Papão eficiente e objetivo

POR GERSON NOGUEIRA

Ratinho deixou o Paysandu na frente na primeira etapa

O jogo não foi das mais empolgantes. As más condições do gramado e a chuva que caiu na Arena Verde prejudicaram a movimentação dos times e a qualidade técnica das jogadas. Apesar disso, o PSC foi superior e mostrou evolução em comparação com a partida de estreia. Diante das poucas oportunidades de gol, o time de Itamar Schülle conseguiu uma vitória suada e importante sobre o Paragominas, explorando os contra-ataques e aproveitando as falhas do adversário.

A pressão inicial coube ao Paragominas, mas a correria esbarrava nas decisões erradas quando o time tentava chegar ao gol de Paulo Ricardo. Ratinho, que já atuou pelo PFC, marcou o primeiro gol em boa trama envolvendo o lateral Israel e do atacante Ari Moura, aos 34 minutos.

Apesar de levar alguns sustos com avanços de Aleílson e Michel Santos, a defesa bicolor se comportou bem, com Perema se destacando nas antecipações. Denilson e Yan tinham participação mais discreta, embora mostrando firmeza no primeiro combate à frente da área.

O Paragominas, além dos erros nas trocas de passe, falhava nos disparos em direção ao gol. Do lado alviceleste, a presença dos estreantes Ratinho e Rui tornou a troca de passes mais objetiva. O ataque, comandado por Nicolas, contou com o apoio constante dos laterais Israel e Diego Matos.   

Na etapa final, o Jacaré resolveu botar pressão desde os primeiros minutos, mas esbarrava na imprecisão dos arremates. Um dos raros momentos de capricho ocorreu com Aleilson, que acertou um chute para boa defesa de Paulo Ricardo aos 6 minutos.  

A posse de bola era do Paragominas, mas quem levava perigo era o PSC nos raros contra-ataques puxados por Israel e Nicolas. A falta de articulação no meio comprometia toda a estratégia do time da casa. O segundo bom momento foi em chute forte de Paulo de Tárcio, aos 29’.  

Excessivamente encolhido, utilizando quase todo o time para segurar a correria do Paragominas, o PSC se preocupava mais com a defesa e tinha dificuldades para sair em velocidade. Quando a chance apareceu, a bola terminou se oferecendo para o artilheiro Nicolas, que não hesitou. Bateu forte e rasteiro na saída do goleiro Gustavo Henrique.

A boa notícia para a torcida bicolor foi a clara melhoria na organização geral da equipe, motivada principalmente pela nova formação do meio-campo, com a entrada de Ratinho e Rui, e complementada pelo crescente entrosamento de Nicolas e Ari Moura. Por outro lado, Marlon continua muito abaixo das expectativas.

Outro aspecto a ser ressaltado foi a estreia satisfatória do lateral Israel, que teve intensa presença nas jogadas de ataque no primeiro tempo. Igor Goularte, que entrou nos minutos finais, pouco produziu. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

O futebol não está imune aos riscos da pandemia

“É quase inacreditável que saiu uma tabela da Copa do Brasil hoje, com jogos dias 10 e 17, 80 clubes que nós vamos levar com delegação de 30 pessoas para um lado e para outro do país. O nosso país parou, gente. Não tem lugar nos hospitais, eu estou perdendo amigos, estou perdendo amigos treinadores, não é hora mais, é hora de segurar a vida”.

A frase, proferida pelo técnico Lisca, repercutiu intensamente desde a noite de quarta-feira. Ele apelou ao bom senso do presidente da CBF, dos diretores e até do técnico Tite, da Seleção. Em vão, obviamente.

Como resposta, o silêncio constrangedor. Uma voz se levantou e, previsivelmente, criticou Lisca. Sim, Renato Gaúcho, ex-ícone da malandragem boleira e cada dia mais conservador, discordou do treinador do América. Normal, Renato é negacionista e apoia Jair Bolsonaro.

Lisca estava abalado com a morte de seu amigo Ruy Scarpino, vítima de covid-19. Técnico de futebol, Scarpino morreu em Manaus. Sua solitária pregação é exceção no universo boleiro, que prefere levar em frente campeonatos, indiferente à tragédia que assola o país.

Para alguns profissionais, jogadores e profissionais do futebol devem seguir em atividade como forma de distrair as pessoas em meio à pandemia. É um jeito maroto de justificar a continuação das partidas, mesmo que a maioria dos Estados esteja com o sistema de saúde em colapso e o número de óbitos no país já ultrapasse 261 mil.

