Coluna: Sobre as dívidas leoninas

Depois de ligeiro recesso, a dívida do Remo volta a ser notícia em função do relatório publicado por uma firma de consultoria sobre os débitos dos grandes clubes brasileiros, posicionando o Vasco como o campeão nesse quesito, com passivo de mais de R$ 377 milhões. Aliás, sempre que alguém fala em dívida no futebol, a diretoria remista, sempre a fim de liquidar os débitos (e o patrimônio) do clube, trata de divulgar os números negativos do Leão.
Sabe-se agora, por exemplo, depois da última reunião do Conselho Deliberativo, que a misteriosa dívida trabalhista sofreu curioso encolhimento: baixou de R$ 8,5 milhões (valor anunciado em maio deste ano) para R$ 7,7 milhões. Vale dizer que esse valor já chegou a R$ 4 milhões, mas sofreu inúmeros acréscimos.
Na área cível, a gestão Amaro Klautau sinaliza um saldo devedor de R$ 3,4 milhões (seriam 54 processos em execução). Há, ainda, pendência em torno de R$ 1,7 milhão, oriunda de empréstimos contraídos por ex-presidentes. No bico do lápis, o Remo deve R$ 12,9 milhões. 
Sem excluir o fato alvissareiro de que o clube precisa mesmo conhecer sua saúde financeira em minúcias, não deixa de ser espantosa a compulsão da atual administração em sanear os débitos existentes, na contramão de todos (sem exceção) os clubes profissionais brasileiros, que buscam saídas para rolar dívidas e ir tocando a vida.
No Remo, ao contrário, implantou-se a política de pagar tudo, já. Seria tudo muito bonito, altruísta até, se houvesse dinheiro e estratégias para arranjar o dinheiro necessário. Acontece que os gestores de plantão só enxergam uma alternativa, justamente a mais fácil: o desmanche do patrimônio. Vender a área do estádio Evandro Almeida é o grande plano de governo do presidente Amaro Klautau – que, por sinal, não avisou sobre isso durante a campanha eleitoral.
Não apareceu, até hoje, qualquer plano alternativo de captação de recursos para bancar o sonho utópico de fazer o clube caminhar sem dívidas. Tenho certeza de que haveria sincera curiosidade (talvez até mundial) em conhecer as idéias revolucionárias dos cartolas remistas para administrar um clube sem pendências financeiras.
Ocorre que a única solução pensada foi a venda imediata do Baenão, a partir de armas de convencimento das mais desgastadas e óbvias. A mais dramática, que quase enredou os conselheiros, foi a de que o estádio seria forçosamente leiloado. Insisto: é balela. Um patrimônio da torcida paraense não pode ir à leilão pela simples vontade (e grande interesse) de uns poucos.
 
 
Foi das mais auspiciosas a estréia do centroavante Frontini, ontem, no amistoso do Remo com a seleção de Primavera. Tomando a devida cautela, pela fragilidade do adversário, os três gols marcados em menos de 30 minutos de atuação deixaram excelente impressão e empolgaram a pequena torcida presente ao Baenão. A conferir.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 11)

20 comentários em “Coluna: Sobre as dívidas leoninas

  1. Quanto oba-oba em cima de um artilheiro argentino que não é artilheiro há muito tempo e de argentino só tem o nascimento. Nasceu lá, mas veio com cinco anos para o Brasil e sequer sabe falar espanhol.

    Sobre a dívida remista, a situação não podia ser mais trágica. O total de 12,9 milhões, sofre acréscimo de 1% ao mês devido aos juros, ou seja, o débito aumenta 129 mil reais a cada mês. Com os bloqueios de renda e acordos, muitos não cumpridos, o clube não paga sequer esses juros, o que torna a dívida uma incontrolável bola de neve. Situação igual é a do outro lado da avenida.

    E já temos uma bomba-relógio armada para os próximos anos: as imensas folhas salariais de ambas as equipes. Os pagamentos continuam em dia, mas imaginemos como a folha remista (atualmente em quase 300 mil) vai inflacionar caso o time consiga o acesso. Na terceira divisão, não vai custar menos de 500 mil (como a do rival) e na segunda, não fica em menos de 700. O mesmo vale para o Paysandu. Preocupações bem mais cabeludas à vista, portanto.

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  2. A dívida financeira do Clube do Remo sempre tinha novos numeros todas as vezes que a venda do Baenão era discutida. Inviabilizada a venda, a dívida agora será o assunto de todos os dias. Desvio de foco ?

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  3. Como o assunto ainda não mereceu provocação, tomo a iniciativa. Bem sucedido em outras àreas de seu governo, Lula não teve a mesma sorte com a política que escolheu para atuar no plano internacional.
    Essa desculpa para não seguir apoiando o Irã é esfarrapada. A briga era de “cachorros grandes” de um lado e um “pequenês” do outro. Confirma-se o adágio popular : quem tem … tem medo.

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  4. A ilusão tem suas fantochadas e em mãos de um bom estrategista duplica o entusiasmo. Primavera e suas flores, prima Vera e seus encantos. deixemos a bola rolar. No tocante as dívidas, que não deve nada fez, nada consumiu, nem presumiu. Sempre há vontade para quitar pendências, o que as vezes falta não é o dinheiro para tal, mas um cérebro empreendedor para gerar recursos.

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  5. A Mega sena está acumulada em 10 milhões. Um bom palpite por 2 reais quebra este tabú. Vou ajudar dando o nr 7 como um dos sorteados.

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  6. Palavras do Ronaldo Passarinho: “Já estou com dificuldades de convencer meus netos a torcerem pelo Remo” Após a reunião dos desunidos.

