Mudanças radicais no Paissandu

Do time acima, que disputou o último jogo do Paissandu na Série C 2011, somente Juliano, Robinho e Héliton estão confirmados para o Campeonato Paraense. A eles irão se juntar Bernardo e Rodrigo Cardoso. Alexandre Fávaro está cotado para voltar. Devem ser os mais experientes do novo elenco, ao lado de Zé Augusto e Nenê Apeú. O técnico Nad pretende, com apoio da diretoria de Futebol, dar oportunidade a vários jogadores egressos das divisões de base. Até o momento, a média de idade do elenco é inferior a 23 anos. (Foto: MÁRIO QUADROS/Arquivo Bola)

Projeções para o novo ano

Por Gerson Nogueira

Como em todas as áreas de atividade, as expectativas se renovam para o futebol paraense em 2012. Lógico que não é a simples transição de um ano para outro que irá operar milagres, mas constitui um momento propício para reflexão e ordenamento das idéias.
A partir das condições existentes agora, tomei a liberdade de eleger as prioridades e antecipar as pretensões de cada um dos participantes do campeonato estadual. 
Para o Independente Tucuruí, surpreendente campeão de 2011, não há outro caminho que não seja o de conquistar o bicampeonato e fazer o que for possível para se destacar na Série D. Terá como maior obstáculo a cobrança de sua própria torcida, que até o ano passado se contentava com qualquer coisa. Depois do título, porém, não aceitará uma campanha ruim. São os tais ônus da fama súbita.
O Paissandu começa a temporada em débito com o torcedor, que esgotou em 2011 a capacidade de tolerar resultados pífios. Nad, em cujo colo caiu a imensa responsabilidade de juntar os cacos para o campeonato, será patrulhado nas arquibancadas e cornetado nas internas. Precisará de força mental para segurar o leme e sorte para atravessar as quatro primeiras rodadas, antes do clássico Re-Pa. Sem trocadilho, terá que matar um leão por dia. Ao mesmo tempo, a criação de uma comissão para gerenciar o futebol é talvez a maior esperança de sucesso do clube na temporada. 
O Cametá, que esteve a um passo do paraíso em 2011, desponta desde já como legítimo candidato ao caneco estadual. Apesar de perder Leandro Cearense e Robinho, mantém bom time, capaz de encarar a disputa em igualdade de condições com os grandes da capital. A maior expectativa reside no comando técnico. Cacaio, ídolo bicolor nos anos 80/90, é ainda um imenso ponto de interrogação como treinador.
Sem ganhar um turno do Parazão há quase três anos, ao Remo só resta vencer ou vencer. Não há meio-termo. A torcida, que tem dado provas seguidas de fidelidade, não agüenta mais o figurino de coadjuvante que o time vestiu nas últimas temporadas, a ponto de fazer esquecer até a mais recente conquista estadual. Além disso, a equipe precisa desesperadamente garantir vaga na Série D, restituindo um pouco da dignidade perdida e fugindo ao inferno da inatividade forçada durante metade da temporada, como em 2009 e 2011. 
Apagar a má impressão deixada pela campanha tosca no último campeonato é o objetivo maior do Águia. Cutucado pela histórica conquista do vizinho Independente, o time marabaense é até agora o time que mais se reforçou para o torneio. Dentro de seus limites, trazendo peças para preencher carências, João Galvão dá a entender que tentará brigar pelo título. Uma importante medida foi a decisão de fugir à contratação de veteranos problemáticos – como Samuel Lopes e Mendes. Vai dar trabalho.
O São Raimundo, primeiro campeão brasileiro da Série D, vive um prolongado período de crise. As intermináveis brigas entre dirigentes invadiram o campo e tiraram o time dos trilhos. Enfraquecido, a pretensão maior é permanecer na elite. Se conseguir ir além, será uma façanha.
Espécie de fênix do futebol tapajônico, o São Francisco passa por momento inteiramente oposto ao do tradicional rival. Fortalecido pelas boas performances na Segundinha e na primeira fase do Parazão, solidificou a musculatura e faz planos de ser um dos destaques da competição. Deve concorrer pela vaga à Série D.
Campeã da primeira fase do campeonato, a Tuna quase ficou sem time para a estréia na divisão principal. O desmanche parcial da equipe (ficou sem Alan, Cristovão, Analdo, Cassiano e Charles) foi complementado pela saída do técnico Samuel Cândido, grande responsável pelo êxito na fase de acesso. Charles assumiu o barco e, aos trancos e barrancos, vem completando o elenco. Surgem especulações sobre mudanças na gestão do futebol, mas, por ora, a Lusa é séria candidata a cair de novo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 2)