O alucinado galope para trás

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Quem desse um salto de seis ou sete anos no tempo, do Brasil do início desta década para cá, ficaria perplexo, não iria crer no que nos aconteceu.

Aquele país cheio da autoestima, de alegria, de esperanças de progresso, virou uma terra onde, exceto a parcela imensa de brasileiros que hoje se encontra perplexa com o que se passou, encontram-se “doutos” a dizer que a solução para o país é cortar mais – direitos, gastos sociais, garantias legais, tudo…) e o xucros que pregam que o caminho é matar mais, prender mais, quem sabe bater mais…

Parece evidente que os segundos têm uma plataforma mais “popular” do que os primeiros.

Na ditadura cantavam que “este é um país que vai pra frente” e o “pra frente, Brasil” virou o slogan oficial, enquanto a política foi reduzida aos curraletes do “partido do sim” e o “partido do sim, senhor”. Mal ou bem, porém, em meio ao obscurantismo, havia algum projeto econômico que ia além do rentismo e do “vendam tudo” de agora.

Do Brasil que vai pra trás, na economia, tira-se mais combustível para o Brasil que vai pra trás em matéria de pluralidade e equilíbrio políticos, aquele que perdemos em nome da avidez de quem não quis esperar a sua hora e abriu as porteiras para uma corja de políticos que tem em Michel Temer o seu abjeto estigma.

Este Brasil regredido guarda muitas semelhanças com o ditadura, em seus primórdios, quando a demolição do governo democrático exigiu a formação de hordas moralistas na classe média, que depois se esvaziaram, deixando como saldo os ferozes mastins que imperaram até meados dos anos 70.

Não duvidem que, persistindo na insanidade – como se desenha – de extirpar Lula da disputa eleitoral e até mesmo enjaulá-lo como “exemplo” do que se reserva a quem queira fazer, pacificamente, reformas neste país, serão eles, a matilha, quem terá condições políticas de galgar o poder, mesmo sem os partidos e o tempo de televisão que julgam ser indispensáveis a isso.

Contam que, sem Lula na disputa, a extrema-direita vai se esvaziar, como se ela fosse consequência da esquerda. Não é, é fruto da transformação do centro político em um aglomerado imoral, que os cevou, estimulou e festejou.

Aos ascéticos juízes e aos imprudentes golpistas que nos levaram a isso é que se dirige o slogan que traduz hoje o “este é um país que vai pra trás”: é bom já ir se acostumando, se insistirem em matar e enterrar o único que pode se opor a isso, Lula.

(Por Fernando Brito, no Tijolaço)

Filha de Marieta afirma que família vai processar autor de texto fake contra Lula

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Intitulado “Os erros de Luiz”, o texto que circulou na última semana através de grupos de Facebook e Whatsapp atribuído à atriz Marieta Severo é falso. Silvia Buarque, filha de Marieta e Chico Buarque, usou sua conta no Instagram para divulgar a mentira e afirmar que o autor do texto será processado, assim como o responsável pela divulgação dele.

A Grande Família

“Minha mãe, Marieta Severo. Filha de um juiz justo (o que deveria ser um pleonasmo, mas não é). A pessoa mais correta que conheço. De um senso de justiça que quem a conhece sabe. Uma de suas principais características. Vítima hoje de um texto nojento atribuído a ela, atacando o Lula. Ela é eleitora do PT. Ela não é radical, ela não é incendiária, ela é discreta como boa filha de mineiro. Mas esse texto é completamente mentiroso. Grave! Vai ter processo, vai ter resposta. Mas já me adianto aqui porque a internet é rápida demais”, escreveu Silvia.

O texto atribuído a Marieta afirma que o petista teve a “oportunidade histórica de fazer diferente”, mas que fez “igual” aos que criticou. Cita escândalos como o mensalão, além de o impeachment de Dilma Rousseff e a morte de Dona Marisa entre outros fatos que marcaram os últimos anos.

(Com informações da Revista Fórum)

Recife quer ajudar Pebas a quebrar jejum de vitórias no Parazão

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Presente em dois dos três jogos do Parauapebas no Parazão, o volante Augusto Recife segue em busca da primeira vitória no estadual. Na quarta-feira, a equipe empatou em casa com o Independente por 0 a 0 e somou seu segundo ponto na competição. Na terceira posição do Grupo A2, o clube terá uma boa sequência de quatro jogos seguidos em casa. Para Recife, é a oportunidade de crescer na competição.

