com dois meses de governo, Bolsonaro aparece com menos de 40% de aprovação, enquanto Lula deixou o Palácio do do Planalto, em 2010, depois de oito anos de mandato, com mais de 80% de popularidade.

Lula deixou o poder há quase uma década, e continua sendo o presidente mais admirado da História do Brasil, não só nas pesquisas, mas nas manifestações de carinho e de solidariedade nas redes sociais, em contraste com os ataques que sofreu dos cachorros loucos do boçalnarismo no momento mais sofrido de sua vida.

Nada pode existir de pior na vida de um homem do que a perda de um filho ou neto, como falou o próprio Lula, inconformado com a inversão do ciclo natural da vida, que o abateu com a morte de Arthur, de sete anos.

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Sem entregar os pontos, como imaginavam seus inimigos, altivo, de cabeça erguida, Lula se reencontrou com seu povo depois de quase um ano de prisão no desterro de Curitiba.

Queriam impedi-lo até de acenar para as pessoas, agradecendo as palavras de apoio que ouvia, mas ele desobedeceu as ordens e encarou os meganhas antes de entrar no carro depois da cerimonia de cremação.

Não bastou condenar Lula sem provas e trancafiá-lo numa cela solitária para não poder disputar a eleição em que era franco favorito. Precisam humilhá-lo até o fim.

Tinha razão Einstein: a estupidez humana não tem mesmo limites, como vimos na reação dos boçalnarianos liderados pelos filhos do capitão que enlamearam de ódio as redes sociais.

Como escrevi antes da eleição, o que se jogava nas urnas de outubro era a disputa entre civilização e barbárie _ e a barbárie venceu.

A cada dia de governo Jair Bolsonaro, os arautos da nova ordem sabem que mais cresce a imagem positiva de Lula na memória do povo, e isso eles não perdoam.

Impedido pela Justiça até de dar entrevistas, o ex-presidente sempre dá um jeito de se comunicar com seu povo, atento ao que está acontecendo do lado de fora,  sofrendo junto, pregando a resistência.

Este trágico Carnaval de 2019, de Brumadinho à Toca do Urubu, será lembrado pelas demonstrações de repúdio nas ruas e avenidas ao capitão Bolsonaro, e das homenagens a Lula nas escolas de samba e nos blocos, mostrando gratidão a quem governou para o povo mais oprimido e tirou milhões de brasileiros da miséria, para a qual já estão voltando.

Isso ninguém pode tirar de Lula. O motivo é simples: basta perguntar em que época o povo vivia melhor, com mais esperança no futuro.

A lua de mel dos impostores com seu exército de fanáticos teve vida curta e, aos poucos, o país vai caindo na real.

Depois da Quarta-feira de Cinzas, virá a ressaca dos desmandos e truculências acumulados em apenas 64 dias de baderna institucional, que já coloca em risco o futuro da nossa democracia.

Os sentimentos de dor e de alegria, que se embaralharam nestes dias de Carnaval, podem nos levar a uma reflexão profunda sobre a responsabilidade que temos na escolha do nosso destino.

Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe, já diziam os antigos foliões.

E o ano só vai começar agora, ou melhor, no dia 12 de março, quando as excelências voltarem a Brasília, depois dos seus 10 dias de Carnaval.

Vida que segue.

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Tuiuti levanta Sapucaí com referências a Lula e críticas a Bolsonaro

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Após as críticas a Michel Temer no ano passado, a escola de samba Paraíso do Tuiuti levantou o público na Sapucaí com uma homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e criticou Jair Bolsonaro e seus eleitores no carnaval deste ano.

A escola fez um paralelo com Lula ao contar a história do bode Ioiô, eleito vereador na cidade de Fortaleza em 1922. “Vocês que fazem parte dessa massa irão conhecer um mito de verdade: nordestino, barbudo, baixinho, de origem pobre, amado pelos humildes e por intelectuais, incomodou a elite e foi condenado a virar símbolo da identidade de um povo. Um herói da resistência!”, dizia a sinopse do enredo.

Uma das alas finais, chamada “A peleja entre o bode da resistência e a coxinha ultraconservadora” mostrou o bode como um personagem que resiste e componentes com fantasia de coxinha e uma arma na mão.

Atrás dessa ala, o carro alegórico final se chamava “O auto de Ioiô: A resistência”. Mostrava o bode dando o coice em outro animal que lembrava um tanque de guerra. O carro também trazia a frase “Ninguém solta a mão de ninguém”.

Ao final do desfile, houve gritos de Lula Livre entre as pessoas que acompanhavam na arquibancada.

Estação Primeira brilha na avenida com desfile centrado em críticas sociais

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Estação Primeira de Mangueira ganhou o prêmio Estandarte de Ouro, oferecido pelo jornal O Globo, de melhor escola do Grupo Especial em 2019. A verde e rosa levou para a avenida enredo que recontou a história do Brasil por meio de heróis da resistência negros e índios.

