Papão corre risco de perder mando de campo

O Paissandu será julgado, na próxima quinta-feira (12), pelo STJD com base em denúncia do árbitro Charles Cavalcante, que relatou na súmula o mau comportamento de um torcedor que arremessou garrafa de água no gramado na partida contra o Icasa na Curuzu, disputada no último dia 24 de agosto. O Papão, caso seja condenado, poderá perder mando de campo e multa em dinheiro.

A diretoria adotou os procedimentos legais, registrando boletim de ocorrência contra o torcedor, o que poderá isentar o clube de punições impostas pelo STJD. O problema é que o Papão é reincidente em ocorrências desse tipo. Na Série B deste ano, foi obrigado a enfrentar ASA e América em Paragominas, cumprindo punição referente ainda à Série C do ano passado. (Com informações da Rádio Clube) 

Vinda de médicos estrangeiros tem apoio de 73,9%

Pesquisa do Instituto MDA, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e divulgada nesta terça-feira mostra que 73,9% dos entrevistados apoiam a vinda de médicos estrangeiros para atuar no país. A medida faz parte do programa Mais Médicos, lançado pelo governo federal em julho e que pretende atrair médicos para atuar nas periferias e no interior do Brasil.

A pesquisa, realizada entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro, ouviu 2.002 pessoas. As entrevistas foram realizadas em 135 municípios de 21 unidades da federação nas cinco regiões. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais. Para 49,6% dos entrevistados, o Mais Médicos “solucionará” os problemas graves de saúde no País. Dentre o universo pesquisado, 62,4% utilizam o serviço público de saúde, 20,8% utilizam o privado e 16,5% fazem uso dos dois serviços.

Dentre os que utilizam o serviço público, 37,4% consideram o atendimento regular. Para 18%, a avaliação é boa e, para 18,6%, ruim. Dos entrevistados, 22,9% consideram o serviço público de saúde péssimo. Já o sistema privado é considerado bom para 45% dos entrevistados que fazem uso dele. Para 34,5%, o atendimento é regular e, para 4%, ruim. Para 13% dos ouvidos, o serviço privado de saúde ótimo. (Do Portal Terra)

De como Jabor foi engolido pelo personagem

Quando deixa de lado as tolices reiteradas do “bolivarismo”, da guerra fria e da “cubanização”, características intrínsecas do personagem que criou, atendendo à demanda da velha mídia por escatologia política, Arnaldo Jabor é um craque. Aliás, é a prova maior do desperdício de talentos pela velha mídia, quando impôs a demanda única por tipos salivando de ódio, dos quais Jabor tornou-se o mais histriônico. Aqui, o texto dele de hoje do Estadão, um regalo para seus antigos admiradores e, ao mesmo tempo, a tristeza de perceber que Jabor poderia ter-se tornado o grande arauto das perplexidades do velho mundo ante o novo mundo que se avizinha de forma inapelável. Mas o personagem engoliu o brilhante autor. (Por Luís Nassif)

O futuro já era

Arnaldo Jabor – O Estado de S.Paulo

“Eu era jovem, feliz, perto do selvagem coração da vida”, escreveu Joyce ao chegar a Paris com 22 anos. Pois eu estava em Londres em 1967, quando saiu o Sargent Pepper dos Beatles e senti a mesma coisa. Havia em King’s Road uma espécie de comício dissolvido nos olhares, uma palavra de ordem flutuando no vento, “blowing in the wind”, como cantava o Bob Dylan. O mundo careta tremia, ameaçado pelo perigo do comunismo e pela alegre descrença que os hippies traziam.

A reação começou no início dos anos 80, quando morreu John Lennon, assassinado por um psicopata anunciador do que viria.

Depois, em 90, com o fim da Guerra Fria, nos pareceu que os Estados Unidos iam derramar pelo mundo seu melhor lado: a democracia liberal, a autocrítica modernizadora, o poder multipolarizado, a tolerância; parecia que a liberdade era inevitável, quase uma necessidade de mercado.

