SBT pode perder afiliadas no Norte e no Nordeste

Parte das afiliadas do SBT está preocupada com o repasse e a divisão do faturamento comercial da rede em 2011. Uma comissão de afiliadas das regiões Norte e Nordeste quer se reunir com Silvio Santos para saber a real situação da emissora. Ele ainda não disse se irá atender a comissão. O SBT enfrenta um clima de incerteza desde a semana passada, quando Silvio Santos ofecereu seus bens – inclusive a emissora – como garantia de um empréstimo de R$ 2,5 bilhões para cobrir uma fraude contábil no banco PanAmericano.

Band e Rede TV! estão interessadas nas praças para expandir suas redes. Procuradas, as emissoras não quiseram se manifestar oficialmente sobre o assunto. A informação é da coluna Outro Canal, assinada por Keila Jimenez e publicada na Folha.

Justiça confirma leilão da área do Carrossel

Má notícia para os advogados do Remo. O leilão judicial da área do antigo Carrossel está mantido para a manhã desta sexta-feira. A desembargadora Alda Couto, do Tribunal Regional do Trabalho, indeferiu na tarde de quinta-feira o pedido de mandado de segurança do departamento jurídico do clube. Alda Couto considerou inadequado o recurso de mandado de segurança. Segundo ela, os defensores deveriam ter usado primeiramente um agravo de petição ao recurso anterior (embargo do leilão), que já havia sido indeferido pela juíza Ida Selene Braga. Segundo a desembargadora, o mandado de segurança deveria ser o terceiro passo a ser tomado pelo departamento jurídico remista na tentativa de sustar o leilão. O pedido de agravo de petição será julgado nesta sexta-feira, momentos antes do leilão, que está marcado para 11h, no TRT.

“Não temos mais tempo para recorrer da última decisão. Vamos brigar até o final”, informou o advogado Mauro Maroja. Maroja também explicou que, caso a medida cautelar não seja aceita, irá recorrer junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, para resolver a situação. “Ainda precisamos esgotar todas as medidas possíveis para podermos recorrer à Brasília. Se isso acontecer, a pessoa que arrematar o leilão não irá levar a área. Esse é um risco e as pessoas talvez desistam do leilão para não ter o seu dinheiro preso”. (Com informações da Rádio Clube e de Gustavo Pêna/DOL)

A frase certeira

“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e aí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

De João Guimarães Rosa, escritor.

Coluna: Derrotados pelo craque

Lionel Messi é um jogador diferenciado porque gruda a bola na ponta da chuteira, não permite o desarme, dribla no sentido do gol e consegue fazer tudo isso em velocidade. O Brasil foi duramente castigado por esse veneno impiedoso de La Pulga, ontem, nos instantes finais do animado amistoso em Doha. A bola estava sob controle, nos pés de Douglas. Bastou um rápido cochilo e Messi saiu em disparada rumo à meta brasileira e aí não há zaga no mundo que consiga pará-lo.

O lance derradeiro, belíssimo no desenvolvimento e no desfecho, pode passar uma idéia irreal do confronto, que foi equilibradíssimo, com grandes momentos do Brasil. A Argentina venceu basicamente porque tem um craque capaz de transformar pedra em ouro.

Um talento quase sempre cobrado em excesso, forçado a reproduzir no escrete argentino as diabruras que faz quase toda semana no Barcelona. Sob o comando de Sergio Batista, Messi desfruta da chance de contar com um time de operários a seu serviço, coisa que jamais teve – e que foi base fundamental para todo o reinado de Diego Maradona.

Pela rivalidade, temos no Brasil o hábito de depreciar ao máximo os argentinos. Deriva daí a opinião quase generalizada de que Messi não é jogador de seleção, que só brilha em clube. Conversa. Supercraques são decisivos em qualquer circunstância. Pensam mais rápido do que os reles mortais. O lance que matou o Brasil confirma isso. Ao receber o “presente” esquadrinhou o espaço à frente e já sabia que rota seguir até o objetivo final. Como tem habilidade excepcional, executou a tarefa com espantosa simplicidade. Vale dizer que foi a maior atuação dele em jogos contra o Brasil.

Do amistoso de luxo, além da boa atuação brasileira por 88 minutos, resta a certeza de que Mano Menezes comanda bem o trabalho de renovação da Seleção. Montou excelente defesa, com Tiago Silva e David Luiz, com Daniel Alves e André Santos nas laterais. Arrumou um lugar para o azougue Elias na meia-cancha e insiste numa formação audaciosa, à brasileira, que persegue o gol o tempo todo.

