Archive for 8 de setembro de 2013

“O Príncipe da Privataria” ressuscita escândalo

Por Luis Nassif

Recém lançado, o livro “O Príncipe da Privataria” – do jornalista Palmério Dória – traz um capítulo polêmico, sobre inquérito da Polícia Federal que teria levantado atividades irregulares do então cônsul do Líbano, em operações de conversão de dívida externa. As suspeitas envolvem o então senador Fernando Henrique Cardoso. Mas em 2002 o inquérito já tinha sido alvo de uma reportagem de Amaury Ribeiro Jr na revista IstoÉ.

O inquérito levantava as atividades de um tal Socimer International Bank, localizado em um paraíso fiscal nas Bahamas, que quebrou no final dos anos 90.

Quatro anos após sua liquidação, investigação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal constatou que havia um registro dele na Junta Comercial de São Paulo, exclusivamente para comercializar produtos de exportação. Foi-se mais a fundo e constatou-se que durante dez anos atuou como banco clandestino, ajudando na lavagem de dinheiro de investidores brasileiros.

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Por está época, o MPF conseguiu – num feito inédito – quebrar o sigilo das contas do Banestado, do Paraná, revelando uma verdadeira usina de lavagem de dinheiro. Os dados foram passados para a CPI do Banestado, que acabou enterrada em um acordo espúrio entre o PSDB e o PT – na figura do relator deputado José Mentor (PT-SP).

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O que importa, para nossa história, é o início dessa episódio, que remonta ao governo Sarney.

Historicamente, em períodos de crise externa adquirir títulos da dívida externa com deságio e revendê-los pelo seu valor de face constituiu-se na mais rentável operação do século, responsável por grandes fortunas construídas ao longo da história.

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Com a moratória de Sarney, o então Ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira decidiu implementar um plano que disciplinasse as conversões e impedisse as jogadas costumeiras com dívida externa. Consistia na “securitização” da dívida. Ou seja, quem tinha créditos contra o país trocaria por novos títulos, a prazos elásticos, taxas de juros razoáveis e valendo apenas uma fração da dívida original.

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fhc1Bresser-Pereira caiu logo após propor a “securitização”, e foi substituído por Maílson da Nóbrega. Mailson engavetou o plano de Bresser e lançou outro, permitindo a conversão total da dívida em cruzados, com o compromisso de investir no país.

Com o BC afrouxando a fiscalização, foram aplicados golpes de toda sorte. Convertia-se dívida, aplicava-se em empresas fantasmas, com os cruzados adquiriam-se dólares no mercado paralelo e remetiam-se para fora, por esquemas de doleiros. Esse golpe teve influência direta na hiperinflação brasileira do final do governo Sarney.

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Havia um prazo para a conversão, mas montou-se inicialmente uma operação para os mais amigos. Bancos estrangeiros ficaram de fora. Nos anos seguintes, a influência política de economistas e políticos ligados ao BC garantiu a abertura de exceções, uma das quais foi para o empresário Alberto Achcar, envolvendo o Banco Paribas, da França. O livro sugere que FHC teria atuado para ajudar Achcar a conseguiu a conversão fora do prazo.

Anos depois, o Secretário do Tesouro norte-americano, Nicholas Brady, apresentou o Plano Brady, de securitização da dívida. O Brasil aderiu. Mas o golpe já havia sido dado. No programa Roda Viva de 5 de fevereiro de 1990 questionei Mailson sobre essa operação. Aqui, a pergunta e sua resposta:

Luis Nassif: Ministro, o senhor acha que é correto pegar uma dívida estável e sem inflação, que é a divida externa, e jogá-la para uma outra dívida, que é explosiva, que pode provocar inflação?

