O passado é uma parada…

Lance da semifinal da Taça Brasil de 1962 entre Botafogo e Internacional. O jogo foi no Maracanã e acabou em 2 a 2. Amarildo fez 1 a 0 aos 6 segundos, num chute do círculo central. O mesmo Amarildo ampliou aos 38 minutos, completando de cabeça cruzamento de Quarentinha. Parecia fácil. Mas o time gaúcho empatou no segundo tempo, com Alfeu e Sapiranga. Houve novo empate de 2 a 2 na volta, em Porto Alegre, onde também ocorreu a terceira partida, aí com vitória do Botafogo por 2 a 0. Mas o desfecho da Taça Brasil de 1962, com a decisão entre Botafogo e Santos, só aconteceria em 1963.

Começamos a ganhar a Copa

Por Gerson Nogueira

Desconfio que Mano Menezes caiu porque a cúpula da CBF estava com medo de criar um novo Dunga, que no começo era provisório e foi ficando, ficando até perder a Copa de 2010. A situação era mais ou menos parecida. Mano assumiu sem que ninguém – nem ele – acreditasse que ficaria até 2014.

A demissão foi providencial, pois o tempo está escoando e a partir do próximo ano não haverá mais espaço para mudanças de comando. Havia quase um consenso de que a chance de título mundial passa pela escolha de um novo técnico, com competência e “cara” de Seleção.

Mano ganhou o cargo por uma combinação simples de fatores: ausência de grandes nomes (Muricy recusou e Felipão não quis) e força política de Andres Sanchez na CBF. “Corintiano”, Mano foi uma indicação pessoal de Sanchez, avalizada por Ricardo Teixeira.

Sem torneios oficiais a disputar em 2011, quase não foi notado. Apesar de amistosos contra seleções sem tradição, a Seleção Brasileira jamais empolgou. Mano mudava constantemente e o time não ganhava um rosto. Veio a Copa América e a eliminação vexatória – com direito à pior série de penais da história do escrete – começou a desgastar o treinador.

Para os Jogos de Londres e a busca da única conquista que a Seleção não tem, surgiram dúvidas quanto à sua permanência, mas José Maria Marin (que substituiu a Ricardo Teixeira) decidiu bancá-lo.

O novo fiasco, com derrota para a seleção mexicana na partida final, selou o destino de Mano no cargo. Só teve sobrevida até sexta-feira porque, aparentemente, Marin não quis medir força com Sanchez.

Agora, fortalecido no cargo, Marin tratou de se livrar de Mano, sem precisar dar muitas justificativas sobre a demissão. Afinal, o técnico não ganhou rigorosamente nada e não conquistou nenhum título de relevo. Não conseguiu se consolidar no papel, tanto que as reações à sua saída foram extremamente positivas.

Mano só venceu mesmo os dois Super Clássicos com a Argentina, competição caça-níquel disputada pelos times B dos dois países. E, ainda assim, foi batido pelo fraquíssimo time argentino no tempo normal do embate de quarta-feira.

Com a saída de Mano, começa a temporada de especulações. Entendo que três nomes disputam o cargo: Felipão, Muricy Ramalho e Tite. Chances maiores para o primeiro, que já tem um título mundial no currículo e sempre foi o preferido da CBF.

Muricy, que esnobou o escrete, é o segundo na fila. Tite é a terceira opção. Setores da imprensa carioca citam Abel e até Parreira, mas está mais ou menos óbvio que o técnico não sairá do Rio.

Sob o reinado de Marin, até Pep Guardiola, que curte período sabático nos Estados Unidos e admitiu o sonho de treinar o Brasil, tem mais possibilidades de ser contratado do que qualquer técnico vinculado ao futebol carioca.

Creio, porém, que qualquer que seja a escolha não há como comparar com Mano, um técnico cuja principal experiência foi comandar Grêmio e Corinthians na Série B do Campeonato Brasileiro. Bagagem insuficiente para o tamanho da responsabilidade que uma Copa do Mundo exige.

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Fritura em fogo brando

O diretor de Seleções da CBF, Andres Sanchez, que já estava mal na foto com a demissão sumária de seu protegido Mano Menezes, conseguiu queimar ainda mais o próprio filme em entrevista tão deslocada quanto rude. Obrigado a reconhecer publicamente a ausência de poder – foi voto vencido quanto ao técnico – tratou de disparar farpas em direção aos repórteres, como se possível descontar a irritação em terceiros.

Segundo fontes da entidade, depois de Mano, o próximo a ganhar bilhete azul será o próprio Sanchez. Talvez pressentido esse desfecho, o cartola corintiano usou a tática da linha burra, distribuindo coices verbais para tentar resguardar Mano de críticas. Não funcionou.

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A negociação misteriosa

Os compradores dos direitos federativos de Pikachu já admitem deixá-lo no Paissandu até o Campeonato Paraense. A ideia é manter o jogador em atividade enquanto não surge um clube interessado em seu futebol. Por ora, somente o Palmeiras se manifestou publicamente, mas recolheu o galho por implicância com o apelido do irrequieto lateral-direito paraense.

Caso fique para o Parazão, Pikachu se transformará em atração do Paissandu e um de seus principais trunfos para reconquistar o certame estadual. Até lá, também, talvez já se tenha informação mais certeira quanto ao valor real do negócio.

Alguns falam em R$ 700 mil, outros em R$ 800 mil e há gente que garante que Pikachu foi negociado por mais de R$ 1 milhão.

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Direto do Facebook:

“Deixando a politicagem de lado e um abraço caloroso a todos os queridos técnicos acima, me enternece saber da saída de alguém que nem devia ter entrado (convoca mal, escala pior e mexe erradamente). Só espero não voltarmos para a vaidade do Luxemburgo, a truculência do Felipão e enfrentarmos o português do Tite (titês)”.

De Alcyr Guimarães, músico dos bons e ex-jogador de futebol.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 25)