Roqueiro também faz arte

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Bob Dylan, por Ronnie Wood

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“White Rabbit in Wonderland”, by Grace Slick

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“Hollywood Woman”, by Eric Burdon

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“Big Face Mountain”, by Paul McCartney

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“Rhiannon”, by Stevie Nicks

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“Bird Land”, by Jerry Garcia

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“Guitar Gods”, by John Entwistle

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Obra sem título de Syd Barrett

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Auto-retrato de John Lennon

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“City Like This”, by Andy Summers

Paulo Coelho relata prisão e tortura durante a ditadura militar

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Em artigo escrito para o The Washington Post e publicado nessa sexta (29/3), o escritor brasileiro Paulo Coelho descreveu a tortura que sofreu durante a ditadura militar. Autor de O Alquimista, entre outras obras que se tornaram best-sellers internacionais, Paulo Coelho era, à época, compositor.

Paulo Coelho escreve que sua casa foi invadida no dia 28 de maio de 1974 e ele foi levado ao DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), fichado e fotografado. Liberado pouco depois, pega um táxi, que é fechado por outros dois carros, e ele é tirado de lá por homens armados. Apanha no caminho, depois na sala de tortura. Quando permitem que ele tire o capuz, se dá conta de que está numa sala a prova de som com marcas de tiro nas paredes. A tortura segue, ele conta.

“Depois de não sei quanto tempo e quantas sessões (o tempo no inferno não se conta em horas), batem na porta e pedem para que coloque o capuz. (…) Sou levado para uma sala pequena, toda pintada de negro, com um ar-condicionado fortíssimo. Apagam a luz. Só escuridão, frio, e uma sirene que toca sem parar. Começo a enlouquecer, a ter visões de cavalos. Bato na porta da ‘geladeira’ (descobri mais tarde que esse era o nome), mas ninguém abre. Desmaio. Acordo e desmaio várias vezes, e em uma delas penso: melhor apanhar do que ficar aqui dentro.”

Paulo Coelho dá todos os detalhes sobre o que sofreu e conta ainda que anos mais tarde, quando os arquivos da ditadura foram abertos, ele teve a chance de saber quem o denunciou, mas não quis. “Não vai mudar o passado”, escreve.

O escritor teve a iniciativa de publicar essa história quando o presidente Jair Bolsonaro sugeriu que os quartéis celebrassem o dia 31 de março, data que marca o golpe militar de 1964, e também porque Bolsonaro disse, no Congresso, que Carlos Alberto Brilhante Ustra, “um dos piores torturadores”, nas palavras de Paulo Coelho, era seu ídolo. (Da Ag. Estado)

Quando o rock atinge a glória máxima

A histórica apresentação de Patti Smith ao receber o Prêmio Nobel de Literatura concedido a Bob Dylan, em 2016. Em determinado momento, tomada de emoção, ela erra um verso da canção “A Hard Rain’s A-Gonna Fall”, um clássico de Dylan. Admite o erro e pede desculpas à platéia, que aplaude demoradamente. Ela prossegue e finaliza a com impecável interpretação.

Oh, where have you been, my blue-eyed son?
Oh, where have you been, my darling young one?
I’ve stumbled on the side of twelve misty mountains
I’ve walked and I’ve crawled on six crooked highways
I’ve stepped in the middle of seven sad forests
I’ve been out in front of a dozen dead oceans
I’ve been ten thousand miles in the mouth of a graveyard
And it’s a hard, and it’s a hard, it’s a hard, and it’s a hard
And it’s a hard rain’s a-gonna fall

Oh, what did you see, my blue-eyed son?
Oh, what did you see, my darling young one?
I saw a newborn baby with wild wolves all around it
I saw a highway of diamonds with nobody on it
I saw a black branch with blood that kept drippin’
I saw a room full of men with their hammers a-bleedin’
I saw a white ladder all covered with water
I saw ten thousand talkers whose tongues were all broken
I saw guns and sharp swords in the hands of young children
And it’s a hard, and it’s a hard, it’s a hard, it’s a hard
And it’s a hard rain’s a-gonna fall