Maílson da Nóbrega: Não, não é correto. A dívida externa brasileira é menos de um terço do PIB [Produto Interno Bruto]. Em termos relativos, a dívida interna brasileira provavelmente é a mais baixa da América Latina. No Uruguai, a dívida externa é de 90% do PIB, no Chile era mais de 100% e agora reduziu um pouco, na Argentina é 80%, no México é 70%. Então, a dívida não é realmente o problema do Brasil. Agora, a redução da dívida pela conversão é um mecanismo adequado para reduzir o estoque da dívida desde que você crie internamente um espaço na política fiscal para evitar um endividamento maior. Qual é o país que obteve o maior sucesso com o programa de conversão? O Chile, porque fez uma política fiscal de contenção e a expansão provocada pela conversão não causou problema. Tivemos problemas porque não houve abertura de espaço na política fiscal. Quando nós lançamos o programa de conversão, a idéia era reduzir o déficit e ir abrindo espaço para uma redução da dívida negociada no mercado secundário com investidores, com empresas do Brasil. Enfim, você obteria um resultado positivo da redução da dívida, sem criar problemas de expansão monetária no mercado. 

8 de setembro de 2013 at 13:37 2 comentários

A frase do dia

“Ter tão poucos jogadores ingleses em nosso torneio nacional enfraquece a seleção. Analisem o jogo entre Manchester City e Newcastle. Havia poucos atletas locais em campo. É uma desgraça”, 

De Rio Ferdinand, zagueiro, criticando a importação em massa de estrangeiros pelos times ingleses.

8 de setembro de 2013 at 13:36 1 comentário

No Haiti, não há espaço para a soberba

Por Gerson Carneiro (no Viomundo)

DSC00757-002-e1376679144368Caindo a ficha…

Era uma hora e meia da madrugada de quarta-feira, 14 de agosto, quando lia comentários sobre meu texto a respeito das minhas impressões iniciais sobre o Haiti. Alguém chegou para verificar se estava tudo fechado, pois havia tiros próximo ao acampamento. Ingenuamente, exclamei: são tiros?!

– Sim.

Decidi ir dormir. Corrijo: decidi recolher-me.

Não há pacificação no Haiti. A presença maciça de militares, fortemente armados, de diversas nações, não configura paz ao Haiti. Não é objetivo primordial dos militares garantir segurança ao povo. Não é mesmo.

Há menos de dez anos matava-se no Haiti apenas por circular nas ruas em horário proibido, inclusive durante o dia, ainda que a pessoa não soubesse que havia proibição de circulação naquele determinado horário.

Há regiões perigosíssimas onde, especialmente estrangeiros, não devem circular.

Aliás, a cultura de violência é utilizada inclusive para “educar”.

Nas escolas (só há uma escola pública, o restante é particular) utilizam um chicote para “silenciar” a algazarra da criançada. Batem esse chicote na parede, ou nas mesas das crianças. As crianças até sorriem com o barulho da chicotada.

A estratégia imposta pelo dominador (franceses depois sucessivos ditadores; atualmente a casta de haitianos contemplados com empregos públicos – há pessoas com quatro simultaneamente, não há concursos públicos) é tão cruel que faz com que a população sinta prazer e dê risada quando um igual, por cometer algum delito, apanha. Por exemplo, quando a população bate em um ladrão na rua para que ele “aprenda” a não invadir a casa de alguém.

Nessas ocasiões, os homens surram o infrator e as mulheres manifestam alegria gritando e batendo palmas. Isso ocorreu com um jovem que foi flagrado dentro de uma casa mexendo em panelas sobre o fogão.

Ao mesmo tempo a mesma estratégia do dominador faz com que essa mesma população sinta medo e se curve ao dominador em “sinal de respeito à autoridade” até mesmo quando, por pura necessidade, precisa solicitar melhoria, ou quando não o próprio, benefício.

O povo haitiano é extremamente observador. E, de surpresa, faz perguntas diretas, incisivas, difíceis de serem respondidas. Ele te coloca contra a parede. Como na seguinte situação ocorrida em uma rua qualquer, quando por milagre meu Padim Ciço “alumiou” meu pensamento e consegui ser rápido:

– É a primeira vez que você está no Haiti?

– Sim.

– O que tem no Haiti que te traz aqui?

– Você. Só você é capaz de me fazer sair do meu país para estar aqui.

– Você voltaria aqui?

– Se eu perceber que estarei sendo útil voltando, voltarei. Mas não voltarei apenas por curiosidade. Apenas para observar você.

De verdade. O povo haitiano está saturado da presença rotativa de estrangeiros. De gente que vem aqui em busca de remissão. Gente que vem fotografar a dificuldade deles. Pra não dizer, a miséria deles.

