Caso Marielle: 90 dias sem respostas

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Passados três meses da execução da quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro em 2016, o crime segue sem resposta. Marielle Franco, do PSOL, ficou conhecida por seu histórico de defesa dos direitos humanos e por fazer política articulando cirurgicamente as questões de gênero, raça e classe.  Dias antes de seu assassinato, ela foi nomeada relatora da comissão criada na Câmara de Vereadores para monitorar a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.

Na manhã de quarta-feira, familiares de Marielle acompanharam a ação realizada pela Anistia Internacional em frente ao prédio do Ministério Público  (MP) do Rio. Renata Neder, coordenadora de pesquisa, políticas e advocacy  da entidade classificou o silêncio das autoridades sobre o fato como “preocupante”.  Segundo ela o ato que culminou na entrega de ofício pedindo atuação mais firme do MP é uma cobrança necessária.

 “A Anistia Internacional também espera que o Ministério Público exerça seu papel de controle externo da atividade policial, acompanhando e monitorando a atuação da Polícia Civil nas investigações.” , diz Renata. Para ela, o MP precisa reafirmar o comprometimento e prioridade no caso.

O Ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou em áudio divulgado por meio de sua assessoria de imprensa, que o caminho da investigação aponta, sem dúvidas, para a responsabilização das milícias.

“Esse caso também teve impacto internacional. O que de fato acontece é que esse é um crime de desvendamento complexo. Pelo menos até onde eu saiba, e eu devo voltar ao Rio essa semana, não se tinha informação do motivo. Qual foi a ameaça? Qual foi o conflito que Marielle se envolveu para que acontecesse essa tragédia que aconteceu com ela. Evidentemente tem indícios que apontam com clareza para milícia”, afirmou o ministro.

A sofisticação do assassinato corrobora para essa versão pela premeditação do crime e o profissionalismo dos executores. Agora a Polícia Civil investiga se Marielle era alvo de escuta. Segundo informações divulgados pelo jornal O Globo, pessoas ligadas ao gabinete relatam que as placas do teto foram alteradas depois do recesso do final do ano.

Vice-coordenadora da comissão externa da Câmara dos Deputados criada para acompanhar as investigações sobre os assassinatos, a deputada federal do PCdoB Jandira Feghali afirma que também está estranhando a demora na resolução do crime

“Até agora não temos notícias concreta e objetiva sobre as investigações, já fizemos reuniões várias vezes com autoridades policiais e da intervenção, já fizemos reuniões com entidades da sociedade civil, reuniões fechadas com criminalistas e peritos e agora vamos ao Ministério Público”, disse Feghali.

Mais do que quem puxou o gatilho, a motivação do crime é decisiva para compreensão do caso no país que tem um vereador morto por mês segundo dados da União de Vereadores do Brasil (UVB). Entre 2017 e março deste ano, mês da morte de Marielle,  pelo menos 23 prefeitos e vereadores foram assassinados no Brasil.

De grande complexidade, a própria Polícia Civil comparou as investigações a outros casos como os assassinatos da juíza Patrícia Acioli, em 2011, e do pedreiro Amarildo Dias de Souza, em 2013. No entanto, ambos demoraram cerca de dois meses para serem finalizados enquanto as mortes de Marielle e Anderson seguem por 90 dias sem respostas.

Para Feghali as mortes têm conjunturas bem diferentes, sobretudo, por Marielle e Anderson serem executados num contexto de intervenção militar no Rio de Janeiro.

“O crime da Amarildo e da Patrícia têm características diferentes, o crime contra Marielle tem característica de crime político muito mais evidente e aconteceu sob intervenção [federal/militar], tem complexidade maior no ponto de vista do simbolismo e do que envolve”, disse a deputada federal do PC do B.

Jandira pontua que a comissão que não investiga, mas acompanha, vai ter que aumentar o nível de cobrança junto ao MP e a Polícia Civil.

Linha do Tempo do crime

14/03 – Pelo menos 13 tiros foram disparados contra o carro que levava a vereadora Marielle Franco. Quatro deles atingiram Marielle na cabeça que morreu na hora, assim como seu motorista, Anderson Gomes, baleado nas costas.