Mas não era esse o desejo dos caretas republicanos. Essa máfia de psicopatas queria se vingar do desprezo que sofreram nos anos 60, se vingar do vexame de Nixon e Watergate, se vingar dos Beatles, dos Rolling Stones, de Marcuse, de Dylan, da arte, dos negros, das mulheres, da liberdade sexual que sempre odiaram. Imaginem Bush, Karl Rove ou Rumsfeld diante de um Picasso, ouvindo “free jazz”. Começou a reação da caretice estúpida contra a modernização do mundo, tanto no Ocidente, quanto no fundamentalismo islâmico. Osama Bin Laden e Bush se uniram, sob a aparência de inimigos, numa aliança fundamentalista contra a paz e a democracia. Deixaram a “herança maldita”: o mercado global insensato, roído por homens-bomba e medo, a destruição do Iraque, o Afeganistão, o Ocidente como cão infiel do Oriente. E hoje assistimos a uma política mundial que é um balé impotente, com a razão humilhada e ofendida, para desespero dos que acreditavam num futuro iluminado. Não teremos nem o “fim da história” do Hegel, nem do Fukuyama, aquele “hegelzinho” do Departamento de Estado.

Cada vez mais, a vontade dos homens está submetida às suas produções – criamos as soluções que nos aprisionam; as coisas mandam nos desejos. Num primeiro momento, isso nos dá o pavor do descontrole racional sobre o mundo, ou melhor, da “ilusão de controle” que tínhamos: “Ah… que horror… o humano está se extinguindo, a grande narrativa, o sentido geral…”.

Mas, pergunta-se: que “humano” é esse que só no séc. 20 gerou duas guerras mundiais, Hitler, Mussolini, Hiroshima e Nagasaki, Vietnã, China, Pol Pot, África faminta. Que “humano” é esse que os racionalistas teimosos cismam em idealizar?

Está se formando uma nova vida social, sem finalidade, sem esperança ideológica, mas que poderá ser muito interessante em sua estranheza.

A tecnociência, o espantoso avanço da comunicação, da cultura da web, dos diálogos em rede no mundo todo, os twitters e blogs estão roendo os princípios totalizantes e totalitários. O futuro já era (apud Valéry). Tudo se passará aqui e agora, sempre. Há um enorme presente. O passado será chamado de “depreciação”.

A rapidez dessas mutações nos dá frio no estômago, mas a vida mesma dará um jeito de prevalecer e talvez esse atual fantasma que assombra os metafísicos esteja nos libertando de antigos “sentidos” tirânicos, trazendo uma nova forma de aventura existencial e social que possa vir justamente da desorganização da “ideia única”. Em nossa cabeça, as ideias sempre criaram as invenções, os avanços morais ou políticos. Mas as ideias agora surgem das coisas. Sistemas éticos ou racionais surgirão dos microchips, da tecnologia molecular e não o contrário.

O mundo está se desunificando sim, em forma de uma grande esponja, em vazios, em avessos, em buracos brancos que vão se alargando, à medida que a ideia do tecido da sociedade “como um todo” se esgarça. Não há mais “células de resistência”; apenas “buracos de desistência”. Há tribalizações de grupos, sem proselitismo; há uma recusa ao mundo, aceitando-o como algo irremediável, mas sem conformismo. Por dentro de seu luto, as tribos se desenham.

Os jovens de hoje querem alcançar uma forma de identidade alternativa e não almejam mais o “Poder” que está em mil pedaços. Antes, lutávamos contra uma realidade complexa, sonhando com utopias totalizantes. Era o “uno” contra o “múltiplo”. Hoje, é o contrário; a luta é para dissolver, não para unir; luta-se para defender o vazio, o ócio possível, o que não seja “mercável”. Agora, os novos combatentes não sonham com o absoluto; sonham com o relativo.

A desesperança está parindo novas formas larvais de sobrevivência. E isso pode ser o novo rosto da humanidade se formando. É claro que o ser humano necessita de explicação, de sínteses, de consolidação de ideias.

Sem dúvida, as religiões e o fanatismo estão florescendo e o irracionalismo (mesmo disfarçado de sensatez) resistirá bravamente.

Talvez sejamos robotizados, modificados geneticamente, talvez espantosas tragédias surjam nos corpos e nas sociedades, mas um tempo diferente de tudo que conhecemos já começou. Os intelectuais falam no tempo pós-humano. Mas a própria ideia de “pós” já é antiga. De qualquer forma, talvez o pós-humano seja interessantíssimo, até divertido. Será que vamos viver dentro de um videogame planetário? Pode ser – mas é mais interessante que o melancólico lamento pela razão e harmonia que não chegam nunca…

Estamos mais sozinhos; o misterioso rumo da história, com tragédias e comédias, está no comando, (como, aliás, sempre esteve), e as tentativas de prevê-las foram todas para o brejo… Estamos em pleno mar, porém mais “perto do selvagem coração da vida”.

