Sua excelência, o torcedor

Por Carlos Castilho

Confesso que não esperava um público tão grande nem em Belem e nem em Santarém. O trocedor remista quase lotou o Baenão. numa manhã ensolarada de domingo, que muitos (inclusive eu) diziam que o fenômeno não gostava do horário. No Barbalhão, o torcedor mocorongo mostrou que estava saudoso do Rai Fran e marcou o maior público de toda a primeira rodada. Certo, que na Curuzu, houve uma grande decepção. A Fiel, que sempre mostrou estar com o seu time em qualquer circunstância, bateu fofo e registrou uma frequência muito baixa. O jogo de Tucurui esteve dentro da expectativa. Lá só na hora da decisão é que a galera comparece em massa. Falta, ainda, tradição
Num balanço da primeira virada do Parazão houve uma grande e agradável surpresa: a vitória da Tuna contra o campeão do ano passado, o Indpendente. Sinceramente, que dava como grande favorito o dono da casa. Afinal foi o grande ganhador do ano passado, jogava em casa e tinha pela frente uma equipe considerada apenas participante do campeonato. A Águia, ganhou e ganhou bem. Aliás, fazendo um retrospecto, o Independente começa mal e termina bem. Tomara!.
No Baenão o Remo ganhou jogando apenas para o gasto. Certo que o Leão Azul pegou um time perigoso e com bons valores, mas pelo tempo de treinamento havia uma perspectiva mais favorável. Pode-se dizer que esperava-se bem mais do time do Sinomar. As desculpas podem ser até aceitas, como a ansiedade e o forte calor. Mas entendo que pelo tempo que o clube andou jogando pelo interior do Estado, havia uma expectativa positiva de futebol de melhor nível. Acho que a equipe ainda têm carências, que talvez com o tempo possam ser superadas. Assim todos esperam.
No Paysandu restou o consolo de ter jogado bem melhor que o seu adversário, mas ter sido castigado pela imperícia de seus atacantes. Os bicolores perderam gols incríveis e como sempre diz o filósofo do futebol: “a bola pune”. Só tem uma coisa, o campeonato é de tiro curto e a pouca presença da torcida já mostra a desconfiança na garotada. Acho que nem 8, nem 80. O Papão deve equilibrar um pouco mais o elenco, misturando a garotda com alguns mais experientes, porém de boa qualidade. No jogo de amanhã vamos tirar outras dúvidas.
Lá em Santarém deu o esperado. Clássico que se preza tem 80% de chance de terminr empatado e foi o que aconteceu. O bom mesmo foi ver o garoto Jader fazer milagre do arco do Leão santareno.
Pra começar expresso minha opinião. Gostei. Achava que pelo clima morno de pré campeonato ia ser pior. Vai melhorar.
Finalmente uma grande homenagem: Ao torcedor paraense. Aqui os azulinos num limbo de fazer dó meteram mais de 11 mil e lá em Santarém um pouco mais que isso. Sua excelência, o torcedor, merece uma estátua.

Transcrito do blog da Aclep – www.aclep.com.br

Futebol paraense perde Djalma Chaves

Morreu, na madrugada desta segunda-feira, aos 65 anos, o advogado Djalma de Alcântara Chaves, conselheiro do Clube do Remo, professor universitário e ex-dirigente da Federação Paraense de Futebol. Grande desportista e figura respeitada na sociedade paraense, Djalma deixa uma legião de amigos. O sepultamento foi realizado hoje à tarde.

Contas erradas na renda do Papão

Paissandu reclama da pouca presença da torcida no jogo de estreia, mas chora de barriga cheia. Mesmo com pouco mais de 2,5 mil pagantes na Curuzu, sábado, o clube embolsou quase R$ 20 mil. O borderô indicou um prejuízo de quase R$ 600,00, mas a verdade é que o clube descontou da arrecadação a taxa de aluguel e iluminação e despesas com o quadro móvel e equipe de segurança. É só uma questão de fazer direito as contas.

