A frase do dia

“Sou diretor, mas igual a qualquer torcedor. Ingresso comprado na Big Ben de Nazaré. Nesta gestão é regra, vamos pagar nossos ingressos”.

De Ubirajara Lima, diretor do Paissandu. 

Papão já está escalado para a estreia

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O técnico Lecheva praticamente definiu o Paissandu para a estreia no Parazão, domingo pela manhã, contra o São Francisco: Zé Carlos; Pikachu, Diego Bispo; Tiago Costa e Pablo; Vânderson, Esdras, Alex Gaibu e Lineker (Djalma); Rafael Oliveira (foto) e João Neto. (Foto: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola) 

Som na madrugada – Milton Nascimento/Lô Borges, Cravo e Canela

Treino do Leão em Castanhal (by Mário Quadros)

Remo Berg-Mario Quadros

Lateral Berg domina a bola durante treino do Remo em Castanhal.

Remo Flavio e jogadores-Mario Quadros

Técnico Flávio Araújo orienta cobranças de falta e posição da barreira.

Remo Carlinho,Tragodara e Eduardo-Mario Quadros

Mauro, Tragodara e Eduardo em ação durante o coletivo.

Ato racista custa R$ 340 mil a zagueiro

A juíza Teresa de Almeida Ribeiro Magalhães, da 18ª Vara Criminal do TJSP, condenou o ex-palmeirense Danilo, hoje na Udinese (Itália), a um ano de reclusão pelo crime de injúria qualificada. O zagueiro, numa partida entre Palmeiras e Atlético/PR em 2011, não apenas ofendeu o oponente com ofensas raciais, mas também, covardemente, cuspiu-lhe no rosto. A pena foi convertida em prestação pecuniária, pelo fato de  réu ser primário, e Danilo terá 30 dias, após receber a citação, para depositar R$ 340 mil em juízo.

Escala de árbitros para a 1ª rodada do Parazão

Saiu a escala de árbitros para a primeira rodada do Campeonato Estadual de 2013. Benedito Pinto da Silva apita Águia x Tuna, sábado às 19h, no Zinho Oliveira, em Marabá. Terá como auxiliares José Ricardo Coimbra e Isaac Araújo. O 4º árbitro será Djonaltan Araújo.

Cláudio Lima será o árbitro de Cametá x Paragominas, também sábado, às 20h, no estádio Parque do Bacurau, em Cametá. Seus auxiliares serão Heronildo Freitas da Silva e Arlene Barreto. Valdeneide Souza será o 4º árbitro.

Para Paissandu x São Francisco, domingo (10h), na Curuzu, o árbitro central será Wasley do Couto, auxiliado por Márcio Gleydson Dias e Alessandro Guerra. O 4º árbitro será Silvio César de Lima.

Na segunda-feira, às 20h30, no Baenão, Remo x Santa Cruz terá arbitragem de Edeval Augusto Figueiredo. Os auxiliares serão Luís Diego Lopes e Rafael Cardoso. Gustavo Ramos Melo será o 4º árbitro.

CBF contempla estaduais com patrocínio

Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol e vice-presidente da CBF, desponta como futuro sucessor de José Maria Marin no comando da entidade que controla o futebol brasileiro. Em cerimônia realizada nesta quarta-feira, em São Paulo, ele brilhou como nunca, principalmente porque oficializou o patrocínio para 20 campeonatos estaduais. Em acordo intermediado por Del Nero, a montadora Chevrolet patrocinará os torneios, gerando receita para federações que têm torneios deficitários. No evento de ontem, o cartola citou nominalmente os representantes das 15 federações presentes. Das 20 de que a Chevrolet será parceira, só representantes de Alagoas, Amazonas, Paraíba e Minas Gerais não compareceram. O Pará, como sempre, ficou fora do esquema de patrocínio.