É preciso estar atento. E manter o espírito humilde. Ninguém vem ao Haiti ensinar nada. Todos vêm ao Haiti aprender com o sofrido povo haitiano. Ainda que não admita, ou não tenha ciência disso. Ou acha que não. Um simples olhar de um haitiano pode desarmar qualquer forasteiro desavisado.

É um povo inteligente, com um talento enorme para cantar (especialmente as crianças), e uma facilidade espantosa de aprender rapidamente a se comunicar em diferentes línguas. Porém, com um forte bloqueio resultante de anos de submissão e opressão, que, cruelmente, impuseram a cada haitiano a convicção de que não são capazes de conduzir suas vidas sem a dependência de um forasteiro.

É possível e relativamente fácil encontrar um haitiano que fale ao menos francês e inglês. Não que fale fluentemente, mas  consegue fazer-se entender e ser entendido.

Procurei saber a razão de se encontrar com relativa facilidade haitianos que se comunicam em diferentes línguas. Um deles me disse que é porque o povo haitiano sempre conviveu com estrangeiros. Ora invasores, ora exploradores, ora missionários em ajuda humanitária, catequizando-os/evangelizando-os. Assim, o instinto de sobrevivência os conduziu à facilidade de comunicação como adaptação às constantes e rápidas mudanças políticas na babilônia que é o Haiti.

O que vou relatar a seguir, de tão inusitado, se não tivesse ocorrido comigo, pensaria tratar-se de invenção, de um exagero. Sim, de fato é um exagero, mas um exagero real. Acontecido.

Em uma tarde, eu caminhava em uma rua em direção a um hospital. Nisso passou um rapaz em uma bicicleta e me cumprimentou em Kreyol (dialeto haitiano): – Bonswa! (Boa tarde!)

Eu respondi: – Bonswa!

Ele parou, desceu da bicicleta, passou a me acompanhar e me perguntou em inglês em qual língua eu me expresso. Respondi que português. Ele então disse que também fala português. E acrescentou que fala italiano, espanhol e francês, além do inglês, português e kreyol. E relatava algo em cada uma dessas línguas ao passo que as citava.

Era um haitiano aparentemente simples, com sua bicicleta simples, com sua roupa simples, com seu calçado simples, sem emprego, esbanjando seu rico conhecimento em línguas para um estrangeiro brasileiro trajando roupas novas, calçado novo, bem empregado, bem remunerado, viajado, que fala porcamente inglês.

Aqui, não há espaço para soberba.

8 de setembro de 2013 at 13:32 1 comentário

Propinoduto: investigações expõem lobista tucano

Do Último Segundo/iG

Lobista internacional de alta envergadura, o empresário José Amaro Pinto Ramos virou um dos alvos principais das investigações que buscam desvendar as suspeitas de formação de cartel, corrupção, lavagem e pagamento de propina pelo consórcio encabeçado pela alemã Siemens e a francesa Alstom em 23 anos de negócios com o governo de São Paulo. Nos documentos que estão sendo esmiuçados pela Polícia Federal e Ministério Público (federal e estadual), Pinto Ramos aparece como dono de seis empresas com atuação nacional e internacional. Mas o que mais chama a atenção em seu perfil, no entanto, é a longevidade e a capilaridade da rede de negócios amparada nas relações políticas.

Ele se aproximou do governo paulista já na redemocratização, atravessou as gestões de Franco Motoro, Orestes Quércia e Luiz Antônio Fleury intermediando negócios, mas firmou-se mesmo como personagem de bastidor e operador nos governos do PSDB.

Numa das representações com pedido de investigação sobre suas atividades, encaminhada pela bancada do PT na Assembleia paulista já em 2008, Pinto Ramos é descrito como “amigo fraterno” do falecido ex-ministro Sérgio Motta, num relacionamento que teve início antes mesmo do PSDB chegar ao Palácio do Planalto e ao governo paulista, em 1994.

Em 1993, durante a posse do ex-presidente americano Bill Clinton, o empresário apresentou Motta ao marqueteiro James Carville, estrategista em eleições que mais tarde viria prestar assessoria à campanha vitoriosa de Fernando Henrique nesse mesmo ano.