Com o estandarte de ouro, a Mangueira teve reconhecido o desfile por completo – samba enredo, alegorias, fantasias, evolução. Em busca de seu 20º título, escola desconstruiu na avenida a imagem de figuras históricas como a Princesa Isabel, Dom Pedro I e Pedro Álvares Cabral.

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Com 3500 componentes, a escola verde e rosa apresentou heróis como o guerreiro Sepé Tiaraju, que tentou evitar o massacre dos Guaranis pelas tropas de Portugal e da Espanha.

O enredo “História pra ninar gente grande” foi assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira e contado em 24 alas e cinco alegorias. Em busca de seu 20º título, a Mangueira trouxe uma bandeira do Brasil com as cores da escola, no final do desfile.

A comissão de frente buscou desconstruir a imagem de figuras históricas como a Princesa Isabel, o bandeirante Domingos Jorge Velho, o Marechal Deodoro da Fonseca, o Dom Pedro I e Pedro Álvares Cabral. (Do G1)

Com R$ 2,5 bilhões em caixa, Lava Jato se prepara para suceder o bolsonarismo

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Por Luis Nassif, no GGN

Ainda não caiu a ficha da mídia sobre o que significa essa jogada da Lava Jato, de administrar R$ 2,5 bilhões bancados pela Petrobras. Foi montada uma fundação de direito privado que será totalmente controlada pelos procuradores e juízes da 13ª Vara Federal de Curitiba, o núcleo da Lava Jato. Apenas com a aplicação dos recursos, serão gerados R$ 160 milhões anuais, segundo nota do Ministério Público Federal do Paraná.

A fundação terá um administrador escolhido pelo Procurador Regional da República do Paraná, da primeira instância. E selecionará as figuras da sociedade civil que comporão o conselho, compartilhando a supervisão com o juiz da 13ª Vara Federal, a de Sérgio Moro.

Todo esse dinheiro poderá ser aplicado em iniciativas de combate à corrupção. Ou seja, qualquer consultor, colega procurador, ONG amiga, palestrantes ou consultores indicados por Rosangela Moro ou Carlos Zucolotto, poderá apresentar projetos para serem financiados.

A ideia de que haverá fiscalização do TCU ou outros órgãos é ilusória. Qualquer projeto que tenha a capa da campanha anticorrupção terá cumprido os requisitos exigidos. Não haverá licitação para escolha dos projetos, nem a garantia da isenção partidária. Serão aqueles que forem selecionados pelo Conselho da Lava Jato. E serão aqueles com afinidades pessoais, profissionais ou políticas com a Lava Jato.

LAVA JATO E A TOMADA DO PODER

E aí é necessário se aprofundar um pouco na gênese do bolsonarismo. O movimento de ultra-direita recente nasceu no Paraná, em parte devido às pregações de Olavo de Carvalho, nos anos 90. Mas, principalmente, em torno da defesa da Lava Jato.

Há alguns anos, qualquer crítica à Lava Jato no YouTube ou Facebook atraia varejeiras de todos os quadrantes, com o discurso agressivo que marcaria posteriormente o bolsonarismo. A Lava Jato é a bandeira unificadora, filha dileta da mais conservadora sociedade brasileira, a paranaense. Bolsonaro é apenas uma marca fantasia, um acidente de percurso, o candidato à mão que mais se aproximava da personalidade Neandertal dos grupos gestados em torno das bandeiras da Lava Jato.

Os Bolsonaro estão longe do estereótipo de famílias ilustres como os Genovese, Gambino,  Bonanno ou Colombo. Delas têm apenas a falta de limites morais e de qualquer noção de civilidade. Mas falta aos Bolsonaro capacidade mínima para exercer qualquer liderança que vá além da ofensa primária. Seu perfil familiar é muito mais próximo de Kate Baker e outras famílias desajustadas na depressão dos Estados Unidos.

Ao contrário da Lava Jato, que tem entrada nas Forças Armadas, Judiciário, mídia, blogosfera de direita e grupos empresariais, os Bolsonaro não têm entrada no sistema. Não se sabe até quando resistirá as fantasias em torno de Sérgio Moro, à vista de suas limitações, que se tornam mais nítidas a cada dia.

Como a Lava Jato se tornou uma organização política, esse dinheiro servirá para financiar uma estrutura política de apoio por todo o país. As verbas estão garantidas e nem serão necessários laranjas, como os do PSL. Basta uma fundação, uma associação, um clube, uma consultoria em qualquer parte do país, empunhando as bandeiras da Lava Jato, de luta contra a corrupção, para se enquadrar nos estatutos da fundação e obter aportes financeiros.

