Chapecoense e Icasa saem na frente na 2ª fase

O resultado foi surpreendente se comparadas as duas campanhas, mas a Chapecoense não deixou que o Luverdense se impusesse, na noite desta quinta-feira, na Arena Condá, em Chapecó (SC). Venceu por 3 a 0 diante de seis mil torcedores e vai para a segunda partida, daqui a uma semana, podendo perder por até dois gols de diferença. A partida marcou a abertura da segunda fase da Série C. Na outra partida, em Juazeiro do Norte, o Icasa bateu o favorito Duque de Caxias por 2 a 1.

Lecheva faz treino tático e estuda o Macaé

O mais importante treinamento feito pelo Paissandu em Paragominas foi o exercício de posicionamento ministrado por Lecheva na manhã desta quinta-feira, na Arena Verde. Observado por um bom número de torcedores, Lecheva orientou os jogadores, treinou inversão de funções e parou várias vezes a prática para conversar com os atletas. Pelo observado, o técnico ainda não definiu se escala Harisson na armação ou se recua Tiago Potiguar para o meio-de-campo e lança Rafael Oliveira no ataque, ao lado do centroavante Kiros.

Depois do treino tático, os jogadores fizeram um treino recreativo de 30 minutos, com goleiros no ataque e atacantes como defensores. Em clima descontraído, Tiago Potiguar voltou a aparecer no gol e Pikachu também experimentou a posição. No hotel, no fim da tarde, Lecheva mostrou ao elenco vídeos das últimas partidas do Macaé no Brasileiro da Série C, procurando estudar seus pontos fortes e fracos. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola) 

Escaramuças leoninas

Por Gerson Nogueira

O Remo não encontra paz nem quando está em recesso. As movimentações de bastidores para organizar a etapa final da gestão Sérgio Cabeça já provocam as primeiras reações negativas. Sérgio Zumero, convidado a assumir o futebol do clube, declinou da missão depois de participar de três reuniões com o presidente.

Em entrevista, mostrou-se pessimista quanto ao futuro imediato do clube, principalmente em função das dívidas acumuladas com funcionários e atletas. Para receber os jogadores, pediu que a diretoria providenciasse o pagamento de pelo menos parte dos salários em atraso.

Ao perceber que não havia nenhum interesse em resolver o problema, entendeu que o melhor a fazer era sair de cena e se desligou da comissão informalmente criada por Cabeça.

Em entrevista à Rádio Clube, lamentou que a questão dos funcionários não seja prioritária. Avalia, com razão, que quitar salários é obrigação dos gestores e não há condição de implantar um trabalho sério em ambiente de insatisfação e cobrança.

Fez muito bem Zumero, pois dirigentes devem assumir cargos cientes de suas responsabilidades. Há quem aceite essas missões só para buscar holofotes, mas sem qualquer preocupação em mudar o cenário ruim. O Remo de hoje precisa de obreiros, não de marqueteiros.

Ronaldo Passarinho, que já comunicou sua decisão de deixar o departamento jurídico no fim do mandato atual, é outro que agiu com coerência. Não é possível cobrar eficiência e dedicação de uma equipe que não recebe salários há quatro meses.

O que parecia ser um final de ano menos tumultuado, com ênfase na escolha do novo presidente, periga se transformar em desfecho melancólico da atual gestão, mais ou menos como foram as duas últimas.

Para coroar esse momento de balbúrdia administrativa e pindaíba financeira, o próprio presidente ameaça insistir na tese da reeleição, desmentindo sua própria promessa de abandonar o cargo em dezembro. Até mesmo a prometida antecipação da saída não foi cumprida.

A cada novo capítulo, os dirigentes do Remo parecem se esforçar ao máximo para mostrar que sua maior preocupação não é o futuro do clube. Agem como se o interesse pessoal estivesse acima de tudo. Desse jeito, não há nem como enxergar nem uma réstia de luz no fim do túnel.

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Como dono da casa

A antecipação da chegada do Paissandu a Paragominas, acertadíssima medida da comissão técnica, já produziu os primeiros frutos. No treinamento de ontem à tardinha na Arena Verde, os jogadores travaram contato com a torcida local, que foi prestigiar a movimentação.

Tão importante quanto o desempenho em campo, amanhã, será a identificação do time com a galera. Claro que boa parte do estádio será invadida pela massa alviceleste de Belém, mas é indispensável que o Papão estabeleça boa comunicação com os torcedores nativos.

Paragominas, ou Paragobelas, vive uma efervescência futebolística. No fim de semana passada, o PFC conquistou o título da Segundinha, divisão de pré-acesso ao Parazão, desbancando o favorito Santa Cruz, em Cuiarana. Ao Paissandu cabe explorar esse súbito interesse local por futebol e assumir o papel de dono do pedaço.

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Mão de gato

Desde que Maradona desviou aquela bola com as mãos na Copa do Mundo de 1986 o conceito de gol ilegal sofreu um ajuste, dependendo do gosto do freguês. Os europeus permanecem inflexíveis no respeito às regras, chegando mesmo a gestos surpreendentemente belos, como aquele de Miroslav Klose, que admitiu ter tocado a bola irregularmente fazendo com que o árbitro anulasse o gol.

Na América do Sul, de coração tropical e emoções à flor da pele, nem sempre esse amor pelo fair-play é levado ao pé da letra. Aliás, quis o destino que um conterrâneo de Dieguito fosse protagonista do lance que ameaça criar a última novela deste meio insosso Campeonato Brasileiro.

A bola desviada malandramente por Barcos contra o Internacional virou cavalo de batalha do Palmeiras, que enxergou nisso a chance de se agarrar a um imbróglio jurídico e assim adiar sua queda rumo à Segunda Divisão. O STJD, ávido por exposição, acatou o pedido e determinou a suspensão dos pontos, embora a CBF tenha mantido a pontuação do Colorado.

Na condição de leigo no assunto, mas com a legitimidade de mais de 40 anos de arquibancada, defendo a atitude do árbitro. Afinal, mesmo por vias inusitadas, anulou um lance claramente ilegal e afrontoso às regras do jogo. O resto é potoca de torcedor apaixonado.

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JT, fim de uma história

Não podia deixar de registrar aqui meu lamento pelo fim do Jornal da Tarde, cuja última edição impressa circulou ontem em São Paulo. Vespertino de perfil ousado, com textos afiados e diagramação à frente de seu tempo, foi uma de minhas bíblias quando começava no ofício. O simples fato de ter sido idealizado por um jovem Mino Carta já o credencia como um dos principais jornais brasileiros em todos os tempos. Vai fazer falta.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 01)