Líder de movimento social é assassinada no Pará

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Da Deutsche Welle 

Dilma Ferreira da Silva não teve tempo de acompanhar se a proposta que entregou em 2011 a então presidente da República, Dilma Rousseff, viraria lei. Naquele encontro, ela apresentou um documento que reivindicava uma política específica para populações atingidas por barragens.

Na última sexta-feira (22/03), Silva, de 45 anos foi assassinada no assentamento onde morava, a 70 quilômetros de Tucuruí, na divisa com o município de Baião, interior do Pará. Liderança importante do MAB (Movimento Atingidos por Barragens), ela foi encontrada com a garganta cortada, mãos amarradas e sinais de tortura ao lado dos corpos do marido, Claudionor Costa da Silva, e de um conhecido do casal, identificado como Hilton Lopes, de 38 anos.

Dilma da Silva tentava refazer a vida no assentamento Salvador Allende, regularizado pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) há cinco anos. Ela fez parte das cerca de 30 mil famílias que foram obrigadas a deixar suas casas no fim da década de 1970 para a construção da hidrelétrica de Tucuruí, no rio Tocantins, Pará.

“Estamos tentando entender a motivação. Mas, no fundo, é tudo pelo processo de Tucuruí. O conflito por terra aconteceu pelo não atendimento dos direitos da população”, afirma Iury Charles Bezerra, da coordenação nacional do MAB.

Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública do Pará informou que a Polícia Civil criou uma força-tarefa para investigar o triplo homicídio. “Até o momento, não é possível fechar uma linha de investigação para motivação do crime”, diz a nota.

Segundo as primeiras informações, seis homens, em três motos, foram vistos no bar mantido pelo casal na casa onde moravam. A faca usada nos crimes foi encontrada pela polícia e encaminhada para a perícia.

“A gente acredita que esse crime, brutal como foi, é como se os criminosos quisessem dar um recado para os militantes que atuam na região”, diz Bezerra, do MAB.

Conflitos e barragens

Fundado ainda na Ditadura Militar, o MAB se organizou após a instalação de empresas de exploração de alumínio, minério de ferro e hidrelétricas. Naquela época, quando estudos sobre potencial hidrelétrico fomentavam a instalação da indústria, não se discutia propostas de indenização das famílias que viviam nas proximidades dos empreendimentos.

“A consequência disso foi a expulsão de milhares de famílias de suas terras e casas, a maioria sem ter para onde ir. Muitas foram para as favelas das cidades, engrossaram as fileiras de sem-terras”, alega o MAB.

A hidrelétrica de Tucuruí foi a principal geradora do sistema Norte-Nordeste e foi interligada ao Sistema Interligado Nacional em 1999, com produção média de 3.500 MW. Mais de 30 anos depois do início das obras, não houve compensação aos atingidos, alega o MAB.

Segundo a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM) do Pará, quatro projetos de lei que tratam do tema estão em tramitação na casa. Dentre eles, há a proposta de criação de uma política estadual de direitos das populações atingidas por barragens.

No mesmo estado, a construção da hidrelétrica de Belo Monte levou o Ministério Público Federal a abrir, desde 2010, dezenas de processos contra a concessionária Norte Energia por motivos semelhantes.

“Ninguém pode morrer por defender direitos. Se morre um e o crime fica impune, é a porteira para matar todos os outros que ficam”, critica Bezerra.

O Brasil é o país que lidera o ranking internacional de assassinatos de ambientalistas, segundo levantamento da ONG britânica Global Witness. Em 2017, foram 57 mortes contabilizadas no país, apontam dados divulgados no ano passado. Em todo o mundo, foram pelo menos 207 assassinatos em 22 países.

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A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. 

Espionar vice-presidente revela transtorno mental de Jair e Carlos Bolsonaro

Do blog Catraca Livre

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Ninguém entendeu nada quando viu, na semana passada, Carlos Bolsonaro despachando no Palácio do Planalto. Afinal, ele não é faz parte do governo. Não é deputado como Eduardo. Nem senador como Flávio. Seu único título é de filho do presidente.
Estava ali sentado trabalhando na agenda presidencial – e não apenas passando o tempo.
A Veja descobriu o mistério: Carlos estava lá em missão secreta.
Sua missão: vigiar o vice Mourão, suspeito de conspirar contra o presidente. Pergunta: será que no Palácio do Planalto não haveria um único funcionário que merecesse a confiança de Bolsonaro? Precisava o filho se deslocar do Rio?

Essa espionagem é mais um fato que reforça a suspeita de que pai e filho compartilham do mesmo transtorno mental: paranoia.

Nesta patologia, o indivíduo desenvolve uma desconfiança ou suspeita exacerbada ou injustificada de que está sendo perseguido, acreditando que algo ruim está para acontecer ou que o perseguidor deseja lhe causar mal.