Aliás, teve pelo menos quatro grandes oportunidades: duas com Robinho, um disparo de Daniel Alves na trave e o toque de calcanhar que quase redimiu Ronaldinho Gaúcho perante o mundo. Com um pouquinho mais de sorte, a Seleção podia ter matado o jogo no primeiro tempo, mas os deuses da bola decidiram premiar La Pulga. O diabo é que derrotas desse tipo, a instantes do final, deixam sempre um gosto amargo – e tudo vira fel quando o adversário é o velho rival. Paciência.

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O Remo está a três dias de sua mais tensa eleição dos últimos anos. Em meio ao fogo cruzado próprio de campanha, surgiu ontem um boato (atribuído à chapa da situação) sobre mudança na data da eleição. Para desfazer equívocos, o edital de convocação prevê que a votação acontece no sábado (20), das 8h às 16h. Imediatamente, será iniciada a apuração.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 18)  

Eleição no Remo será no sábado

Integrantes da Chapa 1/Reconstrução com Seriedade, candidata ao Conselho Deliberativo do Remo e que faz oposição à atual diretoria, avisam que está valendo o que diz o edital: a eleição será no sábado, 20 de novembro, das 8h às 16h, na sede social do clube, na avenida Nazaré. A preocupação em confirmar a data vem do fato de que já existe gente espalhando o boato de que a eleição seria no domingo.

O velho poeta e a ira dos inconformados

Por Ricardo Kotscho

Eleição para presidente é bom por causa disso: só acontece de quatro em quatro anos, tem dia e hora para acabar. Em pouco tempo, fica-se sabendo quem ganhou e quem perdeu. No dia seguinte, a vida segue seu rumo. Os vencedores escolhem o time que vai governar e os perdedores reorganizam suas tropas para a próxima eleição. Por isso, como vocês sabem, nem pretendia voltar ao assunto. Nas democracias costuma ser assim, mas não é bem o que está acontecendo no Brasil nestas duas semanas que se passaram desde que fomos às urnas. Em alguns “bolsões sinceros mas radicais”, como se dizia nos tempos dos militares, quando não se podia votar para presidente, nota-se um rancoroso inconformismo com o resultado, especialmente na imprensa e nas redes sociais.

Manifestações diárias deste sentimento podemos encontrar em mensagens e artigos carregados de ira, preconceitos e intolerância que circulam em colunas, editoriais, blogs, celulares, facebooks, twitters e que tais, nas velhas e nas novas mídias impressas e eletrônicas, por toda parte – hoje como ontem, os mais estridentes redutos do que sobrou da oposição radical. Não são tantos como pensam, mas fazem muito barulho.

Um exemplo patético do que pensa este tipo de eleitor derrotado é o inacreditável artigo publicado domingo na Folha de S. Paulo pelo poeta Ferreira Gullar, sob o título “Ah, se não fosse a realidade!”. De fato, se não fosse a realidade das urnas, ele talvez estivesse hoje mais feliz, menos amargo, escrevendo novos versinhos, mas o voto digitado não tem volta e os resultados oficiais já foram proclamados pelo TSE.

A começar pelo trecho destacado no texto – “Ninguém imagina que Lula deixe dona Marisa em São  Bernardo para instalar-se na alcova de Dilma” – Gullar destila sua bílis num panfleto carregado de ódio e desrespeito, que não deve fazer bem a quem o escreve, muito menos a quem o lê num final de tarde de domingo como aconteceu comigo.

Viúvo do comunismo de resultados de Roberto Freire, o octogenário poeta ganhou destaque na reta final da campanha eleitoral como uma espécie de líder dos intelectuais de oposição, encabeçando manifestos e abaixo-assinados “em defesa da democracia e da vida”, como se ambas estivessem ameaçadas. Fez o que pode e o que não pode, como se pudesse, para impedir a vitória de Dilma Rousseff, candidata de um governo que ele abomina desde que tomou posse, em 2003. Por isso, ele até hoje simplesmente não aceita a derrota.

“De fato, como acreditar que uma mulher que nunca se candidatara a nada, destituída de carisma e até mesmo de simpatia, fosse capaz de derrotar um candidato como José Serra, dono de uma folha de serviços invejável, tanto como parlamentar quanto como ministro de Estado, prefeito e governador? Não obstante, aconteceu (…)”

Gullar faz parte do elenco fixo de intelectuais e “ólogos” em geral sempre requisitados pela imprensa para escrever artigos ou dar entrevistas contra o governo Lula, a presidente eleita e o PT. Até hoje, tem gente que não admite e não se conforma com as vitórias de Lula em 2002 e 2006, e muito menos com a de Dilma este ano. Premiado porta-letras de um setor da sociedade que o venera nos saraus dos salões elegantes, o poeta é figurinha carimbada, mas agora é hora de renovar o plantel, pois ninguém vai conseguir ler sempre os mesmos lamentos e insultos por muito tempo.