Entendo o velho Nassif e também sinto saudades do Jabor velho de guerra, fase pré-reaça.

Larguem o Twitter!

Por André Barcinski

Cada vez que vejo outra polêmica sobre declarações no Twitter me sinto aliviado por ter largado essa porcaria. O último arranca-rabo envolveu o jornalista – e meu amigo – Flávio Gomes, que discutiu, em sua conta pessoal no Twitter, com torcedores gremistas depois de o time gaúcho ter vencido a Portuguesa, time de Gomes, com um pênalti polêmico (leia mais aqui).

O tom das frases postadas por Gomes não agradou à direção da ESPN Brasil e a emissora demitiu o jornalista.

Não consigo tirar uma coisa da cabeça: se tudo que eu disser em casa durante a transmissão de um jogo do meu time parar nas redes sociais, eu seria não apenas despedido, mas processado e, provavelmente, preso.

Por sorte, não tenho mais Twitter e não corro risco de dizer algo de que vou me arrepender depois.

Quantas vezes você não publicou uma frase no Twitter e depois se arrependeu? Aconteceu recentemente com Luana Piovani e Alexandre Herchcovitch.

Quem nunca “tuitou” algo que não devia que atire o primeiro Iphone.

evil-twitter-birdNão estou dizendo que as pessoas não devam ser responsabilizadas pelo que dizem. No fim das contas, cada um escreve o que quer, e aqueles que se sentirem ofendidos têm todo o direito de protestar.

Mas o imediatismo do Twitter é um convite à insensatez. E os ridículos 140 caracteres eliminam a ponderação e transformam qualquer discussão numa briga de foice.

Num mundo sem Twitter, Gomes teria xingado o juiz e o adversário, desabafado sua frustração, e seria o fim da história. Mas quando as palavras aparecem numa tela e se propagam por incontáveis seguidores, não dá para conter o tsunami de julgamentos e opiniões. Uma vez no domínio público, aquela frase, muitas vezes impensada, raivosa e inadequada, cola na pessoa como uma mancha que não sai.

Alguns leitores escreveram perguntando o que achei da atitude da ESPN Brasil.

Nunca trabalhei na emissora e não conheço sua hierarquia e diretrizes, então acho que seria leviano opinar sobre isso. Mas sou telespectador assíduo do canal, gosto muito da programação, e quero acreditar que um pedido de desculpas seria suficiente para acalmar os ânimos dos ofendidos.  Afinal, estamos falando de futebol.

Novos tempos no Tricolor da Boa Terra

Discurso proferido pelo novo presidente do Bahia, Fernando Schmidit, aos sócios e torcedores do Tricolor baiano.
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Meus caros amigos e amigas tricolores,Pra não dizer que não falei das flores, este meu agradecimento oficial, já na condição de presidente eleito do Esporte Clube Bahia, vem soprado com os ares da Primavera Tricolor.

E não podia ser outra a estação para marcar o fim dos dias sombrios, de aflição e medo, que pairou sobre este nosso clube e sua mágica, apaixonada e, sobretudo, heróica torcida.

Como em outra Primavera, a de Praga, nos idos de 1968, a Primavera Tricolor, em 2013, simboliza as grandes mudanças na estrutura política e administrativa do Esporte Clube Bahia em 82 anos de sua gloriosa história.

O nosso principal ideal ao longo de todos esses anos de luta foi remover o despotismo e a tirania que aprisionava o clube mais popular da Bahia. Popular, mas não do povo, não de sua torcida.

O Esporte Clube Bahia era um feudo, uma capitania hereditária, um butim dividido entre comparsas que se locupletavam não só de suas rendas, mas, de sua tradição, de suas conquistas, e de sua história.

O torcedor era apenas um espectador, que devia contentar-se em encher as burras da tesouraria, depois de fechado o borderô em Pituaçu, na velha ou na novíssima Fonte Nova.

Pra que o povo? Esta é a pergunta clássica dos que não respeitam a pluralidade, não acreditam na democracia, e não querem a liberdade, porque usam o poder para subtrair e não ter que prestar contas a ninguém.

Ditadura, meus caros amigos e amigas tricolores, não rima com competência, com seriedade, com transparência.

Ao lado de bravos companheiros e companheiras de luta nós enterramos, no dia 7 de setembro de 2013, a ditadura no Esporte Clube Bahia.