And what did you hear, my blue-eyed son?
And what did you hear, my darling young one?
I heard the sound of a thunder, it roared out a warnin’
Heard the roar of a wave that could drown the whole world
Heard one hundred drummers whose hands were a-blazin’
Heard ten thousand whisperin’ and nobody listenin’
Heard one person starve, I heard many people laughin’
Heard the song of a poet who died in the gutter
Heard the sound of a clown who cried in the alley
And it’s a hard, and it’s a hard, it’s a hard, it’s a hard
And it’s a hard rain’s a-gonna fall

Oh, who did you meet, my blue-eyed son?
Who did you meet, my darling young one?
I met a young child beside a dead pony
I met a white man who walked a black dog
I met a young woman whose body was burning
I met a young girl, she gave me a rainbow
I met one man who was wounded in love
I met another man who was wounded with hatred
And it’s a hard, it’s a hard, it’s a hard, it’s a hard
It’s a hard rain’s a-gonna fall

Oh, what’ll you do now, my blue-eyed son?
Oh, what’ll you do now, my darling young one?
I’m a-goin’ back out ’fore the rain starts a-fallin’
I’ll walk to the depths of the deepest black forest
Where the people are many and their hands are all empty
Where the pellets of poison are flooding their waters
Where the home in the valley meets the damp dirty prison
Where the executioner’s face is always well hidden
Where hunger is ugly, where souls are forgotten
Where black is the color, where none is the number
And I’ll tell it and think it and speak it and breathe it
And reflect it from the mountain so all souls can see it
Then I’ll stand on the ocean until I start sinkin’
But I’ll know my song well before I start singin’
And it’s a hard, it’s a hard, it’s a hard, it’s a hard
It’s a hard rain’s a-gonna fall

Oh, onde você esteve, meu filho de olhos azuis?
Oh, onde você esteve, meu querido jovem?
Eu tropecei no lado de doze montanhas enevoadas
Eu andei e me arrastei em seis rodovias tortas
Eu pisei no meio de sete florestas tristes
Eu estive na frente de uma dúzia de oceanos mortos
Eu tenho dez mil milhas na boca de um cemitério
E é difícil, e é difícil, é difícil, e é difícil
E é uma chuva forte caindo

Oh, o que você viu, meu filho de olhos azuis?
Oh, o que você viu, meu querido jovem?
Eu vi um bebê recém-nascido com lobos selvagens ao redor
Eu vi uma rodovia de diamantes sem ninguém nela
Eu vi um galho negro com sangue que ficava pingando
Eu vi uma sala cheia de homens com seus martelos sangrando
Eu vi uma escada branca toda coberta de água
Eu vi dez mil pessoas cujas línguas estavam todas quebradas
Eu vi armas e espadas afiadas nas mãos de crianças pequenas
E é difícil, e é difícil, é difícil, é difícil
E é uma chuva forte caindo

E o que você ouviu, meu filho de olhos azuis?
E o que você ouviu, meu querido jovem?
Eu ouvi o som de um trovão, rugiu uma advertência
Ouvi o rugido de uma onda que poderia afogar o mundo inteiro
Ouvi cem bateristas cujas mãos eram um blazin ‘
Ouvi dez mil sussurros e ninguém escutando
Ouvi uma pessoa morrer de fome, ouvi muitas pessoas rindo
Ouvi a canção de um poeta que morreu na sarjeta
Ouvi o som de um palhaço que chorou no beco
E é difícil, e é difícil, é difícil, é difícil
E é uma chuva forte caindo

Oh, quem você conheceu, meu filho de olhos azuis?
Quem você conheceu, meu querido jovem?
Eu conheci uma criança ao lado de um pônei morto
Eu conheci um homem branco que andou com um cachorro preto
Eu conheci uma jovem cujo corpo estava queimando
Eu conheci uma jovem garota, ela me deu um arco-íris
Eu conheci um homem que foi ferido no amor
Eu conheci outro homem que foi ferido com ódio
E é difícil, é difícil, é difícil, é difícil
É uma chuva forte caindo