No mesmo dia da posse de Clinton, Pinto Ramos ofereceu um jantar a Fernando Henrique, na época chanceler do Brasil, em que participou também o empresário Jack Cizain, ex-diretor da Alstom. Três anos depois, o próprio Cizain participaria da compra da Ligth como representante da Electricité de France (EDF), integrante do consórcio que ganhou a privatização. A estatal fluminense foi dirigida até o ano passado por José Luiz Alquéres, que foi presidente da Alstom, também apontado como suspeito no esquema.

Pinto Ramos se especializou na prestação de serviços de energia e transporte sobre trilhos e, por conta dos negócios com estatais, respondeu denúncias de recebimento de propinas da Alstom. Em uma das ações, arquivada, chegou a ser acusado por formação de quadrilha e falsidade ideológica junto com o ex-presidente do Metrô na gestão do ex-governador Orestes Quércia, Antônio Sérgio Fernandes.

Em 1995, segundo reportagem da revista U.S. News & World Report, Pinto Ramos foi investigado pelo FBI no caso de corrupção envolvendo o secretário de Comércio de Bill Clinton, Ron Brawn. A atuação do empresário se estende também a negócios brasileiros na Europa, Japão e União Soviética.

Na única entrevista que aceitou falar sobre o assunto, ao jornal “O Estado de S. Paulo”, em 2008, cujo teor foi anexado às investigações, José Amaro Pinto Ramos disse que trabalhou para a Alstom, mas negou que tenha recebido propina. Contou que uma de suas empresas foi contratada no início dos anos de 1990 pelo consórcio Mafersa/Villares, mais tarde arrendado pela Alstom, para estruturar “um complexo crédito externo” que garantiria a produção nacional de trens para a Linha 2 do Metrô de São Paulo. Procurado pelo iG , o empresário não foi encontrado.

O que o Ministério Púbico busca agora é o elo internacional entre o suposto esquema de propina paga a personalidades ligadas ao PSDB com as empresas de Pinto Ramos. Ele figura na Junta Comercial de São Paulo como sócio da Epcint Desenvolvimento de Negócios Ltda, Epcint Importação & Exportação Ltda, Epcint Assessoria Técnica Ltda, Lutécia Administração & Participações Ltda, Vitrus Consultoria de Mercados Ltda, e Ecopro Tratamentos e Recuperações Industriais Ltda. Todas foram abertas entre 1984 e 2007 e despacha num escritório do complexo empresarial da região da Berrini.

Uma dessas empresas, a Epcint Assessoria Técnica S/C Ltda foi multada pela Prefeitura de São Paulo por não recolhimento de tributos e responde processo cível na Justiça Federal. Em 2005, a empresa aceitou pagar à Prefeitura, em sessenta prestações, uma dívida de ISS de R$ 1.186.743.96.

O fio dessa meada, supostamente amarrado em contas bancárias no exterior, vem sendo puxado pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI), órgão do Ministério da Justiça, que atende pedidos do Ministério Público e da Polícia Federal. José Amaro Pinto Ramos está numa lista de lobistas brasileiros e internacionais sob investigação.

O empresário não é um novato no mundo dos negócios e da política. Em 1996, em meio à campanha eleitoral pela Prefeitura de São Paulo, o então prefeito e hoje deputado Paulo Maluf, chamado de “ladrão” pelo ex-ministro das Comunicações de Fernando Henrique, devolveu a ofensa com uma fina e curta ironia: “Ele se chama Sérgio Pinto Ramos Motta”. Era uma insinuação de que a ligação entre os dois poderia estar relacionada às ligações do lobista com o governo tucano.

Dois anos depois, Maluf tentaria convencer o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a usar um dossiê como uma suposta prova da existência de uma conta bancária da cúpula tucana em Cayman – conhecido paraíso fiscal do Caribe – para tentar derrotar Fernando Henrique Cardoso.