A contratação mais importante

Por Gerson Nogueira

Iarley é (ainda) um grande jogador – principalmente para o Parazão e a Série B nacional – e a notícia de sua contratação merece toda a repercussão que vem obtendo. Mesmo aos 38 anos, idade considerada provecta para a maioria dos jogadores de futebol, pode-se dizer que vale o esforço financeiro empreendido pela diretoria do Paissandu. Alguns ruídos durante o processo de negociação chegaram a deixar a torcida com o pé atrás, mas é preciso entender que o negócio da bola tem dessas coisas. Ainda mais quando o atleta tem história, títulos e batalha pelo derradeiro bom contrato da carreira.

bol_qui_100113_11.psNão importa quanto o Paissandu vai gastar com Iarley (alguns arriscam dizer que seu salário ficará em torno de R$ 60 mil). Interessa é o retorno financeiro que sua presença no time irá trazer em arrecadações para o clube. No aspecto técnico, é inegável que Iarley dará ao meio-de-campo um toque de qualidade inexistente nos últimos anos. Se fizermos um esforço de memória, constataremos que o deserto de talentos permanece desde que deixou a Curuzu, há exatos dez anos.
No Goiás, onde esteve na Série B do ano passado, jogou bem menos vezes do que o time precisava. Mas, sempre que teve condições de entrar em campo, honrou o currículo. Assisti várias partidas do Goiás e confesso que a presença de Iarley era o principal motivo a me prender em frente à televisão. Por tudo isso, a diretoria do Papão acertou em cheio. O esforço para contar com o meia há de ser plenamente recompensado.
Basta imaginar o respeito que seu nome impõe. Qualquer adversário, por mais temível que seja, terá cuidados especiais quando enfrentar o Paissandu. Num campeonato niveladíssimo como sempre é a Segundona, este é um item precioso, decisivo até, principalmente se o clube conseguir cercar Iarley de parceiros de bom nível – e isso fica bem mais fácil a partir da sua presença no elenco. O cuidado com que os dirigentes têm garimpado contratações enseja essa esperança.

Ah, antes que apareçam os urubulinos de sempre ávidos em criticar por criticar, cabe dizer que a saída de Iarley em 2003 não foi sorrateira como alguns desinformados andam dizendo. Ele foi sondado, ainda nos vestiários de La Bombonera, depois do memorável jogo em que o Paissandu bateu o Boca Juniors. Naquela noite, Iarley marcou simplesmente o gol mais emblemático da história do Papão, além de ter esbanjado movimentação e desembaraço. O próprio Carlos Bianchi, técnico boquense, recomendou o negócio. Cá pra nós, que jogador brasileiro naquelas condições iria recusar a oferta? Então, vamos deixar de falsos melindres e aplaudir a volta do homem.
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Armadilhas do General Inverno
A sequencia de contusões – Zé Antonio, Valber, Carlinhos Rech e, por último, Tiago Galhardo – que o Remo enfrenta na pré-temporada foge à normalidade. Mesmo levando em conta que muitos jogadores chegaram ainda sem o necessário condicionamento, chama atenção a dificuldade de adaptação que a maioria revela em relação às condições climáticas regionais. O filme é velho conhecido nosso. Remo e Paissandu estão cansados de acumular sérios prejuízos com reforços no estaleiro em campeonatos passados.
Que o olho clínico de Flávio Araújo poupe o Remo de danos robustos e consiga montar um time razoavelmente confiável – pelo menos no aspecto físico – para o Campeonato Estadual.
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O mundo é dos consultores
Quando moleque lá em Baião minha mãezinha costumava me aconselhar a procurar ofícios rentáveis. Família pobre é assim mesmo. Vive atenta ao futuro e tenta caprichar nas escolhas. Obviamente, nem sempre dá certo. Ao invés de seguir a rentável carreira de consultor (de qualquer coisa), seguramente a mais estável de todas, danei-me a abraçar o jornalismo velho de guerra e sua proverbial pindaíba. Não lamento, nem renego o ramo, muito pelo contrário. O tema voltou à baila com a notícia de que José Maria Marin das Medalhas, atual sumo sacerdote do nobre esporte bretão no Brasil, acaba de renovar o “contrato de consultoria” com Ricardo Teixeira, ex-paxá da entidade, que ora cumpre retiro sabático em Miami, com todas as mordomias que essa condição oferece.
Teixeira embolsa todo santo mês a bagatela de R$ 120 mil pratas para pensar o futebol brazuca. Como é de conhecimento até do reino mineral, o ex-capo da CBF odiava futebol. Portanto, fico a conjeturar que pensamentos povoam a mente privilegiada desse filósofo contemporâneo sob o sol acolhedor da mais cubana das cidades ianques. Mistério…
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Assessoria aloprada
Dois pseudo-jornalistas, intitulando-se assessores do jogador Tiago Galhardo, resolveram pegar em armas contra o repórter Toni Cavalcante, do caderno Bola. Tudo porque o jornalista divulgou a notícia de que Galhardo reclamou do gramado e do mau tempo durante a pré-temporada em Castanhal. Não inventou nada, apenas reproduziu as palavras do meia contratado pelo Remo. Pois os tais assessores cismaram de desmentir a entrevista e ainda ofenderam o repórter, divulgando uma nota pública sem pé, nem cabeça. Pior: com um texto pessimamente redigido, coisa de amador. Por verdadeiros, o Bola mantém os termos da matéria publicada na edição de anteontem. E aconselha à dupla atrapalhada que, na falta de coisa melhor a fazer, vá pentear macaco – e que Galhardo arranje assessores mais competentes.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 10)