O Movimento Brasil Livre foi financiado com R$ 5 milhões, com a missão grandiosa de defender a iniciativa privada. Gerou um batalhão de candidatos políticos.

LAVA JATO E OS NEGÓCIOS

Outros objetivos da fundação são menos letais, como é o caso de estimular os programas de compliance. Ai visaria apenas consolidar o milionário mercado de palestras e consultorias para os maiores especialistas em processos contra empresas: os próprio lavajateiros, seguindo os passos do procurador Carlos Fernando Lima, que anunciou sua aposentadoria e sua futura carreira no mercado de compliance.

Com essas jogadas se está criando um partido político riquíssimo, com agentes do Estado se apropriando de verbas públicas, com autonomia em relação à Procuradoria Geral da República e aos poderes constituídos.

No Xadrez de ontem, lembrei casos narrados pelas obras sobre o fascismo, do início do ovo da serpente. Seria importante que mídia, Judiciário, juristas, partidos políticos, se dessem conta, enquanto é tempo, do monstro político que estão criando, permitindo que R$ 2,5 bilhões sejam utilizados para financiamento dos propósitos políticos da Lava Jato.

Berlim investirá 28 bilhões de euros em transporte público

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Os brasileiros que vivem em Berlim ou passaram pela cidade e utilizaram o transporte público puderam perceber a diferença deste sistema para o Brasil: aqui é possível ir para todos os cantos da cidade, não importa a hora do dia ou noite. Já escrevi outras vezes sobre a eficiência do sistema de transporte público da capital alemã, um dos melhores que já conheci.

Apesar de toda a eficiência, há problemas como atrasos, veículos quebrados, superlotação em determinados horários. Por outro lado, há uma preocupação cada vez maior das autoridades em estimular o uso desse sistema, como uma das medidas de combate ao aquecimento global, reduzindo os carros nas ruas e, por consequência, as emissões de gases que provocam o efeito estufa e a poluição que pode causar danos à saúde.

Por isso, para melhorar a qualidade e expandir a oferta, o atual governo da cidade – formado pelo Partido Social Democrata (SPD), Partido Verde e A Esquerda – lançou na semana passada um plano de investimentos no transporte público, que atualmente é administrado pela empresa pública BVG. O governo pretende destinar 28,1 bilhões de euros (cerca de 120 bilhões de reais) até 2035 para reformas e ampliação da atual infraestrutura.

“Meu objetivo é que mais berlinenses possam dizer que não precisam de carro”, afirmou a secretária estadual de transporte, Regine Günther, durante o lançamento do plano. “Quanto menos carros nas ruas, mais lugar para aqueles que realmente necessitam do carro”, disse a secretária ao jornal Tagesspiegel.

O plano prevê a construção de novas linhas de bonde, que passarão dos atuais 194 quilômetros de trilhos para 267 quilômetros em 2035, a expansão de algumas das linhas de metrô e trens existentes, a compra de novos veículos, além da substituição completa da frota de ônibus convencionais por elétricos até 2030.

A proposta também pretende diminuir para 3,3 minutos o tempo de espera por um metrô nas linhas mais utilizadas e, na rede de ônibus, diminuir para 10 minutos de espera no máximo em linhas onde atualmente esse tempo é maior.

Com a mudança, a BVG espera aumentar sua arrecadação com o crescimento no número de usuários e um pequeno aumento no valor da passagem, cerca de 1,4%. O governo estuda ainda adotar um modelo chamado de “passagem cidadã”, no qual todo morador da cidade deverá pagará uma taxa de transporte público. Esse novo imposto contribuirá para a redução geral do valor da passagem. A proposta deve enfrentar resistência daqueles que utilizam pouco o transporte público. Uma pesquisa, porém, revelou que 44% dos berlinenses são a favor da “passagem cidadã”.

Esse massivo investimento faz parte das diretrizes de mobilidade urbana, apresentadas em 2017, que focam exclusivamente no transporte público e em medidas para estimular o uso da bicicleta. A proposta fez uma pequena revolução ao colocar em segundo plano o transporte individual, ou seja, os carros, e priorizar o bem comum.

Berlim quer se tornar uma cidade do futuro e solucionar de maneira inteligente problemas enfrentados em quase todos os municípios. A capital alemã deseja ainda alcançar a neutralização do carbono, ou seja, conseguir evitar e compensar todas as suas emissões de CO2. Para isso, precisa diminuir o número de automóveis em circulação, e isso só será alcançado se a população tiver alternativas eficientes de locomoção.

Investir em transporte público, oferecendo opções voltadas a atender as necessidades dos usuários com preços acessíveis adotados por uma empresa pública, que não busca o lucro, mas, sobretudo, garantir a qualidade de um serviço essencial à população, é uma das únicas alternativas para desestimular o uso do carro.

Clarissa Neher trabalha como jornalista freelancer para a DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às segundas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.