Oh, o que você vai fazer agora, meu filho de olhos azuis?
Oh, o que você vai fazer agora, meu querido jovem?
Eu estou indo embora antes que a chuva comece a cair
Eu vou caminhar até as profundezas da floresta negra mais profunda
Onde as pessoas são muitas e suas mãos estão vazias
Onde as pelotas de veneno estão inundando suas águas
Onde a casa no vale encontra a prisão suja e úmida
Onde o rosto do carrasco está sempre bem escondido
Onde a fome é feia, onde as almas são esquecidas
Onde preto é a cor, onde nenhum é o número
E eu vou contar e pensar, falar e respirar
E refleti-lo da montanha para que todas as almas possam vê-lo
Então eu ficarei no oceano até começar a afundar
Mas eu vou conhecer minha música bem antes de começar a cantar
E é difícil, é difícil, é difícil, é difícil
É uma chuva forte caindo

Operação Condor, o consórcio mortífero das ditaduras da América Latina

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Por Marina Rossi, no El País

Era novembro de 1978, quando o casal uruguaio de ativistas Lilián Celiberti e Universindo Rodríguez Díaz e seus dois filhos, Camilo, 8 anos, e Francesca, 3 anos, foram sequestrados em Porto Alegre. A família fora raptada em uma operação conjunta entre militares brasileiros e uruguaios que perseguiam os opositores das ditaduras para torturá-los e matá-los. Mas acabou fracassada após ser descoberta por dois jornalistas. O sequestro dos uruguaios, como o caso ficou conhecido, tornou-se, anos mais tarde, o exemplo mais emblemático de como ocorreu, na prática, a Operação Condor.

Na época do sequestro, a Condor era uma aliança secreta formada entre os governos militares do Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai, Chile e Uruguai para perseguir os ativistas contra os regimes militares nesses países. Embora formalizada somente em 25 de novembro de 1975, em Santiago do Chile, essa conexão repressiva já existia desde o início daquela década no continente. O jornalista Luiz Cláudio Cunha, que juntamente com o fotógrafo J.B. Scalco, descobriu o sequestro da família, conta que o caso foi a primeira ação da Condor em território brasileiro. “Até então, não havia nenhuma informação sobre a Condor ter entrado no Brasil”, conta ele, que também é autor do livro Operação Condor: Sequestro dos Uruguaios (L&PM, 2008). “O sequestro foi a única ação da operação flagrada enquanto acontecia”.

Cunha narra que chegou ao flagrante por meio de um telefonema anônimo que recebeu na redação da revista Veja em Porto Alegre, onde era diretor. “Era uma sexta-feira, 17 de novembro de 78, e eu recebi um telefonema de São Paulo, de uma pessoa que não se identificou, dizendo o nome de quatro pessoas e um endereço”, conta o jornalista. “Eu perguntei se eles estavam desaparecidos e me disseram “‘não, estão detenidos [detidos, em espanhol]”. Cunha afirma que chegou ao endereço e fora recebido por Lilián Celiberti, com quem começou a falar em espanhol, e logo duas pistolas apareceram apontadas para sua cabeça. “Me mandaram entrar, e como eu falei em espanhol, acharam que eu era do Uruguai”, afirma. Os militares buscavam por Hugo Cores, um dos principais ativistas uruguaios e alvo da Operação Condor. Ao se identificar como jornalista, e mostrar suas credenciais, Cunha acabou liberado pelos militares e logo se pôs a escrever tudo o que tinha visto.

Embora o jornalista tenha ido ao apartamento da família no dia 17 de novembro, já fazia uma semana que Lilián havia sido sequestrada. E como o caso acabou tornando-se público após a publicação da reportagem, Lilián e Universindo foram torturados e presos, mas não foram mortos. “A regra de sangue da Condor era identificar o inimigo, localizar, mandar o comando para pegar, sequestrar, torturar, extrair as informações, matar e desaparecer com o corpo”, diz Cunha. “No caso de Porto Alegre, como aparecem jornalistas no meio da operação tiveram que abortá-la e não puderam matar os sequestrados. Dali em diante, eles não puderam matar a Lílian e o Universindo, porque virou um escândalo internacional”.