À brasileira

Por Janio de Freitas

A decisão, adotada na Venezuela, de adiar indefinidamente a posse do hospitalizado Hugo Chávez tem um precedente: é milimetricamente igual à decisão que adiou indefinidamente a posse do hospitalizado Tancredo Neves. O que faz com que a decisão no caso de Chávez receba exaltada condenação moral no Brasil e no caso de Tancredo Neves fosse louvada, com alívio e emoção, pode ser muito interessante. Mas não é para um artiguinho. E não é tão difícil de intuir, ao menos na superfície.

Convém lembrar que a crítica à solução brasileira só veio, e muito forte, no segundo passo daquele veloz processo. Foi quando a decisão à brasileira avançou muito mais do que a Venezuela: morto Tancredo, o mandato que não recebeu e a Presidência foram transferidos ao vice, sob muita contestação jurídica e ética.

As circunstâncias venezuelana e brasileira são diferentes? Sim, claro. As circunstâncias são sempre diferentes. Mas sem essa de que a oposição Venezuela está lutando pela democracia, e o chavismo é um sistema contrário à liberdade, e coisa e tal. Seja o que for o chavismo e o que pretenda a “revolução bolivariana”, o que a oposição quer é restaurar o sistema de poder anterior: um dos mais corruptos e socialmente opressores da América Latina, de menor e mais imoral “liberdade de imprensa” e de pensamento.

Ao longo do século passado, a Venezuela dos hoje saudosistas deixou exemplos de barbaridade ditatorial escandalosos mesmo para o padrão latino-americano, caso do ditador-bandido Perez Jimenez, entre outros; e uns dois governos decentes, digo dois só para não deixar o romancista e presidente Romulo Bittencourt sem companhia em meio a cem anos.

Mas, a não ser muito eventuais obviedades “de esquerda”, nunca li ou ouvi críticas no Brasil aos donos daquela Venezuela e seu sistema de domínio e exploração.

O que se passa na Venezuela não é uma divergência entre as condições jurídicas e temporais de uma posse, incerta além do mais, na Presidência. Posse de um eleito, também é bom lembrar, em eleições de lisura aprovada por comissões internacionais de fiscalização, entre as quais a respeitadíssima Fundação Carter, com a presença destemida do democrata Jimmy Carter.

A conduta do Itamaraty diante do problema venezuelano, na qual expressa a posição oficial Brasil, mais uma vez se orienta pelo princípio de que se trata de assunto interno do país vizinho, sem justificativa para qualquer interferência externa a ele.

