Um depoimento sobre José Dirceu

Por Hildegard Angel (publicado em 6 de setembro de 2013 às 23:12)

Ao fim da transmissão, ontem, da sessão no STF, Maria Alice Vieira, a colaboradora braço direito de José Dirceu, anunciou que todos os presentes ali reunidos no salão de festas do prédio do ex-Chefe da Casa Civil estavam convidados para retornar na quarta-feira e, juntos, assistirem novamente à próxima sessão, que provavelmente deverá julgar os Embargos Infringentes, assim todos esperam. Havia no ar uma certa sensação de alívio. Alguém atrás de mim comentou: “Mais uma semana!”. O que entendi como “mais uma semana de esperança”.

O irmão de José Dirceu, Luís, que naquela manhã teve um mal estar cardíaco e precisou ser atendido numa clínica, veio me cumprimentar e agradecer o apoio, “em nome da família”. Gesto inesperado e tocante, de quem estava claramente emocionado.

José Dirceu é o que a literatura define como “homem de fibra”. Impressionante como se manteve e se mantém de pé, ao longo de todos esses anos, mesmo atacado por todos os lados, metralhado por todas as forças, todos os poderosos grupos de mídia, os políticos seus detratores, todas as forças da elite do país, formadores de opinião de todos os segmentos e matizes, de forma maciça e ininterrupta, massacrante.

De modo como jamais se viu uma pessoa nesta Nação ser ofendida, ele vem sendo acossado, desmoralizado, num processo de demolição continuada, sem deixarem pedra sobre pedra, esmiuçando-se cada milímetro de sua intimidade, devassando, perseguindo, escarafunchado e, sem qualquer evidência descoberta, juízes o condenam proferindo frases do tipo “não tenho prova cabal contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. Nem mesmo o mais reles criminoso foi satanizado de tal forma ou sofreu linchamento tão perverso.

Com tal carga a lhe pesar sobre os ombros, ele não os curva. Às vezes mais abatido, outras aparentemente decepcionado, contudo sempre em combate, preparando-se para o momento seguinte. Não se queixa, não acusa, não lamenta, nem cobra a ausência de apoio daqueles que, certamente, deveriam o estar respaldando. É discreto. Não declina nomes. Nunca deixa transparecer quem está próximo dele, quem não. Um eterno militante de 68, que jamais despiu a boina.

“Família”, antes da reunião ontem, em seu prédio, com os companheiros que o apoiam nessa via crucis penal, para juntos assistirem à transmissão da TV Justiça, ele almoçou em casa com suas suas três ex-mulheres, filhas, irmãos, uma confraternização familiar necessária para quem poderia, dali a algumas horas, escutar o pior dos resultados. E lá estávamos nós, aguardando sua chegada, falando baixo, sem grande excitação no ambiente, enquanto um técnico ajeitava, no laptop, o projetor das imagens da TV que seriam exibidas na parede.

JOSE-DIRCEU-UNE-1968-8-size-620A diretora de cinema Tata Amaral fez uma preleção sobre seu filme “O grande vilão”, um documentário sobre esse período da vida de Dirceu, “o homem mais perseguido da história da República”, e distribuiu termos de autorização de uso de imagem para que os presentes, que assim o desejassem, assinassem. Pelo que percebi, todos assinaram.

Dirceu cumprimentou um por um, agradecendo a presença de todos. Parecia calmo ao chegar. E calmo permaneceu até o final. Quando se despediu de mim, José Dirceu disse, elogiando: “O ministro Barroso estava certo, quando defendeu a suspensão da sessão até a próxima semana”. Ele se referia à argumentação do ministro Luis Roberto Barroso, que, para garantir aos advogados plena defesa dos réus, usou a  frase “seria gentil e proveitoso dar aos advogados a oportunidade de apresentar memoriais”. Ponderação que o presidente Joaquim Barbosa acolheu muito a contragosto.

Na próxima semana, estaremos lá todos com você de novo, José Dirceu. Acredito em sua inocência. Acredito em Mentirão, não em Mensalão, que para mim existe muito mais para desqualificar a luta dos heróis e mártires da ditadura militar do que para qualquer outra coisa. Mais para justificar o apoio dado pela direita reacionária de 1964 – as elites e a classe média manipulada – ao totalitarismo que massacrou nosso país, tolheu nossa liberdade e nosso pensamento, dizimou valores, destruiu famílias, acabrunhou, amedrontou, paralisou, despersonalizou e tornou apático o povo brasileiro por duas décadas.

E como alvo maior desse processo de desqualificação reacionária, que ressurge como um zumbi nostálgico assombrando o país, foi eleito José Dirceu, o qual, como bem analisa o cineasta Luiz Carlos Barreto, cometeu o grave delito de colocar no poder um sindicalista das classes populares, o Lula.

Pois foi por obra, empenho, articulação e graça de José Dirceu que Luís Inácio Lula da Silva chegou a Presidente da República. E chegou com um projeto político de sucesso, bem estruturado, com um discurso certo, que alçou Luís Inácio não só a um patamar diferenciado de Estadista em nossa História, como também a um conceito internacional jamais alcançado por um Chefe de Estado brasileiro. Grande parte disso tudo pode ser creditada (ou, segundo interpretação de alguns,debitada) a José Dirceu.

Motivos não faltaram nem faltam para essa obsessão de tantos por destruí-lo.

Hildegard é jornalista, filha de Zuzu Angel e irmã de Stuart Angel, torturado e morto pela polícia política do regime militar. 

Com as bênçãos do Senhor!

