O UFC e as crianças

Por Fábio Monteiro

Existe uma coisa que me assusta nesse movimento de popularização do MMA no Brasil. Não importa se o esporte (?!) do momento, cheio de brasileiros campeões, faz sucesso em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Manaus ou alhures. Ele está em alta no mundo inteiro. Desde que sejam maiores de idade e devidamente vacinados, cada um com seus problemas. Mas quando chega às crianças, a luz vermelha acende. Ontem, durante a transmissão do UFC na Globo, um pequeno garoto, na faixa dos 6 ou 7 anos de idade, recebeu uma atenção generosa da transmissão.

Devidamente “equipado” para o evento, o menino aparecia com luvas idênticas às usadas pelos lutadores, além de um traje semelhante a um quimono. O sorriso azulado do menino revelou que até mesmo um protetor bucal ele fez questão de usar. O pequeno “gladiador do novo milênio”, alcunha inventada por Galvão Bueno, se esforçou para copiar até as carrancas e os socos no ar dados pelos profissionais do octógono. A transmissão deve ter realmente apreciado a cena, pois ela foi reprisada poucos minutos depois, em câmera lenta.

Além dele, contei pelo menos outros dois garotos com menos de 10 anos de idade que foram filmados nas arquibancadas. Crianças que, pelo horário, suponho, não deveriam estar ali. Sou completamente leigo acerca das leis que regem sobre isso, mas basta um mínimo de senso para saber que aquele ambiente não é o mais adequado à infância, assistindo uma pancadaria gratuita, prato principal do UFC.

Quando a pessoa já tem um mínimo de caráter formado (seja bom ou mal), as escolhas são feitas com naturalidade, há discernimento suficiente para você ver uma briga e simplesmente não sair arrebentando qualquer um por aí— imagino que este seja o caso dos apreciadores de artes marciais, não sei. Geralmente, é na adolescência que passamos por esse processo de discernir o que é certo do que é errado, o que é de bom grado e o que é pura sacanagem. Mas quando ainda vivemos a infância, temos a tendência de imitar quem nos rodeia. Essas crianças não têm a menor ideia do que estão fazendo. Estão apenas copiando nossos movimentos, mostrando, com toda aquela inocência da infância, como somos ridículos.

Barbalhão recebeu o maior público da rodada

Em Santarém, na noite de sábado, o clássico Rai-Fran teve o maior público e maior renda da rodada. Uma platéia de 10.423 pagantes proporcionou uma renda de R$ 158.000,00 no estádio Barbalhão. As despesas chegaram a de R$ 41.800,68, restando um valor líquido de R$ 116.199,32 ao São Raimundo, mandante da partida.

O jogo Remo x Águia, disputado na manhã deste domingo, no estádio Baenão, teve o segundo maior público da rodada, com 10.201 torcedores pagantes e renda de R$ 143.576,00. Como as despesas totalizaram R$ 51.093,48, coube ao Remo como mandante o valor líquido de R$ 92.482,52.

O confronto entre Independente x Tuna, realizado na noite de sábado, em Tucuruí, teve público da primeira rodada, com 2.339 pagantes no estádio Navegantão. A renda foi de R$ 20.890,00. Descontadas as despesas (R$ 8.657,74), restou ao Independente um saldo de R$ 12.232,26.

(Com informações da Assessoria de Imprensa da FPF)

Com dificuldades, Remo passa pelo Águia

 

Diante de um Baenão praticamente lotado, o Remo bateu o Águia com um gol do zagueiro Juan Sosa aos 2 minutos do segundo tempo, na manhã deste domingo. A partida teve razoável nível técnico, principalmente pela boa movimentação do Remo no começo do segundo tempo, mas no geral as equipes mostraram ainda muitos erros de posicionamento e organização. Na primeira etapa, o Águia equilibrou as ações e levou perigo em algumas jogadas de Valdanes e Branco, mas pecou pela demora em chutar a gol. Do lado azulino, a defesa andou batendo cabeça e o meio-de-campo não produzia porque Aldivan não achava posição em campo e Juliano era peça decorativa.

A torcida se impacientou, chegando a vaiar em alguns momentos, a inoperância do ataque remista. O time de Sinomar Naves ameaçou pouquíssimas vezes, quase sempre através do rápido Joãozinho, que jogou muito isolado e era bem marcado pela defensiva marabaense. Rodrigo Aires pouco apareceu e não ocupou a função de referência na área, dificultando a troca de passes na área do Águia. Ao longo dos primeiros 45 minutos, o melhor jogador azulino foi o lateral esquerdo Panda, incansável na tentativa de ir à linha de fundo e fazendo sempre bons cruzamentos para a área. A chance mais clara de gol ocorreu em cobrança de falta do zagueiro Diego Barros, que o goleiro Alan desviou para escanteio, aos 39 minutos.