Para que a Condor pudesse alcançar seus objetivos, um dos acordos era o de livre trânsito dos militares, que podiam atravessar as fronteiras sem mandado judicial ou ordem da Justiça, e com anuência dos países que faziam parte do pacto. Além disso, a operação contava com apoio e suporte dos Estados Unidos que, embora não tivessem participação direta nas ações, sabiam que elas existiam. “Os Estados Unidos também forneceram, através da CIA, um sistema de comunicação sofisticado que era utilizado entre todos os países chamado Condortel”, conta Cunha.

A revelação do sequestro e da ação de militares uruguaios em solo brasileiro feita por Cunha e Scalco não jogaram luz, porém, na Operação Condor naquele momento. “Nunca ninguém soube da existência da Condor, que foi uma organização que só apareceu a partir da liberação dos documentos da CIA durante o Governo Clinton nos Estados Unidos [1993-2001]”, explica Cunha. Os documentos liberados pelos Estados Unidos atestando a existência da Condor são mais uma peça que se soma à história das ditaduras tanto no Brasil, como em outros países da América do Sul. E esse quebra-cabeça contraria, obviamente, a tese proferida pelo presidente Jair Bolsonaro de que não houve ditadura no Brasil.

O FIM DA CONDOR

A Operação Condor, cujo nome rememora a ave presente no brasão oficial do Chile, terminou no início dos anos 80, juntamente com o arrefecimento das ditaduras no continente. Antes disso, porém, deu um de seus suspiros finais no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Era março de 1980 quando os ativistas Horacio Domingo Campiglia e Monica Susana, do Movimento Peronista Montoneros, que mantinha resistência armada contra a ditadura militar argentina, aterrissaram no Rio para participar de uma convenção. Ao descerem do avião, já havia um corredor polonês de oficiais à espera dos do casal. “Quando eles desceram da escada do avião, perceberam que seriam presos e logo começaram a gritar seus nomes e de onde eram”, conta o jornalista Luiz Cunha.

O desfecho dessa ação realizada por militares argentinos em solo brasileiro é mais amargo do que o sequestro dos uruguaios: Monica e Horacio foram levados naquele mesmo dia para a Argentina onde foram torturados e mortos. Seus corpos nunca foram encontrados. “Na véspera, havia descido um avião no Galeão, modelo Hércules, com uma tropa armada, uniformizada, do exército argentino, que só poderia descer com autorização da aeronáutica”, diz Cunha. “Ou seja, aquela ação era no âmbito da operação repressiva da Condor”.

Foi a própria Argentina que, anos mais tarde, seria o primeiro país a condenar formalmente os chefes da Operação Condor. O longuíssimo julgamento com 105 vítimas e 18 réus teve início em 1999 com cinco casos e foi crescendo gradualmente, durando mais de uma década. Em 2016, um tribunal federal condenou por “associação ilícita no âmbito da Operação Condor” alguns dos principais acusados a penas entre 12 e 25 anos.

Aqui no Brasil, o Estado do Rio Grande do Sul reconheceu oficialmente, em 1991, o sequestro dos uruguaios e os indenizou. Um ano depois, o então presidente do Uruguai, Luis Alberto Lacalle fez o mesmo. Lílián Celiberti ainda hoje é ativista política no Uruguai. Universindo Díaz faleceu de câncer em 2012, aos 60 anos.

Antes de Justiça proibir solenidades, Exército fez ato pró-golpe em Brasília

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Cumprindo o que recomendou o presidente da República, Jair Bolsonaro, o Exército realizou ontem no Comando Militar do Planalto, em Brasília, cerimônia para relembrar o aniversário de 55 anos do golpe militar que derrubou o presidente João Goulart, em 31 de março de 1964. Na solenidade, em que estava presente o comandante da Força, general Edson Leal Pujol, o episódio foi tratado como “movimento cívico-militar”.

