Por Gerson Nogueira
Um duelo entre juventude e experiência deve marcar o jogo desta tarde. Magnum é a principal atração de um Re-Pa pobre em novidades. O ex-jogador do Paissandu atuou apenas 15 minutos no embate contra o Cametá na terça-feira, mas mostrou desembaraço suficiente para assegurar a condição de titular do meio-campo remista no clássico. Do lado alviceleste, Bartola é a grande novidade – isto se Nad não recuar da idéia de lançar o jovem atacante desde o começo da partida.
Aos que criticaram a demora na entrada do jogador em Marabá, o técnico justificou com a informação de que ele não suportaria mais que 20 minutos em campo, em face de rigoroso trabalho de condicionamento físico a que tem se submetido.
Polêmicas à parte, Bartola é o mais abusado e habilidoso avante disponível na Curuzu. Seria estranho se não tivesse um lugar no time. Apesar da imaturidade, é rápido, driblador e capaz de intranqüilizar a zaga inimiga.
Magnum corre em sentido contrário. Revelação das divisões de base do Paissandu em 2001, destacou-se numa época em que o clube vivia dias melhores. Sob a batuta de Givanildo Oliveira, dividia responsabilidades com jogadores do calibre de Vélber, Rogerinho, Gino, Sandro e Valdomiro, quase sempre entrando na equipe no segundo tempo. Do alto de seus 30 anos, parece veterano, mas é um atleta maduro e com fôlego para organizar uma equipe em campo. É visto, com razão, como o grande reforço do Remo para a temporada. Sobre ele, devem pesar as responsabilidades dessa condição. Bartola, ao contrário, se beneficia do fato de nada precisar provar, ainda.
Desde aquele pioneiro jogo de 10 de junho de 1914, no antigo campo da firma Ferreira & Comandita (atual estádio da Curuzu), muitas luas já se passaram e fortaleceram a mística do Re-Pa. Ostenta o galardão de clássico mais disputado no mundo, alimentado por histórias, lendas e rivalidade exacerbada.
Locomotiva do nosso futebol desde sempre, caiu no gosto popular e hoje se insere entre as marcas mais valiosas do Pará. Os aproximadamente 2 mil curiosos que compareceram ao primeiro duelo – vencido pelo Remo por 2 a 1 – nem suspeitavam que aqueles times iriam se transformar em sinônimo de futebol no Estado.
“É de justiça salientar como os que melhor defenderam suas cores no Grupo do Remo, Mustard, Infante, Lulu e Carlito; e nas linhas do Paissandu, Palha, Michel, Hugo, Garcia e Romariz, muito principalmente este que, se revelando um goal-keeper que entra no rol dos melhores do nosso meio, foi o homem do dia”, descreve o texto do jornal Correio de Belém, no dia seguinte à contenda.
O remista Rubilar foi o autor do gol inaugural da saga centenária. Mateus empatou para o Paissandu e Antonico assegurou o triunfo do Remo já no segundo tempo. Desde então, com raríssimas interrupções, os rivais se defrontaram regularmente, fomentando no povo o amor por suas bandeiras. Nem mesmo os desastres administrativos cultivados ao longo de décadas foram capazes de enfraquecer os dois gigantes.
Magnum é o convidado especial do Bola na Torre (RBATV) deste domingo, às 21h. Comando de Guilherme Guerreiro.
Direto do blog
“Clássico é clássico, mas infelizmente ultimamente não temos visto surpresas no Re-Pa, exceto aquele em que éramos disparadamente os ‘favoritos’ e que o Remo acabou vencendo debaixo de um temporal. Sinceramente, uma vitória do Papão será uma grata surpresa pra mim. Jogadores jovens, muita correria, pouca organização, muitas falhas. Mas não vamos esquentar com o Paraense, pensemos um pouco mais adiante, pois não tem grana e há que se economizar pra Série C, onde se manter já será um grande negócio”.
De Maurício Carneiro, um bicolor descrente e preocupado com o futuro.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 29)
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