15/03 – É criada e instalada, no âmbito da Câmara dos Deputados, a Comissão Externa destinada a acompanhar, no Rio de Janeiro, as investigações referentes aos assassinatos tendo como Coordenador o deputado Jean Wyllys (PSOL/RJ), a deputada Jandira Feghali como Vice-Coordenadora e o deputado Glauber Braga como Relator.

16/03 – Constatou-se que a munição (lote UZZ18) pertencia a um lote vendido para a Polícia Federal de Brasília em 2006. Munição do mesmo lote já foi utilizada em diversos crimes no país, inclusive na Chacina de Osasco (uma das maiores da história do Brasil).

21/03 – A comissão externa da Câmara dos Deputados criada para acompanhar as investigações sobre os assassinatos faz sua primeira reunião. Soube-se que cinco das 11 câmeras de trânsito da Prefeitura do Rio que estavam no trajeto de Marielle estavam desligadas.

29/03 – O Secretário de Estado de Segurança do RJ, o general Richard Nunes afirmou em entrevista que a investigação caminha no sentido de confirmar a tese de que fora um crime com motivações políticas.

03/04 – Após cogitar a possibilidade de federalização da investigação, o Conselho Nacional do Ministério Público decide manter, no âmbito estadual, a investigação do órgão sobre o caso.

04/04 – Investigadores descobrem o número do celular do motorista do carro usado no dia dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson.

14/04  –  Um mês depois da execução. O secretário de Estado de Segurança Pública, general Richard Nunes, afirmou na imprensa que foram descartadas possíveis motivações pessoais ou uma suposta retaliação de funcionários do gabinete de Marielle. Vários vereadores foram chamados para prestar depoimento, entre eles Marcello Siciliano, do PHS. Manifestações em diversas cidades do Brasil e do mundo realizaram atos pedindo justiça e contra a intervenção militar do estado do Rio de Janeiro.

24/04 – É anunciado o fim da perícia, 41 dias após o crime.

03/05 – Imprensa divulga que câmeras no Estácio foi desligada na véspera das mortes de Marielle e Anderson.

07/05 – Reportagem da Record, afirma que Marielle foi morta por submetralhadora e não pistola, é de uso restrito das forças de segurança e pode ter sido desviada do arsenal da própria Polícia Civil.

08/05 – Delator, ex-miliciano, acusa Orlando Oliveira Araújo, conhecido como Orlando Curicica em ser mandante do crime ao lado do vereador Marcelo Siciliano do PHS. De acordo com a testemunha, a morte de Marielle foi decretada porque as ações de consciencialização que ela fazia em favelas contrariava interesses dos dois principais suspeitos. A milícia de Orlando controla sob o poder e o terror das armas várias favelas na zona oeste do Rio de Janeiro, nomeadamente na região de Curicica, e onde o vereador Marcello Siciliano também tem reduto eleitoral. Ambos negaram envolvimento em depoimento. Inclusive Curicica o fez em carta divulgada pela imprensa.

10/05 – Polícia Civil realiza reconstituição do caso. Conclusões não foram divulgadas.

14/05 – 60 dias sem respostas sobre os crimes. Justiça autoriza transferência de Curicica para presídio federal por questões de segurança, o que até hoje não aconteceu. Curicica está preso desde outubro por ter mandado matar um homem que instalou um circo em uma área dominada por ele, sem autorização. Segundo relatos da mídia, a circunstância do assassinato são parecidas com a que pôs fim a vida de Marielle.

11/06 –  Comissão Externa que acompanha as investigações reuniram-se com Maria Laura Canineu, representante da ONG Internacional Human Rights Watch, para discutir os últimos desdobramentos do caso e as estratégias para pressionar por mais celeridade e empenho das instituições do Estado em chegar à conclusão deste atentado contra a democracia.

13/06 – Anistia Internacional exige atuação mais estratégica do Ministério Público depois de 90 dias sem solução do caso.

