Foco de campeão

O sérvio Novak Djokovic bateu o espanhol Rafael Nadal na final do Aberto da Austrália, domingo, na partida mais longa  da história de uma decisão de torneio de Grand Slam, por 3 a 2 (5/7;6/4;6/2;6/7 e 7/5): 5 horas e 53 minutos de trocas de golpes de todo tipo, em exuberante demonstração de excelência técnica dos dois duelistas. Um jogaço como há tempos não tinha chance de ver no tênis de primeira linha. Costumava sentir saudades de confrontos fantásticos envolvendo os craques Ivan Lendl, Pete Sampras e John McEnroe, mas Djokovic e Nadal superaram todas as minhas expectativas. O tipo da decisão que acaba sem ter, na verdade, um único vencedor. Djokovic ganhou, mas desconfio que nós, telespectadores, fomos os verdadeiros ganhadores.

Jovens, velozes e furiosos

Por Gerson Nogueira

Não havia favoritismo entre os times, apenas uma diferença na pontuação. Esse esclarecimento foi dado ontem à tarde, no Mangueirão, com todas as tintas aos que tinham alguma dúvida ou ilusão. A história do clássico, rica em exemplos de superação, ganhou mais um capítulo dedicado ao entusiasmo e à determinação em busca da vitória.
Os garotos do Paissandu, cuja presença no time principal constitui a ponta de lança de um interessante projeto de reorganização administrativa, se encarregaram de ratificar a velha máxima de que não existem vencedores de véspera. Na verdade, o futebol é um jogo simples, embora tantos se esforcem para complicá-lo.
Pikachu, Tiago, Neto, Jairinho, Bartola e Héliton, todos muito jovens ainda, tiveram postura admirável no clássico. Escoltados por jogadores mais experientes, como Vânderson e Douglas, ajudaram Robinho a liderar a equipe, compensando a já conhecida ausência de desenho tático e certa tendência (até natural) à precipitação nas jogadas.
O Remo entrou como quem está com o boi na sombra, como se pudesse alcançar a vitória quando bem entendesse. A molecada do Paissandu, inicialmente nervosa, foi se aprumando e achando espaços.
A cada nova pontada de Pikachu, Robinho ou Bartola, o time ganhava musculatura e confiança. Futebol se constrói a partir da força mental.  Quando um grupo acredita em seu próprio poder dificilmente perde, ainda mais quando toma a iniciativa de dominar a luta.
Logo nos 20 primeiros minutos, o Paissandu arrancou cinco escanteios e criou três boas jogadas de área, dando muito trabalho ao goleiro Jamilton. O meio-de-campo do Paissandu, atuando com cinco homens, fechava a passagem dos azulinos, que ficavam tocando a bola de lado e deixando o tempo correr.
Não havia do lado remista a urgência que sobrava no Paissandu. Betinho e Joãozinho tiveram oportunidades fortuitas, mas eram os bicolores que demonstravam disposição vencedora. Quando o primeiro tempo acabou, a balança pendia claramente para o lado alviceleste, embora o placar permanecesse em branco.
Festiva antes e no começo da partida, a torcida remista, com maior presença no estádio (mais de 16 mil pagantes), aos poucos foi esmorecendo diante da quase apatia do time, que levava um mês para atravessar o campo e insistia em lances dispersivos na intermediária.


Para o segundo tempo, o Paissandu trouxe Héliton substituindo a Cariri, que cansou, apesar da boa estréia. Sinomar Naves botou Magnum no lugar de Aldivan. As coisas pareciam bem esboçadas: o Remo iria tentar se organizar para se impor diante da marcação e da correria do adversário. Nem houve tempo, porém, para a alteração frutificar. Com menos de 1 minuto, Héliton avançou pela direita, aplicou um chagão (é assim que chamamos esse tipo de finta lá em Baião) em Diego Barros e tocou para Leandrinho finalizar.
O gol incendiou o Paissandu e baratinou ainda mais o Remo, que teve que correr em busca do empate tendo que abrir espaços para o velocíssimo contragolpe inimigo, centrado em Bartola e Héliton. Por três vezes, ambos quase ampliaram.
Curiosamente, o Remo ficava com a bola por mais tempo, embora sem saber o que fazer com ela. Desarrumado, tentava ir à linha de fundo com Betinho e Alex, mas sempre esbarrava no último toque, tanto que só disparou três chutes a gol durante toda a etapa final, incluindo uma bola de escanteio que resvalou na trave de Paulo Rafael.
O Remo tinha a posse de bola, mas não sabia o que fazer com ela. No finalzinho, Héliton entrou livre para fazer o seu. E o terceiro, que seria um golaço, só não aconteceu por puro capricho da sorte.
Grande e categórica vitória de um Paissandu a caminho da afirmação, mas que ainda carece de melhor definição tática.
Ao Remo, a derrota não é um desastre, mas escancara as limitações individuais, a bagunça tática e as hesitações de seu técnico. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)   
 
 
Os melhores da tarde: Héliton, Robinho, Pikachu e Jamilton.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 30) 

Águia assume a liderança do turno

  TIMES PG J V E D GP GC SG AP
Águia 10 5 3 1 1 6 3 3 66.7
Remo 10 5 3 1 1 5 4 1 66.7
Cametá 9 5 2 3 0 6 4 2 60.0
Paissandu 6 5 2 0 3 7 7 0 40.0
Tuna 6 5 2 0 3 7 7 0 40.0
São Francisco 6 5 1 3 1 6 7 -1 40.0
São Raimundo 5 5 1 2 2 6 8 -2 33.3
Independente 2 5 0 2 3 4 7 -3 13.3

Pantera e Galo Elétrico ficam no empate

Em jogo que terminou em confusão, o São Raimundo empatou com o Independente em 2 a 2, na noite deste domingo, no estádio Barbalhão, em Santarém. Com o resultado, o Pantera segue com chances de classificação às semifinais, mas caiu para a penúltima colocação. Foi alvinegro o primeiro gol, marcado pelo zagueiro Filho logo aos 8 minutos.

Aos 30 segundos do 2º tempo, o São Raimundo ampliou através de Zé Rodrigues, de cabeça. O Independente reagiu e marcou aos 8 minutos, em penalidade cobrada por Lima. A marcação da falta revoltou os jogadores santarenos, que alegaram que o toque do zagueiro Helder não foi intencional. Aos 30 minutos, Tiago Floriano decretou o empate, aproveitando bobeira da zaga mocoronga.