Sem falsas ilusões

Por Gerson Nogueira

O Remo venceu – meio no aperreio, mas venceu. Em Santarém, a vitória ficou nas arquibancadas, que registrou o maior público da rodada inaugural. A Tuna também triunfou, com o adendo importante de ter batido o atual campeão dentro de seus domínios. E o Cametá conseguiu façanha ainda mais expressiva, superando o Paissandu em plena Curuzu.
Os gols e a animação das torcidas garantiram a festa inicial, mas que ninguém se engane. Pelo que se viu nos quatro jogos, o campeonato tem tudo para ser um dos mais fracos dos últimos tempos. A não ser que os times melhorem acentuadamente nas próximas rodadas, adquirindo a consistência que a sequência de jogos oferece.
De maneira geral, os times se apresentaram ainda em construção, sem esquemas definidos, com criatividade zero e falhas gritantes de posicionamento. Resulta desse cenário um pacote de jogos fracos do ponto de vista técnico, sustentados apenas no entusiasmo e na combatividade. 
Por isso, vale destacar os principais jogadores da primeira rodada, começando pelo artilheiro Rafael Paty, agradável surpresa do Cametá. Postou-se na área do Paissandu com conhecimento de causa e aproveitou as chances que foram oferecidas. Nada excepcional, mas correspondeu ao que se espera de um jogador cuja função é balançar as redes inimigas.
No mesmo Cametá, outro nome a brilhar foi o de Evandro, goleiro que costuma se sair muito bem contra os grandes da capital. Fechou o gol e ainda deu sorte nas bolas que o ataque bicolor mandou na trave.
Do lado alviceleste, apesar do caos tático, dois jogadores se sobressaíram. O arisco Luan, que participou do gol contra marcado por Américo, foi um atacante sempre presente e insinuante. O único senão vai para o apelido que alguns beócios carimbaram no rapaz. Chamar alguém de “meteoro” é, automaticamente, estabelecer uma data de validade. A outra peça de relevo no time de Nad foi o também jovem lateral Iago Pikachu, infatigável nas arrancadas rumo ao ataque e com potencial para crescer junto com o restante da equipe.
 
 
Em Santarém, pela TV, deu para apreciar a categórica apresentação do garoto Perema, beque do São Francisco e melhor figura em campo no clássico com o São Raimundo. Perema, que já havia se destacado nas etapas anteriores do Parazão, mostrou-se firme e bom passador, além de exibir uma maturidade surpreendente para a idade. Tem estofo e bola para dar andamento à dinastia de grandes defensores vindos do Baixo Amazonas, como Belterra, Darinta e Chico Monte Alegre.
No Remo, Juan Sosa foi responsável direto pela difícil vitória sobre o Águia. Marcou o gol desviando de cabeça falta cobrada pelo lateral-esquerdo Panda, responsável por vários outros cruzamentos certeiros. Seguro, Sosa compôs bem a defesa com Diego Barros. Ele e Panda foram os melhores do time de Sinomar Naves, que ficou devendo em movimentação, força e apuro nas jogadas de ataque. Se tivesse mais ousadia e confiança para chutar, o Águia podia ter obtido melhor resultado.
Todas as equipes precisarão evoluir muito para atingir um nível mais competitivo. O problema é que o torneio é de tiro curto no primeiro turno, com sete rodadas disputadas em 23 dias. Não há espaço para recuperação, nem tempo para correção de rumos.
 
 
O público no Baenão foi quatro vezes maior que na Curuzu. 10.201 contra 2.544 pagantes. No ano passado, ainda houve certo equilíbrio, mas a temporada começa projetando um afastamento radical da torcida alviceleste. Frustração pelos cinco anos de Série C e desmandos da diretoria não explicam completamente esse fenômeno. Clube deve ir mais fundo na análise desse fastio da Fiel. 
 
 
Direto do blog

“Jogador que cospe naquele que sustenta a razão de existir deste esporte, merece ser punido severamente”.
De Edson 7×0 Eterno, deplorando a atitude de Hallace em relação à torcida do Remo, depois de ser expulso de campo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 16)