14/06 – Três meses do assassinato de Marielle e Anderson na mesma semana do aniversário de quatro meses da intervenção federal/militar no Rio de Janeiro. (Do Sul21)

Trio regional é aposta de Artur no Leão

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O lateral direito Bruno Limão, o volante Keoma (foto) e o zagueiro Romário já se apresentaram ao Remo e foram integrados ao elenco como os últimos reforços para a Série C. O trio foi recomendado por Artur Oliveira e deve ganhar chances no time titular. Limão era jogador do São Raimundo, Keoma e Romário defenderam o Bragantino no último Parazão.

Outro que treina normalmente é o volante Vacaria (ex-Juventude), cotado inclusive para estrear contra o Atlético-AC na próxima segunda-feira, no Mangueirão. Dudu, meia oriundo do Vila Nova (GO), também pode ganhar chance.

Nos treinos desta quarta-feira, a equipe titular teve a seguinte formação: Vinícius; Levy, Mimica, Bruno Maia e Esquerdinha; Keoma (Dudu), Brasília (Vacaria), Everton e Rafael Bastos; Eliandro e Elielton.

Blindagem a delatores abre brecha para anulação de processos contra Lula

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A coluna Painel, da Folha de SP, traz informações que revelam as reações internas em órgãos oficiais de combate à corrupção como o TCU, CADE e outros à decisão do juiz Sérgio Moro, que blindou delatores e empresas. Já há consenso entre seus integrantes de que Moro plantou a “semente” da nulidade de diversos processos na Lava Jato, ao negar o acesso à provas, por parte de órgãos oficiais.

A medida que protege os delatores, chamados de colaboradores por Moro, bem como suas empresas, não tem previsão na legislação brasileira. Juristas afirmam que a decisão foi baseada numa lei americana, portanto, ilegal aqui. Com isso, o PT abriu uma busca detalhada por nulidades nos processos do ex-presidente Lula e já tem por onde começar.

Leia as notas do Painel:

Agulha em palheiro

O PT vai levantar todos os nove casos que foram alvo da decisão do juiz Sergio Moro de restringir o uso de informações compartilhadas pela Operação Lava Jato com cinco órgãos do governo federal e o Tribunal de Contas da União. A sigla quer saber quem são os citados e que advogados atuaram nos depoimentos agora protegidos pelo juiz.

Foi-se

No TCU, a avaliação é a de que a decisão que blindou empresas lenientes e delatores plantou uma “semente da nulidade” em casos da corte.

Anéis…

Integrantes da AGU dizem que ações do órgão não usaram provas obtidas pela Lava Jato e, portanto, estariam a salvo da canetada de Moro. Mas há preocupação com os casos em que representa a Fazenda Nacional e o TCU.

… e dedos

Procurada, a assessoria da AGU disse que o órgão não foi intimado da decisão e que não analisou o tema. 

Sem presença do coronel, CBF confirma sedes da Copa América

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A Confederação Brasileira de Futebol confirmou nesta quinta-feira as cinco cidades-sede da Copa América de 2019, que será realizada no Brasil. Os jogos do torneio continental acontecerão em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte (foto), Porto Alegre e Salvador.
A definição das cinco sedes aconteceu no encontro entre os presidentes de federações sul-americanas, na inauguração da casa Conmebol, em Moscou, na Rússia.

O vice-presidente da CBF, Fernando Sarney, foi o responsável por discursar, já que Coronel Nunes sequer apareceu no evento pelo mal-estar criado na última quarta-feira.

Além de Fernando Sarney, quem também representou a CBF no encontro foi Rogério Caboclo, diretor executivo de gestão e futuro presidente da entidade. Caboclo, que já venceu a eleição presidencial sem qualquer concorrente, assumirá o cargo em abril de 2019.

Apesar de as cidades-sede terem sido divulgadas, ainda não se sabe em quais estádios os jogos irão acontecer. A tendência é que apenas em São Paulo haja a possibilidade de os confrontos não serem realizados no estádio que sediou a Copa do Mundo de 2014, uma vez que o Allianz Parque está na briga para desbancar a Arena Itaquera como palco da Copa América.