Conforme revelou o jornal O Estado de S. PauloBolsonaro orientou os quartéis a celebrarem a data histórica, que havia sido retirada do calendário de comemorações das Forças Armadas desde 2011, no governo de Dilma Rousseff. Os oito comandos do Exército realizaram cerimônias – dois deles anteontem (Sul e Sudeste) e seis ontem. Horas depois de encerradas as celebrações nos grandes comandos de área, uma decisão da Justiça Federal proibiu as comemorações.

O ato no Comando Militar do Planalto durou menos de uma hora, a exemplo do que ocorrera um dia antes em São Paulo. Além de desfile de apresentação das tropas e do Hino Nacional, ele teve a leitura do texto da Ordem do Dia, unificado em todos os quartéis também por ordem do presidente. Bolsonaro não foi ao evento, mas participou ontem do hasteamento da bandeira no Palácio do Alvorada, e publicou um vídeo que registra esse momento em sua conta no Twitter.

Questionado se a participação do presidente no hasteamento da bandeira foi uma alusão a 1964, o porta-voz da Presidência, general Rêgo Barros, respondeu conclamando a todos que façam o mesmo uma vez por semana. “Gostaria muito que toda a sociedade tivesse a disponibilidade e o patriotismo de prostrar-se diante da bandeira ao menos uma vez por semana para caracterizar, por meio desse gesto, o seu apreço à soberania que essa bandeira representa”, disse.

JUSTIÇA

Horas depois de encerrada a solenidade no Comando Militar do Planalto, a juíza Ivani Silva da Luz, da 6.ª Vara da Justiça Federal em Brasília, decidiu proibir os atos de comemoração do aniversário de 55 anos do golpe. Em decisão liminar, a juíza atendeu a um pedido apresentado pela Defensoria Pública da União (DPU), e afirmou que o ato impugnado contraria o princípio da legalidade previsto na Constituição, uma vez que a legislação estabelece que a proposição de data comemorativa deve estar prevista em lei.

“Defiro o pedido de tutela de urgência para determinar à União que se abstenha da Ordem do Dia alusiva ao 31 de março de 1964, prevista pelo ministro da Defesa e comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica”, decidiu.

Dia da infâmia e da vergonha

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“Em uma democracia, governantes que conclamam a população a festejar uma ditadura de assassinos, de corruptos e de torturadores que tomou o seu próprio país por 20 anos seriam objetos imediato de destituição. A democracia não aceita que o ocupante do lugar da Presidência atente tão abertamente contra ela, saudando aqueles que a destruíram”, diz o colunista Vladimir Safatle.

“No Brasil, que parece apenas esperar o golpe de misericórdia para institucionalizar a sua situação autoritária de fato, colocações dessa natureza só podem ser barradas mostrando qual é o preço de uma nova ditadura, quantas vozes nas ruas ela precisará calar, contra quanta violência legítima, vinda do direito fundamental de resistência, ela precisará responder. O dia 31 de março sempre será, na história deste país, o dia da infâmia e da vergonha. Se alguém esqueceu, nós podemos lembrá-lo”, aponta.

Papão passa a priorizar organização

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POR GERSON NOGUEIRA

Léo Condé botou a mão na massa na quinta-feira, um dia depois de ser apresentado como novo técnico do Papão. Foi o primeiro contato de campo com o elenco de 29 atletas para as orientações iniciais referentes ao decisivo jogo de amanhã contra o Águia, em Marabá.

Virtualmente classificado, o Papão precisa de um empate para assegurar a primeira colocação no grupo A2, condição importante quanto à ordem dos jogos da fase semifinal, garantindo a segunda partida em casa.

Na entrevista que marcou seu ingresso oficial no clube, Condé repetiu as frases feitas e clichês que a maioria dos técnicos não se furta de usar nessas ocasiões. Juras de empenho máximo, elogios à instituição, acenos calorosos à torcida e motivação em nível estratosférico.

De importante mesmo foi a afirmação de que entra em cena disposto a melhorar a performance da equipe para a reta decisiva do Estadual, sem perder de vista as responsabilidades com a Série C.

Disse que recebeu um relatório do auxiliar técnico permanente Leandro Niehues com dados coletados pelo departamento de análise. Serão três sessões de treinamento para o confronto em Marabá e, antes mesmo de pesquisar sobre o Águia, caberá a Condé conhecer mais sobre o próprio elenco que tem nas mãos.

