Podia ter sido pior

Por Gerson Nogueira

Foi pouco. Pelas oportunidades que a fraquíssima defesa do Paissandu ofereceu, a vitória do Águia podia ter sido bem mais ampla. Durante a maior parte do tempo, o jogo mostrou um duelo particular entre o goleiro Paulo Rafael e os atacantes marabaenses. 
Um gol inesperado logo aos 2 minutos mudou por completo a postura dos times. O Paissandu, que não escondia a intenção de controlar as ações e segurar o ímpeto do Águia, não teve nem tempo de exercer essa estratégia. O cabeceio de Rayro, aproveitando rebote do goleiro – único deslize de Paulo Rafael nos 90 minutos –, atingiu as redes alvicelestes e acertou em cheio a frágil estrutura emocional do time de Nad.
A partir daí, o Águia teve o jogo nas mãos por quase 10 minutos, quando se instalou na área do Paissandu e abusou de perder oportunidades, ora precipitando arremates, ora exagerando nas firulas. Isso não impediu que Branco entrasse com liberdade e chutasse para defesa espetacular do goleiro, aos 10 minutos.
Aparentemente surpreso com as facilidades, o Águia tirou o pé e permitiu que Robinho organizasse dois bons ataques, quase empatando. João Galvão, porém, percebeu o risco e manteve Rayro adiantado, quase como ponta, obrigando Pikachu e Vânderson a recuarem para guarnecer a defesa, enfraquecendo ainda mais o meio-campo do Paissandu.
Duas ou três boas chances ainda foram criadas pelo Águia no primeiro tempo sem que o Paissandu mostrasse forças para reagir. Nad parecia mais preocupado em povoar o setor defensivo, recuando até o meia-atacante Nenê Apeú em alguns momentos. Seria mais prático acertar o passe e o garoto Djalma era a opção natural. Ou, ainda, procurar explorar o lado direito da defesa do Águia, onde Júlio Ferrari cumpria jornada irreconhecível.
Depois do intervalo, quando se esperava a entrada de Bartola para dar mais agressividade ao Paissandu, Nad manteve o mesmo time, como se estivesse satisfeito com o seu desempenho. Só foi se mexer depois que o Águia chegou ao segundo gol, em cobrança de falta desviada por Charles.
Com uma ousadia que não demonstrou durante toda a partida, o Paissandu enfim se soltou mais e Pikachu descontou logo a seguir, em rápido ataque pela direita. Bartola e Djalma foram então lançados, substituindo a Leandrinho e Juba. Mas, faltando apenas 15 minutos, não havia muito a fazer.
Ainda assim, os garotos conseguiram dar ao time uma feição diferente, com troca de passes e alternância de posições. Por instantes, o Paissandu esteve até perto do gol salvador, aproveitando-se do desgaste e dos erros seguidos do Águia.
É curioso observar que o jogo podia ter terminado em goleada sem que o Águia tivesse feito uma grande apresentação. Pelo contrário, mostrou-se atrapalhado e dispersivo diante do espaço que desfrutava a partir do meio-de-campo.
 
 
Impressionante a atuação do goleiro Paulo Rafael, que partiu de um erro no começo do jogo para uma atuação impecável, evitando que o Paissandu fosse goleado em Marabá. Salvou vários lances agudos, três deles nos pés do atacante Branco. Conseguiu ser superior a Rayro, lateral-esquerdo do Águia que marcou o primeiro gol e participou do lance do segundo, além de intensa participação ofensiva.
 
 
Carlos Castilho, mestre da crônica esportiva paraense, é o grande reforço do caderno Bola para o Parazão. Premiado várias vezes com o troféu nacional Bola de Ouro, escreverá sempre às quartas-feiras e domingos, juntando-se a um time que já conta com Cláudio Guimarães, Giuseppe Tomazo, Renato Maurício Prado, Ronaldo Porto, Clayton Matos e outras feras. Sua estréia será neste domingo. 
 
 
Direto do blog

“A única forma do PSC não levar cacete, domingo, é trocando o treinador amanhã (hoje). Treinador novo pelo menos motiva. Sinomar tem a obrigação de mostrar competência. Não se aceita empate”.

De Cássio de Andrade, azulino, tentando aconselhar o rival na semana do clássico.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 26)