A Copa América de 2019 está prevista para começar no próximo dia 14 de junho. A final acontece no dia 7 de julho. Esse será o primeiro torneio continental de seleções realizado no Brasil desde 1989, quando a Seleção se sagrou campeã em cima do Uruguai.

Que comecem os jogos

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POR GERSON NOGUEIRA

Celebração é a palavra que melhor define uma Copa do Mundo. Nada se aproxima mais do significado de festa popular do que o maior torneio de futebol do planeta. Estão em campo as tradições, escolas e bandeiras mais respeitadas. E, acima de tudo, haverá o desfile dos melhores jogadores, treinados por alguns dos melhores técnicos.

Para quem ama futebol, a espera de quatro anos pela competição se justifica plenamente quando amanhece o dia da abertura da nova edição. É como a reação das crianças ao receber um presente há muito sonhado.

Comecei a ter ideia da verdadeira grandeza de uma Copa em 1970 por ocasião do tricampeonato mundial. Era moleque, tinha 12 anos e fui ver um jogo entre Brasília e Baião, os dois times tradicionais da minha cidade.

De repente, quase ao final do jogo, irrompeu um carnaval entre as pessoas que estavam em torno do gramado. Todos pulavam, cantavam e se abraçavam. O Brasil havia vencido a Itália por 4 a 1, no México. Como o resto do país, os baionenses mergulhavam na grande comemoração.

Nunca mais esqueci aquelas imagens. Para um menino, nada é mais marcante do que a alegria espontânea, a vibração natural e as expressões felizes de amigos, conhecidos e irmãos.

Quis o destino que o futebol continuasse a cruzar o meu caminho. Nos anos seguintes, cobri quatro mundiais e estou me preparando para fazer a quinta. A emoção é a mesma da primeira vez em que estive na tribuna de honra, vendo as seleções entrando em campo para uma partida de Copa.

Em 2006, em Berlim, acompanhei a estreia brasileira na Copa alemã diante da Croácia. Quando soaram os acordes daquele empolgante hino da Fifa e o trio de arbitragem entrou no gramado, seguido pelos dois times, não segurei as lágrimas. Veio à mente o júbilo que havia vivido e testemunhado 36 anos antes no estadinho e nas ruas enfeitadas de Baião.

Vi ali meu pai José, que jogou futebol e chegou a ser árbitro e técnico, só para não se afastar da atividade tão amada. Se pudesse, teria ele ali ao meu lado. Melhor ainda: se possível, trocaria de lugar para que tivesse a honra tão merecida de ver uma Copa acontecendo ali sob seus olhos.

Foi dele que recebi as primeiras informações sobre os grandes craques, as táticas, histórias, encantos e lendas do jogo. Quando consegui segurar o choro, veio o alívio feliz por lembrar que estava ali a representá-lo, modestamente.

Uma Copa demarca a passagem do tempo. Funciona como um calendário especial. Costumamos lembrar datas, alegres ou não, pelo quadriênio que separa um torneio do outro. O que vamos ver hoje, no estádio Luzhniki, em Moscou, a partir das 11h30, é representação máxima daquele que é o único esporte realmente unificador.

Nem o mercantilismo avassalador – e seus tentáculos destrutivos – que contamina atletas, clubes, federações e empresas consegue superar o gigantismo do futebol nos corações e mentes de meninos do mundo inteiro.

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Mudança oportuna de rumos no Papão

A possível volta de Pedro Carmona e prováveis mudanças na linha de defesa, que pode voltar a atuar com dois zagueiros, confirmam que Dado Cavalcanti aproveitou os últimos dias para fazer uma boa reavaliação sobre a maneira de jogar do Papão.

As derrotas fora de casa para Criciúma e Goiás ligaram o desconfiômetro lá pelas bandas da Curuzu e a conclusão óbvia é a de que o sistema de jogo precisa ser modificado. Funcionou bem nas primeiras rodadas, mas os adversários passaram a mapear os pontos fracos e a neutralizar o PSC.

Com Carmona de volta, caso se confirme a formação usada nos treinos, o time ganha em qualidade, mas perde em intensidade e resistência. É uma substituição certa no segundo tempo. Alan, mesmo atuando abaixo do esperado contra Criciúma e Goiás, merece continuar no time.

