Icasa empata com o Duque e garante acesso

A Série C classificou mais um time para as semifinais. Com o empate de 0 a 0 no jogo de volta contra o Duque de Caxias, na noite desta sexta-feira, o Icasa-CE garantiu o acesso à Série B 2013 e a condição de semifinalista da competição. No primeiro jogo, em Juazeiro do Norte, o Icasa havia vencido por 2 a 1. No cruzamento da próxima fase, o Icasa enfrentará o vencedor do confronto entre Paissandu e Macaé. O outro time classificado, na véspera, foi a Chapecoense, que perdeu por 1 a 0 para o Luverdense, em Lucas do Rio Verde. Como havia vencido a primeira partida por 3 a 0, a equipe catarinense conquistou a vaga e o direito de seguir na competição.

A hora certa de subir

Por Gerson Nogueira

O maior dos problemas do Paissandu para a decisão de hoje deixou de existir ontem à tarde. Lecheva confirmou a escalação de Vânderson, que ainda era avaliado como dúvida para o jogo. Com isso, o Paissandu terá a formação titular que vem respondendo pela excelente campanha na reta final da Série C.

Todos os procedimentos adotados por Lecheva têm se pautado pela coerência. Até mesmo na insistência em manter Harison no meio-de-campo, contra a opinião da maioria. Para o técnico, o armador cumpre um papel tático importante. É uma maneira de ver o jogo que merece respeito, embora não seja convincente.

Pelas atuações recentes, Harison talvez não fosse a melhor alternativa para atuar ao lado de Alex Gaibú, que hoje responde pela execução do trabalho de criação no meio-campo. Com um parceiro mais ágil e ofensivo é provável que o rendimento do setor fosse mais efetivo, como no segundo tempo do jogo com o Macaé, em Paragominas.

Na ocasião, ficou óbvia a diferença de postura do time com e sem Harison. Talvez seja uma queda de rendimento temporária, mas o problema é cada vez mais visível. Por outro lado, caso o Paissandu continue a avançar na competição, mesmo com a presença do meia, Lecheva terá alcançado seu objetivo e dificilmente alguém terá coragem de tocar no assunto novamente. Os oportunistas só costumam agir mediante o fracasso. Nas vitórias, todas as discordâncias são espanadas para debaixo do tapete.

O mundo do futebol costuma ser implacável, cruel até, quando as coisas não terminam bem. Mas, a partir do momento que se alcança o resultado buscado, tudo passa a soar de forma positiva. Por isso, aos que reclamam das preferências de Lecheva, aconselho prudência.

Não se pode esquecer que, com erros (poucos) e acertos (muitos), o técnico realinhou o time e deu ao Paissandu uma pegada competitiva que não existiu sob o comando dos experientes Roberval Davino e Givanildo Oliveira. Estivesse nas mãos de um desses veteranos seguramente o Papão estaria longe da condição privilegiada que desfruta agora.

A Lecheva o que é de Lecheva. Se trouxer a classificação, merece todos os aplausos porque a maior parte do mérito pelo feito lhe pertence. Se não, segue digno de elogios pelo belíssimo trabalho.

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Para exorcizar o passado

Mesmo sem treinar num campo decente em Macaé, o Paissandu está pronto para a grande batalha. Véspera de jogo não é momento para treinamentos exaustivos. No máximo, um bate-bola para por os jogadores em movimento. Como o ambiente é de paz e otimismo, ninguém reclamou muito do contratempo.

O que conta mesmo é o padrão estabelecido por Lecheva, que consiste de saída preferencial pelas laterais – principalmente a direita, com Pikachu – e tentativas de jogadas triangulares pelo meio, explorando Tiago Potiguar e o centroavante Kiros.

Vem dando certo, principalmente porque essas são as jogadas mais utilizadas, mas o time passou a fazer variações que também conduzem ao gol. Quando isso ocorre é porque o entrosamento chegou. Mais que isso: os jogadores adquiriram confiança e não se esquivam de tentativas individuais. O risco embutido num lance deixou de ser motivo para que a jogada não seja buscada.

Dessa nova mentalidade beneficia-se o time inteiro, pois os volantes, que normalmente jogavam plantados, passaram a se envolver mais no jogo. Não por acaso, lá em Paragominas, no primeiro jogo, Vânderson saiu de campo como o melhor da equipe. Não errou um passe e distribuiu passes preciosos para os homens de frente.

Vânderson, aliás, é um dos poucos remanescentes de outras jornadas do Paissandu em busca do acesso à Série B. Como atleta nativo e torcedor declarado do clube, tem todos os motivos para encarar o embate desta tarde como o jogo da sua vida. É bom que os demais jogadores pensem do mesmo jeito ao longo dos 90 minutos.