O problema é que os papéis entregues a emissários de Maluf por um grupo de estelionatários internacionais eram falsos e o tiro acabou saindo pela culatra: todos os denunciantes do chamado Dossiê Cayman, Maluf entre eles, foram processados e condenados por calúnia contra o presidente da República e as investigações sobre o suposto esquema de propinas acabaram prejudicadas. Lula só não usou os papéis para denunciar o esquema porque a origem, que incluía também Leopoldo Collor, o irmão do ex-presidente e hoje senador Fernando Collor, era duvidosa. Quem o livrou do tiro no pé foi o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, à época, advogado do PT.

Quinze anos depois, as suspeitas ganharam força com a delação da Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, ressuscitaram a Alstom e, por tabela, e as perigosas relações do empresário José Amaro Pinto Ramos. O Dossiê Cayman pode não ter existido, mas as suspeitas de dinheiro circulando por paraísos fiscais voltaram a assombrar o ninho tucano.

8 de setembro de 2013 at 13:19 Deixe um comentário

Times com mais de uma cara

Por Tostão

O futebol pode ser visto e analisado de várias maneiras, como um jogo de habilidade, inventividade, técnica, estratégia, acasos, capacidade física, emocional e de variados comportamentos humanos. Sentimentos de medo, ambição, orgulho, alegria, tristeza, generosidade e tantos outros estão presentes. As equipes costumam ser contraditórias, intuitivas e científicas, surpreendentes e planejadas, reprimidas e audaciosas.

Tento ver um jogo com vários olhares. Muitas vezes, não consigo. Eles não se entendem. Um olhar se acha mais importante que o outro. São todos relevantes.

Um profissional do futebol e de qualquer área não pode ser tão arrogante, utópico e incrédulo, para desprezar a enorme importância da ciência esportiva e da estatística, nem tão pragmático e operatório para ignorar a grande importância das experiências individuais, das particularidades, do subjetivo e do que não pode ser medido.

No futebol, há milhares de verdades, dogmas, frases feitas e chavões que não correspondem à realidade.

Ouço muito que um time tem a cara do treinador. Precisa ter a cara também dos jogadores. O Bayern, dirigido por Guardiola, amante das curtas trocas de passes e da infiltração de alguém para receber a bola livre e dentro da área, tem jogado como no ano passado, quando era dirigido pelo alemão Jupp Heynckes. O Bayern trocava também muitos passes, como hoje, porém com mais velocidade, além de fazer muitos gols em jogadas aéreas, o que não é uma característica do Barcelona, com e depois de Guardiola.

Isso não significa que o Bayern atual despreze os conhecimentos e as orientações de Guardiola. O time usa de várias armas ofensivas. Se quisesse jogar como o Barcelona, o Bayern teria de contratar um Messi, um Xavi. Os grandes times têm a cara dos técnicos e, principalmente, a cara dos principais jogadores.

O Cruzeiro, como o Bayern, respeitando as grandes diferenças técnicas, também faz muitos gols pelo chão, trocando passes, e pelo alto, em bolas cruzadas. Não confundir esses gols em jogadas aéreas com os chutões da defesa para o ataque, frequentíssimos no Brasileirão. Poucos zagueiros que jogam no Brasil têm um bom passe.

O Barcelona, com Neymar, terá também mais de uma cara. Já deu sinais de que vai usar mais as jogadas em velocidade, nos contra-ataques. Vai também driblar mais perto da área adversária, o que dificulta a marcação.

Na final da Copa das Confederações, contra a Espanha, o Brasil parecia o Bayern do ano passado, que goleou e eliminou o Barcelona, base da seleção espanhola.

Será que o Brasil vai repetir essa grande atuação no Mundial, já que devem estar presentes os mesmos favoráveis fatores extracampo? Ou o Brasil fez uma partida heroica e perfeita no momento errado?

8 de setembro de 2013 at 13:06 Deixe um comentário

Por que castigar a alegria?

Por Gerson Nogueira

bol_dom_080913_23.psExistem leis escritas no futebol que indicam claramente o viés ressentido dos autores. Nunca me conformei com a punição draconiana aos goleadores que resolvem correr ao encontro da torcida na comemoração delirante do gol. Por conta dessa visão punitiva, já houve caso de expulsão (pelo segundo cartão amarelo) para o autor do lance que vale o espetáculo.

Há algo imutável em futebol: nada é mais importante que o gol. Não adianta driblar miseravelmente,chapelar e tripudiar com firulas. São meras filigranas do espetáculo. O ato principal, culminância da ópera popular que encanta o mundo, acontece quando a bola beija as redes.

