Larguem o Twitter!

Por André Barcinski

Cada vez que vejo outra polêmica sobre declarações no Twitter me sinto aliviado por ter largado essa porcaria. O último arranca-rabo envolveu o jornalista – e meu amigo – Flávio Gomes, que discutiu, em sua conta pessoal no Twitter, com torcedores gremistas depois de o time gaúcho ter vencido a Portuguesa, time de Gomes, com um pênalti polêmico (leia mais aqui).

O tom das frases postadas por Gomes não agradou à direção da ESPN Brasil e a emissora demitiu o jornalista.

Não consigo tirar uma coisa da cabeça: se tudo que eu disser em casa durante a transmissão de um jogo do meu time parar nas redes sociais, eu seria não apenas despedido, mas processado e, provavelmente, preso.

Por sorte, não tenho mais Twitter e não corro risco de dizer algo de que vou me arrepender depois.

Quantas vezes você não publicou uma frase no Twitter e depois se arrependeu? Aconteceu recentemente com Luana Piovani e Alexandre Herchcovitch.

Quem nunca “tuitou” algo que não devia que atire o primeiro Iphone.

evil-twitter-birdNão estou dizendo que as pessoas não devam ser responsabilizadas pelo que dizem. No fim das contas, cada um escreve o que quer, e aqueles que se sentirem ofendidos têm todo o direito de protestar.

Mas o imediatismo do Twitter é um convite à insensatez. E os ridículos 140 caracteres eliminam a ponderação e transformam qualquer discussão numa briga de foice.

Num mundo sem Twitter, Gomes teria xingado o juiz e o adversário, desabafado sua frustração, e seria o fim da história. Mas quando as palavras aparecem numa tela e se propagam por incontáveis seguidores, não dá para conter o tsunami de julgamentos e opiniões. Uma vez no domínio público, aquela frase, muitas vezes impensada, raivosa e inadequada, cola na pessoa como uma mancha que não sai.

Alguns leitores escreveram perguntando o que achei da atitude da ESPN Brasil.

Nunca trabalhei na emissora e não conheço sua hierarquia e diretrizes, então acho que seria leviano opinar sobre isso. Mas sou telespectador assíduo do canal, gosto muito da programação, e quero acreditar que um pedido de desculpas seria suficiente para acalmar os ânimos dos ofendidos.  Afinal, estamos falando de futebol.

15 comentários em “Larguem o Twitter!

  1. O problema não é o mensageiro, é a mensagem. Não é porque você tem um canal de comunicação que você vai postar tudo que você pensa nele. Qualquer pessoa normal tem opiniões impublicáveis e que devem ser mantidas assim. O twitter é só mais uma ferramenta, das melhores quando usada corretamente.

    Sobre o episódio, faltou discernimento e bom senso ao Flávio Gomes. Acompanho e gosto do blog dele sobre automobilismo e sei que ele poderia usar mais sua inteligência e deixar o xingamento futebolístico pra arquibancada ou pro sofá da casa dele. Foi burro, quis publicar porque precisa compartilhar tudo com os seguidores e pagou por isso. Sua demissão foi questão de burrice e não de censura ou opinião.

    Quanto a ESPN, não se pode esperar que uma empresa banque a burrice pública de seu funcionário, pois seria um atestado de ‘concordo com os termos’. Deu no que deu.

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  2. Uma nota, um pedido de desculpas tava de bom tamanho. Bode expiatório. Certamente seus companheiros de emissora estão com a pulga atrás da orelha. Entre os que metem o dedo na ferida com inteligência cito o Lucio de Castro, da escola do JK. O FG deu uma de Kajuru.

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  3. Entrei no twitter do jornalista e fiquei abismado com o fanatismo dele, o cara baixou o nivel geral.

    O Dorival Crispim, “odiádo” pela nação bicolor usa o Remo pra nos inflamar.

    O Flavio depois de escrever um monte de palavras torpes em direção aos gremistas ainda tentou usar os colorados como aliádos.

    Sem mais, o que penso é que ele pisou na bola ao se trocar com torcedores que nem do seu estado é, baixou o nível e na minha concepção mereceu sim o cartão vermelho.

    Pois o twitter já derrubou o Josiel, Geo Araújo, casos conhecidos por aqui, então pq não poderia derrubar um luso revoltadinho?

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  4. Uma vez fui cahmado de indio burro, por um sujeito no twitter.

    Cometí uma falha e o cara em vez de me corrigir me ofendeu desta forma.

    Pensei em tudo na hora, em retrucar de forma ofensiva, é o que nos vem em primeiro lugar na cabeça.

    Mas o que fiz foi apagar a minha mensagem e pronto, morreu alí.

    O cara era do interior do Rio Grande do Sul. Se eu desse confiança, ia se tornar um toma lá da cá sem sentido.

