Pikachu como moeda de troca?

Por Gerson Nogueira

Explicações sobre movimentação financeira nunca foi o forte da cartolagem. Costumam se atrapalhar, gaguejam e apelam para potocas sempre que o assunto é dinheiro. Não é exclusividade dos espécimes nativos, é praga nacional.

No afã de justificar a negociação de seu grande destaque individual na Série C, dirigentes do Paissandu argumentam com teses mirabolantes, como a suposta necessidade de levantar grana com a venda dos direitos federativos de Pikachu para suspender o leilão da sede social do clube.

A justificativa (ou desculpa) não se aplica à questão que envolve a sede, cujo leilão já está em curso – para quitação de débito com o ex-jogador Arinélson – e não depende de pagamentos para ser sustado. Última etapa de pendência que não chegou a bom termo nas etapas anteriores de negociação, leilão judicial é fase executória, não comportando acordos de última hora.

Em meio a isso, enquanto o lado consciente da torcida, ainda imerso nas emoções do acesso conquistado heroicamente em Macaé, começa a estruturar nas redes sociais uma campanha “Fica, Pikachu!”, a diretoria segue em direção contrária, na contramão dos fatos.

Qualquer marqueteiro de quinta categoria sabe que o momento é favorável à valorização dos talentos do clube, surgidos quase que por acaso, pois o investimento em futebol de base é praticamente zero.

Aperreios de momento não deveriam balizar o projeto de negociação de Pikachu, que na vitrine da Série B deverá ter seus méritos ainda mais cobiçados, abrindo chance para uma transação mais rentável para o Paissandu.

Por sorte, o Conselho Deliberativo deu um freio nas tratativas e o jogador não deve ser transacionado, pelo menos por enquanto. Os conselheiros devem ter chegado à conclusão que a verdadeira intenção era negociar Pikachu para que o dinheiro fosse empregado no pagamento dos débitos salariais com o elenco (em torno de R$ 1,2 milhão) e ao pagamento da gratificação prometida, de R$ 1 milhão, sendo que R$ 200 mil já foram repassados aos jogadores.

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Campinhos de várzea

É preocupante o estado dos gramados onde está se desenrolando a Primeira Fase do Parazão 2013. Como daqui a algumas semanas, entraremos no período de inverno rigoroso, os campos que já estão ruins irão ficar em situação ainda mais crítica.

Quando foram mostradas as imagens dos jogos disputados em Castanhal e Santarém no fim de semana, bateu logo a lembrança dos cuidados que a comissão de vistoria dos estádios tem com banheiros, portas de vestiários, alambrados, dobradiças e portões dos estádios. Já houve estádio vetado no Parazão por falta de um pedaço de muro interno.

Ocorre que a mesma comissão é totalmente permissiva e até negligente em relação ao primeiro item necessário para a prática do futebol: o campo de jogo. Não por acaso, é o tema inicial das regras oficiais do esporte.

Esse descaso talvez advenha do desconhecimento prático que os membros da comissão – em geral, técnicos e profissionais liberais – têm do ofício de boleiro. Quem já chutou uma bola na vida sabe o quanto é importante um campo decente para jogar.

Diante disso, vejo como fundamental a inclusão de um representante da categoria dos atletas nessa comissão. Afinal, são os atletas os principais interessados em gramados de qualidade, pois são as maiores vítimas das crateras e lombadas existentes nos campinhos de várzea do nosso interior, que estão piores do que em temporadas passadas.

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Lambanças e mistérios

São cada vez mais “oficiais” as informações sobre a contratação de Flávio Araújo pelo Remo. Curiosamente, até a semana passada o técnico negava peremptoriamente qualquer contato com os dirigentes, que também não assumem o negócio, embora no clube já seja dada como certa a chegada de um auxiliar de Araújo nos próximos dias para conhecer o elenco e sugerir contratações.

Caso o acerto esteja de fato em andamento, a escolha do novo treinador merece elogios. Araújo é o campeão invicto da Série D com o Sampaio Corrêa, façanha resultante de um trabalho meticuloso e enaltecido por toda a imprensa maranhense.