Perturbação mental que se caracteriza pela tendência para a interpretação errônea da realidade em consequência da suscetibilidade aguda e da desconfiança extrema do indivíduo, que pode chegar até ao delírio persecutório.
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Jair Bolsonaro vem demonstrando sintomas claros de paranoia. Exemplo: ele disse que, mesmo protegido por seguranças no Palácio da Alvorada, dorme ao lado de um revólver.

O transtorno de paranoia explica por que Bolsonaro é fã de teorias conspiratórias.
Ou se recusava a andar de avião particular durante a campanha, achando que iriam sabotá-lo.

Ou porque insiste, apesar da falta de evidências, que Adélio Bispo deu-lhe uma facada agindo a mando de alguma organização de esquerda.

Seu guru, o filósofo Olavo Carvalho, é um exemplo de veneração a teorias conspiratórios. Obama, segundo ele, teria sido um agente russo; a família real britânica teria vinculações com o Estado Islâmico; o aquecimento global é um complô para acabar com o capitalismo.

O estopim para Bolsonaro demitir seu secretário-geral Gustavo Bebianno foi ter marcado uma reunião com o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo, no Palácio do Planalto.

O presidente está convencido de que seu secretário-geral vazava informações para a Globo. Daí teria surgido as revelações sobre as contas de seu filho Flávio. Sabendo dessa paranoia, Bebianno disse a amigos: “Perdi a confiança no Jair. Tenho vergonha de ter acreditado nele. É uma pessoa louca, um perigo para o Brasil.”

Loucura, no caso, seria como Bebianno chama paranoia. Carlos Bolsonaro alimenta a paranoia do pai – e é alimentado pela paranoia do pai.

Ele escreveu que a Globo apenas critica o governo porque quer dinheiro público. O que significa chantagem. Também disse que eles torceram pela morte do pai.

Chegou a insinuar que Mourão também teria interesse na morte de Bolsonaro. Sempre vai aparecer a paranoia Globo: Mourão recebe em seu gabinete jornalistas da Globo. Logo, estaria aliado a inimigos.

Aliás, uma das razões que levou Bolsonaro a convidar o vice foi uma teoria da conspiração. Ele achava que o Congresso iria logo promover um impeachment.

Mas pensariam duas vezes antes de colocar na presidência um general que já tinha defendido, na ativa, uma intervenção militar.

Para resumir o ambiente paranoico, basta conhecer uma revelação da Veja:

Uma nota publicada hoje por Lauro Jardim, do O Globo, informando que Carlos tinha ambição de inspirar um serviço secreto paralelo de espionagem. Seria montado com com delegados e agentes da PF de sua confiança.

Desfecho do projeto, segundo o colunista do O Globo: o general Augusto Heleno vetou a maluquice. Um filho de presidente, sem cargo, querer montar um serviço secreto revela uma anomalia de quem vive em estado de paranoia, criando uma realidade paralela.

Mas Carlos não teria a ideia sem buscar alguma inspiração e autorização do pai. Bolsonaro publicou um post informando que seu filho Carlos vai continuar influenciando seu governo.

O problema aparece quando ele revela, no post, um complô para afastá-lo do filho. A realidade objetiva é que as pessoas sensatas, a começar de seu governo, advertiram para o óbvio: a intromissão de Carlos, usado como um beligerante porta-voz de um governo, era inadequado e desgastante.

Afinal, o momento não é de campanha, mas de pacificação para enfrentar os desafios de governar. Quem mais se preocupou com esse desgaste é o núcleo militar do Palácio do Planalto, sensível à disciplina.

A líder do governo na Câmara, Joice Hasselmann, pediu um muro separando a família e o governo. Estariam participando de um complô?

Carlos comemorou, também vendo o complô e desafiando a todos:

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A revista Veja fez um reportagem mostrando o perfil paranóico do presidente. A revista mostrou como Bolsonaro tem mania de perseguição. Isto ficou comprovado com a divulgação do conteúdo dos áudios de WhatsApp  (confira aqui) trocados entre Bebianno e Bolsonaro.

“Bolsonaro deixa entrever que é um líder dado a enxergar complôs e deslealdades em cada esquina e, talvez mais perigoso, apresenta-se como um político que faz questão de cultivar inimigos”, escreveu o jornalista Daniel Pereira.

Estes sinais de paranoia, segundo a Veja, vêm sendo demonstrados desde a campanha – Bolsonaro “reclamava de supostas conspirações orquestradas por inimigos declarados”. Agora empossado, “passou a desconfiar de traições também de integrantes graduados do governo”.

A reportagem da Veja também destaca ainda que, para o presidente, “as repartições públicas estão infestadas de esquerdistas, a imprensa quer derrubar o governo, a Igreja Católica conspira em nível mundial e há militares pensando em se sentar na cadeira do presidente”.

