Ministério Público decide não pedir a paralisação do Parazão

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O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), que já recomendou o lockdown aos governos do Estado e da Prefeitura de Belém resolveu não pedir por enquanto a suspensão do Campeonato Estadual. Segundo o promotor Nilton Gurjão, o órgão vai esperar que os gestores se posicionem sobre a recomendação de lockdown feita na quinta-feira, 4. O promotor integra a Comissão do MPPA do Estatuto do Torcedor. O assunto foi discutido em um grupo de aplicativo de mensagem composto por promotores de todo o Brasil que atuam nessa área. 

“Depois de muita discussão e considerando a recomendação do MP de lockdown, entendemos que devemos aguardar a posição dos gestores municipal e estadual a respeito do assunto. Portanto, a comissão não vai, por enquanto, pedir a paralisação do Campeonato”, afirmou o promotor Nilton Gurjão. 

A justificativa técnica para a posição adotada pelo MPPA e pela Federação Paraense de Futebol é que há um protocolo específico para a realização do torneio, apesar da mudança para o bandeiramento vermelho no Pará.

Papão eficiente e objetivo

POR GERSON NOGUEIRA

Ratinho deixou o Paysandu na frente na primeira etapa

O jogo não foi das mais empolgantes. As más condições do gramado e a chuva que caiu na Arena Verde prejudicaram a movimentação dos times e a qualidade técnica das jogadas. Apesar disso, o PSC foi superior e mostrou evolução em comparação com a partida de estreia. Diante das poucas oportunidades de gol, o time de Itamar Schülle conseguiu uma vitória suada e importante sobre o Paragominas, explorando os contra-ataques e aproveitando as falhas do adversário.

A pressão inicial coube ao Paragominas, mas a correria esbarrava nas decisões erradas quando o time tentava chegar ao gol de Paulo Ricardo. Ratinho, que já atuou pelo PFC, marcou o primeiro gol em boa trama envolvendo o lateral Israel e do atacante Ari Moura, aos 34 minutos.

Apesar de levar alguns sustos com avanços de Aleílson e Michel Santos, a defesa bicolor se comportou bem, com Perema se destacando nas antecipações. Denilson e Yan tinham participação mais discreta, embora mostrando firmeza no primeiro combate à frente da área.

O Paragominas, além dos erros nas trocas de passe, falhava nos disparos em direção ao gol. Do lado alviceleste, a presença dos estreantes Ratinho e Rui tornou a troca de passes mais objetiva. O ataque, comandado por Nicolas, contou com o apoio constante dos laterais Israel e Diego Matos.   

Na etapa final, o Jacaré resolveu botar pressão desde os primeiros minutos, mas esbarrava na imprecisão dos arremates. Um dos raros momentos de capricho ocorreu com Aleilson, que acertou um chute para boa defesa de Paulo Ricardo aos 6 minutos.  

A posse de bola era do Paragominas, mas quem levava perigo era o PSC nos raros contra-ataques puxados por Israel e Nicolas. A falta de articulação no meio comprometia toda a estratégia do time da casa. O segundo bom momento foi em chute forte de Paulo de Tárcio, aos 29’.  

Excessivamente encolhido, utilizando quase todo o time para segurar a correria do Paragominas, o PSC se preocupava mais com a defesa e tinha dificuldades para sair em velocidade. Quando a chance apareceu, a bola terminou se oferecendo para o artilheiro Nicolas, que não hesitou. Bateu forte e rasteiro na saída do goleiro Gustavo Henrique.

A boa notícia para a torcida bicolor foi a clara melhoria na organização geral da equipe, motivada principalmente pela nova formação do meio-campo, com a entrada de Ratinho e Rui, e complementada pelo crescente entrosamento de Nicolas e Ari Moura. Por outro lado, Marlon continua muito abaixo das expectativas.