Na semana passada, a mesma Folha recolheu do anonimato dois articulistas do melhor estilo “neocon”, que atribuem aos feios, sujos e malvados as razões de todas as nossas desgraças, e os abrigou em sua terceira página. Primeiro, foi um rapaz chamado Leandro Narloch. Em seu breve currículo, ele informa já ter trabalhado na Veja e que é autor do livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”. Sob o título “Sim, eu tenho preconceito”, ele escreveu um texto em defesa da elite branca de Cláudio Lembo e da moça que culpou os nordestinos pela derrota e sugeriu o afogamento deles como solução. É mais um autor “neocon” em busca de um nicho de mercado dominado por “oldcons”.

Pouco importa que, mesmo sem os votos do Norte-Nordeste, Dilma tivesse vencido as eleições do mesmo jeito, com mais de 1,3 milhão de votos de vantagem. A tese dos neocons é que os pobres, doentes e iletrados das “regiões mais atrasadas” ganharam dos sábios, saudáveis e abonados do Sul-Sudeste maravilha, o que para eles é inconcebível.

A segunda a entrar em cena foi a professora doutora Janaina Conceição Paschoal, apresentada ao público como professora associada (de quem?) de Direito Penal na gloriosa Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Na mesma linha, ela publicou o artigo “Em defesa da estudante Mayara” e colocou a culpa pela explosão do “racismo regional” em Lula.

Enquanto a oposição procura juntar os cacos e entender o que aconteceu, sem a participação do seu líder derrotado, que sumiu do mapa e fez apenas uma fugaz e infeliz aparição no Sul da França, o noticiário pós-eleitoral se concentra nas muitas crises entre os partidos aliados na disputa por cargos no novo governo e no superdimensionamento de problemas administrativos enfrentados pela administração federal.

Pelo jeito, boa parcela do eleitorado mais conservador continua sem lideranças na representação político-partidária e no movimento social, embora tenha mostrado sua força na recente eleição, o que leva bispos, poetas, pastores e setores da imprensa a exercer este papel cada vez com maior furor. Como dizia um velho jornalista dos meus tempos de Estadão, o mestre Frederico Branco, ainda nos anos 60 do século passado: eles não aprendem, não esquecem e não perdoam.

A frase certeira

“Cada vez mais os jogos no Brasil são decididos pelos árbitros. Pênalti é tão decisivo que só deveria ser marcado quando fosse claro. Dizer que falta fora e dentro da área são a mesma coisa, porque a regra não faz essa distinção, é uma visão operatória e ingênua. Foi mais um pênalti virtual. No momento do lance, raríssimas pessoas acharam que foi pênalti. Depois de assistir à jogada mil vezes, comentaristas, ex-árbitros ou não, e seus milhões de seguidores passaram a valorizar o que não tem nenhuma importância. A câmera lenta, nesses casos, atrapalha mais do que ajuda. Querem transportar a regra para o lance. É o contrário. Temos de observar primeiro e, depois, confirmar se o que vimos está na regra. Seria como um médico diagnosticar a doença pelo que leu, e não pelo que viu. As pessoas estão perdendo a capacidade de observar. São os zé-regrinhas. Adoram regras, que decidem para eles”.

De Tostão, o craque (também) das letras, em artigo na Folha SP.

Copa 2014: lucro nas mãos de Teixeirão

Michel Castellar, repórter do diário LANCE!, teve acesso ao contrato social do COL que tem por responsáveis Ricardo Teixeira, em sua pessoa física, e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O documento traz um detalhe capaz de escandalizar os brasileiros: os lucros obtidos pelo comitê serão distribuídos de acordo com a conveniência de seus sócios, sem respeitar a proporção de participação que cabe a cada um no capital societário. Pelo contrato registrado na Junta Comercial do Rio de Janeiro, Teixeira pode mandar e desmandar em todos os assuntos do comitê.

Porque, além de ser sócio, o dirigente é o responsável por representar a CBF, por ocupar o posto de presidente da entidade. E apesar de a divisão das cotas estabelecer 99,99% da participação societária para a CBF e 0,01% para Teixeira, a manobra estatutária que deu ao dirigente o poder de endereçar lucros para onde desejar foi registrada no parágrafo 1º, do Capítulo V do contrato social. Os indícios de irregularidades no contrato social do comitê foram descritos no parecer do procurador regional da Junta Comercial do Rio de Janeiro, Gustavo Borba. Mas apesar das restrições, a constituição da companhia e seu estatuto foram aprovados pela assembleia da entidade. Leia mais aqui. (Com informações do Blog do Juca)