A indagação que permanece é quanto ao aproveitamento de William, o volante que Dado efetivou durante o Parazão e que perdeu espaço na Série B, mesmo sem ter qualquer atuação mais comprometedora.

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O novo mico internacional do coronel

No mesmo estilo de caboclo interiorano que marcou sua longa trajetória como cartola no Pará, o coronel Antonio Carlos Nunes voltou a pisar na bola durante contato com a imprensa que cobre a Seleção Brasileira na Rússia. Confundiu Mar Vermelho com Mar Negro e chegou a ensaiar uma gabolice, se autolouvando pelos préstimos ao PSC. “Carreguei aquele clube nas costas”, afirmou, sem esconder o orgulho.

Sem o suporte de assessoria, Nunes desandou a falar o que não podia, nem devia – como em outro mico cometido há alguns anos, durante a Copa América. Falou de suposta amizade com o novo presidente da Fifa, que, como se sabe, não quer muita proximidade com a cartolagem brasileira.

Para coroar esses primeiros dias em Sóchi, o coronel votou na candidatura de Marrocos à sede da Copa do Mundo de 2026. Com isso, contrariou um acordo firmado há meses pelos países da Conmebol em torno da candidatura de Estados Unidos, México e Canadá.

O pior nem foi ter traído o acordo, mas a mentira boba, logo descoberta. Nunes pensou que a votação era secreta e tentou negar que houvesse votado em Marrocos. Depois, com o voto revelado, desconversou, alegando simpatia pela proposta marroquina.

Pode ter arranjado uma tremenda encrenca na relação entre CBF e Conmebol, até por ter despertado a suspeita de que teria feito “pirracinha” com raiva dos americanos, que botaram Marin no xilindró e ameaçam prender Del Nero e Ricardo Teixeira, todos amigos (estes sim) de Nunes.

Perdeu magistral oportunidade de manter o bico calado.

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Poucos brasileiros viram o Brasil ganhar 5 Copas

Um estudo da UnitFour, que trabalha com dados para o mercado, mostra que apenas 6% da população viu o Brasil ganhar cinco Copas do Mundo – e as mulheres são maioria. A estimativa considera apenas aqueles com, idade superior a 5 anos na data de cada um dos títulos (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002). A população que continua viva desde a primeira conquista, atualmente, está na faixa entre 65 e 85 anos.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 14)

O presidente da CBF não errou. Ele é o próprio erro

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Por Juca Kfouri

O coronel Nunes, que preside a CBF porque era o vice-presidente mais velho, não votou errado em Marrocos por acaso. Acaso teria sido se tivesse acertado e votado, como ficou acordado entre os membros da Conmebol, na candidatura EUA/México/Canadá.

Mas Nunes se confundiu ao votar, como trocou o Mar Negro pelo Vermelho.

Teorias da conspiração já pululam nos bastidores do futebol, como pelos corredores da Federação Paulista de Futebol, onde se garante que o voto foi proposital e por vingança da investigação do FBI sobre os três ex-presidentes da CBF.

Tudo é possível, mas traição para perder é de tamanha burrice que é melhor aceitar a tese do erro mesmo, embora o coronel não escondesse sua simpatia por Marrocos, “que nunca sediou uma Copa”. Ontem houve vários erros, hoje mais um e amanhã e depois haverá outro e outro e outros enquanto durar, até abril do ano que vem, o folclórico mandato do fabuloso coronel Nunes.

Pelo menos, ao contrário de Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, ele diverte a patuleia.

Associada ao golpe, ‘amarelinha’ da Seleção tem encalhe de vendas

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Por Erika Nakamura

Tradicionalmente, a camiseta amarela da seleção brasileira sempre foi o item mais vendido entre os produtos lançados tendo a Copa do Mundo como tema. Mas para a Copa da Rússia, que começa nesta quinta (15), o cenário se alterou. Segundo lojistas e ambulantes ouvidos pela RBA, apesar de as vendas serem “satisfatórias”, é a camisa do uniforme número dois da Seleção, a “azulzinha”, que ganhou a preferência dos torcedores para acompanhar os jogos do time brasileiro – que estreia pelo grupo E do torneio, no domingo (17), às 15h, contra a Suíça.

