Presepadas de dona Fifa

POR GERSON NOGUEIRA

O estrupício que leva o nome de Ranking da Fifa produziu nesta semana outro descalabro de dimensões tsunâmicas. Tenta provar, sem qualquer respaldo estatístico ou científico, que a Bélgica é a atual melhor seleção do planeta. E inclui nada menos que mais quatro não campeãs mundiais no Top 10. Pois eu desafio qualquer amante do futebol a citar um grande feito da gloriosa seleção belga na história do nobre esporte bretão. Vale qualquer coisa – um torneio mundial, um clube de primeira grandeza, uma campanha estonteante em Copas do Mundo etc.

Óbvio está que, passados uns bons 20 minutos, que podem ser prorrogados por mais 20 ou 40, o cidadão instigado pelo desafio haverá de concluir que o país do chocolate não conseguiu mais que algumas boas campanhas na Eurocopa e dois começos (eu falei ‘começos’) auspiciosos de caminhada em Copas. Nunca teve um craque inscrito entre os imortais da bola e jamais passou perto dos píncaros da glória do esporte mais popular do mundo.

Desconfio que o atual primeiro lugar no ranking da Fifa é a maior façanha belga no futebol em todos os tempos. Sem precisar levantar uma taça, sem ter sido pelo menos terceira colocada em Copa do Mundo.

Além de despropositado, o monstrengo estatístico produzido pela caótica Fifa leva a injustiças colaterais. Pelo atual critério de definição de cabeças de chave em Copas, a Bélgica pode ter a vantagem de ocupar (sem merecer) o lugar de um campeão do mundo, como o Uruguai, no sorteio de grupos do mais importante torneio de futebol do mundo.

Os critérios utilizados para formação do Ranking da Fifa, atribuindo valor até a resultados de partidas amistosas, reduzem a pó a trajetória histórica de países vencedores, como Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, o já citado Uruguai e França, entre outros.

Sem qualquer explicação lógica, os cálculos para o ranking obedecem aos resultados dos últimos oito anos, em amistosos e competições oficiais, com peso estatístico proporcional a cada ano. A confusão aumenta quando se aplicam regras para cada partida disputada, sujeitas a equações e cruzamentos cuja base não é explicada no regulamento.

O regulamento inclui pérolas como a atribuição de 3 pontos à equipe mandante, seja qual for o resultado do confronto. Chega às raias do inimaginável quando atribui notas diferentes a gols marcados num único jogo! O primeiro gol vale mais que o segundo e assim por diante.

A história do futebol é ignorada olimpicamente, em nome de uma discutível valoração do agora. Isso permite coisas como deixar um pentacampeão mundial do Brasil fora do Top 10 algumas vezes, o mesmo ocorrendo com a tetracampeã Itália. São seleções que jamais poderiam estar abaixo do quinto lugar em qualquer ranqueamento sério, considerando suas conquistas ao longo do tempo.

O mais grave é que a legião de torcedores mais jovens muitas vezes nem percebe o abuso perpetrado pela Fifa, e assim caminha a humanidade…

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Manifestação de fé de um grande azulino

Recebi e transcrevo mensagem do grande benemérito azulino Ronaldo Passarinho em face do jogo decisivo de domingo, válido pela Série D e que pode dar ao Remo o sonhado acesso à Terceira Divisão.

“O jogo mais importante da história do Remo será domingo. Tenho confiança no êxito por dois motivos que considero a base de tudo o que vem acontecendo no Remo: a comovente e extraordinária identificação de nossos jogadores com a camisa e a História do clube e a participação do Fenômeno Azul, que enche de alegria e orgulho todos os remistas autênticos. Justo ressaltar a figura de Manoel Ribeiro, que, sem estardalhaço, reuniu um grupo de jovens, maduros e velhos, que estão recuperando a credibilidade do Remo. Vamos todos, em presença ou pensamento, unidos para a luta, a fim de elevarmos o Clube do Remo ao patamar da Glória, seu destino histórico. a) Ronaldo Passarinho”.

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Djalma e os perigos da polivalência

Bom jogador, tanto na parte técnica quanto na aplicação tática, Djalma paga um preço alto pela versatilidade. Surgiu no Papão como opção no meio-de-campo. Destacou-se e foi entrando no time, principalmente quando Lecheva era o treinador em 2011-2012. Na era Mazola Jr., continuou a ser aproveitado, mais como escolta de Pikachu do que propriamente como titular com função definida. Em alguns jogos, diante de aperreios pontuais, foi lançado até como atacante, sempre se desincumbindo bem das missões.

Acontece que essa indefinição quanto à real posição no time tenha atrapalhado Djalma. Nota-se pelo que ocorre agora. Nos últimos treinos para o jogo contra o Macaé (sábado, 21h), o técnico Dado Cavalcanti testou Djalma na lateral-esquerda, faixa de campo que nunca ocupou. Seria lógico que fosse escalado na direita, em substituição a Pikachu. Ocorre que, para azar do polivalente jogador, a lógica nem sempre lastreia as coisas no futebol.