“O campeonato está no começo ainda mas o quanto antes conseguirmos nossa primeira vitória, melhor. Temos agora uma ótima sequência de jogos em casa, é uma grande oportunidade e precisamos aproveitá-la. Vamos pensar jogo a jogo e buscar nosso primeiro triunfo, que vai dar mais tranquilidade para trabalharmos”, avaliou o experiente atleta, que soma 44 jogos e três gols em certames estaduais paraenses.

A primeira, das quatro partidas em casa do Parauapebas, acontece neste sábado (27), às 20h, contra o Águia de Marabá. O adversário, aliás, costuma trazer boas lembranças para o atleta, isso porque Recife já enfrentou cinco vezes a equipe e nunca perdeu, foram duas vitórias e três empates.

Além disso, no último confronto com a equipe, o jogador deu uma assistência no empate em 1 a 1 pelo estadual do ano passado, quando defendia o Paysandu. “Fico feliz pelo bom desempenho e espero que continue assim. Esses números positivos servem de motivação, claro que isso na hora do jogo não vale nada, mas é sempre um combustível a mais para entrar em campo. Estamos precisando muito da vitória e vamos lutar por isso”, disse. (Da AV Assessoria)

NYT: Uma estratégia para enterrar Lula, por Hernán Bruera

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Jornal GGN – Para o professor do Instituto Mora (Cidade do México) e doutor em Desenvolvimento pela Universidade de Sussex (Reino Unido), Hernán Gómez Bruera, o julgamento da apelação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva corrobora uma intensa estratégia para apagar a força política do candidato petista.
Como analista político, ele vem criticando fortemente o papel de setores da Justiça brasileira responsável por judicializar, mais do que nunca, uma eleição no país. No artigo a seguir, publicado no jornal New York Times, ele costura os pontos que comprovam o objetivo final de enterrar a figura de Lula, destacando:
“Os juízes não só ignoraram as declarações de 73 testemunhas que contradizem as acusações do ex-diretor da empreiteira OAS, e os diversos recursos interpostos pela defesa do ex-presidente, como também não consideraram uma carta aberta assinada por numerosos intelectuais, ativistas e políticos latino-americanos”.
Ainda que, nas manobras para acabar com a imagem do petista, lancem mão de qualquer expediente anticonstitucional e que coloquem em risco o Estado de Direito no Brasil, o pesquisador pondera que “Lula continuará a influenciar a política brasileira por muitos anos.”
Acompanhe a seguir o artigo na íntegra.
Para o público que não conhece as particularidades do caso, a notícia de que um ex-presidente é julgado por corrupção em uma nação latino-americana – onde a impunidade geralmente é a regra – pode parecer um avanço. No entanto, um processo judicial em que os promotores e juízes atuaram de forma parcial, sem aderência à lei e violando as garantias do réu, constitui uma grande ameaça para a democracia e um evento que – no meio do ano eleitoral – será um motivo para incerteza e tensão entre os brasileiros.
A sentença do juiz Sérgio Moro, ratificada esta semana, acontece dezessete meses depois que Dilma Rousseff foi afastada da presidência por meio de uma operação política de legalidade duvidosa e depois de o Congresso isentar o presidente Michel Temer, sobre quem há provas de corrupção.
Ao ratificar a sentença impostas a Lula e aumentá-la de nove a doze anos, os três juízes federais – em busca de estrelato político semelhante ao do famoso Moro – validaram por unanimidade um julgamento falido desde sua origem e sem o tipo de evidência que exige um processo criminal.
A investigação nunca conseguiu provar que Lula tinha uma única conta bancária ou uma propriedade indevida. Os juízes não só ignoraram as declarações de 73 testemunhas que contradizem as acusações do ex-diretor da empreiteira OEA, e os diversos recursos interpostos pela defesa do ex-presidente, como também não consideraram uma carta aberta assinada por numerosos intelectuais, ativistas e políticos latino-americanos, nem o estudo detalhado da sentença por mais de uma centena de advogados e estudiosos que desmantelaram todas as premissas da sentença do juiz Moro. Juristas internacionalmente reconhecidos criticaram duramente o processo. Mesmo o teórico da garantia legal, Luigi Ferrajoli, advertiu que o julgamento contra Lula se caracterizava por sua “impressionante falta de imparcialidade”.
Os próximos meses serão de incerteza para o Brasil, onde um processo eleitoral judicializado será realizado. A decisão não é a última instância. Lula poderá levar o seu caso ao Supremo Tribunal Federal. Embora ele possa ser preso nas próximas semanas, é mais provável que os juízes lhe permitam esgotar o processo em liberdade.