Não vou citar os nomes de todos esses combatentes, porque teria que passar horas e horas lendo uma lista interminável.

Que é, no fundo, toda a torcida do Bahia que ansiava e provocou todo esse processo de mudança.

Não cito nomes para não correr o risco de cometer injustiças, esquecendo de pessoas que nem mesmo conheço, mas que sei que, a seu modo, lutaram e sonharam com este dia: o dia da liberdade do Esporte Clube Bahia.

Mas não posso deixar de homenagear alguns que não estão aqui, no mundo físico, mas inspiraram nossa persistência.

Nosso profundo agradecimento a Antonio Miranda, a Edmundo Pedreira Franco, a Luiz Osório Vilas-Boas, lutadores desse bom-combate.

E especialmente o meu abraço ao presidente Antonio Pithon, impossibilitado de vir aqui por problemas de saúde, e que foi vítima de uma campanha maldosa para destruir a sua reputação de homem íntegro, sério e competente.

Não destruíram não, Pithon. Este momento, todas as mudanças que se operam no Esporte Clube Bahia, esta minha posse, é o recado de que o bem, mais uma vez, venceu. E você, Pithon, é o vencedor.

Aos jogadores e treinadores do Bahia de todos os tempos, minha sincera homenagem por terem construído, de fato, a mística deste clube: de ter nascido para vencer, de nunca temer adversários, de reverter causas impossíveis.

Homenagem que simbolizo em três nomes: Osni Lopes, treinador e jogador vitorioso pelo Bahia, líder do sindicato dos atletas; Bobô, o maestro de nosso segundo campeonato Brasileiro; e o mestre Evaristo de Macedo, mais que um treinador, um apaixonado pelo Bahia, e nosso comandante do título da segunda estrela, em 1988.

A emoção toma conta do meu coração neste instante, mas confesso que o meu senso de responsabilidade fala também muito forte.

A situação financeira do Bahia é crítica, as dificuldades são gigantescas, a crise é muito grave. O Bahia quase foi destruído pela usura e pela ganância.

Está na hora de refundá-lo em bases democráticas, com competência, com transparência, com profissionalismo.

Não haverá soluções mágicas nem sou o super-homem. Vamos ter que redobrar os nossos esforços para vencer todas as adversidades.

Repetindo Drummond, vamos de mãos dadas.

O Bahia não é meu, não será de nenhum diretor, de nenhum conselheiro.

O Bahia é da sua torcida, a quem rendo minha grande homenagem nestas palavras. A você, torcedor, peço não só a colaboração e uma dose extra de paciência, mas uma vigília permanente para que nunca mais deixem que esmaguem as flores do nosso jardim.

Se ninguém nos vence em vibração, é com você, torcedor, que vou contar pra gente ganhar mais este jogo, difícil, duro. Uma peleja contra as adversidades e contra todos os interesses escusos que se defrontam com os interesses do nosso Bahia.

Volto a ocupar a presidência com a sabedoria dada pelos anos e revigorado pela paixão que me amarra a este pavilhão azul, vermelho e branco.

Mas quero advertir aos que ainda estão acoitados na espreita, que também tenho a couraça endurecida pelos embates ao longo da vida, contra a ditadura que escureceu o céu anil deste país e, mais recentemente, contra a tirania que sombreou o nosso distintivo tricolor.

Com o meu vice Valton Pessoa, os nossos diretores, a nossa equipe de trabalho, conselheiros, sócios, Embaixadas Tricolores e todos os torcedores, vou lutar, com todas as minhas forças, para garantir a democracia para sempre no Bahia.

Perguntam-me qual será o meu primeiro ato como presidente eleito. Respondo: pedir ao nosso Conselho Deliberativo que nomeie o Dr. Carlos Rátis como Grande Benemérito do Esporte Clube Bahia pelo seu extraordinário trabalho, e de sua equipe, na construção desta Primavera Tricolor.

Parafraseando a belíssima letra do Hino da Independência da Bahia: Nunca mais o despotismo regerá nossas ações, porque com tiranos não combinam “Tricolores” corações.

Assumo o compromisso, neste curto mandato presidencial, de devolver o clube ao lugar de onde ele nunca deveria ter saído: junto ao coração, morada sagrada, de cada torcedor, de cada torcedora, deste meu, deste nosso, Esporte Clube Bahia.

Muito obrigado!

Salvador, 9 de setembro de 2013