Papão tenta quebrar jejum como visitante

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Foi sobre o América-RN a última vitória do Paissandu fora de casa no Campeonato Brasileiro da Série B. Aconteceu há sete anos. E o time potiguar é justamente o adversário do Papão neste sábado, às 21h, no estádio Nazarenão, em Goianinha, válido pela 22ª rodada. No campeonato, o Papão entrou em campo dez vezes como visitante, acumulando o saldo negativo de oito derrotas e dois empates. Para acabar com o jejum, o técnico Arturzinho confirmou a escalação desde sexta-feira. A única novidade é o retorno de Fábio Sanches, que estava suspenso. O Papão deve jogar com Paulo Rafael; Yago Pikachu, Leonardo, Fábio Sanches e Gilton; Vânderson, Zé Antônio, Jaílton e Eduardo Ramos; Iarley e Aleílson. (Foto: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola) 

O que rolou de rock no primeiro dia do RiR

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Por Jamari França

Escrevi em tempo real o que teve de rock no primeiro dia do Rock in Rio no Facebook. O mico do dia, como suspeitava, foi a homenagem a Cazuza, salva apenas por Ney Matogrosso e pela formação original do Barão com Frejat, Guto, Dé e Maurício. De resto um espetáculo mal produzido com cantores que não interpretaram as músicas como deviam, desafinaram horrores, caso das desastrosas Maria Gadu e Bebel Gilberto. Paulo Miklos, uma das melhores vozes de sua geração, que solta os bichos nos Titãs, estava contido, aquém de suas possibilidades, e ainda lendo a letra, o que prejudica muito qualquer performance. É o mal desses tributos, o pessoal não se prepara de maneira adequada, falta segurança, fica-se contido com medo de que dê uma merda qualquer.

E as músicas que Miklos ficou encarregado ficariam geniais em sua voz com uma produção adequada. Vida Louca Vida, de Bernardo Vilhena e Lobão, foi a música que Cazuza escolheu para retratar o sufoco que passava, abria seu último show que gerou o CD ao vivo O Tempo Não Para> “Vida louca, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve”. O blues Down em Mim merecia uma das interpretações viscerais que Miklos sabe fazer muito bem e não fez. E o hino Exagerado, primeiro sucesso solo de Cazuza depois de sair do Barão, era outro que ele podia ter arrasado.

A banda tinha grandes músicos como Fernando Vidal na guitarra, Cesinha na bateria, Liminha no baixo, mas os arranjos ficaram pasteurizados sem a força que as composições merecem. Isso aliados a intérpretes sofríveis como Maria Gadu (Faz Parte do Meu Show e Bete Balanço), Bebel Gilberto (Preciso Dizer Que Te Amo e Todo Amor Que Houver Nessa Vida) e Rogerio Flausino (Solidão Que Nada, Nosso Amor a Gente Inventa). A essa altura eu já estava roendo o encosto da cadeira de ódio. Aí, de repente, irrompe a figura forte e carismática de Ney Matogrosso cantando O Tempo Não Pára com toda majestade. Ufa, que alívio. Emocionou com Codinome Beija Flor e fechou com Brasil, estragado por um arranjo furreca.

E finalmente os músicos que conheci moleques em 1982 entraram com a devida eficiência para cantar Porque A Gente É Assim e Blues da Piedade. Antes teve umas falas de Cazuza do primeiro Rock in Rio. Aliás nem sei porque tou falando isso tudo se todo mundo viu pelo Multishow. Anyway, quando falam em tributo eu tremo. Amanhã tem um pro Raul Seixas no Sunset com Detonautas, Zélia Duncan e Rick Ferreira, um povo que eu gosto muito. Vou torcer pra ser diferente.

O anunciado encontro de Vintage Trouble com Jesuton no palco Sunset não se concretizou. Ela cantou só duas músicas, uma delas Mas Que Nada, a velha mania dos gringos de desconhecer nossa música e achar que ainda estamos no começo dos anos 60. A banda é de soul music com um grande vocalista e um bom guitarrista de hard rock. Não tem substância para ser chamada de uma grande banda de rock criativa com fôlego suficiente para seguir adiante. Usa uma série de cliches de hard rock e soul, teve chupadas que foram de Jimmy Page a Janis Joplin (Move Over) na guitarra e James Brown nos vocais. É boa mesmo para shows, de fazer a plateia se acabar de dançar.

E teve o poderoso Living Colour, esta sim uma grande banda de fôlego. Canções consistentes, todos excelentes em seus instrumentos, um repertório que inclui criticas sociais e políticas como Cult of Personality, Open Letter (To a Landlord), Glamour Boys e Desperate People. Longos e precisos improvisos de Vernon Reid, os falsetes de Corey Glover, o baixo seco de Doug Wimbish e a porrada segura e precisa de Will Calhoun na bateria. Quando a cantora de Benim Angelique Kidjo, uma grande dama da canção africana, entrou em cena, o show virou de funk hard metal para world music com os ritmos e o estilo de guitarra africanos trazido por um músico que veio com Kidjo. A celebração africana só voltou aos domínios do rock quando ela e a banda tocaram o clássico de Jimi Hendrix Voodoo Child, uma chance para Vernon se divertir horrores na guitarra.

E de rock foi só. Depois veio farofa com dendê de Ivete, tum tum tum de David Guetta e a pirotecnia de muita forma e pouco conteúdo de dona Beyoncé Giselle Knowles, uma grande cantora com um repertório fedorento.

