Por Gerson Nogueira
A goleada que o Remo aplicou no Náutico reflete exclusivamente o esforço a determinação do time no segundo tempo. Os primeiros 45 minutos foram arrastados e difíceis de assistir, com o time paraense pouco superior ao atrapalhado visitante, que quase abriu o placar aos 39 minutos em seu único ataque até então.
As chances do Remo se limitavam aos escanteios e a algumas tentativas isoladas de Fábio Oliveira e Ratinho. Os laterais não conseguiam participar das jogadas ofensivas e Reis recuava em excesso, longe do posicionamento mostrado em Rio Branco na vitória sobre o Atlético-AC. A afobação para fazer logo o gol também se manifestava na maioria dos ataques.
No segundo tempo, Edson Gaúcho resolveu reforçar o meio-campo. Botou Chiquita em campo e tirou Fábio Oliveira. Instalou-se o caos no time, pois a meia cancha continuou como antes e o ataque perdeu seu homem de referência. Por sorte, André acertou um cabeceio e abriu o placar.
Para corrigir a mexida errada, o técnico substituiu o inoperante Ávalos por Cassiano e Laionel por Mendes. Ratinho, então, começou a aparecer mais para o jogo, mostrando desembaraço. Veio o segundo gol, em pênalti que provocou a expulsão de um defensor do Náutico.
Com a vantagem numérica e a vitória parcial, o Remo passou a tocar a bola, valorizando o domínio territorial. Surgiram também boas manobras pela direita com Cassiano e Dida. O terceiro gol veio logo em seguida em tentativa isolada de Ratinho, que disparou um chute forte de fora da área, enganando o goleiro Stanley.
Outras chances apareceram, mas Cassiano e Diego Barros erraram nas finalizações. O Náutico, mesmo com um homem a menos e sinais de esgotamento físico, continuou ameaçando e até criou dois lances de muito perigo com o atacante Robgol. Aos 40 minutos, em mais uma arrancada que envolveu quase todo o setor de criação e ataque, o Remo fechou o placar. Depois de um cruzamento da direita, André passou de cabeça para Mendes fuzilar a meta de Stanley.
O placar de 4 a 0, festejado pela torcida, não pode criar falsas ilusões. Contra um time tecnicamente inferior, o Remo poderia ter disparado uma goleada até maior se jogasse com mais criatividade desde o início e o ataque não errasse tanto. Ao mesmo tempo, as limitações do ataque adversário não impediram que a defesa cometesse seguidas falhas, evidenciando o crônico problema localizado no miolo da zaga.
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A vitória foi suada, garantida já no apagar das luzes, como diziam os locutores de antigamente. O resultado, porém, foi suficiente para recolocar o Paissandu no G4 do grupo A da Série C. O time mostrou também uma distribuição diferente em campo, com alguns jogadores que tinham sido esquecidos por Roberval Davino.
Ocorre que alguns, como Harisson e Leandrinho, não aproveitaram a oportunidade e tiveram atuação decepcionante. O gol de César, abrindo o placar no Mangueirão, assustou o Paissandu e irritou sua desconfiada torcida.
Somente no segundo tempo, em duas jogadas rápidas, a vitória se confirmou. Antes, porém, mais sustos para a galera. Leandro Cearense e Evandro tiveram chances de matar o jogo. Dalton e Fábio Sanches salvaram bolas que tinham endereço certo.
Como técnico interino, Lecheva não pode ser responsabilizado pelo mau começo do time, mas é fato que andou se equivocando nas mexidas. Kiros entrou no segundo tempo e nada acrescentou ao ataque. Pantico, idem.
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Fazia muito tempo que não se tinha notícia de uma surra tão impiedosa sofrida pelo Águia em torneios nacionais. A goleada de 5 a 1, ontem, em Lucas do Rio Verde, deixa o time em posição aflitiva na tabela de classificação e quebra a imagem vencedora que o Azulão de Marabá sempre ostentou.
O gol de Carlão deu a impressão de que o Águia poderia surpreender o líder da chave. Mesmo empatando o primeiro tempo, o jogo parecia normal. A casa começou a cair a partir do terceiro gol, escancarando as fragilidades da equipe. O resultado foi atípico, mas evidencia problemas que devem ser corrigidos de imediato.
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A vexatória atuação brasileira na final olímpica do futebol, sábado, reabre o debate sobre o comprometimento dos jogadores da Seleção Brasileira. Surpreendidos por um esforçadíssimo time mexicano, os jogadores brasileiros não sabiam como e o que fazer para sair da arapuca. Um filme ruim que a gente vê se repetir a cada grande competição desde a Copa de 2006.
Quando deu sinais de que poderia acertar o passo, a poucos minutos do fim, a zaga cochilou num escanteio e ficou olhando Peralta marcar o segundo gol. Hulk diminuiu o prejuízo, mas era tarde. Oscar, no minuto final, podia ter empatado, mas cabeceou errado.
Erros individuais e um espantoso apagão tático podem ser apontados como as causas de mais uma decepção brasileira em Olimpíadas. Não se pode esquecer, contudo, que nosso principal jogador e esperança de craque, Neymar, voltou a desaparecer num jogo decisivo. Talvez isso seja mais preocupante que a própria derrota.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 13)