Fala-se, com cinismo, que o futebol deve prosseguir porque a Europa está com as competições em atividade. Nada mais enganoso e impróprio. O velho continente não enfrenta hoje os problemas vividos no Brasil. Aqui há uma tragédia, um genocídio. Lá, os países controlam o avanço da doença.

No Pará, cujo campeonato foi mantido, hospitais privados e particulares estão com a capacidade praticamente esgotada. Em entrevista à Rádio Clube, o médico Flávio Freire referiu-se exatamente a isso. Os jogadores podem estar resguardados pelo protocolo sanitário, mas os riscos existem, principalmente com o avanço de novas cepas.

A própria segurança dos protocolos é colocada em xeque pelo surgimento de casos de covid em vários times. O Corinthians é um exemplo, com três jogadores positivados nesta semana. E mais: os clubes têm profissionais que integram o grupo de risco e os atletas podem transmitir o vírus para familiares idosos ou com comorbidades.

Paralisar as competições é, acima de tudo, questão de responsabilidade.

Presença de torcida em Paragominas agride protocolo

A FPF precisa urgentemente reforçar a necessidade de cumprimento do protocolo sanitário no Campeonato Estadual. Ontem, em Paragominas, torcedores tiveram acesso à Arena Verde sem que ninguém se responsabilizasse pela irregularidade. 

A diretoria do PSC informou que irá denunciar o fato. Se abusos desse tipo não forem contidos, a porteira ficará aberta para a avacalhação geral do protocolo. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 05)

Felipe Gedoz acerta retorno ao Leão

O meia Felipe Gedoz acertou seu retorno ao Remo. O acordo foi firmado na tarde desta quarta-feira, 3. O jogador, que defendeu o Leão na Série C e na Copa Verde, havia se desligado ao final do contrato. Depois de uma mobilização que envolveu apelos à torcida para colaborar doando dinheiro para bancar a transação, a diretoria confirmou o retorno de Gedoz.

Gedoz, de 27 anos, surgiu com destaque no Atlhético-PR em 2017, onde marcou 9 gols em 33 partidas. Antes de ser negociado com o Nacional-URU, ainda passou por Goiás e Vitória. No clube uruguaio fez apenas 5 partidas em 2020, antes da pandemia.

Chegou ao Remo no início de novembro, em contrato de empréstimo, para jogar a reta final da Série C do Brasileirão. Depois de um começo pouco empolgante, foi se firmando no time e caiu no gosto do Fenômeno Azul. Atuou em 19 jogos e fez dois gols.

Promotoria do MPPA recomenda lockdown na Região Metropolitana de Belém

A 3ª Promotoria de Justiça de Direitos Constitucionais Fundamentais e dos Direitos Humanos, do Ministério Público do Estado, em nome do Grupo de Trabalho Estratégico Covid-19, expediu nesta quarta-feira uma recomendação administrativa dirigida ao Governo do Estado e à Prefeitura de Belém, para que determinem a suspensão total do funcionamento de serviços não-essenciais (lockdown) na Região Metropolitana I e em Belém. Pelo documento do MPPA, após a decretação do lockdown, Estado e município devem providenciar a adoção de estratégias para continuidade da campanha de vacinação contra a covid-19.

A recomendação aborda também a necessidade de criação e ampliação do número de leitos clínicos e de UTI de internação nos hospitais de referência para covid-19, estabelecendo prazo de 48h para que Estado e município se manifestem, de forma fundamentada, acerca do acatamento (parcial ou integral) ou não da recomendação. Em caso de aprovação, o cronograma que observe a urgência que o caso requer, para a implementação integral das medidas.

As promotoras de Justiça que assinam a recomendação observam que, segundo boletim da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), a taxa de ocupação de leitos em Belém no dia 2 de março de 2021 alcançava 66,6% em leitos de UTI e 94% de leitos clínicos. O documento ressalta ainda que a rede de saúde pública está na iminência de entrar em colapso, devido às altas taxas de ocupação de leitos clínicos e de UTI, “como demonstra consulta ao Sistema Estadual de Regulação (SER), que apontava como disponíveis no Hospital de Campanha do Hangar, no dia 3 de março de 2021, às 12:00, 11 leitos de UTI e 10 leitos clínicos, às 16:50 somente 8 leitos de UTI e 5 leitos clínicos, e às 17:56 somente 8 leitos de UTI e 2 leitos clínicos”.

Os dados indicam que a taxa de reprodução (TR) da covid-19 na Região Metropolitana I se encontra em 1,03, no período de 24 de fevereiro a 2 de março de 2021, o que implica aceleração do contágio. “É necessário reduzir a velocidade de contágio e aliviar a pressão sobre os serviços de saúde, a fim de que o sistema de saúde possa atender a todos os que precisarem”, destaca a recomendação, que é assinada pelas promotoras Fabia de Melo-Fournier (3ª PJDCFDH), Ioná Silva de Sousa Nunes (GTE Covid-19), Adriana de Lourdes Simões Colares (coordenadora GTE Covid-19) e Juliana Nunes Felix (GTE Covid-19).