A catarse que se segue ao gol, por parte dos felizes beneficiários e também pelo estupor das vítimas, justifica a explosão de alegria que faz com que os artilheiros tirem a camisa, distribuam socos no ar e pulem como crianças em êxtase. Futebol é, essencialmente, isso.

Um engravatado qualquer, certamente com inveja de momento tão consagrador, resolveu idealizar o castigo. Criou uma regra que homenageia a repressão, pune a alegria e tortura o artista maior. É algo como uma birra particular: o sujeito faz o gol, mas se pisar fora da linha regulamentar será duramente açoitado, pelo pecado vil de extravasar euforia e sentimento.

O reverso de sentimento é ressentimento. Não conheço palavra mais apropriada para quem legisla contra o ápice do espetáculo. A propósito dessa particularidade nefasta, o amigo Glauco Lima, o mais indomável dos bicolores, escreveu um desabafo depois de ver Marcelo Nicácio ser advertido com o cartão amarelo depois de um gol contra o Sport, enlouquecendo a massa alviceleste.

Como exigir de um atacante, cuja razão de existir é o gol, que se contenha no instante da glória absoluta? Glauco observa que, naquela noite, Nicácio não tirou a camisa, não mostrou mensagens pessoais, não atrasou o jogo, apenas correu para o abraço. “Se jogou nos braços da galera para festejar um gol libertador de um sufoco doloroso. Vendo isso fico a pensar que punir um jogador de futebol que faz isso, é o mesmo que multar o pai que corre para abraçar os filhos na porta de casa depois de um dia duro de trabalho”, compara.

E vai além: “Esse cartão amarelo é o mesmo que penalizar o casal que se beija em público, após descobrirem que se gostam mutuamente. Estão querendo tirar a alma do futebol, a magia que fez dele o esporte mais amado da Terra. Estão querendo expulsar a alegria e dar cartão amarelo para a emoção. Reprimir o orgasmo. O gol é uma explosão!”.

Observa, com olhos de torcedor e amante do esporte, que tudo no futebol visa o gol. “São milhares de esforços para fazer e para evitar o gol. Goleirões, quatro zagueiros, três volantes, retrancas e defensivas. Times que jogam primeiro pra não perder e depois pra tentar ganhar. Quando o gol sai e se pune o festejo com a torcida é o mesmo que multar quem ri mais escandalosamente da piada, quem dá pulos insanos ao receber uma notícia boa, quem berra de felicidade ao tirar uma nota boa na escola ou repreender o artista que volta ao palco e desce para agradecer ao público que o aplaude de pé”.

Concordo por inteiro e fico aliviado por constatar que não estou sozinho nesta anárquica defesa dos construtores da alegria. Centenas de situações merecem ser reprimidas em campo, mas, por favor, deixem o gol (e a festa) em paz.

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Homenagem a um inventor genial

Célebre pelas mais diversas razões, Leônidas da Silva, um autêntico camisa 9 e especialista na arte de fazer gol, merece todas as homenagens dos fãs do futebol. Se vivo fosse, estaria completando um século de existência. Apelidado de Diamante Negro, Leônidas foi astro da Seleção Brasileira em seu tempo.

Defendeu com brilho São Cristovão, Flamengo, Vasco, Botafogo e São Paulo. Foi o goleador máximo da Copa de 38, com 10 gols. Carregou até o fim da vida a mágoa de não haver disputado o Mundial de 1950, quando já se encontrava em fase crepuscular.

Exímio cabeceador, Leônidas foi imortalizado como o autor do gol de bicicleta. Num rasgo de humildade, admitiu certa vez que não criou a jogada, quando muito a aperfeiçoou. Pode até não ter inventado, mas não há registro de alguém que antes dele tenha pedalado no ar com tamanha perícia e pontaria.

A plástica inigualável do gol de bicicleta, dos lances mais difíceis do futebol, confere a Leônidas a glória de integrar um seleto panteão de craques. Está, seguramente, no mesmo nível de um Romário, um Di Stéfano ou, mesmo, de um Cruyff. Acima deles, porém, teve a ventura de patentear uma jogada singular.