Marco Aurélio Garcia foi mandado, como assessor presidencial de assuntos internacionais, recolher em dois dias as informações, necessárias ao governo brasileiro, sobre o estado de Chávez e sobre a situação política venezuelana. Não houve indicação alguma de que seu comentário representasse uma posição assumida pelo governo brasileiro.

Para Marco Aurélio Garcia, conforme exposto na Folha pela repórter Fernanda Odilla, “como o presidente foi reeleito, ‘não há um processo de descontinuidade’ se ele não tomar posse formalmente” hoje. Há, sim. Não há descontinuidade pessoal. Mas há descontinuidade institucional.

Uma posse presidencial não importa pelo empossado, que pode ser ótimo ou lamentável. A importância é institucional: o início de um mandato na Presidência. E segundo mandato é outro mandato. Como constatado no editorial da Folha “Impasse na Venezuela”, de ontem, “o texto constitucional [venezuelano] não responde de maneira inequívoca às dúvidas suscitadas” sobre o impedimento atual da posse em novo mandato.

Mas, em se tratando de Chávez, é válido dizer que “adiar indefinidamente” é inconstitucional, é arbitrariedade, é opressão. “Brasileiro não tem memória.” Ou, se lhe convém, adia indefinidamente.

Mestre Janio mata a pau, como sempre. Cabra bom.

Da relação direta entre ter de limpar seu banheiro e poder abrir sem medo um MacBook no ônibus

Por Daniel Duclos

UPDATE: Muita gente tem lido este post como uma idealização da Holanda como um lugar paradisíaco. Nada mais longe da verdade. A Holanda não é nenhum paraíso e tem diversos problemas, muitos dos quais eu sinto na pele diariamente. O que pretendo fazer aqui é dizer duas coisas: a origem da violência no Brasil é a desigualdade social e 2, apesar da violência que gera, muita gente gosta dessa desigualdade e fica infeliz quando ela diminui, porque dela se beneficia e não enxerga a ligação desigualdade-violência. Por fim: esse post não é sobre a Holanda. A Holanda estar aqui é casual. Esse post é sobre o Brasil, minha pátria mãe.

A sociedade holandesa tem dois pilares muito claros: liberdade de expressão e igualdade. Claro, quando a teoria entra em prática, vários problemas acontecem, e há censura, e há desigualdade, em alguma medida, mas esses ideais servem como norte na bússola social holandesa.

Um porteiro aqui na Holanda não se acha inferior a um gerente. Um instalador de cortinas tem tanto valor quanto um professor doutor. Todos trabalham, levam suas vidas, e uma profissão é tão digna quanto outra. Fora do expediente, nada impede de sentarem-se todos no mesmo bar e tomarem suas Heinekens juntos. Ninguém olha pra baixo e ninguém olha por cima. A profissão não define o valor da pessoa – trabalho honesto e duro é trabalho honesto e duro, seja cavando fossas na rua, seja digitando numa planilha em um escritório com ar condicionado. Um precisa do outro e todos dependem de todos. Claro que profissões mais especializadas pagam mais. A questão não é essa. A questão é “você ganhar mais porque tem uma profissão especializada não te torna melhor que ninguém”.

Profissões especializadas pagam mais, mas não muito mais. Igualdade social significa menor distância social: todos se encontram no meio. Não há muito baixo, mas também não há muito alto. Um lixeiro não ganha muito menos do que um analista de sistemas. O salário mínimo é de 1300 euros/mês. Um bom salário de profissão especializada, é uns 3500, 4000 euros/mês. E ganhar mais do que alguém não torna o alguém teu subalterno: o porteiro não toma ordens de você só porque você é gerente de RH. Aliás, ordens são muito mal vistas. Chegar dando ordens abreviará seu comando. Todos ali estão em um time, do qual você faz parte tanto quanto os outros (mesmo que seu trabalho dentro do time seja de tomar decisões).