Quanto às eleições, o Partido dos Trabalhadores (PT) provavelmente registrará Lula como candidato e levará a disputa até o fim. Até lá, se a condenação for ratificada pelo tribunal mais alto do país, [seu nome na legenda] poderá ser substituído até vinte dias antes da eleição.
Com a decisão, os juízes brasileiros deram carta branca a um conjunto de perigosas práticas legais que criam um estado de exceção típico dos regimes autoritários. Parece que, no poder judiciário brasileiro, vale tudo em um julgamento anticorrupção: de romper as regras de um processo criminal, inventar figuras legais inexistentes ou manipular mecanismos de prisão preventiva.
Para mim, é difícil encontrar outra motivação para permitir essas irregularidades do que separar Lula da Silva da campanha presidencial deste ano, na qual o líder ex-sindical ainda é claramente favorito. Da pesquisa mais conservadora (Datafolha) para a mais esquerdista (Vox Populi), concorda-se que o ex-presidente receberia mais de 40 milhões de votos nas eleições de outubro.
A direita brasileira há muito compreendeu que Lula é eleitoralmente imbatível. Talvez seja por isso que uma via judicial foi desenhada para removê-lo do poder, transferindo para os tribunais uma decisão que em uma democracia deveria corresponder aos cidadãos. Talvez seja por isso que a Bolsa de Valores de São Paulo reagiu com alegria na ratificação da decisão.
A estratégia não é só procura desabilitar eleitoralmente o ex-presidente (em poucos meses, saberemos se isso finalmente acontece), como também minar a sua imagem e reputação.  O objetivo é pôr fim ao mito de um líder que capacitou os setores populares, causar um golpe mortal à esquerda brasileira e promove uma agenda econômica, política e social conservadora.
Assim, desde o primeiro momento, o julgamento contra Lula foi travado na mídia – esmagadoramente contrária a Lula e ao PT -, onde os juízes e procuradores se dedicaram a expressar opiniões políticas e até mesmo a comentar os processos que estavam sob sua jurisdição exibindo seu viés.
No escândalo Lava Jato, onde a investigação contra Lula foi inserida, políticos de todas as partes estão envolvidos, tanto do governo como da oposição, bem como os donos das maiores empresas de construção (incluindo OAS e Odebrecht). A corrupção é sistêmica e consubstancial com a política brasileira. Sem corrupção, as campanhas políticas não são financiadas (no Brasil não há financiamento público para campanhas) nem as maiorias parlamentares são garantidas.
Claro que combater essa corrupção não só é louvável como também é necessário. O problema da suposta cruzada moral é que os promotores e juízes que estão à frente, em sua ânsia de se tornar super-heróis e promoverem-se politicamente, investigaram com maior agilidade e dedicação figuras de partidos políticos de esquerda e Lula com uma particular violência. Não em vão, o juiz Moro tornou-se tão popular em setores identificados com a direita, na medida em que aparece em algumas pesquisas como concorrente potencial.
O objetivo do processo para Lula da Silva não foi promover o surgimento de uma nova república de honestidade e transparência, mas tirar o rival mais temido do caminho. Portanto, embora Lula eventualmente tenha emergido ileso desse julgamento, ele terá que enfrentar vários outros processos, talvez “igualmente infundados e politicamente motivados”, como muitos analistas dizem.
Se Lula não chegar ao fim da corrida para a presidência, outros candidatos menos competitivos podem fazê-lo com seu apoio, como o advogado Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo ou o ex-ministro Ciro Gomes, hoje afiliado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT) , com quem o PT poderia se aliar.
Independentemente do que finalmente acontecer, a verdade é que, presente ou não nas próximas eleições, a figura de Lula continuará a influenciar a política brasileira por muitos anos, ainda que as elites de direita se empenhem em enterrá-lo a troco de um incalculável custo político que isso poderia ter para a democracia brasileira.
Hernán Gómez Bruera é pesquisador especializado em América Latina no Instituto Mora na Cidade do México. Ele publicou, entre outros livros, “Lula, o Partido dos Trabalhadores e o dilema da governança no Brasil”.

O sucesso da legião sub-35

Emerson-Sheik-Corinthians

POR GERSON NOGUEIRA

A frenética busca por reforços (ou quase isso), empreendida pelos grandes clubes brasileiros, adquiriu contornos patéticos nas últimas semanas. Engraçado, digo eu, que nada tenho a ver com a gastança dos clubes para tornar seus times mais robustos ou rodados, conforme o caso. Ou, quem sabe?, apenas para engabelar a torcida, como é mais comum do que se imagina, aqui e alhures.

