Blog campeão bate recordes em três dias

Blog campeão batendo novos recordes. Em três dias, foram mais de 13 mil acessos. No sábado, dia do jogo do Papão, chegamos a 5.300 acessos. No domingo, mais de 3 mil. Hoje, até às 22h, 4.650 acessos. Recorde absoluto entre blogs na Região Norte. Agradeço a todos os envolvidos, novos e velhos visitantes, baluartes, comentaristas de fé sempre assíduos. Thanks! Novas vitórias virão. Sigam-me os bons!!

Um rei chamado Lecheva

Por Roger Normando (rogernormando@gmail.com)

Na corte tinha um rei admirado por todos, pois albergava humildade em seus gestos.

O que fizesse, todos os súditos repetiam.

Achou de se deitar de cabeça para baixo no alpendre de seu quarto: todos viraram morcegos.

Exercitou cuspir fogo: todos fumegavam como dragão.

Passou três noites sem dormir: e todos viraram zumbis.

Resolver voar com as asas nos pés: todos viraram pé-de-anjo.

Começou a andar com a cabeça guinada para o lado; todos repetiram o empeno.

Até que veio a guerra e todos se viram de prontidão.

O rei venceu a guerra graças aos seus súditos plantando bananeira, cuspindo fogo com pé-de-vento e o pescoço guinado para o lado do coração.

Papão apela ao STJD para jogar no Mangueirão

A diretoria do Paissandu, através do advogado Oswaldo Sestário, tenta junto ao STJD reverter a punição imposta pelo tribunal, que tirou o mando de campo da equipe até o final da Série C. Sestário vai propor um abrandamento da pena, sugerindo que o Paissandu jogue no estádio Edgar Proença (Mangueirão) e pague com a destinação de parte da renda a instituições de caridade. Apesar do esforço, a própria direção do clube não acredita muito na mudança de local, já que a CBF já definiu o estádio Arena Verde, em Paragominas, como palco do primeiro jogo da semifinal contra o Icasa-CE.

Homenagem a um herói bicolor

Por Gerson Nogueira

Quis o destino que um verdadeiro bicolor terminasse como herói da conquista do acesso. Mais que Lecheva, comandante imperturbável na reta final da campanha, e mais até do que Pikachu, melhor jogador do time na temporada e autor do importantíssimo primeiro gol na batalha de sábado em Macaé. Que outros me perdoem, mas Vânderson é o símbolo desta improvável e até surpreendente arrancada do Paissandu de volta à Série B.

Quando marcou o segundo gol do Papão, em momento crucial da tarde, o discreto Vânderson botou água na fervura do oponente, que tinha 3 a 1 no placar e parecia disposto a empreender uma blitz final pelo quarto gol que lhe interessava.

Pois, de repente, como se estivesse escrito há milênios, nasceu o decisivo gol de Vânderson. Veio na hora certa e definitiva, desfazendo qualquer possibilidade de reversão. O gol que reanima forças e põe por terra qualquer entusiasmo do inimigo.

De temperamento reservado ao longo de toda a carreira, Vânderson mostra-se mais loquaz e consciente de sua liderança sobre os mais jovens. Exerceu na campanha o papel de moderador, ajudando Lecheva a conter os ânimos e a apagar pequenos focos de incêndio – gerados, principalmente, pelo crônico atraso de salários.

Ao contrário de outras ocasiões, como em 2010 e 2011, as insatisfações do elenco desta vez não se transformaram em mau rendimento em campo. Os jogadores assumiram o compromisso de classificar o time, independentemente dos problemas. O próprio Vânderson disse isso em entrevista ao Bola na Torre, há uma semana. Palavra dada, missão cumprida.

A meta de retornar à Série B foi alcançado no jogo de sábado, mas a conquista da vaga aconteceu no primeiro confronto, em Paragominas. A vitória por 2 a 0 deu tranquilidade ao Paissandu para chegar em Macaé administrando as ações. Vânderson, que havia sido impecável na vitória de 2 a 0, voltou a esbanjar eficiência e competência na volta. Liderou a marcação e ainda teve forças para ir ao ataque e marcar gol.

Foi a partir do meio-de-campo que o Paissandu encontrou forças para superar a vantagem inicial do Macaé, que achou um gol depois de ficar acuado por 20 minutos, tempo que durou o começo arrasador dos bicolores no confronto. Nesse período, foram criadas três grandes chances, mas o ataque não aproveitou.

Quando o Macaé estabeleceu 2 a 0 no marcador, o Paissandu teve a serenidade para continuar fazendo o seu jogo, baseado no toque de bola e tentativas pelo lado esquerdo do ataque. Por ali, em lance iniciado por Rodrigo Fernandes e complementado por Lineker, a bola acabou chegando a Pikachu para descontar.

Nem a falha terrível do goleiro João Ricardo desestabilizou o time, que encontrou ânimo para continuar tentando. E, depois de ágil manobra de Tiago Potiguar, o passe foi a Vânderson na linha da grande área. O chute forte e rasteiro redimiu tudo o que de errado aconteceu na campanha e premiou os preciosos pontos positivos. Parabéns a todos os envolvidos.

————————————————————–

O principal responsável

Ao cabo de seis anos de insucessos, o Paissandu volta ao nível mínimo aceitável para um clube de sua tradição e história. É inadmissível, estranho até, que tenha permanecido tanto tempo longe da Série B. Mas, quem acompanha a vida do clube sabe que os desmandos de gestão, os erros repetidos quanto a contratações e política salarial respondem por 90% dos motivos de tão longa espera.

É importante agora que a façanha do acesso não se perca na euforia vazia e nos discursos pretensiosos da cartolagem. Todo mundo sabe, inclusive a massa que acompanha o Círio,          que o acesso veio por força das circunstâncias e pelo decisivo papel desempenhado por Lecheva.

Desde o primeiro semestre, Lecheva já era o melhor técnico disponível, mas ninguém quis ver. Essa qualidade ficou evidente principalmente ao longo da Copa do Brasil, mas a pressão da torcida e da imprensa também levaram os dirigentes a buscarem nomes de fora. Veio, então, Roberval Davino e montou o elenco para a Série C. Saiu depois de alguns poucos acertos (resolveu o problema do miolo de zaga), muita inconstância e resultados aquém do esperado.

Lecheva ficou interinamente, ganhou um jogo (contra o Cuiabá) e saiu de cena para que Givanildo Oliveira assumisse o barco. Depois de sete jogos sem vencer, Giva caiu. Lecheva retomou as rédeas e o time, como que por milagre, voltou a vencer. O resto da história já é bem conhecido.

Que todos jamais esqueçam de reverenciar o principal responsável pelo tão sonhado acesso. Não se enganem, não há outro. O nome dele é Lecheva.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 12)