Lula elegível rompe inércia da morte e redesenha estratégias

Por Reinaldo Azevedo

A mudança de status ocorre, no caso, não porque o Judiciário passou a fazer política, mas porque parou de fazê-la

A elegibilidade de Lula rompeu a inércia da morte no país. Uma espécie de nuvem de alienação, com seus miasmas de ignorância literalmente virulenta, parecia turvar as consciências. Estávamos, desgraçadamente, nos acostumando a noticiar sucessivos recordes de corpos, enquanto o Fanfarrão Minésio que ocupa o Palácio do Planalto se dedicava a seus discursos homicidas, com convite ao suicídio desassistido. Uma parte da classe política se dedicava às exclamações do horror, impotente para ir além. A outra está a serviço do Planalto, como ocorre sempre, em qualquer governo.
Lula fez o seu discurso como potencial candidato em 2022 e operou de imediato uma mudança em Brasília: meteu uma máscara na cara de Bolsonaro e de seus ministros, já habituados ao ritual diário de genuflexão ao vírus. É importante que tenhamos isso claro —e vai entrar para a história: o presidente que aí está é o primeiro político que elegeu a doença e a morte como aliadas.
Reconheça-se o prodígio: Bolsonaro conseguiu emprestar uma roupagem populista ao negacionismo, exercendo-o em nome dos supostos interesses da maioria. Afinal, medidas restritivas para tentar impedir uma tragédia de proporções bíblicas implicam perdas. Faz terrorismo econômico e empurra as pessoas para o túmulo, o sistema de saúde para o colapso, e o Brasil para o abismo.
Muita coisa haverá ainda de ser escrita para demonstrar como chegamos aqui. Sim, é verdade: não estivesse a corrupção entranhada no país; não fossem rotineiros os caminhos paralelos para fazer negócios com entes do Estado; não estivesse o aparelho estatal infiltrado por interesses corporativos e de classe; não fossem as marcas, algumas quase atávicas, do nosso atraso, e não teria havido uma Operação Lava Jato.
Montar, no entanto, sob o pretexto de combater a corrupção, um estado paralelo para tomar o poder de assalto —corroendo de maneira consciente e determinada as bases do sistema de representação política e do devido processo legal— é tarefa que caracteriza mais uma organização criminosa do que uma Liga da Justiça, como foram caracterizados os bravos integrantes da Lava Jato, sob o óbvio e ilegal comando de um então juiz.
O Brasil dispõe de uma Constituição, de um Código de Processo Penal, de uma Lei Orgânica da Magistratura. Ou bem se combatem os malfeitos segundo essas balizas, ou ficamos sujeitos a vocações messiânicas —e a palavra aqui, infelizmente, assume mais de um sentido por força dos desatinos em que mergulhamos.
Não é sem alguma amargura que escrevo que o reconhecimento da suspeição de Sergio Moro e a constatação de que não era ele o juiz natural das ações penais que contra Lula corriam na 13ª Vara Federal de Curitiba são questões que não atinem apenas ao direito. Também dizem respeito ao caráter. Ou bem assentimentos com a “ilegalidade em nome da lei” ou bem reconhecemos o que está escancarado nos autos.
Volto ao começo. É evidente que a (re)emergência de Lula no cenário eleitoral desestruturou o antigo status. Bolsonaro se dedicava a manter unidos os seus extremistas com renovadas agressões à vida, à ciência e à lógica. A pletora de candidatos de centro e centro-direita estava aí, à espera de algum autor. À esquerda e centro-esquerda, havia uma certeza: Ciro Gomes e o ungido por Lula no PT não caminhariam juntos.
O quadro mudou. Bolsonaro não tem saída a não ser moderar o seu discurso. A conversa de que Lula é seu antípoda ideal é tão verdadeira como a eficácia da cloroquina no tratamento da Covid-19. A postulação de Ciro Gomes terá de voltar os olhos, e isto já vinha acontecendo, para o centro e para a centro-direita. O interesse nessa conversa é mútuo.
São efeitos virtuosos, e eles não me surpreendem. O desastre em curso —e isso inclui os quase 300 mil mortos— é consequência do assalto à política realizado pelo Papol, o Partido da Polícia, ente de razão criado por setores do MPF, do Judiciário, da PF e, infelizmente, da imprensa.
Que triunfe a lei. Se isso implicar a elegibilidade de Lula, deixem a escolha para o eleitor. Ninguém será obrigado a votar nele.