Quase todos os nomes que ilustram as matérias nos jornais estão acima dos 30 anos, o que pode não ser muita coisa para goleiros, mas pesa bastante em relação a jogadores de linha, principalmente atacantes.

O recordista na busca por velhotes para seus times é o futebol mineiro, cuja dinheirama sem fim exibida por Atlético e Cruzeiro é algo digno de uma investigação mais aprofundada. O primeiro nome na dança dos veteranos milionários foi Fred, que muitos já davam até como aposentado após a nublada (pra dizer o mínimo) atuação na Copa do Mundo de 2014.

Com fôlego de sete felinos (ou raposas), Fred não só sobreviveu ao tsunami do Mundial como até se valorizou mais! Na contramão das críticas e da fama de cone, ascendeu à seleta faixa dos salários acima de R$ 800 mil, ganho de estrelas em ascensão na Inglaterra, Espanha e Alemanha, principais centros do futebol no mundo.

No final da temporada, decidiu mudar de ares e deixou o Galo, pulando para seu antigo clube, generoso na recepção, a ponto de lhe garantir remuneração avaliada em R$ 1 milhão mensais. Aqui cabe um parêntesis: nenhum outro país da América do Sul se dá ao luxo de torrar tanto dinheiro inconsequentemente com veteranos da bola, razão maior do buraco financeiro em que se encontram os grandes nacionais.

Talvez por inveja do rival, o Galo resolveu abraçar o apoio à categoria sub-35, contratando o pastor Ricardo Oliveira, com salários em faixa mais branda, cerca de R$ 200 mil. Ainda assim o valor incompatível com a pouca assiduidade com que Oliveira anda marcando gols.

Em São Paulo, que já foi túmulo do samba e é a terra da garoa, a gastança segue a mesma toada. Emerson Sheik, beirando os 40 anos, foi convocado para se unir ao incrível exército de Fábio Carille. Foi a resposta do clube à saída de Jô, artilheiro da temporada e um dos responsáveis pelo título mais fácil da história corintiana.

Depois de perder o rodado Hernane (32 anos), o São Paulo enveredou pela mesma trilha, contratando de uma só vez Diego Souza e Nenê, ex-Vasco. O meio-de-campo tricolor, com ambos em campo, vai ter feições sexagenárias. Com algum esforço, até o diretor de Futebol Raí poderia estar jogando com a dupla. Sem esquecer que Diego Lugano, 37 anos, ainda anda por lá, agora com funções extracampo.

A exceção entre os grandes de São Paulo é o Palmeiras, que adotou outros critérios para 2018. Preferiu investir em gente mais nova, como Lucas Lima, embora tenha permanecido com Felipe Melo, o pitbull falastrão de meia-idade. A média etária vai diminuir porque o eterno Zé Roberto finalmente decidiu pendurar as chuteiras, depois de enganar admiravelmente nos últimos três anos.

Os cariocas andam mais contidos, provavelmente por falta de recursos. Ainda assim, o Vasco mantém Luís Fabiano no elenco. O Flamengo pode de repente aderir ao modelito sub-35 se levar a cabo o projeto de renascimento de Adriano, ex-Imperador. Caso não seja possível, tem Guerrero, que não é tão idoso para o esporte, mas se comporta como um sagaz aposentado, econômico em gols e esperto o suficiente para faturar cerca de R$ 700 mil pratas todo mês.

A conversa poderia ir mais longe, mas penso que os exemplos acima dão bem a medida dos disparates gerenciais do futebol no Brasil. Há, obviamente, uma óbvia estiagem de talento, mas recorrer a jogadores em fase crepuscular de carreira denuncia falta de criatividade e de disposição para investir em jovens valores.

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Papão mata a cobra e mostra o pau

Os jovens estudantes torcedores do Papão deram uma demonstração de pujança e amor pelo clube na quinta-feira à noite, exatamente entre 18h29s23 e 18h32s30, esgotando num tapa a cota de 500 bilhetes de meia-entrada postos à venda no site oficial do clube, como é praxe.

Por surpreendente, a vertiginosa procura gerou breve comentário da coluna, que alguns fundamentalistas preferiram interpretar por vias oblíquas, como é próprio dessa confraria de hunos que floresce (sem adubo) no campo fértil das redes sociais.