    Um outro sujeito aqui de Belém, metido a tal e coisa, chamado Ronaldo Brasiliense depois de uma malcriação minha com ele, devolveu a ofensa e me deu block, eu na hora dei block nele, é um metido a dono da verdade.

    Eu não sou jornalista, e faço isso. Penso que os jornalistas devem se dar respeito, pois o espaço é público.

    É bem diferente de quando o cara tá na TV ou no Radio e fala o que quer.

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  5. E o que tem o Twiter com isso caro André Barcinski? Estamos falando da melhor rede social, disparado (minha opnião). Um espaço aberto e de opniões livres que se deve ser usado com calma por grandes personalidades. Todos os casos citados foram de pessoas que passaram do ponto, é o peso que se carrega por ser “famoso”, acredito que até o GN sofre de vez em quando por lá

    O post do amigo Eriko Morais foi perfeito. Quem não pode com o pote ….

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  6. Talvez o título ficasse melhor assim: Destemperados, larguem o Twitter!

    A propósito, lembro que no caso específico não me parece uma reação assim excepcionalmente impensada. Este profissional é acostumado a proferir palavrões em seus escritos. Aqui mesmo nos arquivos do blog há alguns que comprovam esta verdade. O palavrão parece ser um dos seus recursos ou ferramentas redacionais.

    Quanto à demissão, talvez haja um código empresarial de conduta para os empregados, o qual que ele deve ter deixado de observar com mais este evento. A princípio, se for isso mesmo, realmente não há que se falar em cerceamento etc. Não li o teor das pérolas, mas deve ter sido grave o negócio, eis que para o Trajano, um autêntico destemperado, tomar esta atitude demissória… Enfim, vou tomar informações mais aprofundadas para firmar minha convicção mais firmemente.

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  7. Flavio Gomes, falando de sua demissão-

    “Não tem muito o que falar. É uma decisão da empresa. Eu brinco muito na rede social, sempre brinquei com futebol desde que criei o Twitter, que inclusive não é um perfil da ESPN, é totalmente pessoal. O que aconteceu sábado foi que eu fiquei revoltado contra o pênalti que marcaram contra a Portuguesa, saí disparando um monte de impropérios, foram duas ou três tuitadas e acabou”, disse.

    Ainda sobre o ocorrido,o jornalista comentou que se soubesse que os tuítes resultariam na sua demissão não faria a brincadeira. “O meu arrependimento é de perder meu emprego por uma bobagem. Agora, achar que a empresa tem razão em fazer isso, é claro que não, as empresas tem que saber dividir as coisas”.

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    1. Amigo Harold, o Flavinho é um baita jornalista, um texto primoroso e um cara de opiniões bem claras. Acho que exagerou e errou nas porradas à gauchada, mas o admiro e torço para que volte logo a trabalhar.

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  8. Infelizmente, as coisas não funcionam exatamente assim. Lembrei agora daquele pequeno desentendimento, ao vivo, entre o Galvão Bueno e o Renato Prado. A prepotência e grosseria do Galvão no episódio não influenciaram em nada, pois quem saiu foi o Renato.

    Abs

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  9. Os metidos a yuppies novaiorquinos e ex-colegas de bancada do demitido não disseram nada? Logo eles, verdadeiros discípulos de Baden Powell, o escoteiro, lógico, jamais o genial músico, sempre alertas para passar um ‘carão’ em todo mundo não disseram “ai” a respeito do autoritarismo do patrão.
    Tudo que Flávio disse, em forma de desabafo, não atinge só os gremistas macunaímicos que querem vencer a qualquer custo e o xingaram primeiro. Ele só reagiu. E sua ira santa foi tão oportuna que certamente chegou aos apologistas da higidez do Brasileirão, que às vezes desmentem até a imagem para induzir ao telespectador que o juiz é sério, que a CBF é séria, enfim, tutti buona gente. O massagista do Aparecidense é apenas um personagem folclórico, o soprador de apito que deu a vitória ao Corinthians contra o Coritiba agiu certo, o safado que roubou a Lusa também, assim como aquele que roubou a Ponte Preta, ano passado, contra o Fluminense, o que expulsou o Tinga do Internacional também contra o Timão, enfim, quem deveria gritar no momento mais oportuno prefere a sisudez das cabines refrigeradas e manda às favas o grito de revolta engasgado na garganta de toda a torcida brasileira. Frustrante!

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  10. Gerson,também sei que logo ele vai estar fazendo seus rescaldos em alguma radio ,pois radio ,o motorista do Meianov gosta de fazer e manda muito bem.
    Agora que foi um precedente perigoso ,isso foi! Muita gente nao sabe dos passaralhos que a classe tem enfrentado..
    E Viva a Tuna!

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  11. Também gosto do estilo do Flávio Gomes. O torcedor da Portuguesa, no entanto, teve o “azar” de ser pessoa pública, jornalista. Aí… Se fosse apenas um torcedor anônimo, o caso não repercutiria, por óbvio.

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