Ronaldo Porto segue hospitalizado, mas apresenta melhora no tratamento

Apresentador Ronaldo Porto está intubado devido à Covid-19

O apresentador Ronaldo Porto continua em estado grave, em tratamento contra complicações provocadas pela covid-19. Nos últimos dias, porém, ele apresentou melhoras significativas. Apesar de a infecção continuar em nível elevado, a pressão tem se mantido estável e ele tem conseguido fazer hemodiálise sem grandes problemas. As informações são do último boletim sobre o estado de saúde dele, divulgado no começo da tarde desta quinta-feira, 4.

Ronaldo, 68 anos, jornalista, narrador esportivo e apresentador da TV RBA, está está internado no Hospital Amazônia há três semanas. Em função do agravamento de seu estado, precisou ser entubado há uma semana. Desde então, vem evoluindo positivamente a cada dia, enchendo de otimismo familiares, amigos e colegas de trabalho.

Pacto informal entre federações, clubes e TV’s mantém futebol, apesar da pandemia

Por Marcel Rizzo, no UOL

Mateus Vital e Breno Lopes em disputa durante o Dérbi na Neo Química Arena. FPF não quis adiar a partida pelo Paulistão - Marcello Zambrana/AGIF

Há um acordo informal entre clubes, federações, CBF e detentores de direito de transmissão para evitar que a temporada 2021 do futebol brasileiro avance para 2022 como ocorreu com a de 2020, que entrou por 2021. Só haverá adiamentos se os governos proibirem jogos — por enquanto isso ocorreu apenas no Paraná e em Santa Catarina. O principal ponto desse acordo é justamente evitar o adiamento de jogos de qualquer uma das competições, nacionais ou internacionais (organizadas pela Conmebol). A ideia é: se tem o aval governamental para a partida ocorrer, que ela ocorra mesmo se um dos times, por exemplo, tiver casos de Covid-19.

O protocolo de 2021 é o mesmo de 2020: clubes realizam até dois exames por semana em todas as pessoas ligadas ao departamento de futebol e se houver contaminação o profissional é isolado. Os demais jogadores, membros da comissão, etc. se tiverem seus exames negativados se mantêm aptos a treinar e jogar, mesmo que tenham tido contato com os companheiros doentes. O pedido do Palmeiras para adiar o jogo contra o Corinthians pelo Paulistão nesta quarta (3), porque seria realizado entre os confrontos da final da Copa do Brasil contra o Grêmio, foi mal recebido dentro da Federação Paulista de Futebol (FPF) justamente por esse pacto por não adiamentos.

A diretoria da FPF argumentou ao clube que estava cumprindo o mínimo de horas de descanso entre dois jogos, que por causa da pandemia caiu de 66 para 48 (nesse caso foram 70 horas entre a final da Copa do Brasil no domingo e o Dérbi), e que já havia adiado a estreia palmeirense, contra o São Caetano, por causa da decisão do torneio da CBF.

Por isso, também, não se cogitou adiar o Dérbi devido ao surto de Covid-19 no elenco corintiano, que teve oito atletas contaminados fora da partida desta quarta-feira, entre eles jogadores importantes como Cássio, Fábio Santos e Fagner. No Paulistão a FPF manteve uma lista B de inscritos para que os clubes coloquem atletas da base que possam atuar em casos de emergência — só cinco podem estar em campo ao mesmo tempo.

Na visão de clubes e federações, se campeonatos pararem ou jogos forem adiados e a temporada encavalar novamente problemas econômicos que ocorreram em 2020/2021 vão se repetir. Por exemplo: atraso nos pagamentos de cotas das entidades organizadoras e de bônus a receber de patrocinadores por metas alcançadas dos campeonatos que não terminarem nas datas originais.

Também houve alguns clubes que tiveram conversas de parcerias interrompidas ou adiadas por causa da indefinição de quando uma temporada acabaria e a outra começaria. O plano, portanto, é zerar o calendário em 2021 para voltar em 2022 ao normal. Mesmo que a pandemia esteja na pior fase no Brasil.

A frase do dia

“Gente que votou no bolsonaro ‘contra a corrupção’ e está vendo sem esboçar reação o filho dele comprar uma casa de 6 milhões em plena pandemia é otária ou cúmplice?”.

Cynara Menezes, jornalista