A frase do dia

“A juventude brasileira, incentivada a não usar máscara, não tomar vacina e ir pra rua pelo Genocida, massacrada pelo governo militar, que sabota a compra de imunizantes, com um plano claro de extermínio, é agora a principal vítima da Covid. E será a última a ser vacinada.”

Palmério Dória, jornalista e escritor

Aparecida Serique Pereira: uma mulher que não apareceu do nada

Aparecida, que na imagem está ao lado de Jota Ninos( o primeiro à esquerda), durante encontro informal com a equipe do Cartas na Mesa – com Ormano Souza, Socorro Carvalho e Miguel Oliveira( à direita) – Créditos: Arquivo pessoal

Por Jota Ninos e Miguel Oliveira, n’oestadonet

Carregando o nome da padroeira do Brasil, Maria Aparecida Serique Pereira, não apareceu do nada enquanto esteve entre nós. Assistente social do SESI por muitos anos, se orgulhava de ter vencido várias batalhas para chegar aonde chegou.

Depois de anos trabalhando com pessoas simples, trabalhadores das poucas indústrias existentes em Santarém (cerâmicas, madeireiras e panificadoras, entre outros médios e grandes negócios) encontrou a paixão num dos empresários dinâmicos da área de comunicação e que foi líder empresarial da região, à frente da Associação Comercial e Empresarial de Santarém.

Um encontro de ideias sobre o mundo bem diferentes, mas que conseguiram uma fusão perfeita entre capital e trabalho. Sem levantar bandeiras, Aparecida e Milson Pereira conseguiram fazer da relação o amálgama do que sonhavam ser, num futuro póximo, um Sistema Guarany de Comunicação mais vibrante e social, depois de forjado na tradição da família liderada pelo propagandista visionário Otávio Pereira.

Os filhos mais velhos dele foram escolhidos para assumir o negócio, mas Ademir e Milson, infelizmente, se foram e logo depois o pai. E no meio de um intricado jogo familiar o empreendimento acabou ficando nas mãos de Aparecida, que poucos sabiam já trabalhar nos bastidores com dicas sobre programas que tinham a marca de sua vivência social. Programas como o Rádio Interativo, no horário da manhã da Guarany FM, com um viés social trazendo á tona inquietações sobre o cotidiano e ouvindo a população sobre eles.

Essa inquietude social levou Aparecida a buscar algo ainda mais ousado. Queria um programa jornalístico com opinião, diversificado, mesmo sabendo que tal ousadia seria até perigosa em momentos de reconstrução financeira da empresa, enquanto sofria ataques muitas vezes injustos em blogs, por conta de relações com outros interesses financeiros, além de vários processos na Justiça decorrentes de uma batalha sem igual.

Mas Aparecida não desaparecia do nada. Nunca quis sumir do mundo, como muitos que se vêem em situações complicadas. Enfrentava a tudo e todos, e resolveu juntar um naipe de jornalistas experientes para lançar um programa ousado e dinâmico no dia 06/05/2019: o Cartas na Mesa, produzido pelo Portal OESTADONET.

Juntou num mesmo estúdio profissionais de vários matizes ideológicos, ao comando de dois jornalistas que conseguiam trilhar o caminho que ela bem soube trilhar: a convivência entre os diferentes. Miguel Oliveira e Jota Ninos lideravam uma equipe com Gerson Nogueira, Ormano Sousa, Ercio Bemerguy, Socorro Carvalho, Rogéria do Carmo, Ruy Néri, Pascoal Gemaque, padres Sidney Canto e Auricélio Paulino, Anselmo Colares e Leiria Rodrigues. O programa foi amado e odiado, repercutindo politicamente com muita ênfase. Aparecida chegou a ser pressionada para fazer desaparecer do ar aquela iniciativa pioneira. Mas resistiu.

Mas no meio do caminho tinha uma pandemia. O programa foi suspenso, porque os apresentadores, do grupo de risco, preferiram se precaver. Mas Aparecida não podia desaparecer de repente. Se manteve firme à frente da emissora durante toda a pandemia, até ser vítima dela, neste dia 11 de março de 2021.

Aparecida não desapareceu. Entrou para a história das mulheres de fibra que hoje são a base da comunicação local, seja na rua como repórteres, seja como gestoras.

Para The Economist, Lula pode concorrer novamente em 2022

The Economist: brasileiros considerarão eleição ilegítima se Lula não concorrer

A revista britânica The Economist, uma das mais influentes publicações do Reino Unido, publicou reportagem nesta quinta-feira (11) sobre a situação política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a anulação de suas condenações. A revista destaca a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, que anulou as sentenças contra Lula na Lava Jato. A publicação também apontou críticas ao governo de Jair Bolsonaro, afirmando que Bolsonaro trata a Covid-19 com “apatia e charlatanismo”, e que a pandemia matou mais de 265.000 brasileiros.