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    1. Fora a parte o tom algo retórico impresso nas palavras do referido cidadão, certamente impregnado d’alguma segunda intenção menos nobre, não seria de admirar que ele realmente enfrentasse a alegada falta de credibilidade perante os netos. E Seria merecida, afinal ele é um dos muitos ditos Conselheiros que contribuíram bastante para lançar o Clube do Remo nesta situação dificílima em que ele se encontra atualmente. Mas, tal dificuldade é excepcionalíssima nas hostes azulinas. A prova desta verdade é a recente pesquisa divulgada aqui mesmo no Blog que mostra que no Pará foi a torcida azulina a que mais cresceu dentre os jovens. Fato corroborado pela midia no jogo de domingo passado, cujas imagens mostraram várias e diversas crianças comparecendo ao Mangueirão para torcer pelo Clube do Remo. Sem stress.

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    2. esse velho sabe tudo do leão, tá ligado, acho que ficou a fim do Argentino kkkkk pergunta se ele vai fazer uma vaquinha de 2 milhões pra pagar o salvador kkkkkk ele entende muito é de rola cansada kkkk ei Gerson, cria um blog só pra ele kkkkk vai se chamar blog dos aposentados kkkkkkk

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    3. Amigo Berlli, acredito que esses netos dele já não torcem pelo Remo desde 2004, mas por vergonha do que o Avô fez. Te dizer.

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  7. Caro Gerson, penso que o baenão pode ser leiloado sim.
    Não pela vontade de uns poucos, mas pela vontade da justiça (trabalhista principalmente). Penso que essa possibilidade deve ser considerada.

    Outra coisa, o quadro é bem pior do que eles apresentaram pois esse montante de 13 milhões não considera a dívida tributária. Lembro q o fisco demora mas cobra,e quando cobra o valor cresce assustadoramente por causa dos juros e multas. É esperar pra ver.

    Agora, a venda o leilão do baenão vai ser um golpe duríssimo no clube do remo. O dinheiro vai sumir, as dívidas vão se renovar e o clube vai ficar sem sede pra jogar e treinar. Lembram da venda da sede campestre?

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  8. CARLOS JUNIOR: Isso tudo é balela, como diz Gerson. Só para você ter uma ideia, quando o Levy saiu, ficou acertado em o Remo pagar 50.000 mensais. Toda a dívida, feita pelo TRT. Sabes quantas o RR pagou? nenhuma!!, ou seja, os presidentes querem dívidas e dívidas, para tirarem seus dividendos. Poderíamos estar livres disso tudo. É preciso um presidente com saco roxo pra liquidar a dívida e só depois formar time realmente competitivo, o que assim faria uma empresa. Agora colocam político na presidência, dá no que dá. Estão forçando a barra para que a venda seja efetivada e com ela os dividendos. A justiça poderia fazer outro proposta para que os conselheiros e beneméritos pudessem pagar, a final para que Benemérito, conselheiro, se nada fazem pelo clube?. O Minowa tem proposta porque não atendê-la? Querem o clube só para tomar sua cachacinha e jogar sinuca. Assim não dá.

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  9. Como proposta para incentivo da formação de jogadores de base azulinos, que se bem formados, geram lucro, o Clube do Remo poderia criar o projeto: Adote um atleta de base! Ou seja, com uma contribuição fixa por mês, o torcedor azulino poderia ajudar o clube na formação desses atletas, além do mais poderia também ficar responsável pela fiscalização dos recursos, para verificar se realmente o dinheiro arrecadado é aplicado no atleta. Acredito que um dos maiores problemas do Clube do Remo é o amadorismo com que se trata a base, como o próprio nome diz é a BASE!!!

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  10. Caro Jerson,
    Antes de falar sobre esses achismos de alguns da cronica esportiva paraense, tente ter bases concretas de “achar” alguma coisa. Por que voçê não faz uma entrevista com alguém do setor financeiro do clube. Quem sabe eles podem lhe dar uma informação mais concreta e ai sim, voçê poderá então expor seu ponto de vista. Se não fizesse esse levantamento, iriam falar, mas já que fizeram falam também. Até quando os comentários vão ser por ser apenas. Outra coisa, venda é uma coisa. Se perde o patriomonio, no caso do Remo a proposta não iria fazer o remo não ter mais estádio. Realmente na Antonio Baena não, mas sim em outro local. Ou seja, se voçê acha que issi é perda. Sem falar que o Baenão já está sucateado. Esqueçam o lado pessoal com alguns do Remo e vamos nos unir para levantar os clubes do Pará.

    Abraço!!

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  11. Quando aqui reclamo da falta de discussão dos assuntos MAIORES dos nossos clubes fico imaginando quantos não torcem torcem o nariz . Não vale a pena. O bom e interessante é o assunto ligeiro, destituido de compromissos. Quando digo NOSSOS clubes é porque de situações preocupantes rondam as sedes sociais da Av. Nazaré. Sempre afirmo que Remo e Paissandu são iguais e rigorosamente contrários. O Paissandu administra melhor seus problemas, mesmo não solucionando-os O Remo deixa se eviscerar por desinteligencias internas.
    Com certeza os advogados do Paysandu não tem menos trabalho que seus colegas do Remo.
    Pressão para venda de patrimonios não faltam aos dois clubes.

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  12. TAVERNARD: Eu já coloquei aqui uma solução, que é o sócio torcedor independente. Alquem discutiu aqui? alguém se interessou?. Não. Nós estamos muito atrasados; só pensamos em renda e patrocinio do Estado. Nada mais. Todos querem acusar, mas não dão solução. Assim ficamos no mesmo lugar.

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