Batalha com novos comandantes

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POR GERSON NOGUEIRA

Leão e Papão voltam a campo, neste domingo, com comandantes diferentes em relação ao primeiro clássico do ano, vencido pelos bicolores no mês passado. Naquela ocasião, João Neto era o técnico remista e João Brigatti dirigia a equipe do PSC. De certa forma, o desfecho daquele duelo teve influência no destino de ambos à frente das equipes.

Neto foi demitido na semana seguinte ao clássico, após tropeço diante do Paragominas. Na verdade, caiu em função do mau desempenho do time ao longo do campeonato e pelas derrotas para o Papão e o Serra-ES, pela Copa do Brasil.

Brigatti resistiu mais tempo, mas ironicamente também não sobreviveu aos efeitos do Re-Pa, embora tenha saído vitorioso e de forma acachapante.

Nas explicações quanto aos motivos de seu desligamento, na segunda-feira (18), o presidente do PSC reconheceu a importância do triunfo no clássico, mas ponderou que o trabalho do técnico vinha sendo analisado e o desempenho da equipe não atendia o nível estabelecido para o comportamento do time no começo da temporada.

Para hoje, Márcio Fernandes e Leandro Niehues chegam ao confronto com pouco tempo de trabalho. Fernandes chegou há duas semanas, mas ainda tateia em busca da melhor formação, sofrendo também com problemas de condicionamento físico.

Mais que isso: tem sido obrigado a montar um time com características diferentes daquelas que eram apresentadas antes sem ter peças de substituição. A única alteração concreta é a entrada do meia-armador Douglas Packer, que estreou contra o Independente. Nas demais posições, tem que se virar com as peças que encontrou ao chegar.

Niehues, apesar de ter dirigido o time como interino durante os treinos da semana, acumula mais conhecimento que Fernandes, pois está na Curuzu desde o começo do ano e conhece todos os jogadores do elenco, talvez até com mais conhecimento do que o próprio Brigatti.

O duelo de hoje será, portanto, um choque entre comandantes em situações mais ou menos parecidas e em busca de afirmação. É mais ou menos previsível que armem suas equipes com redobrada cautela.

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Salve Telê, único brasileiro entre os melhores!

Saiu na semana passada a lista dos 50 melhores técnicos do mundo, organizada pela revista France Football, que tem essa velha mania de procurar organizar as coisas por ranking. Nem sempre funciona e quase sempre resulta em injustiças, mas não deixa de ser instigante ponto de partida para boas discussões sobre futebol.

Esse levantamento teve como critério para a escolha dos melhores treinadores a atuação em clubes e o legado para a qualidade do jogo. Estranhei que a participação em seleções nacionais não tivesse servido como item de avaliação.

Corri a vista na lista e fui encontrar um brasileiro somente na 35ª posição. Sim, ele mesmo: mestre Telê Santana. Tinha que ser ele, nosso melhor técnico em todos os tempos. E sempre se destacou justamente pelo apreço que dedicava (e praticava) ao futebol de qualidade. Era tão obcecado por técnica, habilidade e talento que tinha uma preocupação permanente com o estado dos gramados brasileiros.

Vi, em determinada ocasião, Telê ficar no Mangueirão andando para cima e para baixo, pisando e avaliando a grama cerca de meia hora antes de um jogo do São Paulo. Fazia isso em todo lugar, principalmente em gramados que não conhecia.

Quem se preocupa tanto com a qualidade do tabuleiro é seguramente alguém muito preocupado com a maneira como a partida é disputada. É alguém, acima de tudo, que entende a importância que um piso regular e sem buracos pode contribuir para que o espetáculo seja do agrado do torcedor.

A lista da France Football levou isso em consideração para incluir Telê no seleto clube dos melhores, que é encabeçado pelo revolucionário Rinus Michels, inventor do conceito de futebol total explicitado na Laranja Mecânica de 1974. É uma lista que tem Johan Cruyff, Alex Ferguson, Arrigo Sacchi, Pep Guardiola e Marcelo Bielsa (48º), dentre alguns outros nomes de trajetória essencialmente europeia.

Reverenciando com acerto figuras como Zinedine Zidane (22º), outras preferências da revista soam meio canhestras, como Ancelotti em oitavo, Mourinho em 13º, Diego Simeone em 31º e até Rafa Benítez, em 37º. Mas as boas listas vivem também desse aspecto polêmico, a fim de apimentar o debate.

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Bola na Torre

O programa começa hoje às 22h, logo após Master Chefe, na RBATV. Guilherme Guerreiro comanda a atração. Giuseppe Tommaso e este escriba de Baião compõem a mesa de debatedores.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 24)