Nessa maré de equilíbrio rasteiro que aflige o futebol nortista, onde os antigos favoritos hoje suam para superar emergentes, o Remo tem outro desafio regional na briga para avançar no Brasileiro da Série D. O adversário é o modesto Cristal, saco de pancadas do grupo e nenhuma tradição. Mas, por via das dúvidas, é bom não facilitar.
Ao Remo, a vitória (talvez até o empate) garante antecipadamente a classificação à fase seguinte do torneio. No momento, porém, o que mais azucrina os remistas é a pouca confiabilidade que o time passa. Em quatro jogos disputados, o ataque só conseguiu balançar a rede quatro vezes.
A média avarenta de um gol por jogo torna-se mais incômoda pela fragilidade dos oponentes de grupo. Por mais que o time esteja praticamente classificado, chama atenção a baixa produtividade do ataque. Imagina-se logo como será o desempenho diante de adversários mais qualificados. Para quem tem sonhos mais ambiciosos, fica difícil projetar uma boa caminhada se os gols não aparecerem.
E repousa justamente no setor ofensivo a dúvida na escalação do Remo para o jogo de hoje. Zé Carlos, o camisa 9 que ainda não fez gol, apresentou leve contusão no último treino e ficou em observação. Pode ser substituído pelo argentino Frontini, recém-chegado e já de braços dados com a massa, pelos três gols no amistoso do meio da semana.
Todo mundo sabe que a relação entre o arquibaldo e o homem-gol é sempre movediça, sujeita a chuvas e trovoadas. Zé Carlos tem ainda contra si a desconfiança natural que cerca jogadores saídos do maior rival – e isso vale tanto para remistas quanto para bicolores. Em sua defesa, diga-se, não jogou mal, nem pior que os demais companheiros. Ocorre que o artilheiro depende de jogadas para se fazer presente. E, justiça se faça, pouquíssimas bolas (decentes) chegaram até ele nos três últimos jogos.
Frontini é a chamada bola da vez, cotado para substituir o titular. De cara, deixou boa impressão pela disposição. Ao chegar, mesmo depois de meses de inatividade, foi logo se prontificando a jogar. Contra a seleção de Primavera, entrou no intervalo e foi logo mostrando suas qualidades, aproveitando as brechas permitidas. Pode não ser superior a Zé Carlos, mas está em alta com o torcedor e isso pode fazer muita diferença.
Pela Série C, em Santarém, São Raimundo e Paissandu têm um confronto cheio de perigos. O Pantera, com dois pontos, precisa vencer e vencer. Vem de um bom empate fora de casa, mas as coisas ficam dramáticas porque um técnico novo, Sebastião Rocha, estréia e nem sempre isso ajuda muito em momentos de desespero. Líder do grupo, o Paissandu não pode perder, pois na rodada seguinte recebe o Fortaleza no Mangueirão e não pode se dar ao luxo de chegar fragilizado a esse jogo.
A foto de Ronaldo pançudo, que correu o mundo, é uma afronta à história de um dos maiores centroavantes da história do futebol. Penso que o homem de negócios não tem o direito de sabotar o Fenômeno.
(Coluna publicada no Bola/DIÁRIO, edição deste domingo, 15)