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Acesso premia zebras

Os dois primeiros classificados à Série B 2013 não estavam cotados entre os favoritos para subir. Chapecoense e Icasa entraram em posições inferiores e não tinham a vantagem do segundo jogo em casa. Passaram, respectivamente, por Luverdense e Duque de Caxias, que realizaram campanhas muito melhores. Será uma tendência neste cruzamento classificatório da Série C? A conferir nas próximas horas.

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Direto do blog:

“Eu desejo um salário de deputado e o prestígio de um jogador de futebol ao Lecheva. Boa sorte”.

De Gilvan Medeiros, reconhecendo os méritos de Lecheva.

História de um grande brasileiro

Por Marco Rodrigo Almeida, da Folha de S. Paulo

Quando criou o Menino Maluquinho, Ziraldo inspirou-se na própria infância. Em Caratinga (Minas Gerais), onde nasceu, o garoto era tão espevitado que ganhou dos colegas o apelido de “Bala Perdida”. “Eu era muito agitado, é o que hoje as pessoas chamam de hiperativo”, relembra o escritor.

Ele nasceu em 1932 e completou 80 anos no mês passado. É o mais velho de sete irmãos. Seu nome veio da mistura do nome da mãe (Zizinha) com o do pai (Geraldo). Os pais ganhavam pouco dinheiro. Ele tinha apenas um par de sapato. Quando um estragava e ia para o conserto, ele andava pelas ruas com um pé calçado e o outro descalço.

Também quase não ganhava brinquedos. “Mas eu não percebia isso. Era uma criança muito feliz.” A diversão de Ziraldo era ficar na rua com amigos. Adorava brincar de pique-esconde, soldado e pião. Em casa, eram raros os castigos. O pai era muito carinhoso. Gostava de brincar, pentear os cabelos e arrumar os filhos. Quando sobrava dinheiro, Geraldo comprava livros para eles.

Ziraldo adorava as histórias do “Sítio do Picapau Amarelo”, de Monteiro Lobato, e os gibis do Batman e do Super-Homem. Em 1939, começou a Segunda Guerra. A família de Ziraldo acompanhava o conflito pelo rádio. Ele tinha medo de que uma bomba caísse em Caratinga. Felizmente, isso nunca aconteceu. O que realmente deixava a sossegada Caratinga em pânico era o travesso Ziraldo.

Uma de suas brincadeiras prediletas era pegar uma gravata do pai, enchê-la de areia, amarrar um fio de linha e colocá-la na rua. Quando alguém passava, ele puxava o fio. Pensando que a gravata era uma cobra, as pessoas levavam um baita susto.

Palma de lata

Por Juca Kfouri

A crise palmeirense vem da década de 1970, interrompida por uma parceria eficaz e nebulosa. 

Campeão do século 20, como gostam de dizer os palmeirenses, depois de duas Academias históricas, o Palestra mergulhou num sono profundo e jejuou até no Campeonato Estadual entre 1976 e 1993, além de ter passado 20 anos sem um título do Campeonato Brasileiro, entre 1973 e 1993.

No começo e até o fim da década dos 90 tudo mudou, com o acordo de cogestão com a Parmalat, saudado, corretamente, como uma revolução -o profissionalismo na administração do futebol. E como deu certo! O Palmeiras voltou a mandar no futebol e culminou vencendo sua primeira, e única, Taça Libertadores, em 1999.

Bastou a Parmalat ir embora para tudo ruir, a ponto de o Palmeiras conhecer a segunda divisão nacional já em 2003. Aqui, um parêntese: soube-se, depois, que o dinheiro da multinacional italiana era tão sujo como o da MSI, da máfia russa, que assolou o Corinthians, embora também lhe tenha trazido o título brasileiro de 2005.

Do mesmo modo que se pode afirmar que Kia Joorabchian não tinha nada de genial e era apenas um trem pagador, pode-se dizer o mesmo dos que foram elevados ao patamar de mágicos do marketing e da gestão esportivos no período da cogestão alviverde, porque dinheiro sujo equivale a doping financeiro e qualquer gângster se dá bem desse jeito.

Se entrou para a história das mazelas do futebol o célebre pênalti não marcado de Fábio Costa em Tinga, que culminou por absurdo na expulsão do colorado e, praticamente, na conquista corintiana do título brasileiro de 2005, não foi menos escandalosa a não expulsão de Edmundo na criminosa entrada em Paulo Sérgio na decisão estadual de 1993, a que tirou o Palmeiras da fila e criou a expressão Esquema Parmalat.

Se o Corinthians foi outro que conheceu a humilhação da segunda divisão tão logo os russos tiveram que fugir do Brasil, é verdade que no Parque São Jorge as coisas evoluíram -não sem uma portentosa ajuda de Lula. Mas no Palmeiras nem Serra deu jeito, e seus cartolas ppermanecem no século passado.