Veja manda recado: pode crucificar o decano

veja-celso-de-melloFoi exatamente para isso que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, conduziu uma chicana nas últimas sessões da corte, contando com a ajuda dos ministros Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello; os três queriam que houvesse uma capa de Veja no caminho do ministro Celso de Mello antes da decisão sobre os embargos; na última quinta-feira, ele pretendia votar, mas foi impedido pelo trio, na esperança de que o decano sucumbisse à pressão midiática; isso comprova que o jogo da mídia na Ação Penal 470, com a colaboração de alguns ministros do STF, é absolutamente imoral. 
Do Brasil 247
Pergunta número 1: por que Joaquim Barbosa encerrou prematuramente a sessão do Supremo Tribunal na última quarta-feira, às 18 horas, como se os ministros fossem burocratas com horário fixo para fechar o expediente? Pergunta número 2: por que Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello estenderam ao máximo seus votos na quinta-feira, como se fossem dois similares de Rolando Lero e não juízes de uma suprema corte? Pergunta número 3: por que Joaquim Barbosa, simplesmente, impediu Celso de Mello de votar na quinta, quando o decano disse que poderia fazê-lo em apenas cinco minutos? (saiba mais aqui)
A resposta sobre as motivações da chicana jurídica – demonstrada com antecipação pelo 247 na própria quinta-feira (leia aqui) – está nas bancas. O que se buscava era que, até a decisão final de Celso de Mello, houvesse tempo para uma capa da revista Veja. “Eis o homem”, diz o título da revista da família Civita. “Ele condenou os réus do mensalão, mas agora tem de decidir entre a tecnicalidade e a impunidade. Não pode lavar as mãos como Pilatos, mas corre o risco de ser crucificado”.
Num julgamento em que Veja e outros veículos de comunicação – Globo e Folha à frente – colocaram a faca no pescoço de vários ministros do Supremo Tribunal Federal para atingir não a justiça, mas sim seus objetivos políticos (leia aqui a análise de Hélio Doyle sobre esse fenômeno), há, agora, a tentativa de golpe derradeiro. Não com uma simples lâmina afiada, mas com uma cruz e alguns pregos.
Celso de Mello está avisado. Se decidir conforme suas convicções, já manifestadas de forma clara, no dia 2 de agosto do ano passado (assistaaqui), em defesa do direito de defesa dos réus, ele será crucificado.
O que comprova a absoluta imoralidade da imprensa brasileira ao longo do julgamento da Ação Penal 470. Ela, sim, merece ser condenada.

Morre o ex-ministro Luiz Gushiken

Por Mônica Bergamo, da Folha de SP 
O ex-ministro Luiz Gushiken morreu no início da noite desta sexta-feira (13), aos 63 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde estava internado em estado grave por causa de um câncer. Gushiken nasceu no município de Osvaldo Cruz (SP) em 8 de maio de 1950. Em 1970, tornou-se escriturário do Banco do Estado de São Paulo (Banespa). Começou a militar na tendência Liberdade e Luta (Libelu), braço estudantil da OSI (Organização Socialista Internacionalista), de orientação trotskista.
Em 1978 tornou-se representante dos bancários no Banespa e, a partir de 1979, passou a ocupar cargos na diretoria do Sindicato dos Bancários de São Paulo. No final do ano, formou-se em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas.
Em 1982 tornou-se secretário-geral do sindicato e, em 1985, presidente da categoria. Nesse mesmo ano, liderou uma greve nacional de três dias que paralisou 700 mil bancários.
Em 1980, participou da fundação do PT (Partido dos Trabalhadores) e, em 1983, da CUT (Central Única dos Trabalhadores). Em 1986 foi eleito membro do Diretório Nacional do PT e, em novembro, foi eleito deputado federal pelo PT de São Paulo.
No final de 1986, deixou a presidência do Sindicato dos Bancários e, no ano seguinte, assumiu uma cadeira de deputado no Congresso Constituinte, que promulgou a Constituição de 1988. Em 1989 tornou-se presidente nacional do PT e coordenou a campanha de Lula à Presidência, que terminou em segundo lugar no pleito. Deixou a presidência do partido em 1991.
Em 1992, apoiou o impeachment do presidente Fernando Collor (PRN). Reeleito deputado federal em 1994, em 1998 desistiu de disputar novo mandato para coordenar outra campanha de Lula à Presidência. Depois, montou uma empresa de consultoria para a área de previdência.
Em 2002, após a eleição de Lula, tornou-se coordenador-adjunto da equipe de transição e foi nomeado ministro da Secretaria de Comunicação de Governo.
Em 2005, foi acusado pelo ex-dirigente do Banco do Brasil Henrique Pizzolato de ter influído nas decisões de investimentos de cinco fundos de pensão ligados a estatais, que contrataram a Globalprev Consultores Associados, que pertencia a dois ex-sócios de Gushiken. Gushiken negou as acusações.
Deixou a Secretaria de Comunicação e perdeu o status de ministro, assumindo a função de chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos. Em novembro de 2006, pediu demissão do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência afirmando que as acusações se transformaram em “prova de culpa”.
“Os aspectos deletérios daquela crise [do mensalão] também não podem ser esquecidos. Na voragem das denúncias abalou-se um dos pilares do Estado de Direito, o da presunção de inocência, uma vez que a mera acusação foi transformada no equivalente à prova de culpa”, afirmou o petista na carta.
Afastou-se da política. Em 2008, com uma crise de angina, colocou um stent no coração no hospital Sírio-Libanês.
Em 2012, foi inocentado pelo Supremo Tribunal Federal.