A principal razão apontada pela queda do interesse na tradicional “amarelinha” é ela ter virado “uniforme” nas manifestações pró-impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, a partir de 2014. Transformada em símbolo de apoio ao golpe que derrubou a presidenta em 2016, atraiu rejeição por grande parte dos demais brasileiros. “Tá chegando a Copa e eu não vejo ninguém com a camisa do Brasil. Essa camisa virou sinônimo de filho da puta, de golpista”, disse o cantor João Gordo, do Ratos do Porão, durante apresentação na Virada Cultural paulistana do mês passado.

Em entrevista à revista Época, o escritor Marcelo Rubens Paiva afirmou que jogou fora todas suas camisetas do Brasil, por causa da lembrança política que elas trazem. “Não dá para vestir a camisa da Seleção, que virou símbolo de uma massa de manobra comandada por golpistas”, diz ele acrescentando que torcerá na Copa com o uniforme do Corinthians.

A RBA entrou em contato com lojas físicas da rede Centauro, especializada em materiais esportivos, e a resposta foi unânime: a camiseta azul é a mais vendida e está até esgotada em algumas unidades. “Geralmente, o que vem em maior quantidade é a amarela, mas a saída da azul é muito boa”, conta uma supervisora, que pede para manter seu nome em sigilo, em respeito a normas internas da empresa.

Os dados de outra rede de lojas do setor, a Netshoes (que só opera pela internet), também mostram a preferência do torcedor pelo segundo uniforme, que vem registrando procura 20% maior que a “concorrente” amarela.

As camisas oficiais usadas pela Seleção chegam ao consumidor pelo preço de R$ 450. Uma versão mais simples é vendida por R$ 249,90. Se o torcedor quiser montar um kit com meião e calção o valor chega a R$ 650.

A reportagem também foi à Rua 25 de Março, famosa pela concentração de vendedores ambulantes, os camelôs, no centro de São Paulo. No local, até porque as peças não são originais, os preços praticados são bem mais baixos – variam entre R$ 25 e R$ 65 – , e a agora cobiçada camiseta azul da Seleção também está em falta.

O supervisor de vendas Rafael Ferreira parou na barraca do camelô Edvan e levou sua camisa. “É mais chamativo. Não que a amarela seja ruim, mas a azul é muito bonita”, diz ele. “Está saindo bastante camiseta azul, se não vier comprar logo, acaba. As vendas (da azul) aumentaram, comparado a 2014”, acrescenta o vendedor.

Com três sacolas cheias das “azulzinhas”, o técnico em celulares Tadeu Freitas explica genericamente sua preferência. “O pessoal está pedindo mais, querem algo diferente.”

Alguns comerciantes relatam que a baixa procura pela versão amarela fez baixar seu preço, o que ainda lhe garante algumas vendas. “A principal vende mais porque a azul está mais cara, já que a procura é grande”, diz Dodô, que também trabalha na 25 de Março.

Queda no consumo
Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), para a Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, 50% das famílias tiveram interesse em comprar itens relacionados com a Seleção Brasileira e o Mundial. Já neste ano, o percentual caiu para 24%. A procura por peças de vestuário desperta interesse em apenas 7,5% das famílias e por aparelhos de televisão, em 4,3% delas.

Em entrevista à Radioagência Nacional, o chefe da Divisão Econômica da CNC, Fabio Bentes, diz que o desemprego é um dos motivadores do índice baixo, já que o desemprego em 2014 era de 7,1% , contra 12,9% medido agora, segundo o IBGE.

“Outro fator que também ajuda, principalmente na compra de televisores, que é o carro chefe na movimentação financeira, há o comportamento do crédito, já que a taxa de juros está em 55% ao ano. Soma-se a isso o fato de o evento ser do outro lado do mundo. É normal que as famílias acabem menos empolgadas”, disse. (Da RBA)