POR GERSON NOGUEIRA
A síndrome do esgotamento físico em final de competição pegou o Papão de jeito e ameaça afetar a caminhada do time rumo ao acesso. Nada menos que quatro atacantes – Leandro Cearense, Betinho, Everaldo e Welinton Jr. (foto) – desfalcaram a equipe nas últimas partidas por motivos de contusão.
Betinho, que havia sido expulso na Copa do Brasil, foi suspenso do jogo contra o Vitória, mas o departamento jurídico do Papão conseguiu obter o efeito suspensivo. Momentos antes de a bola rolar, porém, ele sentiu contusão e acabou vetado para a partida.
Sem alternativas, o técnico Dado Cavalcanti lançou mão de Aylon para o comando da ofensiva, sendo que o jogador funciona mesmo como um atacante de lado, pela velocidade e facilidade para deslocamentos. Não é um especialista em jogar fixo na área.
Para jogar ao seu lado, Dado escalou Rony, meia-atacante que às vezes também se aventura pelos lados do campo. Léo, outro meia-atacante, também foi utilizado. A solução encontrada, apesar de não haver comprometido, deixou o time com limitado poder de fogo, acabando por perder a partida.
Quando se esperava o retorno de Leandro Cearense, o mais regular dos atacantes do Papão, eis que o jogador sofre novo veto para o importante jogo de amanhã contra o Atlético-GO, em Goiânia. Junte-se a isso a confirmação de que Betinho também não poderá atuar.
O problema aumenta de significado porque é uma posição crucial no time e é incomum que tantos atletas daquela faixa do campo estejam no estaleiro, justamente quando sua presença é mais exigida na competição.
Cearense está atuando desde as primeiras rodadas, depois de ter se recuperado de lesão grave ainda durante o Parazão. A carga extenuante de jogos da Série B, às vezes dois por semana, acabou por fragilizar o estado atlético do centroavante.
Já Betinho nem vinha jogando pelo Santa Cruz no começo da temporada e sua contusão parece mais relacionada ao processo de recondicionamento físico. Everaldo também não jogava há algum tempo pelo Figueirense quando foi contratado pelo Papão. Welinton Jr. tem situação mais ou menos semelhante.
A verdade é que Dado Cavalcanti está pagando o preço de ter sido obrigado a montar elenco ainda durante a competição, incorporando ao grupo jogadores em diferentes estágios de condicionamento.
Com a exigência cada vez maior por bons resultados e o afunilamento da classificação, é natural que as lesões se multipliquem. No meio-de-campo, além do grave problema de Ricardo Capanema, o volante Augusto Recife tem sofrido também o efeito da maratona. A defesa foi golpeada com a baixa de Gualberto, que se juntou aos demais contundidos.
Só não se esperava que a maré negativa atingisse de maneira tão contundente o setor de ataque do Papão.
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Jogo já contabiliza renda de R$ 349 mil
No final da tarde de ontem, o Remo soltou a informação de que haviam sido vendidos mais de 20 mil ingressos para o jogo de amanhã com o Palmas (TO) pelas oitavas de final da Série D. Não era verdade. Duas horas depois, a assessoria de imprensa do clube divulgava errata, informando que a venda parcial está em 10 mil ingressos. Ainda não era exatamente isso.
Alguns minutos depois disso, o repórter Magno Fernandes apurava os números reais. Segundo ele, foram vendidos 7.536 ingressos de arquibancada, perfazendo R$ 301.440,00, e 796 cadeiras,totalizando R$ 47.760,00. O balanço parcial aponta, portanto, 8.332 ingressos vendidos, arrecadando R$ 349.200,00.
Até a hora do jogo – e talvez até depois – os números da bilheteria irão sofrer muitas alterações ainda. É provável que, mesmo com o estádio Jornalista Edgar Proença lotado, como se prevê, o total oficial não seja exatamente o que se espera, por motivos diversos.
Isto é apenas um palpite.
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Técnico do Palmas faz promessa ousada
O técnico do Palmas anunciou, em entrevista à Rádio Clube do Pará, que não vem para garantir o empate, mesmo tendo essa vantagem pelo resultado obtido em casa no primeiro jogo. Wilsomar Sena jura que vem para tentar vencer, sem se intimidar com a força da torcida azulina nas arquibancadas do Mangueirão.
Animado com o retorno dos titulares Wallace, seu principal volante, e Valdo, meia-armador, o técnico tocantinense crê em um resultado positivo, surpreendendo a todos que consideram o Palmas apenas um azarão na competição.
Não duvido dessas intenções, mas penso que o problema maior do Remo não será uma eventual audácia do visitante. O drama está no próprio time paraense.
Aliás, sobre isso, em comentário postado no blog campeão, o torcedor Victor Palheta foi bem explícito: “O Palmas não me mete medo! Eu tenho medo é do Remo. Se os caras entrarem desinteressados e apáticos como entraram no primeiro jogo, aí lascou. Mas acredito que com a torcida berrando e com o pênalti mandrake eles vão correr atrás. Aí quero ver o Palmas vir pra cima”.
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O fim do horário torturante
Parece que a CBF levou em conta o que expus no último domingo aqui neste espaço, a respeito do desumano horário das 11h para jogos de futebol no Brasil. Em atendimento a reivindicações dos jogadores, a entidade concordou em suspender a presepada e já projeta marcar partidas para a faixa das 17h de sábado, bem mais condizente com a prática e a cultura do futebol no país.
A decisão até demorou a sair, mas indica que a CBF parece bem mais aberta a escutar apelos e críticas. Só mesmo a extrema insensibilidade de dirigentes e executivos de TV não levou em conta o erro terrível de obrigar atletas profissionais a jogarem sob o sol do meio-dia.
(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 02)

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