Uma prova da afinação entre o novo comandante e os princípios estabelecidos pela diretoria do clube foi a declaração de Condé quanto às funções que o técnico do PSC deve priorizar: organização ofensiva e defensiva e qualificação nas transições e bolas paradas.

Com parceiros profissionais como Henrique Furtado, analista de desempenho, e Renato Negrão, auxiliar técnico, que o acompanham há anos, Condé comanda uma comissão técnica que estará empenhada em pautar os passos da equipe nas competições da temporada.

Quem esteve atento aos dois primeiros treinos dirigidos por Condé na Curuzu observa que o técnico nutre especial apreço por treinos táticos. Nos dois exercícios, deu atenção também a cobranças de escanteio, faltas e finalizações.

Na comparação direta com o antecessor, João Brigatti, pequenas diferenças começam a ser notadas, sendo a mais cintilante delas a preocupação com a organização tática.

Para o confronto de amanhã em Marabá, é provável que a equipe tenha muitas semelhanças com o time comandado por Leandro Niehues no Re-Pa. Dúvidas maiores se localizam no ataque, onde Paulo Henrique e Paulo Rangel disputam a titularidade e Elielton pode substituir Vinícius Leite como atacante de lado.

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Cidadania e direitos através do esporte

Com amplo evento programado para a Escola Barão de Igarapé Miri, no Guamá, denominado “Mulher em Ação”, a Seel une esportes e cidadania em benefício da população mais humilde, focando no mês dedicado aos direitos da mulher. A ação começa às 8h deste sábado, com emissão gratuita de documentos, corte de cabelo e maquiagem, com direito a verificação de pressão arterial, exame de glicemia, avaliação física e aula fitness para atletas amadores.

A programação terá também um momento de embelezamento, realizado pela Hinode Cosméticos. Já os serviços de orientação jurídica também estão sob a responsabilidade da equipe da Seel, que terá no evento o apoio da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh).

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Desabafo justo e honesto do velho Giva

“O único motivo que eu vejo é porque eu sou do lado de lá. Eu tenho na minha cabeça que existe o preconceito, sim. Não teve treinador com os títulos que eu tenho no futebol brasileiro. Por tudo que eu ganhei, por tudo que eu fiz e ainda estou fazendo no futebol, tenho certeza que se eu não fosse de lá eu tinha trabalhado logo, logo num time de ponta”. A frase simples e direta é de Givanildo Oliveira, a quem a torcida paraense conhece bem, pelos bons serviços prestados à dupla Re-Pa desde os anos 90.

Ele deu essa declaração, irretocável sob todos os pontos de vista, a um repórter do UOL. Na matéria, ele diz ter notado que alguma coisa atrapalhava seus passos na Primeira Divisão brasileira quando cravou seis títulos em dois anos e meio de trabalho no Papão, no início dos anos 2000.

As conquistas mais importantes foram o Brasileiro da Série B, a Copa Norte, a Copa dos Campeões e a classificação à Libertadores de 2003. “Eu disse: ‘agora vai’. Principalmente, quando ganhamos do Cruzeiro na final (da Copa dos Campeões). Já tinha ganhado do Palmeiras e do Bahia. ‘Acho que agora vai’. Não recebi um convite”, afirma o veterano treinador.

Na real, só surgiu um convite oficial de um dos grandes nacionais. Veio do Flamengo, que fez sondagem quando ele ainda dirigia o PSC. O papo não prosseguiu porque a diretoria rubro-negra soube que ele não aceitava interferências no trabalho, nem permitia pitacos na escalação do time.

Atual campeão paraense pelo Remo, Givanildo deixa claro na matéria do UOL a importância que dá ao futebol do Pará, com ênfase no período glorioso à frente do Papão. As principais façanhas de sua vitoriosa carreira aconteceram nessa época.

Recomendo a leitura. Givanildo é um dos decanos do futebol brasileiro e merecedor do respeito de todos pela seriedade com que trabalha.

(Coluna publicada no Bola deste sábado, 30)