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Mais respeito com a Águia Guerreira

Cobrado pela Tuna quanto ao repasse devido pela negociação de Paulo Henrique Ganso com o São Paulo, o Santos reagiu de maneira mesquinha e desrespeitosa. Através de dirigentes, o Peixe procura insinuar que o clube paraense não teria direito e estaria se aproveitando da situação para faturar uns cobres.

Se há quem mereça a denominação de aproveitador neste caso não é a Tuna. Muito pelo contrário. O clube deve ser reconhecido como legítimo formador de Ganso, que ficou no Souza até os 15 anos. A reposição financeira tardia é o mínimo que se pode esperar neste momento. O dinheiro reclamado é justo e legal, diante das provas de que o jogador deu mesmo seus primeiros passos no Francisco Vasques.

Aliás, quem dá sinais de oportunismo é o próprio Santos, ora em litígio com seu ex-jogador Neymar alegando quebra de contrato trabalhista por ocasião de sua transferência para o Barcelona.

O mundo inteiro sabe que Neymar foi vendido oficialmente pelo Santos ao clube catalão e as fotos e reportagens de TV atestam a transação. Antes de criticar a modesta Tuna, o Santos devia olhar para o próprio rabo e saber o quanto dói perder dinheiro por uma cria. Aliás, cabe observar que Geovani, craque de primeira grandeza e ídolo da torcida santista nos anos 90, foi revelado pela velha Tuna.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 15) 

7 comentários em “Presepadas de dona Fifa

  1. Esse ranking da Fifa é uma das maiores aberrações no meio do futebol. Ver a Bélgica liderando esse ranking é uma coisa completamente sem sentido. Assim como o Brasil, celeiro de tantos craques e pentacampeão mundial, uns anos atrás figurava entre a 15° e 20° posições. Nem a justifica de privilegiar o momento faz sentido, já que a Alemanha que foi campeã mundial ano passado, logo deveria liderar este dito ranking.
    Digo ainda que a “geração video-game” ao ver a seleção de Hazard, De Bruyne, Courtuis, Lukaku e Felaine liderando o ranking da fifa deve achar a coisa mais natural do mundo.

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  2. É óbvio que o ranking da FIFA, até por ser mal explicado gera constantes reclamações e algumas delas com razão, face ver a bélgica na frente da alemanha, campeã do mundo no ano passado.
    Agora, levar em consideração a história ao invés do momento, isto é correto e feito em todos os esportes.
    Vamos olhar o tenis, rafael nadal, tem inúmeros grand slams e é o 7, atrás do nishikori, japonês que nunca ganhou nada, mas tem tido temporadas extremamente regulares.
    Alguém reclama disso? Não, pelo simples fatos dos critérios serem claros e estarem lá pra todo mundo ver.

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    1. Allan, a história é e sempre será parte indissociável do momento. Ninguém nasce do nada, assim num piscar de olhos. Por óbvio, a base de qualquer ranking tem que ser histórica. A atualização é com base no momento, mas jamais pode ignorar os feitos acumulados.

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  3. 1- O ranking da FIFA tem a audácia da Academia de Hollywood, que ignorou ‘Cidadão Kane’, tido até hoje como o maior filme de todos os tempos, mas, depois, premiou o pitecantropus Silvester Stallone, julgando ser arte dramática aquele seu jeito de parecer estar sempre roendo um osso; e a velhacaria do prêmio Nobel, sempre disposto à premiação de alguém simpático ao stablishment ocidental. Com efeito, essa premiação dos belgicanos, como diziam no rock’ in gol, não resiste ao questionamento recorrente em bares, peladas, arquibancadas e assemelhados, ‘ganhaste o quê?’
    2- Com todo respeito a Ronaldo Passarinho, mas prefiro a coluna do Mauro Cezar ao ressaltar a força da nação remista nessa já heróica caminhada em busca de dias melhores. Não fossem os mutirões organizados por torcedores e a presença constante do torcedor ao lado do time, certamente que o clube ainda estaria afundado em intrigas de bastidores e já amargando uma eliminação precoce.
    3- O Djalma tornou-se um personagem pirandelliano, em busca de uma identidade que resgate o seu talento. Vi o início de sua carreira, ao lado de Bartola, Pikachu, Neto, Pablo, entre outros, e tratava-se de uma aposta fácil como futuroso. Foi mudando de hábitos táticos/técnicos até a desfiguração total, operada por Mazolla Jr. Jogou fora a oportunidade de reencontrar-se ao optar por continuar essa figuração irrelevante, deixando de arriscar ser protagonista no Águia. Ainda haverá tempo para o resgate do seu talento?

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  4. Nem o Dinho sabe quanto custa o ingresso do jogo do Paysandu

    A Belgica é uma boa Seleção, mas melhor do mundo, ainda não.

    Aviso aos navegantes, não comemorem antes do tempo
    O Operário não é Palmas.

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  5. Sobre o ranking da FIFA, apenas um mentecapto para criar um ranking que não condiz absolutamente em nada com o futebol mundial, pergunta simples: seria a Bélgica ao menos melhor que o vizinho Chile?

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  6. Amigo Lira, a Belgica tem um futebol muito vistoso bem diferente do jogo sujo dos chilenos que apelam muito pro anti jogo
    Mas sempre quando essas duas escolas se enfrentam há equilíbrio

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