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A modelo Aline Franzoi, primeira brasileira a ser selecionada para atuar como “ring girl” do Ultimate Fighting Championship (UFC), revelou nesta semana que aceitou o convite da revista Playboy para posar nua. Evangélica, a moça chegou a afirmar certa vez que jamais aceitaria tirar a roupa para uma publicação masculina do gênero “pecadora”, mesmo já tendo feito alguns ensaios sensuais. Pouco tempo depois, mudou de ideia e aceitou ser a capa da Playboy de setembro deste ano.

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“Foi uma experiência nova, nunca tinha feito um trabalho nu. Vai ficar bem legal. Ficou muito bonito. O conceito do trabalho é muito diferente do que as pessoas estão achando, e eu estou adorando tudo isso”, disse Aline em entrevista ao programa TV Fama, da RedeTV!. Quem somos nós para duvidar de uma serva do Senhor? Se ela garante que as fotos ficaram boas, todos temos que acreditar. O blog, sempre atento às manifestações espirituais mais libertárias, informa que as fotos da obreira estarão nas bancas a partir do 12. Como aperitivo, aqui vai uma pequena mostra dos atributos divinos da jovem. Aleluia!

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Recuo impede vitória do Papão

Por Gerson Nogueira

bol_sab_070913_11.psForam os três pontos mais fáceis de ganhar que o Paissandu teve pela frente nesta Série B. Tudo conspirava a favor. O gol saiu logo aos 4 minutos e, a partir daí, o time dominou as ações sobre o ASA ao longo do primeiro tempo. Não dava espaços na defesa, marcava bem as laterais e criou chances, com Jailton e Marcelo Nicácio, de ampliar a contagem. A atuação foi quase impecável, exceto pelas finalizações.

Como Nicácio precisou ser substituído, o ataque paraense perdeu força e ficou quase inoperante. Aleílson entrou sem ritmo e custou a aparecer perante a zaga do ASA. Parecia perdido, sem encontrar a faixa certa para ocupar. Nos poucos lances em que a bola chegou até ele, a má colocação impediu que o chute ou cabeceio saísse perfeito.

E aí, como é normal na Série B, competição cuja maior característica é o equilíbrio entre as equipes, o segundo tempo pendeu para os donos da casa. O ASA, apesar de muitos erros de passe e afobação nos lances ofensivos, tomou conta da partida e pressionou com vontade.

Atacava tanto que acabou encurralando o Paissandu em seu próprio campo. Wanderson perdeu gol logo aos 4 minutos, com Pikachu aparecendo para salvar quase na linha fatal.

Do time seguro e rápido do começo da partida, o Papão aos poucos foi se desconstruindo, entregando-se à correria do adversário. Eduardo Ramos, que já havia sido discreto na primeira etapa, praticamente desapareceu. Jailton fazia um esforço para conduzir as jogadas, mas esbarrava na marcação.

Aos poucos, o bloqueio defensivo também deu sinais de exaustão e os atacantes do ASA passaram a desfrutar de facilidades seguidas frente à meta de Paulo Rafael. O goleiro andou operando alguns pequenos milagres, em chegadas cada vez mais perigosas do time da casa.

Vânderson era obrigado a sair para a marcação direta e a defesa ficava mais desprotegida. Ainda assim, o nervosismo do ASA impedia que as jogadas se concretizassem. Na frente, o Paissandu perdeu ainda mais presença com a substituição de Eduardo Ramos por Pablo, a 15 minutos do final. Pelo baixo rendimento, Iarley talvez fosse a peça a ser sacada naquele momento.

A entrada de defensor em lugar de um meia-armador não é bom presságio, costuma atrair problemas. Passa a impressão de insegurança e recuo excessivo. Com Pablo em campo, a pressão se acentuou ainda mais porque o Papão não tinha mais ninguém trabalhando jogadas no meio, gastando o tempo longe da grande área.

Antes de ceder o empate, o Papão escapou de dois lances críticos graças às intervenções de Paulo Rafael. Aos 40, porém, Tiago Garça empatou em jogada que denunciou o cansaço da defensiva bicolor. É justo reconhecer também que os alagoanos já mereciam a igualdade, pelo menos por terem insistido sem tréguas em busca do gol.

Os efeitos da atribulada viagem a Alagoas, com seis escalas e 12 horas de duração, não podem ser ignorados. O time sentiu o esforço e desmoronou no segundo tempo. Ainda assim, caso tivesse sido competente nos arremates, teria estabelecido uma boa vantagem no primeiro tempo, ganhando tranquilidade para administrar o resultado.

De positivo, a conquista de mais um ponto e o terceiro jogo sem derrotas, o que confirma a fase ascendente. Com os cinco pontos conquistados nas últimas partidas, o time diminuiu a distância para concorrentes diretos que estão fora da zona de rebaixamento.

A parte negativa, outra vez, foi a fragilidade física, responsável pela queda no desempenho de peças fundamentais, como Eduardo Ramos, Iarley, Nicácio e Jailton. O apagão que se abateu sobre o time no segundo tempo é um drama que se repete desde as primeiras rodadas do campeonato. Algo precisa ser feito para corrigir essa situação, a tempo de garantir uma pegada mais competitiva no returno.

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Muito barulho por nada

Notícias sobre discordâncias entre o técnico Charles e a direção de Futebol do Remo acerca de amistoso com Time Negra conflitam com o ambiente cada vez mais sereno que o clube tem vivido nas últimas semanas. Mais esquisita ainda é a exploração desse episódio por figuras ligadas ao próprio Remo, como se fosse fato relevante.

Arestas são normais na gestão de futebol e devem ser dirimidas no âmbito das hierarquias internas. Qualquer barulho maior em torno de tema menor soa, de imediato, como esforço concentrado para fazer tempestade em copo d’água. O Remo precisa, através de seus gestores, aprender a blindar suas áreas mais sensíveis.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 07)