Outro aspecto a ser ressaltado foi a estreia satisfatória do lateral Israel, que teve intensa presença nas jogadas de ataque no primeiro tempo. Igor Goularte, que entrou nos minutos finais, pouco produziu. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

O futebol não está imune aos riscos da pandemia

“É quase inacreditável que saiu uma tabela da Copa do Brasil hoje, com jogos dias 10 e 17, 80 clubes que nós vamos levar com delegação de 30 pessoas para um lado e para outro do país. O nosso país parou, gente. Não tem lugar nos hospitais, eu estou perdendo amigos, estou perdendo amigos treinadores, não é hora mais, é hora de segurar a vida”.

A frase, proferida pelo técnico Lisca, repercutiu intensamente desde a noite de quarta-feira. Ele apelou ao bom senso do presidente da CBF, dos diretores e até do técnico Tite, da Seleção. Em vão, obviamente.

Como resposta, o silêncio constrangedor. Uma voz se levantou e, previsivelmente, criticou Lisca. Sim, Renato Gaúcho, ex-ícone da malandragem boleira e cada dia mais conservador, discordou do treinador do América. Normal, Renato é negacionista e apoia Jair Bolsonaro.

Lisca estava abalado com a morte de seu amigo Ruy Scarpino, vítima de covid-19. Técnico de futebol, Scarpino morreu em Manaus. Sua solitária pregação é exceção no universo boleiro, que prefere levar em frente campeonatos, indiferente à tragédia que assola o país.

Para alguns profissionais, jogadores e profissionais do futebol devem seguir em atividade como forma de distrair as pessoas em meio à pandemia. É um jeito maroto de justificar a continuação das partidas, mesmo que a maioria dos Estados esteja com o sistema de saúde em colapso e o número de óbitos no país já ultrapasse 261 mil.

Fala-se, com cinismo, que o futebol deve prosseguir porque a Europa está com as competições em atividade. Nada mais enganoso e impróprio. O velho continente não enfrenta hoje os problemas vividos no Brasil. Aqui há uma tragédia, um genocídio. Lá, os países controlam o avanço da doença.

No Pará, cujo campeonato foi mantido, hospitais privados e particulares estão com a capacidade praticamente esgotada. Em entrevista à Rádio Clube, o médico Flávio Freire referiu-se exatamente a isso. Os jogadores podem estar resguardados pelo protocolo sanitário, mas os riscos existem, principalmente com o avanço de novas cepas.

A própria segurança dos protocolos é colocada em xeque pelo surgimento de casos de covid em vários times. O Corinthians é um exemplo, com três jogadores positivados nesta semana. E mais: os clubes têm profissionais que integram o grupo de risco e os atletas podem transmitir o vírus para familiares idosos ou com comorbidades.

Paralisar as competições é, acima de tudo, questão de responsabilidade.

Presença de torcida em Paragominas agride protocolo

A FPF precisa urgentemente reforçar a necessidade de cumprimento do protocolo sanitário no Campeonato Estadual. Ontem, em Paragominas, torcedores tiveram acesso à Arena Verde sem que ninguém se responsabilizasse pela irregularidade. 

A diretoria do PSC informou que irá denunciar o fato. Se abusos desse tipo não forem contidos, a porteira ficará aberta para a avacalhação geral do protocolo. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 05)

Felipe Gedoz acerta retorno ao Leão

O meia Felipe Gedoz acertou seu retorno ao Remo. O acordo foi firmado na tarde desta quarta-feira, 3. O jogador, que defendeu o Leão na Série C e na Copa Verde, havia se desligado ao final do contrato. Depois de uma mobilização que envolveu apelos à torcida para colaborar doando dinheiro para bancar a transação, a diretoria confirmou o retorno de Gedoz.

Gedoz, de 27 anos, surgiu com destaque no Atlhético-PR em 2017, onde marcou 9 gols em 33 partidas. Antes de ser negociado com o Nacional-URU, ainda passou por Goiás e Vitória. No clube uruguaio fez apenas 5 partidas em 2020, antes da pandemia.

Chegou ao Remo no início de novembro, em contrato de empréstimo, para jogar a reta final da Série C do Brasileirão. Depois de um começo pouco empolgante, foi se firmando no time e caiu no gosto do Fenômeno Azul. Atuou em 19 jogos e fez dois gols.