Esses conceitos são basicamente inversos aos conceitos da sociedade brasileira, fundada na profunda desigualdade. Entre brasileiros que aqui vêm para trabalhar e morar é comum – há exceções –  estranharem serem olhados no nível dos olhos por todos – chefe não te olha de cima, o garçom não te olha de baixo. Quando dão ordens ou ignoram socialmente quem tem profissão menos especializadas do que a sua, ficam confusos ao encontrar de volta hostilidade em vez de subserviência. Ficam ainda mais confusos quando o chefe não dá ordens – o que fazer, agora?

Os salários pagos para profissão especializada no Brasil conseguem tranquilamente contratar ao menos uma faxineira diarista, quando não uma empregada full time. Os salários pagos à mesma profissão aqui não são suficientes pra esse luxo, e é preciso limpar o banheiro sem ajuda – e mesmo que pague (bem mais do que pagaria no Brasil a) um ajudante, ele não ficará o dia todo a te seguir limpando cada poerinha sua, servindo cafézinho. Eles vêm, dão uma ajeitada e vão-se a cuidar de suas vidas fora do trabalho, tanto quanto você. De repente, a ficha do que realmente significa igualdade cai: todos se encontram no meio, e pra quem estava no Brasil na parte de cima, encontrar-se no meio quer dizer descer de um pedestal que julgavam direito inquestionável (seja porque “estudaram mais” ou “meu pai trabalhou duro e saiu do nada” ou qualquer outra justificativa pra desigualdade).

Porém, a igualdade social holandesa tem um outro efeito que é muito atraente pra quem vem da sociedade profundamente desigual do Brasil: a relativa segurança. É inquestionável que a sociedade holandesa é menos violenta do que a brasileira. Claro que aqui há violência – pessoas são assassinadas, há roubos. Estou fazendo uma comparação, e menos violenta não quer dizer “não violenta”.

O curioso é que aqueles brasileiros que queixam-se amargamente de limpar o próprio banheiro, elogiam incansavelmente a possibilidade de andar à noite sem medo pelas ruas, sem enxergar a relação entre as duas coisas. Violência social não é fruto de pobreza. Violência social é fruto de desigualdade social. A sociedade holandesa é relativamente pacífica não porque é rica, não porque é “primeiro mundo”, não porque os holandeses tenham alguma superioridade moral, cultural ou genética sobre os brasileiros, mas porque a sociedade deles tem pouca desigualdade. Há uma relação direta entre a classe média holandesa limpar seu próprio banheiro e poder abrir um Mac Book de 1400 euros no ônibus sem medo.

Eu, pessoalmente, acho excelente os dois efeitos. Primeiro porque acredito firmemente que a profissão de alguém não têm qualquer relação com o valor pessoal. O fato de ter “estudado mais”, ter doutorado, ou gerenciar uma equipe não te torna pessoalmente melhor que ninguém, sinto muito. Não enxergo a superioridade moral de um trabalho honesto sobre outro, não importa qual seja. Por trabalho honesto não quero dizer “dentro da lei” –  não considero honesto matar, roubar, espalhar veneno, explorar ingenuidade alheia, espalhar ódio e mentira, não me importa se seja legalizado ou não. O quanto você estudou pode te dar direito a um salário maior – mas não te torna superior a quem não tenha estudado (por opção, ou por falta dela). Quem seu pai é ou foi não quer dizer nada sobre quem você é. E nada, meu amigo, nada te dá o direito de ser cuzão. Um doutor que é arrogante e desonesto tem menos valor do que qualquer garçom que trata direito as pessoas e não trapaceia ninguém. Profissão não tem relação com valor pessoal.

Não gosto mais do que qualquer um de limpar banheiro. Ninguém gosta – nem as faxineiras no Brasil, obviamente. Também não gosto de ir ao médico fazer exames. Mas é parte da vida, e um preço que pago pela saúde. Limpar o banheiro é um preço a pagar pela saúde social. E um preço que acho bastante barato, na verdade.

PS. Ultimamente vem surgindo na sociedade holandesa um certo tipo particular de desigualdade, e esse crescimento de desigualdade tem sido acompanhado, previsivelmente, de um aumento respectivo e equivalente de violência social. A questão dos imigrantes islâmicos e seus descendentes é complexa, e ainda estou estudando sobre o assunto.