Graças a ele, o futebol ficou mais bonito e espetacular.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 08)

8 de setembro de 2013 at 4:29 11 comentários

Revivendo infância em cidade pobre da Bahia

Por Gerson Carneiro (no Viomundo)

Tenho um amigo nos Estados Unidos, que frequentemente vai ao Haiti com um grupo de evangélicos levar um pouco de ajuda humanitária. Este ano, ele me convidou.

E cá estou em Porto Príncipe, capital do Haiti, onde cheguei na segunda-feira 12, 16h do horário local. Vim direto para acampamento, onde ficam principalmente estrangeiros.

Impressões iniciais.

O primeiro choque foi térmico. Estava úmido, porém abafado com temperatura de 30 graus positivos.

Do aeroporto até o acampamento, em um trajeto que durou cerca de 40 minutos em função do trânsito caótico, experimentei sensações que me remeteram a diversos lugares. O cenário, odores, o povo nas ruas.

Inicialmente pareceu que eu acabara de chegar à cidade de Feira de Santana e também ao garimpo do Socotó, região de Campo Formoso, na Bahia. Depois pareceu estar na periferia em Salvador, precisamente no bairro de Cajazeiras. Em seguida, na Índia ou Paquistão, quando comecei a cruzar com os Tap-Tap, veículos enfeitados, muito coloridos, que compõem o transporte público no Haiti.

IMG_0645-e1376501708408 (1)

A presença de soldados da ONU é marcante. Em seus tanques, com armamentos pesados, de diversas nações do mundo. Há bases militares da Jordânia, Bangladesh, Índia, Filipinas, Argentina, Peru, Paraguai, Suiça … e até do Nepal. Curioso. Pensava que no Nepal só havia monges. Mas há exército também. E eles também brigam.

O contingente maior de soldados estrangeiros é do Brasil.

Só não há soldados norte-americanos, em que pese ser muito grande a embaixada norte-americana aqui no Haiti.

Todos os soldados estrangeiros estão aqui para garantir a paz institucional, governamental. Crimes e confusões civis comuns eles não se envolvem. Essa tarefa cabe aos policiais locais certamente pouco remunerados, o que é uma barreira a mais para que tenham disposição para resolver coisas mais sérias, me contou um simpático haitiano.

Observei o olhar do povo. Expressa simpatia. Se há algo que nada consegue tirar do povo é sua simpatia espontânea.

Há beleza na cidade de ruas esburacadas aonde se faz lama quando chove, e muita poeira quando não. Alguns animais transitam dando a sensação de um enorme Sítio do Pica-Pau Amarelo. E na alvorada, um lindo coral de galos. Nem sei dizer há quanto tempo não ouvia um só galo cantar. Aqui eu ouço um coral. Os grilos também gostam de se exibir.

As casas simples espalhadas ao pé da montanha são uma atração fascinante. E lá no alto estão as mansões dos ricos. No Haiti os ricos moram no alto dos morros. Aqui eles não negam que estão por cima.

Disse lá no início que o primeiro choque foi térmico. Talvez será o único, pois tenho a sensação de estar revivendo minha infância em uma cidade pobre no interior da Bahia.

Hoje vou colocar o pé na rua, ter contato direto com o povo, e sair da impressão para a realidade. Vamos lá.

PS: Não vim em avião da FAB. Minha viagem foi inteiramente custeada pela minha ING (Indivíduo Não Governamental), da qual sou e presidente e único financiador.

Pedi ajuda a alguns amigos do twitter, que generosamente colaboraram com cerca de R$ 600, e fiz uma breve campanha no meu trabalho. Isso me  possibilitou preencher uma mala com donativos (creme dental, escova dental, sabonete e absorventes higiênicos) e bancar o transporte dela, cerca de 30 quilos ao custo de 125 dólares. Aproveito para dizer que estou feliz e emocionado com a solidariedade de vocês. Muito obrigado.

A minha ideia é todo dia, sempre que possível, mandar um relato para vocês. Sempre que possível, porque, no acampamento, cada um só pode usar computador 30 minutos por dia, além disso frequentemente falta energia elétrica.

8 de setembro de 2013 at 3:53 1 comentário

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