É natural que os intolerantes que vagam como zumbis pela internet, sempre à procura de um alvo qualquer, encontre abrigo no futebol, área tão generosa quando o assunto é dar pitaco e propagar informação fake.

Por sorte, ainda reina o bom senso entre gestores e agentes do negócio futebol. Depois de alguns ruídos de desinteligência ao longo do percurso, com o alarido típico dos que buscam promoção fácil, o pueril assunto foi esclarecido de maneira cortês.

Em contato com a coluna, o presidente Tony Couceiro afirmou que o tom da nota o deixou intrigado e até preocupado com qualquer tipo de ação que venha a prejudicar o sistema de venda de meia-entrada pelo clube, deixando claro que o clube jamais iria compactuar com qualquer burla.

Observei que o comentário traduziu surpresa em cima do alto número de acessos em tão curto espaço de tempo, sem ter obviamente intenção de atingir a instituição PSC, mas admitindo a possibilidade (sempre possível) de algum truque cibernético.

Atento à necessidade de transparência absoluta junto ao público consumidor, o clube se manifestou também através da assessoria de comunicação, detalhando o processo de compra dos 500 bilhetes e disponibilizando a listagem completa dos nomes dos compradores, providência que, presumo, deve se tornar rotineira a partir de agora.

(Coluna publicada no Bola deste sábado, 27) 

Maradona posta nova foto com Lula: “Não me importo com os insultos de alguns covardes”

Diego Maradona no Instagram:

“Eu sou amigo de Lula. Não me importo com os comentários e insultos de alguns covardes. Eu não traio, e não minto. E eu mostro a cara também nos piores momentos. Lula é um grande cara e sabe muito sobre política. Os outros têm que sair a comprá-la”.

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Um novo AI-5. O que fazer?

Por Ricardo Cappelli, no Jornal GGN
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1 – A DURA REALIDADE: Entre a previsão e o impacto do fato a diferença é grande. Foi difícil dormir. Pairavam as sombras de um novo AI-5. Se você substituir Lula por Zé Dirceu verá sentenças idênticas. Foi o ser histórico e seu papel, não o homem o condenado. Esse judiciário vai permitir que Lula seja candidato? Não há mais dúvida, a hipótese de prisão é real.
2 – CADÊ O POVO ? As manifestações foram importantes. Mas não podemos fechar os olhos à realidade. Não há povo na rua. Lula deve subir nas próximas pesquisas devido à exposição do julgamento e ao sentimento de injustiça, mas não há povo na rua disposto a matar e morrer por ele. É o preço pela ausência de uma estratégia de organização popular enquanto estávamos na ofensiva. Um preço caro e doído.
3 – DEMOCRACIAS DE PLÁSTICO – A radicalização acompanha a economia. O capitalismo vive um processo de brutal concentração. A desigualdade decorrente será cada vez mais incompatível com a democracia. É provável que tentem prender também Cristina Kirchner na Argentina. Vão se construindo “democracias de plástico”, inodoras, sem povo e a serviço do mercado.
4 – O BURACO INSTITUCIONAL – O judiciário aprofundou o fosso entre o povo e as instituições. Como convencer que Lula é condenado por um apartamento que nunca foi dele e outros, com malas de dinheiro, estão soltos? Estão brincando com fogo. Uma justiça injusta, parcial e partidária, pode levar à completa desestabilização do país.
5 – O XADREZ DA DIREITA – O STF, pressionado, decidiu rediscutir a prisão a partir da segunda instância. Prender Lula é uma aposta de alto risco. Quem conhece o mercado sabe que seus yuppies gostam de uma aposta. Ontem a Bolsa subiu e o dólar caiu. O próximo alvo deve ser Bolsonaro. Precisam tirá-lo do jogo. Vão limpar o campo para, se possível, tentar ganhar no primeiro turno.
6 – AVENIDA PAULISTA OU COSME VELHO? Alckmin unificou São Paulo. A turma que tentou golpear Vargas em 1932 não costuma brincar. Foi só FHC colocar Alckmin em dúvida e sinalizar para Huck que a Folha estampou o apartamento dele na Avenue Foch, um “barraco” de 11 milhões de euros. A Globo também não é um império por acaso. Travarão uma luta dura pelo leme e, pragmáticos, irão se unificar ao final em torno do vencedor.
7– O ERRO DA RADICALIZAÇÃO – Atos estéreis de radicalização esquerdista é tudo que a direita espera que façamos. Abrirão champanhe a cada novo ato vanguardista. É erro grave. Numa defensiva brutal, não há saída a não ser sair das cordas, ampliar.
8 – O LULISMO E O DILEMA – A massa lulista defende as políticas sociais. E opta por um líder forte, protetor. Em alguns estados quando Lula sai da eleição crescem em seu lugar Huck e Bolsonaro. Lula continuará sendo o principal ativo do campo progressista. Seu poder de transferência é importante, se será suficiente é cedo para afirmar. Ficando cada vez mais claro que não irá até o final, qual será o momento ideal para substituí-lo de forma a facilitar a transferência? Esse dilema, cedo ou tarde, vai chegar à mesa do PT.
9 – DIVISÃO DA ESQUERDA – Não existe espaço vazio, é a política como ela é. Os demais partidos também avançarão na discussão de alternativas. Se as direções partidárias não tiverem juízo, daqui a pouco veremos Comunistas, Socialistas, correligionários de Ciro, Petistas e Psolistas trocando tapas em praça pública. A insegurança sobre o futuro do Lulismo e a disputa por seu espólio serão o terreno fértil para esta eventual lambança.
10 – UM NOVO PARTIDO PARA UMA NOVA REALIDADE – Loucura? Fora da realidade? O novo quadro impõe pensar “fora da caixinha.” Qual o sentido, na atual quadra histórica, de termos Manuela D’Ávila, Ricardo Coutinho, Jaques Wagner, Ciro, Requião e até mesmo psolistas como Erundina e Edmilson Rodrigues em partidos diferentes? Pegaram o Rei. Vão parar em Lula ou no PT, como Lula achou que parariam em Dirceu? A construção de um novo Partido de Frente, orgânico, que reúna Comunistas, Socialistas, Sociais Democratas e Nacionalistas em torno de um Programa por uma Nova Independência do Brasil sacudiria nosso campo e apontaria perspectiva. Não se trata da dissolução ou da liquidação dos partidos atuais, que atuariam por dentro da Frente. Seria a materialização de uma compreensão histórica superior sobre o estágio da luta no Brasil.
11 – É POSSÍVEL GANHAR ? – A tarefa da direita é das mais difíceis. Aprovar um projeto antinacional e antipopular nas urnas em meio a uma grave crise econômica e social não será fácil. Terão que alijar a esquerda do processo e contar com a sua divisão. É possível ganhar. Desde que haja grandeza e desprendimento de todos.
(*) Ricardo Cappelli – Secretário Chefe da Representação do Governo do Maranhão  no DF 

