Coluna: As costelas de Finazzi

O Remo dá sua última cartada para tentar salvar a campanha no Parazão e, por tabela, a temporada 2011. As cinco contratações anunciadas ontem preenchem as principais carências da equipe que terminou em segundo lugar na pontuação geral do primeiro turno.
O acerto com o atacante Finazzi, de longe o nome mais badalado do pacote, desperta as maiores dúvidas e inquietações entre os torcedores. Não pelo seu futebol e a capacidade de fazer gols, mas pelas condições atléticas que tem hoje. As lesões na costela devem fazer com que o artilheiro só estréie na terceira ou quarta rodada do campeonato. 
Afastado dos treinos há um mês, Finazzi não enganou ninguém. Avisou os dirigentes sobre as incertezas quanto ao seu retorno imediato. O clube decidiu topar a aventura de risco e, ao preço de R$ 100 mil, um grupo de colaboradores trouxe o jogador, com o claro propósito de sacudir a torcida, cujo entusiasmo arrefeceu com a queda nas semifinais do turno.
É uma aposta e, como tal, pode tanto resultar em sucesso retumbante como em fracasso total. A essa altura do pagode, porém, não restava muita alternativa aos dirigentes: ou morrem atirando ou entregam os pontos. Mesmo que só possa ser usado a partir do Re-Pa, Finazzi tem chances de virar o ídolo que a torcida tanto espera, desde que plenamente recuperado. Por enquanto, prevalece a desconfiança em torno de sua contratação. Apesar de veterano, é um goleador de respeito, que foi titular do Corinthians na temporada 2009. A aceitação da oferta do Remo, um clube fora de divisão, pode significar que não tem mais espaço nas praças mais importantes. Tem todo o segundo turno para provar o contrário.    
Quanto aos demais jogadores, Ratinho é o mais conhecido e pode ter grande utilidade, levando em conta sua passagem pelo clube há dois anos. Rodrigo Dantas, ex-Marília, é outro jogador bem avaliado.
 
 
Alguns dos dirigentes atuais do Paissandu não gostam de lembrar do detalhe, mas Alexandre Fávaro, o melhor em campo contra o Bahia, é remanescente daquele timaço montado por Artur Tourinho nos idos de 2204/2005. E o outro destaque do time, Rafael Oliveira, tem origem no trabalho de Mancha e Paulinho Oliveira nas divisões de base e garimpagem de revelações, também estruturado durante a gestão de Tourinho.
 
 
Pedro Souza, torcedor e baluarte bicolor, expõe questionamentos pertinentes sobre a atual situação do Paissandu. “1. O time treinou no Mangueirão? Desde o jogo com o Remo ficou a impressão de que só sabe jogar na Curuzu; 2. Os jogadores do Paissandu tiveram câimbras, os do Bahia, não. O preparo físico dos visitantes é melhor? 3. Antigamente, os times locais davam verdadeiro calor nos de fora, pelo empenho e correria; agora, com vários ‘importados’, adotou-se a tática de jogar para os lados. 4. O narrador do jogo na TV disse que os jogadores Sandro e Zé Augusto devem parar; faltou incluir na lista o Alex Oliveira”.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 1)