“O Brasil continua polarizado, mas o antibolsonarismo pode ter superado o antipetismo. Em uma pesquisa recente, 50% dos brasileiros disseram que poderiam votar em Lula; 44% disseram que nunca o fariam. Apenas 38% disseram que podiam votar em Bolsonaro; 56% se recusam a isso”, destacou a revista The Economist.

“O PT avançou ainda mais para a esquerda nos últimos anos, mas Lula pode fazer com que o partido volte ao centro, como fez em seu primeiro mandato”, acrescentou a revista. 

O alvo

Por Heraldo Campos – especial para o blog

É impressionante como o ex-presidente Lula continua sendo o alvo. Depois da recente decisão no STF (Supremo Tribunal Federal), sobre a incompetência daquela “turma legal” de Curitiba para os processos relacionados ao ex-presidente, as “viúvas do juiz justiceiro”, nos telejornais das mídias familiares, estavam com cara de velório, de enterro, meio que “perdidas” e sem ter o que falar (e justificar) na frente da telinha.

Muitas dessas “viúvas”, inclusive, estavam vestidas, fisicamente, de preto para ornarem com o cenário das suas respectivas empresas de televisão. Por isso, ficaram tentando driblar a cabeça do telespectador, se contorcendo para mais de metro, na tentativa de esconder porque foram cúmplices (e continuam sendo) da empulhação política-eleitoral que se envolveram, no nosso passado recente.

Uma coisa é liberdade de imprensa. Outra coisa é liberdade de empresa. A liberdade de imprensa é imprescindível para a democracia funcionar e evoluir. Porém, a liberdade da empresa de comunicação, quando extrapola os limites da verdade e passa a difundir a mentira como uma linha auxiliar do projeto de poder de determinados grupos, deve ser sempre questionada e cobrada. E, convenhamos, isso não é nada fácil.

Salvo melhor juízo, entende-se que algumas empresas de comunicação, ao invés de ficarem cobrando a autocrítica de governos progressistas, deveriam mesmo é se mancar e promover a sua autocrítica no apoio que deram (e dão) aos governos antidemocráticos como, por exemplo, o apoio para a ditadura Bolsonaro, que tanto nos atormenta no nosso cotidiano desde a sua implantação no ano de 2019.

Mas, se não é isso o que fazem, por que não atuam, definitivamente, para a remoção desse governo do poder, por tudo o que se sabe dos seus desmandos e dos seus movimentos contrários a democracia? Em outras palavras, até quando vão ser parceiras desse governo?

“Assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida.” (Mahatma Gandhi).

*Heraldo Campos é Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo – USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña – UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo – USP.

Papão destaca Oberdan no lançamento da nova camisa

Novo uniforme do Paysandu para a temporada — Foto: Divulgação

O baionense Oberdan Bendelack é o garoto-propaganda da nova camisa que o PSC lançou oficialmente, na manhã desta quinta-feira. O uniforme da Coleção Constelação faz homenagem ao título da Série B do Brasileiro de 1991, conquistado pelo Papão há quase 30 anos e que teve o médio-volante nascido no distrito do Umarizal (Baião) como um dos expoentes. Destaque fica para a única estrela acima do escudo, que faz referência à primeira conquista nacional do Paissandu. As mangas têm características que também já eram exploradas no uniforme de 1991.

“Já tínhamos lançado as camisas de treino e concentração, agora apresentamos a de jogo. Todas elas são bem diferentes daquilo que o torcedor viu nos últimos anos. A Lobo sempre vai ter esse desafio de se destacar com peças que não sejam muito parecidas com as anteriores e tem conseguido isso de forma brilhante. A camisa está linda e eu tenho certeza que vai cair no gosto do público rapidamente”, explicou o presidente bicolor Maurício Ettinger, em entrevista ao site do clube.

O Paysandu lançou oficialmente, na manhã desta quinta-feira, a nova camisa de jogo que será usada pelo clube na temporada. O material já havia vazado nas redes sociais. O uniforme da Coleção Constelação faz uma homenagem ao título da Série B do Brasileiro de 1991, conquistado pelo Papão há quase 30 anos.

O modelo “Campeão Brasileiro – 1991” está sendo vendido nas Lojas Lobo a R$ 229,90 o masculino, R$ 219,99 o feminino e o juvenil e R$ 209,99 o feminino. (Com informações do Globo Esporte)