Cruzada anticorrupção no Brasil vai até Lula e termina nele, diz filósofo

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Informação consta da coluna do filósofo e professor Vladimir Safatle na Folha de S.Paulo.

Nesta semana, o Brasil assistiu a primeira condenação de um ex-presidente na história de sua República. Será também a primeira vez que o principal candidato a eleição presidencial não poderá concorrer por ter sido impedido devido à ação do Poder Judiciário. O próximo passo deverá ser a primeira prisão de um ex-presidente no Brasil.

É claro que uma das questões políticas mais discutidas nos próximos dias será: o que isto realmente significa?

(…)

A sanha anticorrupção vai até Lula e termina nele. No entanto, para ser uma expressão de nova realidade do Poder Judiciário ela deveria, desde o início, ter sido devastadora também para os outros atores e setores da vida política nacional, o que simplesmente não foi o caso. Um país onde Lula é condenado e Temer é presidente e Aécio Neves senador é algo da ordem do escárnio.

Por outro lado, o uso político do Judiciário é uma especialidade nacional. Durante a ditadura, o número relativamente baixo de mortes foi compensado pelo numero impressionantemente alto de processos jurídicos contra opositores reais e potenciais.

(…)

O funcionamento normal do governo brasileiro é através da quebra da norma, nada disto mudou com novos grupos políticos no poder. Mas mesmo que a corrupção seja fato generalizado, a aplicação da lei será feita a partir das circunstâncias e interesses políticos do momento.

Ou seja, todos estão fora da lei e é importante que todos exerçam o poder fora da lei, pois quando a lei for aplicada, ela poderá pegar, de maneira seletiva, quem quiser.

A grande ilusão que impulsionou certos setores da vida nacional em torno de Lula foi acreditar estar seguro em uma “governabilidade” desta natureza, ao invés de realmente lutar para mudá-la e perceber que não haveria espaço real dentro dela.

O que o julgamento de Lula mostrou foi simplesmente o contrário. Seu destino é a expressão do colapso de todo horizonte de conciliação na política nacional, com seu preço a pagar em moedas de grandes empreiteiras.