Mês: agosto 2012
Regina Duarte também tem medo de índio
Por Leonardo Sakamoto
A atriz global e pecuarista Regina Duarte, em discurso na abertura da 45ª Expoagro, em Dourados (MS), disse que está solidária com os produtores e lideranças rurais quanto à questão de demarcação de terras indígenas e quilombolas no estado. “Confesso que em Dourados voltei a sentir medo”, afirmou a atriz, neste domingo (18), com referência à previsão de criação de novas reservas na região de Dourados. “O direito à propriedade é inalienável”, explicou ela, de forma curta, grossa e maravilhosamente elucidativa o que faz do BRASIL um brasil. Em verdade, ela deve estar sentindo medo desde a campanha presidencial de 2002…
(O deputado Ronaldo Caiado, principal defensor desses princípios, deveria cobrar royalties de Regina Duarte… Inalienáveis deveriam ser o direito à vida e à dignidade, mas terra vale mais que isso por aqui.)
“Podem contar comigo, da mesma forma que estive presentes nos momentos mais importantes da política brasileira.” Ela e o marido são criadores da raça Brahman em Barretos (SP). Dos 60 assassinatos de indígenas ocorridos no Brasil inteiro em 2008, 42 vítimas (70% do total) eram do povo Guarani Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, de acordo com dados Conselho Indígenista Missionário (Cimi). “Ninguém é condenado quando mata um índio. Na verdade, os condenados até hoje são os indígenas, não os assassinos”, afirma Anastácio Peralta, liderança do povo Guarani Kaiowá da região. “Nós estamos amontoados em pequenos acampamentos. A falta de espaço faz com que os conflitos fiquem mais acirrados, tanto por partes dos fazendeiros que querem nos massacrar, quanto entre os próprios indígenas que não tem alternativa de trabalho, de renda, de educação”, lamenta Anastácio Peralta.
A população Guarani Kaiowá é composta por mais de 44,5 mil. Desse total, mais de 23,3 mil estão concentrados em três terras indígenas (Dourados, Amambaí e Caarapó), demarcadas pelo Serviço de Proteção ao Índio (criado em 1910 e extinto em 1967), que juntas atingem 9.498 hectares de terra. Enquanto os fazendeiros, muitos dos quais ocuparam irregularmente as terras, esparramam-se confortavelmente por centenas de milhares de hectares. O governo não tem sido competente para agilizar a demarcação de terras e vem sofrendo pressões até da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). Mesmo em áreas já homologadas, os fazendeiros-invasores se negam a sair – semelhante ao que ocorreu com a Raposa Serra do Sol.
É esse massacre lento que a pecuarista apóia, como se as vítimas fossem os pobres fazendeiros. Só espero que, na tentativa de apoiar a causa, ela não resolva levar isso para a tela da TV, em um épico sobre a conquista do Oeste brasileiro, nos quais os brancos civilizados finalmente livram as terras dos selvagens pagãos.
Capa do Bola, edição de sábado, 25
Rock na madrugada – Titãs, Flores
Tribuna do torcedor
Por Diogo Carlos Luz da Silva (diogotorcedor@gmail.com)
Vou ao Mangueirão neste sábado assistir ao Paysandu jogar. Confesso, porém, que vou apenas pela paixão pelo clube, não guardo qualquer esperança que essa equipe que aí está leve o Papão à Série B. Para um time que ficou se preparando tanto tempo para a Terceirona (principalmente durante a paralisação da mesma pelo 13 da PB) os resultados até aqui são desanimadores. Penso que todo time tem uma personalidade e essa formação bicolor possui uma personalidade fraca. Não tem vontade de ganhar, haja vista a quantidade de gols perdidos e a incapacidade de segurar uma vitória. Foi assim contra o Salgueiro, contra o Santa Cruz, não conseguiu empatar com o Fortaleza e nem ganhar do Águia, e contra o Cuiabá foi aquele Deus nos acuda! Até em treino esse time não ganha. Só peço para que não caiam. Contudo, penso que a diretoria deveria manter o Givanildo para um trabalho em longo prazo. Para que ele possa formatar a equipe de 2013, fazendo do Paraense um laboratório para a Série C. Para completar, a saída do LOP será, se Deus quiser, a grande alavanca para a subida do Papão.