Depois do intervalo, as equipes foram mantidas sem alterações pelos técnicos e o Remo achou o gol logo aos 2 minutos. O zagueiro Juan Sosa antecipou-se à marcação e desviou para as redes um cruzamento de Panda, abrindo o marcador. A vantagem, mesmo injusta pelo equilíbrio em campo, deu ao Remo um novo ímpeto e as jogadas ofensivas passaram a se repetir, algumas com grande perigo para a meta de Alan. Aos poucos, porém, pela ausência de criatividade no setor de meia cancha, o ânimo azulino foi arrefecendo e o Águia ensaiou uma reação, principalmente depois que João Galvão lançou Hallace e Sató no ataque. Aos 42 minutos, em rápida avançada pelo lado esquerdo da defesa do Remo, a dupla quase conseguiu o empate, mas o chute de Sató saiu descalibrado.

A 15 minutos do fim, Sinomar substituiu Balu por Cametazinho, Juliano por Betinho e, atendendo a torcida, botou Marciano em campo na vaga de Rodrigo Aires. O Remo ainda desperdiçou duas boas chances, com Joãozinho e Marciano, mas o placar seguiu inalterado. Já nos acréscimos, o atacante Hallace cometeu falta dura sobre Diego Barros e ainda pisou no zagueiro na sequencia. Foi expulso de campo, despertando a irritação do técnico João Galvão. Instantes depois, o Galvão voltou a se manifestar reclamando do atendimento ao goleiro Jamilton. Chegou a entrar no gramado para interpelar o árbitro da partida. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

A pindaíba pode ajudar

Por Gerson Nogueira

A centésima edição do Campeonato Estadual pode representar um sopro de renovação no alquebrado futebol paraense, apesar de alguns aspectos que desestimulam grandes expectativas. Para começar, o maior apelo da competição – a histórica rivalidade entre Remo e Paissandu – é também a maior vítima da decadência técnica, do esvaziamento das arquibancadas e da ausência de ídolos.
Ao longo dos últimos dez anos, o fervor que atiça as torcidas não encontra eco nos gramados. Apesar de seguirem trilhas parecidas, Remo e Paissandu andam cada vez separados, distanciados pelas dificuldades que os times emergentes oferecem. Decisão de campeonato em Re-Pa virou raridade.
No ano passado, a progressiva queda de qualidade chegou ao desfecho esperado com o triunfo de uma equipe interiorana. Um novo feito desse nível pode esfriar de vez o caldeirão de emoções que antigamente dividia o Estado e incendiava os estádios.
Não cabe aqui repetir todo aquele rosário de problemas que assolam o nosso futebol, mas não se pode falar em novos tempos sem mencionar a realidade vivida pela dupla Re-Pa. Até porque o êxito ou fracasso do campeonato ainda depende diretamente dos velhos rivais.
O aperreio financeiro dos mais tradicionais disputantes torna o Parazão deste ano um dos mais modestos em termos de atrações. Até mesmo os técnicos são caseiros. Os reforços mais reluzentes (Magnum e Ronaldo) são paraenses repatriados. Os dirigentes parecem mais preocupados com o equilíbrio de contas, o que é sempre um bom sinal.
Santo de casa não faz milagre, ensina o dito popular. No Pará, o renascimento do futebol está nos pés dos valores regionais, quase todos novatos. Cametazinho, Bartola, Reis, Tobias, Jaime, Johne, Héliton, Pablo, Luan, Igor João, Billy, Alex Juan, Sato, Jairinho. Para dar certo, o torcedor precisa abraçar a causa e incentivar essa mudança de atitude.     
 
 
Na contramão da expectativa geral, o Remo aposta num time cheio de figuras desconhecidas, quase todas oriundas do futebol goiano. Joãozinho é o único paraense na escalação para o jogo com o Águia. Surpreendente para quem passou o período de preparação utilizando sempre os garotos da base nos amistosos pelo interior. Jaime, Reis, Cametazinho, Alex Juan, Betinho e Alan Peterson são, no mínimo, do mesmo nível dos forasteiros.
 
 
Alguns clubes não toleram jogador que se mete em barcas. Em São Paulo. O goleiro Anderson e o lateral-esquerdo Ceará foram dispensados do XV de Jaú, time da Terceirona paulista, depois de chegarem embriagados ao treino. Detalhe: ambos tinham menos de 48 horas como contratados do clube. Como são conservadores esses clubes paulistas…
Por aqui, onde a tolerância é plena, reforços vindos de outras praças já desembarcam cientes das vantagens de jogar em Belém, a terra sem lei. Josiel (o das paquitas) & cia. que o digam.
 
 
O MMA tinha mais uma de suas programações de pancadaria agendada para o sábado à noite. Com narração (e emoção) de Galvão Bueno. Diante de tantos atrativos, não pude deixar de não ver, obviamente.
E o Rio de Janeiro, sempre libertário, começa a mostrar enfado com o vale-tudo. Os ingressos encalharam, apesar da maciça exposição na mídia. O evento de abertura foi um fiasco, nenhum fã presente. Um ano atrás, havia multidão assediando os lutadores. Sinais de esgotamento?

(Coluna publicada no Bola/DIÁRIO deste domingo, 15)