A qualificação do técnico, porém, não é suficiente para obscurecer a balbúrdia dominante no Remo, onde ninguém se entende e não há quem assuma qualquer coisa. Aliás, permanece a novela sobre a candidatura (ou não) do presidente Sérgio Cabeça à reeleição.

O mistério, neste caso, é extremamente danoso à vida administrativa do próprio clube, pois engessa providências que já deveriam estar em marcha para o começo da próxima temporada.

Aos que sonham com a possibilidade de que o Remo siga o exemplo vitorioso do Paissandu, que conquistou o acesso apesar das falhas de gestão e campanha cheia de zigue-zagues, as perspectivas não são das melhores. Afinal, os principais responsáveis pela atual pindaíba são os primeiros a se mostrarem pouco interessados em tirar o clube do abismo.

A essa altura, acreditar em êxito no próximo ano é apostar cegamente num milagre improvável. O torcedor, mesmo aquele mais ingênuo, já não embarca na conversa fiada dos dirigentes. Isso envolve a própria contratação de Flávio Araújo, que só será plenamente confirmada quando ele der entrevista sacramentando o acordo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 13)

20 comentários em “Pikachu como moeda de troca?

  1. Quanto ao Yago, acredito que, se o Paysandu conseguir segurar ele e fazer com que ele jogue a série B, ganhará mais dinheiro com a venda dele..

    – Vale lembrar, fugindo do assunto, que Kiros está com 7 gols, a apenas 4 do artilheiro da série C, Dênis Marques, que tem 11. Todos os outros à uafrente, inclusive o artilheiro, seus times já foram eliminados da competição. Kiros tem tudo pra ser o Artilheiro desse campeonato.. Booooooooora marcar Kiroooooos.

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  2. Não há o que discutir sobre venda de Yago por ser incoerente no momento. Quanto a premiação outro absurdo, certo é colocar em dia os salários e compensar conquistas em outro molde. Quanto a sede se é inevitável o leilão que siga em frente e acabe essa novela de todos os dias.

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  3. Gerson Nogueira,

    Para mim assuntos do Remo não interessa, mas do futebol paraense sim. Então sobre essa possível contratação desse Flávio ( que é um bom treinador) já corre “boatos” nos araiais remistas e na imprensa local que ele não vem ganhando menos de 60 mil por mês para deixar o Sampaio que vai disputar a serie C e vir para o Remo. Os auxialiares dele também deverão embolsar uma grana. Então Gerson, mesmo o treinador tendo bons requesitos, não seria mais uma loucura, um tiro no proprio pé, dessa diretoria remista trazer um treinador por esse preço para disputar o deficitário campeonato paraense, com o clube cheio de dividas na justiça do trabalho, sem divisão no brasileiro, e sem plantel definido para 2013?????

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  4. Com relação ao local da partida do jogo do Paysandú tudo isto agradeça-se aos despreparados, estúpidos e sem cérebro maus torcedores. Estes sim deveriam ser identificados pelo clube e banidos por uma longa temporada de ter acesso a qualquer partida de futebol, e não punir os verdadeiros torcedores privando-os de uma festa que se tornou real, após altos e baixos próprios de uma competição tão disputada como é o brasileiro em todas as suas séries.
    Paysandú e Icasa vieram de um inferno para o céu, subiram de produção na hora certa e vão medir forças novamente. É torcer para vencer bem e garantir a classificação para a final.
    Também não creio que o STJD vá acatar o pedido do Papão!
    Mas no frigir dos ovos quem deveria pagar era o município de Paragominas ao Paysandú pois haverá não somente mais esta invasão mas também na decisão da decisão do título também!

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  5. Que notícia ótima,Cláudio.kkkk Estava vendo a sinopse de Sexta-Feira,e vi que o Sportv irá exibir às 18h00,uma das Semi-finais da série C,e passei aqui só para ver se você confirmaria o que eu queria saber,não deu outra.kkkkkk

    EU QUERO ESSE TÍTULO,PAPÃO !!!!!!!!

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