Adeus ao goleiro do Tri
O ex-goleiro Félix, campeão mundial em 1970 com a seleção brasileira, morreu nesta sexta-feira em São Paulo, vítima de uma doença pulmonar obstrutiva crônica agravada por pneumonia, aos 74 anos. Seu sepultamento será à tarde, na capital, em local não divulgado. Com 47 partidas pelo Brasil, Félix Miéli Venerando foi ídolo no Fluminense, time pelo qual jogou por oito anos (1968 a 76). Paulistano de nascimento, atuou ainda pelo Juventus – time pelo qual se tornou profissional, em 1953 -, Portuguesa e Nacional. Encerrou a carreira após descobrir que tinha calcificação no ombro direito, o que lhe limitava os movimentos. Pelo Flu, Félix foi campeão do Campeonato Carioca em 1969, 1971, 1973, 1975 e 1976, e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa em 1970.
Tentou ser treinador, mas não teve sucesso. Dirigiu o Avaí. Foi ainda treinador de goleiros no próprio Fluminense, logo depois que deixou de ser profissional. Félix estava internado desde o dia 18 de agosto. Trabalhou nos últimos anos como diretor comercial de uma empresa que pertencia a seu genro. Deixa três filhas e mulher. Em homenagem ao goleiro, a CBF, via comunicado, anunciou que todos os jogos da rodada deste fim de semana do Campeonato Brasileiro terão um minuto de silêncio.
Vote no mico da semana
Escolha aqui o seu mico preferido dentre os mais destacados da semana:
1) Protesto de araque no Baenão faz o temperamental Edson Gaúcho perder as estribeiras no Baenão. Duas horas depois, mesmo na liderança de seu grupo na Série D, o técnico foi demitido sumariamente.
2) Primeira tentativa de parceria entre a RC3 Sports, de Roberto Carlos, e o Paissandu termina em fiasco: os dois pernas-de-pau repassados pela empresa ao clube foram dispensados por Givanildo Oliveira.
3) Romário ataca Mano Menezes, que rebate firme chamando o Baixinho de despeitado. O craque da Copa de 1994 recomenda, ao melhor estilo do Capitão Nascimento, que o técnico deve pedir para sair da Seleção.
Amadorismo de duas faces
Por Gerson Nogueira
Pequenas verdades precisam ser ditas, repetidas vezes, sobre a realidade do futebol no Pará. Pela insistência talvez seja possível avançar ou faça com que alguma alma de bom samaritano resolva tomar a atitude necessária. É duro dizer, dói às vezes, mas o certo é que os clubes continuam a atirar a esmo, arriscando sem planejar, mirando em resultados sem investir em gestão moderna.
O mundo da bola se profissionalizou, mas as diretorias de Remo e Paissandu continuam a agir como amadoras. Não adianta nada ficar culpando os dirigentes atuais. Não são piores que os outros, têm apenas uma dose maior de responsabilidade por reprisarem erros antigos sem procurar uma saída.
Às vezes, a faísca da sorte cai do lado de cá e acontece um milagre. Foi assim que o Paissandu virou campeão dos Campeões e, por tabela, chegou à Libertadores. Iludidos com essas conquistas fortuitas, nossos grandes clubes não saem do círculo vicioso: contratações de jogadores a rodo, apostando no escuro e esperando que o milagre de 2002 se repita.
Os técnicos se revezam, passando entre dois e três meses (é a média dos últimos cinco anos) por aqui e depois partindo sem deixar herança ou saudade. Que ninguém culpe os treinadores, eles são convidados e encontram aqui estruturas capengas e viciadas.
No fundo, ninguém se compromete com mudanças. Poucos são os verdadeiros baluartes, sinceramente preocupados em contribuir para o soerguimento dos clubes. Em geral, chegam cheios de boas intenções mas desprovidos de grandes ideias. O problema é que a maioria só está interessada em sugar benefícios, satisfazer projetos políticos pessoais, obter faturamento fácil ou apenas surfar na exposição midiática.
Virou folclore, mas continua a exigir a figura do dirigente meteoro, que se envolve com o clube por ciclos, empreende uma carreira interna e às vezes chega à presidência. Quando se imagina que o ardor clubístico dará lugar a um trabalho enxuto e modernizante eis que a coisa se resume a pinimbas domésticas, que só atravancam o avanço administrativo e dividem o clube em facções que se digladiam entre si.
O torcedor, vértice mais poderoso (e amador) da equação, é o único a contribuir para o engrandecimento do clube, pois comparece sempre que é motivado – às vezes, até sem qualquer atrativo ou chamariz. Padece com as mazelas dos estádios desconfortáveis, enfrenta a insegurança das ruas, a ruindade dos times e a lábia dos cambistas para exercer o legítimo direito de torcer, incondicionalmente.
Do torcedor depende a sobrevivência dos nossos gigantes, cada vez mais frágeis e empobrecidos. Só o torcedor pode salvar o futebol paraense da extinção. Mas, como agente, precisa se mexer e tomar atitudes. Não como anteontem nas arquibancadas do Baenão, quando havia o óbvio interesse em tumultuar o ambiente e pavimentar a queda de mais um treinador.
Os esforços devem ser concentrados na fiscalização das gestões e na cobrança intransigente de eleições diretas, como forma de arejar, renovar o ambiente do futebol. Os inimigos dessa participação popular no futebol argumentam com o risco de aventureiros assumirem o poder, inviabilizando ainda mais a existência dos clubes. Ora, mais do que os parasitas e acomodados de agora já fazem?
A mudança buscada chama-se democracia. Mecanismos de transparência permitem corrigir rumos, afugentar oportunistas e descobrir novos caminhos. Você pode achar que, como Lennon, sou um sonhador, mas eu ainda acredito.
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Andrezinho, lateral-esquerdo, e André Astorga, ex-zagueiro do próprio Remo, estariam na agenda de Marcelo Veiga para remontar o trôpego setor defensivo azulino na Série D. Astorga, na passagem por aqui há quatro anos, não foi mais que um zagueiro de atuações discretas, embora lento para a posição. De toda sorte, é bastante superior aos que o Remo reúne no elenco atual.
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O Botafogo venceu o Palmeiras na quarta-feira, depois de passar um primeiro tempo afundado na letargia. Parecia disputar um reles amistoso. Quando se espertou, puxado por grande atuação de Seedorf, chegou fácil aos 3 a 1, insuficientes para garantir a classificação na Copa Sul-Americana.
Depois da vitória-derrota, o técnico loroteiro seguiu teorizando sobre o nada, arranjando desculpas esfarrapadas para a ausência de agressividade nos momentos decisivos e o pouco entusiasmo inicial da equipe.
Não duvido que, daqui a algumas semanas, o Alvinegro estará entregue à rotina habitual: lutar por uma vaga na Sul-Americana do ano que vem, para disputar com a indolência habitual e sair do jeito que tem sido sempre. Isto cansa.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 24)
Capa do DIÁRIO, edição de sexta-feira, 24
Rock na madrugada – Rolling Stones, Gimme Shelter
Capa do Bola, edição de sexta-feira, 24
O julgamento do mensalão, a farsa e os farsantes
Por Bob Fernandes
Há quem diga ser uma farsa o julgamento do chamado “mensalão”. Não, o julgamento não é uma farsa. É fruto de fatos. Ou era mesada, o tal “mensalão”, ou era caixa dois; essa que (quase) todo mundo faz e usa. Mas não há como dizer que há uma farsa. E quem fez, que pague o que fez. A farsa existe, mas não está nestes fatos. Farsa é, 14 anos depois, admitir a compra de votos para se aprovar a reeleição em 98 -Fernando Henrique Cardoso-, mas dizer que não sabe quem comprou. Isso enquanto aponta o dedo e o verbo para as compras que agora estão em julgamento. A compra de votos existiu em 97. Mas não deu em CPI, não deu em nada.



